Para o Tomás. Tomás e o Duende

Documentos relacionados
Que Nevão! Teresa Dangerfield

Constrói a tua história!

a) Onde estava o peixinho quando foi pescado? R.: b) Quem pescou o peixinho? R.: c) Onde morava o peixinho? R.:

Carlota pintava de pintinhas os sonhos que tinha ao acordar. Todas as manhãs, à sua mãe dizia: só mais um bocadinho, que estou a sonhar. A mãe saía.

Escrita e ilustrada pelos alunos da Escola Básica do Primeiro Ciclo da Benquerença Ano Lectivo 2008/2009

Jules Joseph Chamsou era um gato com catorze riscas e três nomes, da família felina Tabby (o seu nome completo era, portanto, Jules Joseph Chamsou

Você sabe de quem são as histórias de fada, bruxa e duende? Será que YAHUVAH gosta dessas coisas? Vamos ver?

HISTÓRIAS DA AJUDARIS 16. Agrupamento de Escolas de Sampaio

OS XULINGOS ERAM PEQUENOS SERES, FEITOS DE MADEIRA. TODA ESSA GENTE DE MADEIRA TINHA SIDO FEITA POR UM CARPINTEIRO CHAMADO ELI. A OFICINA ONDE ELE

Entidade Mantenedora: SEAMB Sociedade Espírita Albertino Marques Barreto CNPJ: / ALUNO(A): A5

MÃE, QUANDO EU CRESCER...

grande andava muito cansado é um herói! perdeu a cabeça conquista o universo

Sérgio Mendes. Margarida e o lobo. Ilustrações de Ângela Vieira

Versão COMPLETA. O Ribeiro que queria Sorrir. PLIP004 Ana Cristina Luz. Ilustração: Margarida Oliveira

1ª Edição. Ana Gonçalves. Cândida Santos. Ilustração de. Vítor Silva

PSY: Você também tratou muito dela quando viviam as duas. A: Depois não percebe que tem de ir apresentável! Só faz o que lhe apetece!

Era Domingo, dia de passeio! Estava eu e as minhas filhas no

Finalmente chegou a hora, meu pai era que nos levava todos os dias de bicicleta. --- Vocês não podem chegar atrasado no primeiro dia de aula.

O Tigre à Beira do Rio

UMA AVENTURA NO MUNDO DE

A Professora de Horizontologia

Anexo 2.2- Entrevista G1.2

Era uma vez uma menina que se chamava Alice. uma tarde de Verão, depois do almoço, Alice adormeceu e teve um sonho muito estranho.

O segredo do rio. Turma 4 3º/4º anos EB1/JI da Póvoa de Lanhoso. Trabalho realizado no âmbito do PNL. (Plano Nacional de Leitura)

1. OUÇAM A PRIMAVERA!

O Menino NÃO. Era uma vez um menino, NÃO, eram muitas vezes um menino que dizia NÃO. NÃO acreditam, então vejam:

Cartas da Boneca Sofia. Querido leitor a boneca Sofia com o intuito de contar-lhe sobre

BONS Dias. Ano Pastoral Educativo Colégio de Nossa Senhora do Alto. Com Maria Desperta a. Luz. que há em TI

Evangelização Espírita Ismênia de Jesus Plano de Aula Jardim (3 a 5 anos) Título: Revisão do módulo

Tais (risos nervosos) Tem muita gente ne? (Se assusta com alguém que esbarra na corda) as pessoas ficam todas se esbarrando

Bando das Cavernas. Ruby: Como a sua melhor qualidade é o bom senso, é ela quem, na maioria dos casos, põe ordem no bando.

BANCO DE QUESTÕES - LÍNGUA PORTUGUESA - 4 ANO - ENSINO FUNDAMENTAL

Generosidade. Sempre que ajudares alguém, procura passar despercebido. Quanto menos te evidenciares, mais a tua ajuda terá valor.

DOURADINHO, O DISTRAÍDO

Unidade Portugal. Ribeirão Preto, de de AVALIAÇÃO DO CONTEÚDO DO GRUPO IV 2 o BIMESTRE. João e o pé de feijão

Lesley Koyi Wiehan de Jager Translators without Borders, Rita Rolim, Priscilla Freitas de Oliveira Portuguese Level 5

Conto de fadas produzido coletivamente pelos alunos do 2º ano A, da EMEB Prof.ª Maria Aparecida Tomazini, sob orientação da prof.

Projeto Intermunicipal Ruas da Lezíria

Chico. só queria ser feliz. Ivam Cabral Ilustrações: Marcelo Maffei 5

O mundo doce de Maria

''TU DUM, TU DUM, TU DUM'' este era o barulho do coração de uma mulher que estava prestes a ter um filho, o clima estava tenso, Médicos correndo de

Uma Biblioteca de Sensações e Emoções

Segunda-feira, depois do jantar

2ª FEIRA 10 DE SETEMBRO

Evangelização Espírita Ismênia de Jesus Plano de Aula Jardim. Título: Cuidados com o corpo

Paz. De vez em quando, procura um espaço de silêncio. O barulho excessivo é prejudicial.

Oração Avé Maria Nossa Senhora Auxiliadora. Rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Bom dia!

A Princesa Carlota. Então ocorreu-me uma ideia cho - cante: PUM!!!! Ia ter de PARTILHAR o quarto com cinco outras princesas!!

morf.1 25/1/16 10:00 Página 11 O LIVRO DO SENHOR

A rapariga e o homem da lua

Capítulo 1 A PORTA ARRANHADA

P O D E R D A S C O R E S

Às vezes me parece que gosto dele, mas isso não é sempre. Algumas coisas em meu irmão me irritam muito. Quando ele sai, por exemplo, faz questão de

O soldadinho de chumbo

Os meus segundos melhores amigos são a Zoe e o Oliver. Nós andamos todos na mesma escola. É uma escola normal para crianças humanas. Eu adoro-a!

NOVAS PALAVRAS DESENHADAS

Bloco de Recuperação Paralela DISCIPLINA: Língua Portuguesa

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Resumo. O Coelho Mágico fica doente

Sinceridade. Aquele que tem por hábito mentir acabará sozinho.

O Rapaz e a Guitarra Mágica

AB Mas o Fernando tem formação, e os seus colegas cotechs, em primeiro lugar, recebe a formação. E quem é que dá essa formação?

Autora: Sophia de Mello Breyner Andresen. Ilustrador: Júlio Resende. Nome: Data:

Claro que diziam isto em voz baixa, mas ela ouvia-os e ficava muito triste.

Extintos! Capítulo 1 Extintos! Capítulo 1 7

O PEQUENO TREVO E OS AMIGOS DA RUA

Um passinho outro passinho

DISCIPLINA: Português DATA DA REALIZAÇÃO: 21/10/2013

Uma vida que floresce

ESCOLA MUNICIPAL ANÁPOLIS, PROFESSORA: ALUNO (A): ANO: 1 OBSERVE SUA SALA E SEUS COLEGAS E PINTE OS QUADRADINHOS:

Muitas Trombas Tornam o Trabalho Mais Leve

Luiz Vilela Tremor de Terra contos

Produção de texto. Observe a imagem e produza um texto narrativo, com no mínimo 10 linhas, a partir do título proposto

Priscila e sua família foram passear na casa da vovó! Vamos ver o que a Priscila aprendeu lá?

Guerra Junqueiro. Três Contos de Guerra Junqueiro

Não há descrença que a fé não faça crer. Não há problema que Deus não possa resolver.

, que deu nome à obra e com seu jeitinho doce me inspirou o encanto e a pureza da personagem.

Alice no país das bruxas

BALANÇO DA OCUPAÇÃO DO TEMPO DURANTE A SEMANA DE PREENCHIMENTO DA GRELHA - 1º ANO

OLÁ, LEITOR. Meu nome é Doctor Noel Zone e eu sou um PERIGOLOGISTA. PERIGOLOGISTA. Então você poderia dizer que

DATA: 30 / 11 / 2016 III ETAPA AVALIAÇÃO ESPECIAL DE LÍNGUA PORTUGUESA 2.º ANO/EF ALUNO(A): N.º: TURMA: VALOR: 10,0 CORAÇÃO ESPERTO

O Coelho Mágico tem uma namorada

As Melhores 313 PIADAS. para rir sem parar

Uma Aflição Imperial.

Era uma vez uma família que vivia numa aldeia distante.

A BELEZA DAS MÃOS. sobretudo de quem todos os dias está bem próximo de ti uma pequena história para te ajudar.

I. Compreensão do oral

É Quase Natal. Andam todos a brincar A correr, a saltar na floresta Mas não há tempo a perder Têm de preparar a festa

Ilustrações de L. Bandeira

Vida de Jean-Claude Colin

1.º C. 1.º A Os livros

StoryBoard Prof. Eliseu Linguagem Audiovisual e Games

Transcrição:

Tomás e o Duende Era um país distante de todos os outros. Distante e tão diferente que até o seu nome nos chamava a atenção. Era conhecido como Fantália. Para lá das montanhas de pedra onde nenhuma planta conseguia sobreviver, surgiam florestas e campos verdes. Quatro grandes lagos de água transparente também faziam parte da paisagem desta terra tão bonita. Tinham peixes de cores vivas que nadavam para lá e para cá provocando pequenas ondas que pareciam fazer uma alegre dança colorida. Junto de cada um destes lagos existia uma pequena cidade. Os seus nomes eram Dea, Mita, Fai e Loki. Mas aquela onde decorre a nossa história é Fai e é tão fantástica como as outras cidades. Nela existe uma rua parecida com as restantes ruas da cidade, a Rua 25 e Um Livro, e é nesta que vive o Tomás, o menino de quem vamos falar. Tomás conhecia bem a história do nome da sua rua. Muitos anos atrás quando a cidade ainda era uma aldeia e esta rua ainda era um simples caminho de terra, existia neste local um sítio especial onde era guardado um livro. Era um livro muito importante porque ensinava tudo sobre magia e também sobre como as pessoas podiam vir a ser especiais. Naquela altura os habitantes da aldeia eram apenas 25 e todos se reuniam ali para aprender. Foi assim que, com o decorrer dos anos, se transformaram em gnomos, fadas, feiticeiros e muitos outros seres fantásticos. É por esta razão que esta rua chama-se agora 25 e Um Livro. Página 1 de 5

Tomás tinha acabado de sair de sua casa. Acenou à sua a mãe, a fada Leza, e encaminhou-se para o passeio em direção à escola. Pouco depois passou por ele o bom feiticeiro Prilipo. Conduzia a sua máquina voadora que se deslocava silenciosamente pela estrada. - Tomás, meu jovem, vai tudo bem? - Sim, tudo bem acenou o menino para o seu amigo mais velho. - Queres boleia até à escola? convidou-o Prilipo. - Não, obrigado. Prefiro ir a pé. Esta manhã está tão bonita - Certo, meu rapaz. Até mais logo! e o feiticeiro acelerou pela rua fora deslizando a cerca de um metro do chão. Tomás ia a pé mas, para além da mochila às costas, carregava debaixo do braço o seu skate sem rodas que também podia deslizar como a máquina voadora do amigo Prilipo. Com muito menos velocidade é claro, pois servia sobretudo para as brincadeiras com os amigos. Já ia a meio do caminho quando de repente saltou duma árvore um pequeno duende que parou à sua frente. Tal como todos os duendes este também vestia uma fatiota para dar nas vistas, onde as cores azul e laranja iam dos pés à cabeça. - Olá menino pequeno! cumprimentou o duende. - Achas que sou pequeno mas mesmo assim sou maior do que tu Tomás mostrou um ar aborrecido. - Pronto, pronto, não precisas de te zangar pediu o homenzinho baixo. Página 2 de 5

- Agora sai da minha frente que estás a atrasar-me mandou o menino. Não gostava nada destes duendes feios, com os seus narizes enormes, os olhos esbugalhados 1 e bocas grandes onde surgiam uns dentes amarelos quando se riam. Pareciam andar sempre despenteados com os seus cabelos de vassoura. Iac! Horríveis. E lá continuou a caminho da escola deixando para trás um duende mal jeitoso que nem acreditava ter sido tratado assim. É certo que os duendes viviam sobretudo nas florestas, daí aparecerem muitas vezes empoleirados nas árvores dos jardins e ruas da cidade. Mas não eram diferentes de todos os outros seres, só porque eram baixinhos e feios. E lá foi o homenzinho azul e laranja a coçar a cabeça, ainda sem perceber porque aquele menino tinha sido tão rude 2 para ele. Era mais um dia calmo na cidade de Fai. A altura de maior bulício 3 era depois de almoço, no centro da cidade, onde existia o mercado. Havia muito tempo que tinha sido decidido manter o mercado a funcionar na principal praça da cidade, tal como sempre acontecera mesmo quando ainda era uma aldeia. Era o sítio ideal para as pessoas se encontrarem e conversarem com os amigos, para além de fazerem as suas compras. É claro que era um mercado moderno onde se vendia de tudo, desde a fruta e os vegetais até aos computadores com forma de tablet que funcionavam apenas com o pensamento, e sem esquecer os pozinhos mágicos usados tantas vezes pelas fadas. Leza, fada e mãe do Tomás, também tinha ido fazer as suas compras e voltava agora para casa. Como passava perto da escola do filhote 1 Grandes e abertos 2 Malcriado, não mostrou simpatia 3 Grande movimento Página 3 de 5

resolveu esperá-lo à saída. Quando estava quase a chegar, já o professor conhecido como O Grande Mago começava a despedir-se da criançada. Tomás viu a mãe aproximar-se do outro lado da rua e acenou-lhe todo contente. Rapidamente estendeu o seu skate no ar, com um pequeno salto sentou-se em cima, e arrancou para deslizar pelo ar até à mãe. De repente ouviu a mãe gritar-lhe. Estava já a entrar na estrada para atravessar quando viu a máquina voadora do feiticeiro Prilipo a aproximar-se velozmente. Não teve tempo de fazer nada. Apenas sentiu que alguém o agarrava com um braço e o puxava para cima. Entretanto o seu skate agora a voar sozinho partiu-se em mil pedaços depois de chocar com força contra a máquina do feiticeiro. Foi um susto enorme. Enquanto Prilipo e a fada Leza corriam até ao menino, Tomás sentiu-se a pousar no chão por quem o tinha agarrado. - Estás bem filho? perguntou a mãe aflita. - Estou, acho que sim gaguejou Tomás ainda meio tonto. Ia atravessar sem ver. - Esqueceste-te da regra meu rapaz avisou Prilipo. Os skates não são para andar na estrada. O menino ouviu a mãe agradecer a quem o tinha agarrado e retirado do skate. - Obrigado, meu bom amigo, se não estivesse nesta árvore não sei o que poderia ter acontecido ao meu filho. Página 4 de 5

Tomás voltou-se e olhou para a pessoa que o tinha salvo. Era o duende da roupa azul e laranja que tinha encontrado de manhã a caminho da escola. - Obrigado, muito obrigado. E após uma pequena hesitação abraçou-o. - E desculpa adiantou Tomás. Desculpa ter sido tão mal educado esta manhã. - Aaaah, não faz mal. Às vezes dizemos coisas sem pensar. E lá foi o duende rua fora com a certeza que tinha ganho um amigo. Até amanhã! disse ainda. No regresso a casa pela mão da sua mãe Leza, Tomás foi a pensar que tinha aprendido muito naquele dia. Aprendeu principalmente que nunca devia pensar mal dos outros só porque não eram bonitos ou porque não se vestiam bem. O que interessava mesmo era saber que as pessoas podiam ser boas e nossas amigas. Decidiu que a partir desse dia ia aceitar todas as pessoas tal como eram, mesmo que tivessem defeitos. Desde aí Tomás ainda fez mais amigos para além dos que já tinha. Página 5 de 5