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Transcrição:

Acórdão 4ª Turma Contribuições Previdenciárias. Juros da mora e correção monetária. As contribuições previdenciárias, a despeito de serem corrigidas monetariamente nos mesmos moldes das demais verbas deferidas em Juízo, só sofrerão a incidência de juros da mora caso não haja o recolhimento até o dia dois do mês subsequente ao pagamento das verbas deferidas em Juízo ao reclamante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de agravo de petição, em que figuram, como agravante, SIDERÚRGICA BARRA MANSA S.A., e como agravada, UNIÃO FEDERAL. Inconformada com a decisão de fls. 400/1, proferida pelo Juiz Gilberto Garcia da Silva na 2ª VT/Volta Redonda, que julgou improcedentes os embargos à execução, agrava de petição a reclamada, consoante razões de fls. 410/20. Argui a prescrição quinquenal, uma vez que as verbas deferidas abrangem o período de março de 1996 a junho de 2000. Sustenta que não deve haver incidência de multa e juros da mora sobre as parcelas previdenciárias. Requer o provimento de seu agravo de petição, para extinguir a execução. Contraminuta a fls. 423/8. É o relatório. V O T O 20506 1

Da prescrição Argui a prescrição quinquenal, uma vez que as verbas deferidas abrangem o período de março de 1996 a junho de 2000. As contribuições previdenciárias têm nítida natureza tributária, ante sua topografia constitucional, eis que localizadas no Capítulo I do Título VI da Constituição Federal, que trata do Sistema Tributário Nacional. O caput do art. 149 da Constituição Federal determina que as contribuições sociais para a seguridade social, entre elas a contribuição previdenciária, devem observar as normas gerais em matéria tributária (art. 146, III) e, ainda, as normas tributárias previstas no art. 150, I e III, portanto, submetidas expressamente ao regime tributário. O Código Tributário Nacional prevê em seu art. 173 o prazo de 5 (cinco) anos para que se promova a cobrança do crédito tributário devidamente constituído. No caso em tela, a autarquia previdenciária só teve ciência do crédito constituído a partir da determinação de fls. 360, em 03/06/2009, quando passou a fluir o prazo prescricional. Como os cálculos previdenciários foram apresentados pela União em 14/09/2009 (fls. 364 e segs.), não há que se falar em prescrição quinquenal, ainda que os valores a serem recolhidos sejam referentes à prestação de serviço há mais de cinco anos. NEGO PROVIMENTO. Dos juros da mora e multa sobre contribuições previdenciárias O T.S.T. já consagrou o entendimento de que só incidem juros da mora sobre o valor de contribuições previdenciárias decorrentes de sentença judicial se não houver o recolhimento até o dia dois do mês subsequente ao pagamento ao reclamante. O Ministro Maurício Godinho Delgado foi o relator do RR 115/2007 147 15 00.9, cuja ementa ora se transcreve: "RECURSO DE REVISTA. UNIÃO/INSS. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA DE 20506 2

JUROS E MULTA. MOMENTO DE APURAÇÃO. Com respeito a processos em que se apuram contribuições previdenciárias decorrentes de decisão judicial (sentença ou acordo), só haverá incidência de juros de mora e de multa se a executada não efetuar o recolhimento da parcela devida ao INSS no prazo que lhe faculta a lei, qual seja, até o dia dois do mês subseqüente ao pagamento realizado ao obreiro, nos termos do artigo 276 do Regulamento da Previdência Social (Decreto n. 3.048/99). Essa regra se aplica tanto aos valores pagos em virtude da liquidação da sentença ou do cumprimento do acordo, quanto às contribuições devidas referentes aos salários pagos durante o pacto laboral só reconhecido em juízo (parágrafo único do art. 876 da CLT), ainda que abrangendo vários anos atrás. Considera se que esse critério se coaduna com o espírito da Lei que, ao prever a possibilidade de execução das contribuições previdenciárias por esta Justiça do Trabalho, inclusive incidentes sobre os salários pagos no curso da relação de emprego reconhecida judicialmente, com certeza não pretendeu onerar excessivamente os contribuintes, com a criação de possíveis situações inusitadas como, por exemplo, a do crédito 20506 3

previdenciário ultrapassar o valor do crédito principal devido ao trabalhador. Recurso de revista não conhecido." Registre se que, muito embora a Lei nº 10.941/2009 tenha incluído 2º ao art. 43 da Lei nº 8.213/91, que agora dispõe expressamente que o fato gerador das contribuições previdenciárias é o mês da prestação dos serviços, esse marco só será utilizado para apuração do tributo, com a consequente correção monetária. Como já dito anteriormente, o recolhimento do tributo só pode ser considerado em atraso, atraindo a incidência de multa e juros da mora, quando não obedecido o prazo do art. 276 do Decreto nº 3.048/99, que encontra se em vigor. Do que se vê, deve ser afastada a incidência de multa e juros da mora sobre o crédito previdenciário. DOU PROVIMENTO. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao presente agravo de petição, para afastar a incidência de multa e juros da mora sobre o crédito previdenciário. ACORDAM os Desembargadores que compõem a 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente agravo de petição, para afastar a incidência de multa e juros da mora sobre o crédito previdenciário. Rio de Janeiro, 12 de Junho de 2012. Luiz Augusto Pimenta de Mello Desembargador do Trabalho Relator 20506 4

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