O ISS e a importação e exportação de serviços Alberto Macedo Bacharel, Mestre e Doutor USP Presidente do Conselho Municipal de Tributos de São Paulo
ÍNDICE 1. Exportação de Serviços 2. Importação de Serviços
Exportação de Serviços Alberto Macedo 3
Conceitos Relevantes para Exportação 1. Princípio do Destino 2. Local do Desenvolvimento do Serviço 3. Local do Resultado do Serviço Alberto Macedo 4
Exportação de Serviços LC 116/2003: Art.2º. Parágrafo único. Não se enquadram no disposto no inciso I [exportação de serviços]os serviços desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se verifique, ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior. Desenvolvidos no Brasil e Cujo Resultado Aqui se Verifique Alberto Macedo 5
ExportaçãodeServiços ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior Desenvolvido no Brasil + Resultado no Brasil = Não é exportação Desenvolvido no Brasil + Resultado no exterior = É exportação Local onde o fazer do prestador se conclui Local onde o resultado se dá Alberto Macedo 6
Exportação de Serviços Comércio Exterior = Comércio entre Residente e Não-Residente Local do Resultado = Local Onde Domiciliado o Beneficiário Fato gerador não é a Fruição. Não há mudança de fato gerador, que continua sendo a prestação de serviço. Apenas o elemento de conexão está no exterior, pelo Princípio do Destino Alberto Macedo 7
ExportaçãodeServiços Resultado no local do tomador = beneficiário tomador prestador Manutenção e reparo de turbina de avião Export. Alberto Macedo 8
REsp Nº 831.124 RJ (Relator: MINISTRO JOSÉ DELGADO) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISSQN. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. SERVIÇO DE RETÍFICA, REPARO E REVISÃO DE MOTORES E DE TURBINAS DE AERONAVES CONTRATADO POR EMPRESA DO EXTERIOR. EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO-CARACTERIZAÇÃO. SERVIÇO EXECUTADO DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL. APLICAÇÃO DO ART. 2º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI Nº LC 116/03. (...) 4. (...). In casu, a recorrente é contratada por empresas do exterior e recebe motores e turbinas para reparos, retífica e revisão. Inicia, desenvolve e conclui a prestação do serviço dentro do território nacional, exatamente em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro, e somente depois de testados, envia-os de volta aos clientes, que procedem à sua instalação nas aeronaves. (...) 7. O trabalho desenvolvido pela recorrente não configura exportação de serviço, pois o objetivo da contratação, o resultado, que é o efetivo conserto do equipamento, é totalmente concluído no nosso território. É inquestionável a incidência do ISS no presente caso, tendo incidência o disposto no parágrafo único, do art. 2º, da LC 116/03: (...) 9
ExportaçãodeServiços tomador Resultado no local do beneficiário tomador prestador beneficiário Não Export. Conserto e manutenção dos equipamentos informática Alberto Macedo 10
ExportaçãodeServiços Potencial Investidor tomador prestador Export. Ao final do serviço, tomador vai decidir se investe no Brasil Assessoria econômica para pesquisa de melhor viabilidade do mercado brasileiro Alberto Macedo 11
Importação de Serviços Alberto Macedo 12
Conceitos Relevantes para Importação 1. Princípio do Destino Elemento de Conexão 2. Prestação de serviço = relação jurídica 3. Tomador = parte na relação jurídica Alberto Macedo 13
Mais de Um Critério Espacial Possível na Constituição Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:(...) III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. Rio de Janeiro Prestação do serviço São Paulo Local da efetiva prestação Estabelecimento prestador 14
Papel Fundamental da Lei Complementar Tributária Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;(...) III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (...) 15
Papel Fundamental da Lei Complementar Tributária Três Funções da Lei Complementar Tributária Conflitos de Competência Limitações Constitucionais Normas Gerais Definição de fato gerador, base de cálculo e contribuinte Obrigação, Lançamento, Crédito, Prescrição e Decadência Tributários 16
Papel Fundamental da Lei Complementar Tributária 1ª) Prevenir conflitos de competência entre U, E, DF e M III, a) definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos Fato gerador = hipótese de incidência = = c.material + c.espacial + c.temporal Logo, definir critério espacial também é definir fato gerador Alberto Macedo 17
Elementos de Conexão ELEMENTOS DE CONEXÃO É o instituto pelo qual o legislador determina o local de certo evento da vida previsto para um ordenamento tributário, gerando-se efeitos jurídicos para esse evento pela aplicação de tal ordenamento. Alberto Xavier Alberto Macedo 18
Elementos de Conexão = Critério Espacial ELEMENTOS DE CONEXÃO NA LC 116/03 - Estabelecimento Prestador Art. 3º. O serviço considera-se prestado e o imposto devido no local do estabelecimentoprestador(...): - Local da Efetiva Prestação Art. 3º. (...) exceto nas hipóteses previstas nos incisos II a XIX e XXI e XXII, quando o imposto será devido no local: (...) - Estabelecimento do Tomador - Importação de serviços - 17.05 Fornecimento de mão-de-obra Alberto Macedo 19
Mais de Um Critério Pessoal Possível na Constituição Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:(...) III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. Rio de Janeiro Prestação do serviço São Paulo Tomador do Serviço Prestador do Serviço 20
Critério Pessoal do ISS PRESTAÇÃO = Ato de prestar Processo Efeito Alberto Macedo 21
Critério Pessoal do ISS ISS Prestação Verbo prestar Contribuinte = prestador ITBI Transmissão de Bem Imóvel Contribuinte Verbo = transmitir? Transmitente do imóvel Alberto Macedo 22
ISS: Critério Pessoal do ISS Art. 156, III - impostos sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. Prestar serviços? Tomar serviços? Pela Constituição, contribuintes possíveis: PRESTADOR e TOMADOR Alberto Macedo 23
Critério Pessoal do ISS Critério Material Verbo Prestar Verbo Tomar Antecedente Critério Espacial Critério Temporal Conseqüente Critério Pessoal Critério Quantitativo Sujeito Passivo: Prestador, Tomador, Intermediário Alberto Macedo 24
Papel Fundamental da Lei Complementar Tributária 1ª) Prevenir conflitos de competência entre U, E, DF e M III, a) definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos Fato gerador = hipótese de incidência = = c.material + c.espacial + c.temporal Logo, definir verbo do critério material também é definir fato gerador Alberto Macedo 25
Critério Pessoal do ISS Função Prevenir conflitos de competência LC116/2003: Art. 1º. Caput. O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (...) tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa (...). Art. 5 º. Contribuinte é o prestador do serviço. Prestar serviços? Tomar serviços? Art.6º, 2º. (...), são responsáveis: I o tomador ou intermediário de serviço proveniente do exteriordo País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País; Alberto Macedo 26
Critério Pessoal do ISS Responsabilidade Tributária Contribuinte Art. 6º.LC 116/03. Os Municípios e o Distrito Federal, mediante lei, poderão atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação, inclusive no que se refere à multa e aos acréscimos legais. 2 o Semprejuízododispostonocaputeno 1 o desteartigo,sãoresponsáveis: I o tomador ou intermediário de serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País; II a pessoa jurídica, ainda que imune ou isenta, tomadora ou intermediária dos serviços descritos nos subitens 3.05, 7.02, 7.04, 7.05, 7.09, 7.10, 7.12, 7.14, 7.15, 7.16, 7.17, 7.19, 11.02, 17.05 e 17.10 da lista anexa. (SERVIÇOS CUJO CRITÉRIO ESPACIAL É O LOCAL DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO) Responsável Alberto Macedo 27
Art.1º. [...]: Importação de Serviços LC 116/2003 1oO imposto incide também sobre o serviço proveniente do exteriordo País oucuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. Proveniente do Exterior Ou Cuja Prestação se Tenha Iniciado no Exterior Alberto Macedo 28
Importação de Serviços ISS (Lei Complementar nº 116/2003) Serviço proveniente do exterior Serviço cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País PIS-COFINS-Importação (Lei nº 10.865/2004) Serviço proveniente do exterior executado no exterior, cujo resultado se verifique no país. Serviço proveniente do exterior executado no país. Alberto Macedo 29
PROVENIENTE DO EXTERIOR Importação de Serviços Local onde o fazer do prestador se conclui Serviço Está fora da competência dos Municípios brasileiros? Alberto Macedo 30
ImportaçãodeServiços POR QUE OS MUNICÍPIOS PODEM TRIBUTAR SERVIÇOS PROVENIENTES DO EXTERIOR? 1º) Mais de um critério pessoal do ISS na Constituição permite à lei complementar tributária estabelecer o tomador como contribuinte 2º) Elementos de conexão 3º) Isonomia com prestador no mercado interno Alberto Macedo 31
ImportaçãodeServiços Serviço proveniente do exterior Prestador Tomador Assessoria jurídica para colocação de ações na Europa Alberto Macedo 32
ImportaçãodeServiços Ou Cuja Prestação se tenha Iniciado no Exterior Prestador Tomador Serviço de confecção e instalação de software Alberto Macedo 33
Boas Festas albertomacedo@usp.br albertomacedo@gmail.com