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Transcrição:

Professor Carlos Eduardo Foganholo FOUCAULT ( 1926 1984) Foucault nos fará pensar no homem quando se percebe como louco (História da Loucura), quando se olha como doente (O nascimento da Clínica), quando reflete sobresimesmocomoservivo,serfalantee ser trabalhador (As palavras e as coisas), quando se julga e se pune quando criminosos (Vigiar e Punir), e quando se reconhece como ser do desejo.(história da Sexualidade)

O que é Arqueologia de Foucault? - Arqueologia do Saber (Arqueologia Filosófica) 1) Exumação das estruturas de conhecimento ocultas que dizem respeito a um período histórico particular; em outras palavras, a arqueologia busca encontrar os pressupostos e preconceitos, em geral inconscientes, que estão presentes no pensamento de uma época, buscar as configurações que deram lugar às formas de conhecimento = espisteme O que é Arqueologia de Foucault? - Arqueologia do Saber (Arqueologia Filosófica) 2) História do conhecimento= série de filiações conceituais, cuja evolução é atravessada de acidentes, retardada ou desviado por obstáculos, interrompidos por crises, tendo que, frequentemente, reconstruir sua razão

Em outras palavras pra ficar claro... Vejam só; para Foucault a história da ciência não é a história de um progressivo descobrimento de um conhecimento pronto que está dado. Quer dizer, muita gente acha que a história da ciência se resume nisso, muita gente acha que a história da ciência é como uma escadinha, vamos assim dizer, na qual as pessoas vão cada vez mais descobrindo a verdade, até então chegar na verdade absoluta. Foucault ensinaqueciêncianãoénadadisso. Em outras palavras pra ficar claro... Foucault pensa a história do conhecimento como algo muito mais cheio de desvios, paradas, barragens, idas e voltas. É claro que Foucault está falando disso no século XX, quando surge a Teoria da Relatividade, quando a Física da giros na forma de conhecimento. Deste modo a história da ciência não é a história de uma progressão.

Em outras palavras pra ficar claro... Ah professor, você está dizendo então que para Foucault não existe verdade? R: Não é exatamente isso que a verdade não existe e que tudo é absolutamente relativo. É que em cada época existirá uma verdade quelheéútil,quelheéprópria,quelhefaz sentido. Veja que isso é uma questão metodológica muito interessante. Vamos exemplificar melhor fazendo uso de um exemplo que o próprio Foucault traz: Foucault lembra de um conto de um grande escritor argentino (Jorge Luis Borges). Borges em um de seus contos trata de uma enciclopédia chinesa. Enciclopédia Chinesa que divide os seres vivos em: a) Pertencentes ao Imperador b) Embalsamados c) Leões d) Sereias e) Fabulosos f) Cães soltos g) Queseagitamcomoloucos h) Desenhados com um pincel finíssimo de pelo de camelo

- Para nós que classificamos os seres vivos entre vertebrados, invertebrados, etc, essa classificação de Jorge Luis Borges é muito estranha. Será que as nossas classificações são menos arbitrárias que essas? Veja que nossa classificação faz todo sentido para nós e nos parece muito lógico. Tenho certeza que para esses chineses nossa classificação não faria o menor sentido, não teria nenhuma utilidade. - Para eles então, a classificação que teria sentido e lógica seria àquela apresentada na Enciclopédia. E ai de que matasse um animal do imperador. - Foucault diz que a Enciclopédia Chinesa sacode todas as familiaridades de nosso pensamento, pensamento que tem a nossa idade, a nossa geografia, abalando todas as superfícies ordenadas (...) fazendo vacilar e inquietando por longo tempo a nossa prática milenáriadomesmooudooutro.issonofaz pensar no outro, (neste exemplo, na enciclopédia chinesa), e será que nosso sistema de classificação é menos arbitrário que este? Para nós classificação entre vertebrados e invertebrados faz todo o sentido e isso representa a nossa espisteme.

A verdade é uma produção histórica cuja análise remete a suas regras de aparecimento, organização e transformação. A arqueologia de Foucault busca encontrar os enunciados (o jogo das regras), que possibilitam um discurso ser considerado verdadeiro. 2 AHistóriadaLoucura Vamos analisar agora como Foucault faz sua história da loucura. Lembrando que a história para Foucault é algo muito importante, pois ela é capaz de nos dar o entendimento de coisas que para nós pode parecer dadas, mas que se analisadas historicamente ganham um outro contorno. Foucault vai analisar a loucura, e nesse livro A Histórica da Loucura, um livro fundamental para nossa cultura, ele tem uma tese:

TESE: A loucura não é um fato biológico, a loucura é um fato cultural. Por mais que alguns médicos (na visão de Foucault), insistam em tratar a loucura como uma questão biológica, com remédios, se você analisar a loucura historicamente, essa perspectiva de desmorona. O conceito de loucura muda através dos tempos, isso significa que: - Toda a história do início da psiquiatria moderna se revela falseada por uma ilusão retroativa, segundo a qual a loucura já estava dada ainda que de maneira imperceptível na natureza humana. Em outras palavras: O Foucault está colocando nesse trecho um problema de algumas pessoas que acham que a loucura é uma coisa dada, ou seja, existe a loucura, ela é uma questão biológica e ela sempre existiu. Foucault vai contestar isso! Vejamos: A loucura, diz Foucault, não é algo da natureza, ou uma doença, mas é um fato decultura.ahistóriadaloucura,emsuma,é a história da progressiva medicalização da loucura no pensamento ocidental.

Pra ficar claro: Foucault em sua obra apresenta para nós 4 momentos para pensarmos sobre a história da loucura. Vamos relembrar: 1º MOMENTO: -MomentodaIdadeMédia - Nesta época, o louco, (o que hoje chamamos de louco) era visto como um visionário. - LOUCO = VISIONÁRIO Como assim? Exemplo: O filme O incrível exército de Brancaleone mostra o personagem de um profeta, que como missionário conclama os homens para ir para a Terra Santa matar os mulçumanos. Se talvez um homem desses, aparece no mundo hoje, nós acharíamos que ele era louco, mas em outra época poderia ser visto como um visionário profeta.

2º MOMENTO: - Renascimento Foucault coloca que com o Renascimento há uma mudança na interpretação da loucura. A loucura no Renascimento passa a ser vista como uma espécie de outra razão. Ele é louco porque a sociedade é louca A loucura é vista como um saber fechado, esotérico, que produz e manifesta a realidade de outro mundo, e nos entrega o mundo essencial, que em sua natureza intima é furor epaixão. Todaloucuratemsuarazãoqueajulgae controla,etodarazãosualoucuranaqual ela encontra sua verdade irrisória. Exemplo: Dom Quixote, a figura de Miguel de Cervantes. Ele seria um louco que saiu por aí achando que era um cavaleiro medieval. Uma representação da loucura da época.

3º MOMENTO: - Idade Clássica(Séculos XVI e XVII) - Inicia-se com Descartes. (Fundador da Filosofia Moderna) Identifica a loucura como algo que nos leva ao erro. Oposto a razão. Louco é alguémquenãotemaverdade. - A loucura é silenciada do ponto de vista filosófico e internada do ponto de vista institucional. Ninguém mais quer ouvir o louco. A loucura passa a ser vista como um crime. Os loucos nessa época eram banidos da vida pública e reclusos, encarcerados e torturados em hospícios. Foucault chama de Grande Enclausuramento. Os chamados Hospitais Gerais proliferam pela Europa. 96 mil pessoas visitam por ano o Hospital Bethlehem como forma e entretenimento. Eram loucos: Desocupados, mendigos, homossexuais, bêbados, tudo o que se desviava do normal.

4º MOMENTO Século XVIII - A partir do Século XVIII, e somente a partir dessa época, o louco passa a ser visto como doente e não criminoso. - São desencarcerados e passam a receber cuidados médicos. - A loucura continua sendo vigiada pelo médico, que representa o poder da razão sob a loucura. A microfísica do poder

TESE: As sociedades modernas apresentam uma nova organização do poder : o poder está em toda parte, não porque englobe tudo e sim porque provém de todos os lugares. Nessa nova organização, o poder não se concentra apenas no setor político (macropoder) e nas suas formas de repressão, pois está disseminado pelos vários âmbitos da vida social. Para Foucault, o poder se fragmentou em micropoderes e se tornou muito mais eficaz. Segundo Foucault os micropoderes se espalham pelas mais diversas instituições da vida social Poderes exercidos por uma rede imensa de pessoas que interiorizam e cumprem as normas estabelecidas pela disciplina social. Exemplo: os pais, os porteiros, os enfermeiros, os professores, as secretárias, os guardas, os fiscais etc.

Por dominação não entendemos o fato de uma dominação global de um sobre os outros, ou de um grupo sobre o outro, mas as múltiplas formas de dominação que se podem exercer na sociedade. Vivemos em uma sociedade que em grande parte marcha ao compasso da verdade ou seja, que produz e faz circular discursos que funcionam como verdade, que passam por tal e que detêm, por esse motivo, poderes específicos.

Genealogia do poder Assim como o filósofo alemão Friedirich Nietzsche, Foucault também desenvolveu a sua genealogia. O ponto de partida é a noção de que os valores o bem e o mal, o verdadeiro e o falso, ocertoeoerrado,osadioeodoenteetc. são consagrados historicamente em função de interesses relativos ao poder dentro da sociedade. Ou seja, a definição do que é bom, do que é verdade, do que é sadio depende das instâncias nas quais o poder se encontra. Esse poder não seria essencialmente um poder de repressão ou de censura, mas sim um poder criador, no sentido de que produz a realidade e seus conceitos. Em seu livro Vigiar e punir, uma genealogia do poder, ele explica esse seu entendimento do que é o poder: É preciso cessar de sempre descrever os efeitos do poder em termos negativos: ele exclui, reprime, recalca, censura, discrimina, mascara, esconde. Na verdade, o poder produz: produz o real; produz os domínios de objetos e os rituais de verdade.

Foucault, ainda em sua obra Vigiar e punir, descreve a evolução dos mecanismos de controle social e punição, que se tornaram cada vez menos visíveis e mais racionalizados. Ele caracteriza a sociedade contemporânea como uma sociedade disciplinar, na qual prevalece a produção de práticas disciplinares de vigilância e controles constantes, que se estendem a todos os âmbitos da vida dos indivíduos. Uma das formas mais eficientes dessa vigilância e disciplina se dá, no seu entender, através dos discursos e práticas científicas, aparentemente neutras e racionais, que procuram normatizar o comportamento dos indivíduos. Um exemplo disso seria o tratamento científico dado à sexualidade, no qual o comportamento sexual é normatizado por meio do convencimento racional dos indivíduos sobre os cuidados necessários à sua vida nesse âmbito. Desse modo, assumindo a face do saber, o poder, segundo Foucault, atinge os indivíduos em seu corpo, em seu comportamento e em seus sentimentos.