INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES DISPOSIÇÕES GERAIS Fundamentação: Art. 389 a 393. Do Código Civil 1 Motivos do Inadimplemento: a) Inadimplemento Decorrente de Ato de Culposo do Devedor: Neste caso, a palavra culposo está empregada no sentido lato sensu, abrangendo tanto a culpa stricto sensu (imprudência, negligência e imperícia), como o dolo. Qualquer que seja a prestação prometida (dar, fazer, ou não fazer), o devedor está obrigado a cumpri-la. E tem o credor o direito de receber exatamente o bem, serviço, ou valor estipulado na convenção, não sendo obrigado a receber coisa diversa, ainda que mais valiosa (Art. 313, do Código Civil). b) Inadimplemento Decorrente de Fato Não Imputável ao Devedor: Neste caso, trata-se de do denominado caso fortuito ou força maior, configura-se o inadimplemento da obrigação sem culpa do devedor. Neste caso, o devedor não responde pelos danos causados ao credor, salvo se expresso em contrário pelos contratantes (Art. 393, do Código Civil). 2. Espécies de Inadimplemento a) Absoluto: haverá o inadimplemento absoluto se a prestação tornou-se inútil ao credor (Art. 389, do Código Civil), sendo de duas formas: a.1) Total: quando o inadimplemento for de todo o objeto.
Ex.: Antônio deveria entregar para Maria 1000 unidades de salgados para serem consumidos no casamento dela. Porém, decorrido o prazo, o devedor não entregou nenhum salgado, sendo que a entrega posterior desta mercadoria torna-se inútil, pois o referido casamento já ocorreu. a.2.) Parcial: quando o inadimplemento for de parte do objeto. Ex.: Antônio deveria entregar para Maria 1000 unidades de salgados para serem consumidos no casamento dela. Porém, decorrido o prazo, o devedor entregou apenas 250 unidades (salgados), sendo que a entrega posterior desta mercadoria torna-se inútil, pois o referido casamento já ocorreu. Observação 01: A correção monetária é componente indispensável ao prejuízo na reparação do dano, sendo este calculado a partir do evento (inadimplemento), sob pena de enriquecimento sem causa. Observação 02: o artigo 389, do Código Civil é considerado o fundamento legal da Responsabilidade Civil Contratual; Diferentemente, o artigo 186 e 927 são considerados os fundamentos jurídicos para a Responsabilidade Civil Delitual/Extracontratual/Aquiliana. Observação 03: Se a obrigação assumida no contrato for de meio, a responsabilidade, embora contratual, será fundada na culpa provada pela outra parte (quem alega o inadimplemento). Ex.: médico que realiza uma cirurgia de transplante do coração, mas o resultado não foi o esperado, cabe quem alegou o inadimplemento provar a culpa do inadimplente. Nos demais casos, trata-se de presunção de culpa pelo inadimplente, cabendo a este provar a ocorrência de caso fortuito ou força maior (Art. 393, do Código Civil).
b) Relativo: no caso de mora do devedor, ou seja, quando ocorre cumprimento imperfeito da obrigação, com inobservância do tempo, lugar e forma convencionados (Art. 394, do código Civil). Ex.: Antônio deveria entregar para Maria 10 unidades de salgados para serem entregues até as 18h00. Porém, o mesmo só conseguiu chegar ao local as 18h10min., sendo que a entrega posterior desta mercadoria torna-se útil aos consumidores, pois Maria ainda está querendo consumir a mercadoria. 3. Inadimplemento por Violação Positiva: A boa-fé objetiva possibilita o inadimplemento, mesmo quando não haja mora ou inadimplemento absoluto do contrato. Desta forma, quando a prestação é realizada, mas o contratante deixa de cumprir alguns deveres anexos, conforme estudaremos a seguir, tal cumprimento fere a boa-fé objetiva, com isso, caracteriza-se o inadimplemento positivo do contrato. Neste sentido, a Conclusão 24, da Jornada de Direito Civil do STJ, assim definiu: em virtude do princípio da boa-fé, positivado no artigo 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independente de culpa 3.1. São Deveres anexos: a) Esclarecimento: trata-se de informações necessárias para o uso do bem alienado, bem como, sobre os limites que este bem poderá ser utilizado. Ex.: Antônio possui uma dívida de dar coisa certa (Geladeira feita sob encomenda) á Maria. Assim, ao entregar a geladeira Antônio se esqueceu de informar a Maria que a geladeira não poderia ser utilizada com energia elétrica, mas sim, ligada na linha telefônica. Neste caso, Maria utilizou na energia elétrica, pois inexistia qualquer comunicado no objeto, com isso, acabou destruindo toda a geladeira. Assim, houve o inadimplemento positivo da obrigação.
b) Proteção: trata-se de evitar situações de perigo no cumprimento da obrigação. Ex.: Maria contrata Antônio (taxista) para levá-la até o seu trabalho. Porém, ele foi dirigindo à 240 Km por hora nas ruas de São Paulo, levando Maria como passageira. Tal fato ocasionou sérios prejuízos psicológicos para Maria que mal conseguiu trabalhar. Neste caso, houve o inadimplemento positivo da obrigação. c) Conservação: cuidar da coisa recebida de forma respeitosa e condizente com o bem. Ex.: Antônio depositou seu automóvel no estacionamento do seu dentista, ao entrar no estabelecimento, a recepcionista pegou o carro e foi passear com o automóvel, inclusive usou seu automóvel no drive in com um garoto de programa. Porém, devolveu posteriormente o automóvel, sendo que Antônio já estava esperando o veículo. Neste caso, houve o inadimplemento positivo da obrigação. d) Lealdade: cumprimento do contrato com suportável perda de equivalência entre as prestações. Ex.: Antônio contratou Maria para realizar dez massagens, uma por mês. Neste caso, as 6 primeiras massagens foram de 60 minutos, já as demais massagens foram, injustificadamente, em 2 minutos. Neste caso, houve o inadimplemento positivo das obrigações. e) Cooperação: prática dos atos necessários à realização plena dos fins visados pela outra parte. Ex.: Antônio possui uma dívida com Maria que seria paga na prestação de serviços de pedreiro para ela. Entretanto, Antônio realizou o serviço sem o mínimo cuidado, ocasionando sérios prejuízos na obra e utilizando-se de material de construção desnecessariamente. Neste caso, houve o inadimplemento positivo da obrigação.
4. Questões Gerais das Perdas e Danos: Aplica-se a obrigação de indenizar, tanto nos inadimplementos absolutos, parciais ou positivos. Neste caso, prevê o Art. 390, do Código Civil que nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que deveria abster. Neste caso, deve-se observar a regra do artigo 251, do Código Civil. 5. Da Responsabilidade Patrimonial: Nem sempre a prestação devida e não cumprida se converte em perdas e danos. Tal ocorre somente quando não for possível a execução direta da obrigação ou a restauração do objeto da prestação. Apenas o patrimônio do devedor responde por suas obrigações (Art. 391, do Código Civil), pois ninguém pode ser preso por dívida civil, exceto o devedor de pensão oriunda do direito de família (dívida alimentícia). 6. A Indenização Ocorrerá 6.1. Contratos Benéficos/Gratuitos: são aqueles que apenas um do contratantes aufere benefícios ou vantagens, enquanto a outra parte só há obrigação/sacrifício (Art. 392, 1ª parte, do Código Civil). Ex. doação (pura), depósito (gratuito), empréstimo, testamento, entre outros. a) Beneficiado: por culpa lato sensu deste (Ex.: Art. 582, do Código Civil Comanditário) b) Sacrificado: por dolo deste Ex.: Antônio, de forma gratuita, garante à Maria que levará ela de limusine para igreja no dia de seu casamento. Chegado o dia, Antônio, intencionalmente, não comparece no local indicado, deixando a noiva desapontada. 6.2. Contratos Onerosos: são aqueles que ambos obtêm proveito e ao qual corresponde um sacrifício (Art, 392, 2ª parte, do Código Civil). Neste caso, ambos serão responsabilizados por culpa lato sensu.