FERIDAS E CICATRIZAÇÃO
Feridas e Cicatrização Anatomo-Fisiologia da Pele; Processo de Cicatrização: Fases; Factores facilitadores e dificultadores. 2
PELE ANATOMIA E FISIOLOGIA 3
Pele Maior órgão do corpo humano Peso: 3 5 Kg (12% - 15% do peso corporal); Área: 1,6 a 2 m 2 ; Espessura: 9 mm; 11 mil milhões de células; Composição: 65% água; 22% proteínas; 13% lípidos. Variações consoante: idade, sexo, raça, clima, localizações anatómicas, estado de saúde. Interface entre o meio interno e o meio exterior; Funções essenciais à manutenção da sua própria integridade e à vida. 4
Pele - Anatomia Epiderme Derme Hipoderme ou Tecido Celular Subcutâneo 5
Pele - Anatomia Epiderme: Camada mais superficial; Isolamento; protecção contra danos mecânicos, físicos, químicos e microbiológicos; regulação da temperatura e equilíbrio hidroelectrolítico; síntese de proteínas, lípidos, vitamina D; receptores de sensação táctil. Derme: Crescimento e orientação das células basais na cicatrização; Retenção de água; regulação da temperatura; receptores de estímulos sensoriais; angiogénese. Hipoderme: Regulação da temperatura; reserva de energia; protecção contra traumas mecânicos. 6
Pele - Fisiologia PROTECÇÃO: microbiológica; térmica; radiações; substâncias químicas; danos mecânicos; desidratação. TERMORREGULAÇÃO: secreção e evaporação do suor; mecanismos circulatórios (vasodilatação e contracção); isolamento pelo tecido adiposo. SÍNTESE METABÓLICA: vitamina D e melanina. SENSAÇÃO: receptores nervosos sensíveis a: dor, temperatura, toque, pressão e vibração. 7
Funções - Fisiologia Uma função de grande importância é a capacidade de auto-regeneração: quando há dano ou trauma é capaz de autorecuperar a sua continuidade. Ferida: interrupção ou quebra da continuidade celular e anatómica, com a consequente formação de um espaço no qual se acumulam detritos orgânicos, tecidulares e microbiológicos; Tratamento local e Sistémico 8
Cicatrização Conjunto de mecanismos fisiológicos sincronizados para a reconstrução dos tecidos, iniciado logo que ocorre a ferida. Inicia-se com a coagulação, segue-se a limpeza de corpos estanhos, tecido danificado e microorganismos Termina com a produção e reorganização de novo tecido. 9
CICATRIZAÇÃO Fases e Factores que a influenciam 10
Cicatrização - FASES Fase Hemostática ou Vascular Fase Inflamatória Fase Proliferativa Granulação Contracção Epitelização Fase de Remodelação ou Maturação 11
Cicatrização - FASES FASE VASCULAR: duração de alguns minutos; Vasoconstrição para limitar hemorragia. Formação do coágulo principalmente constituído por fibrina. Agregação plaquetária Libertação de factores de crescimento 12
13
FASE INFLAMATÓRIA: de 0 a 4 dias; Após a formação do coágulo há vasodilatação; há um aumento da circulação no local que pode ser observado através de sinais e sintomas como: eritema, calor, edema, desconforto, alterações funcionais. É a reacção de defesa contra agentes nocivos (mecânicos, físicos, químicos ou microbiológicos), tecido necrosado e outros possíveis contaminantes. O objectivo é eliminar esses agentes e a limpeza de tecido não viável e a preparação para as fases seguintes. 14
FASE PROLIFERATIVA: (4 a 21 dias). Substituição da matriz de fibrina por tecido de granulação = tecido conjuntivo rico em colagénio com vasos sanguíneos neoformados e conectados entre si por uma rede local de microcirculação que facilita o aporte de O 2 e nutrientes. As principais células envolvidas são os fibroblastos. 15
FASE PROLIFERATIVA: os principais processos envolvidos são: Granulação ou Angiogénese Contracção Epitelização 16
Granulação ou Angiogénese: formação de novos capilares no leito da ferida para suportar o desenvolvimento do novo tecido conjuntivo. O tecido de granulação apresenta-se na base da ferida de forma granular e levemente desigual. O seu aspecto é um indicador da evolução da cicatrização. 17
Contracção: os fibroblastos são diferenciados em miofibroblastos que têm capacidade contráctil, repuxando os bordos da ferida de forma a que o tamanho seja reduzido. Epitelização: o crescimento de células epiteliais é fundamental para o restabelecimento da barreira protectora da pele. Só se inicia quando o leito da ferida está preenchido com o novo tecido de granulação. Estas células são translúcidas e de cor rosa pálido. 18
Cicatrização - FASES FASE REMODELATIVA OU DE MATURAÇÃO: 21 dias até 2 ano; Começa quando a ferida fecha devido à formação de tecido conjuntivo e à re-epitelização. A pele apresenta-se avermelhada. Forma-se o colagéneo que é a principal proteína da cicatriz. Nesta, a necessidade de sangue diminui, o que a leva a ficar pálida e lisa. (a formação de cicatrizes com colóides e hipertrofias são anormalidades desta fase da cicatrização. Estes montículos de tecido cicatricial são o resultado da excessiva produção de colagéneo. A diferença entre o colóide e a cicatriz hipertrófica é que esta última continua o seu crescimento por vários anos após o início da cicatrização e pode chegar a invadir a pele sã circundante). 19
Cicatrização de Feridas Crónicas FERIDAS CRÓNICAS têm um processo de cicatrização distinto; cicatrização por segunda intenção ; Quantidade, extensão e profundidade de perda de tecido associado a Co-Morbilidades. Sujeitas a agressões contínuas; Sujeitas a tratamentos prolongados. Tratamento local (Ex.: limpeza; utilização de antissépticos e antibióticos; selecção de apósitos; ) Tratamento sistémico. 20
FACTORES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO A abordagem integral da pessoa portadora de ferida é fundamental para optimizar o processo de cicatrização; Multidisciplinaridade; O tratamento local deve minimizar as agressões continuadas: Frequência; Limpeza; Aplicação / remoção de apósitos. O tratamento local deve ser complementado com técnicas efectivas dirigidas à causa da lesão. 21
FACTORES QUE INFLUENCIAM O PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO SISTÉMICOS Idade Maior susceptibilidade à instalação de feridas crónicas de diferentes etiologias; Alterações morfológicas e funcionais da pele, devido à redução da actividade celular em geral; Maior risco de problemas relacionados com a nutrição e imunidade. Estado nutricional A cicatrização de feridas requer um metabolismo próprio com o adequado aporte proteico, calórico, de vitaminas e minerais; Qualquer patologia, como o caso da existência de uma ferida crónica, pode conduzir a estados catabólicos e gerar um estado de malnutrição Estado imunitário Patologias associadas / Co-Morbilidades Doenças oncológicas; Doenças autoimunes; Doenças infeciosas; Doenças metabólicas (diabetes); Doenças cardiovasculares (DAP; IVC); Complicações pós-operatórias; Tratamentos farmacológicos;tabagismo; Álcool. Estado psicossocial: Auto-compromisso; Adesão ao regime terapêutico; Cooperação / Colaboração (Idade; demência; capacidade física); Cuidadores (Família; Comunidade). LOCAIS Dimensões da ferida Comprimento/largura/profundidade Envolvimento de estruturas subjacentes profundas: fáscia; músculo; tendões; osso; Localização: Perfusão; Risco microbiológico; (associação predictiva do tempo e qualidade de cicatrização) Tipo de tecido (Ex.: tecido necrosado) Bordos da ferida e pele perilesional Carga microbiológica Tempo de duração da ferida Tratamentos anteriores / Tratamento local Problemas na identificação e tratamento da causa da ferida; Aplicação de agentes tópicos e apósitos inadequados; Má técnica de tratamento. 22
Conclusão A cicatrização é um processo complexo que requer tempo e ambiente adequado; Técnicas de tratamento local adequadas podem facilitar o processo de cicatrização; As células e tecidos envolvidos são muito sensíveis a agressões mecânicas (manipulação), térmicas (frequência de tratamentos; lavagem/limpeza) e químicas (antissépticos); A cicatrização é um processo multifactorial, existindo um vasto número de factores e circunstâncias que a podem afectar. Feridas crónicas Prevenção de recidivas. 23
Obrigada