Mater Ecclesiae Liturgia 2 Aulas 5 e 6 Eucaristia
Fundamentação Bíblica
Categorias religioso-culturais prévias à Eucaristia Gn 14,17-20 Melquisedec oferece pão e vinho e bendiz ao Deus Altíssimo Is 25,6ss Antecipação da ceia messiânica Ex 12,1-14 A Ceia Pascal da saída do Egito
A fração do pão na comunidade apostólica 1Cor 11,17-22 A Ceia do Senhor se dá em um contexto de refeição 1Cor 10,16s Pela comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor, os cristãos se unem a Cristo e entre si. At 2,42 A fração do pão é sinal dos cristãos desde o início da missão da Igreja Lc 24,13-35 A presença de Jesus ressuscitado é experimentada na escuta da Palavra e na fração do pão
A fração do pão na comunidade apostólica Fração do pão ou Ceia do Senhor Realizada em um contexto de refeição Celebração comunitária Antecedida por uma celebração da Palavra Ritmo semanal e não anual
Relatos da Instituição Duas tradições distintas Mt 26,26-29 e Mc 14,22-25 Lc 22,14-20 e 1Cor 11,23-27 O contexto de refeição aponta para o alimento, a união fraterna e a comunhão com Deus Por ter sido ceia de despedida, foi um testamento Autodoação sacramental de Cristo: no pão e na cruz
A Eucaristia em são João Discurso do pão da vida (Jo 6) Eu sou a verdadeira videira (Jo 15,1) Cristo é o pão da vida (primeira parte) Cristo dará o pão da vida (segunda parte) Objetivo claro: dar a VIDA Vinho como sinal da nova aliança Golpe da lança (Jo 19,33s)
Testemunho Patrístico
Testemunho de São Justino (séc. II) No dia que se chama do Sol, celebra-se uma reunião de todos os que habitam nas cidades e nos campos. Nela se leem, à medida que o tempo o permita, as Memórias dos Apóstolos ou os escritos dos profetas. Em seguida, quando o leitor termina, o presidente, em suas próprias palavras, faz uma exortação e um convite para que imitemos esses belos exemplos. Levantamo-nos seguidamente todos de uma vez e elevamos nossas preces; quando terminam, como já dissemos, oferecem-se pão, vinho e água e o presidente, segundo suas forças, também eleva a Deus suas preces e eucaristias e todo o povo aclama dizendo: Amém. Prosseguindo vem a distribuição e participação dos alimentos eucaristizados e o seu envio, por meio dos diáconos, aos ausentes. Os que tem bens e querem, cada um segundo sua livre determinação, dão o que bem lhe parece; e o que é recolhido é entregue ao presidente, que com ele socorre órfãos e viúvas, aos que, por enfermidades ou outras causas, estão necessitados, aos que estão nos cárceres, aos forasteiros de passagem. Em uma palavra, ele se constitui provedor dos quantos se acham em necessidade. Celebramos essa reunião no dia do Sol por ser o primeiro dia, no qual Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, bem como por ser o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dentre os mortos.
Eucaristia: força no combate espiritual Santo Inácio de Antioquia (séc. II) Esforçai-vos por vos reunir mais frequentemente, para celebrar a eucaristia de Deus e o seu louvor. Pois quando realizais frequentes reuniões, são aniquiladas as forças de Satanás e se desfaz seu malefício por vossa união na fé. São Cipriano de Cartago (séc. III) Os fiéis bebem diariamente do cálice do Senhor, para que possam também eles derramar o seu sangue por Cristo.
Maneira de receber o Corpo do Senhor São Cirilo de Jerusalém (séc. IV) Ao te aproximares, não o faças com as mãos estendidas nem com os dedos separados. Faze com a esquerda como um trono na qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da palma, recebe o Corpo de Cristo, respondendo: Amém! Com segurança, então, depois de santificados teus olhos pelo contato do santo corpo, recebe-o, cuidando para nada perderes. Depois, aguardando a oração, dá graças a Deus que te fez digno de tão grandes mistérios.
Perspectivas Teológicas
Transubstanciação Conversão da substância do pão na substância do Corpo de Cristo e da substância do vinho na substância do Sangue de Cristo Transubstanciação não é: Aniquilação Criação Condução Mutação ou transformação Permanência dos acidentes
Presença real Presença real, verdadeira e substancial de Cristo na Eucaristia Isto é o meu Corpo; isto é o meu Sangue Fazei isto em memória de mim Corpo, Sangue, alma e divindade
Sacrifício Oferecimento a Deus de algo sensível, que se destrói ou imola, realizado por um ministro legítimo como reconhecimento supremo de Deus sobre as criaturas. Cristo é sacerdote e vítima ao mesmo tempo A Eucaristia não é renovação ou representação da Cruz A Eucaristia é a memória da Cruz e do Calvário
Efeitos da Recepção da Eucaristia Aumento da graça santificante Produção da graça sacramental Perdão dos pecados veniais Penhor da vida eterna Transformação da alma em Cristo Graça nutritiva, revigorando a alma Cura da fraqueza da alma Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue terá a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6,54)
Perspectivas Canônicas
Elementos canônicos do sacramento Matéria Forma Sujeito Ministro
Elementos canônicos do sacramento Matéria remota: pão de trigo e vinho de uva (cân. 924) Matéria próxima: manducação No rito latino, o pão deve ser ázimo, ou seja, sem fermento, para a liceidade. Mastigar para mostrar o verdadeiro caráter de alimento que a Eucaristia é para o homem. O costume de misturar água ao vinho é provavelmente judaico, mas entre os cristãos assumiu a interpretação da união das naturezas humana e divina. As ocasiões para comunhão sob duas espécies são reguladas pelo Bispo local.
Elementos canônicos do sacramento Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo, que será entregue por vós. Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim. 1) A consagração deve ocorrer dentro da Missa. 2) Não é lícito consagrar somente uma das espécies.
Elementos canônicos do sacramento Qualquer batizado não proibido pelo direito Conhecimento suficiente e preparação cuidadosa Não ostentar contraste obstinado à Igreja Recepção prévia do sacramento da Penitência Não repetir ilegitimamente a comunhão Jejum eucarístico
Elementos canônicos do sacramento Ministro da confecção ou da consagração Somente o sacerdote validamente ordenado (cân. 900) Celebram licitamente os não-impedidos por pena canônica (cân. 900) Assistidos por pelo menos um fiel (cân. 906) Ministro da administração do sacramento Ordinário: epíscopo, presbítero e diácono Extraordinário: acólito ou outro fiel designado (ad actum ou caráter habitual)
Bibliografia Catecismo da Igreja Católica Código de Direito Canônico AUGÉ, Matias. Liturgia. 3ª ed. São Paulo: Editora Ave Maria, 2007. BETTENCOURT, Estevão. Curso de Liturgia (EME CL). mimeo.. Curso sobre os Sacramentos (EME CL). mimeo. BOROBIO, Dionisio (org.). A Celebração na Igreja. Vol. 2. 2ª. ed. São Paulo: Loyola, 2008. SADA, Ricardo; MONROY, Alfonso. Curso de Teologia dos Sacramentos. 2ª. ed. Lisboa: Rei dos Livros, 1998. HORTAL, Jesus. Os Sacramentos da Igreja em sua Dimensão Canônico-Pastoral. 3ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2003.