Simbolismo (1890-1920)

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Transcrição:

Simbolismo (1890-1920) A música antes de qualquer coisa. (Verlaine) Nós não estamos no mundo. (Rimbaud) Sugerir, eis o sonho. (Mallarmé)

Valorização da cor e, sobretudo, da música 1 para revelar os mistérios do subconsciente e do inconsciente. Daí as expressões sonho, loucura, devaneio, desvario, sonambulismo, dormência, letargia, histeria... O vocabulário expressa as sensações vagas, indefinidas, nebulosas: véus, névoas, neblinas, brumas, sombras, atmosfera noturna... Evocação de símbolos através de palavras com letras maiúsculas: Amor, Cor, Dor, Lua, Luz, Música... Segundo o crítico Alfredo Bosi, esse recurso expressaria a busca de um sentimento de totalidade. Espiritualismo, religiosidade, misticismo: Igreja, Jesus, prece, altar, hóstia, cruz, alma... Exploração dos sentidos 2, sensorialismo: cor, luz (visão); perfumes, incensos (olfato); sons, músicas (audição)... Hermetismo: uso de um vocabulário requintado, de expressões raras...

Observação: ocorre com relativa freqüência a exploração de figuras de linguagem que trabalham com o nível sonoro do texto ou com os sentidos, como é o caso da Aliteração 1 (repetição de consoantes de sons semelhantes), da Assonância 1 (repetição de vogais de sons semelhantes) e da Sinestesia 2 (mistura de duas ou mais sensações). O Parnasianismo propõe uma poesia racional, objetiva, descritiva, formal. O poeta parnasiano AFIRMA X O Simbolismo defende o irracional, o inconsciente, o vago, o místico. O poeta simbolista SUGERE

Cruz e Sousa (1863-1898) Vê como a dor te transcendentaliza. As características mais marcantes da poesia de Cruz e Sousa são o sofrimento, sobretudo em razão das inúmeras dificuldades por que passou, e a angústia sexual. Aliado a esses aspectos, nota-se um esforço de superação, que pode ser traduzido na idéia de sublimação, transcendência, bem como na obsessão do branco.

Violões que Choram Ah! plangentes violões dormentes, mornos, Soluços ao luar, choros ao vento... tristes perfis, os mais vagos contornos, Bocas murmurejantes de lamento. Vozes veladas, veludosas vozes, Volúpias dos violões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Primeira Comunhão Grinaldas e véus brancos, véus de neve, Véus e grinaldas purificadores, Vão as Flores carnais, as alvas Flores Do Sentimento delicado e leve. Um lugar de pudor, sereno e breve, De ignotos e prónubos pudores, Erra nos pulcros, virginais brancores Por onde o Amor parábolas descreve... Luzes claras e augustas, luzes claras Douram dos templos as sagradas aras, Na comunhão das níveas hóstias frias... Quando seios pubentes estremecem, Silfos de sonhos de volúpia crescem, Ondulantes, em formas alvadias...

Litania dos Pobres Os miseráveis, os rotos são as flores dos esgotos. São espectros implacáveis os rotos, os miseráveis. São prantos negros de furnas caladas, mudas, soturnas. As sombras das sombras mortas cegas, a tatear nas portas. Procurando o céu aflitos e varando o céu de gritos. Faróis à noite apagados por ventos desesperados. Bandeiras rotas, sem nome, das barricadas da fome. Bandeiras estraçalhadas das sangrentas barricadas. Ó pobres, o vosso bando é tremendo, é formidando! Ele já marcha crescendo, o vosso bando tremendo!

Alphonsus de Guimaraens (1870-1921) Na juventude nutriu uma paixão pela prima Constança, que veio a falecer de tuberculose aos 16 anos, noiva do poeta. Segundo Alfredo Bosi, Alphonsus de Guimaraens foi poeta de um só tema: a morte da amada. O amor por Constança não aparece de forma concreta, mas espiritualizada. Outra marca fundamental de sua obra é a intensa religiosidade, em especial, a profunda devoção pela Virgem Maria. Muitos críticos consideram Alphonsus o poeta mais místico de nossa literatura.

Ismália Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do céu, Estava longe do mar... E como um anjo pendeu As asas para voar... Queria a lua do céu Queria a lua do mar... As asas que Deus lhe deu Ruflaram de par em par... Sua alma subiu ao céu, Seu corpo desceu ao mar...

A Catedral Entre brumas, ao longe, surge a aurora. O hialino orvalho aos poucos se evapora, Agoniza o arrebol. A catedral ebúrnea do meu sonho Aparece, na paz do céu risonho, Toda branca de sol. E o sino canta em lúgubres responsos: "Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Hão de chorar por ela os cinamomos, Murchando as flores ao tombar do dia. Dos laranjais hão de cair os pomos, Lembrando-se daquela que os colhia. Ninguém anda com Deus mais do que eu ando, Ninguém segue seus passos como eu sigo, Não bendigo a ninguém e nem maldigo: Tudo é morte num peito miserando.

Considere o fragmento abaixo e as respectivas afirmações. Músicas passam, perpassam, finas, diluídas, e delas, como se a cor ganhasse ritmos preciosos, parece se desprender, se difundir uma harmonia azul, azul, de tal inalterável azul, que é ao mesmo tempo colorida e sonora, ao mesmo tempo cor e ao mesmo som... E som e cor e cor e som, na mesma ondulação ritmal, na mesma eterificação de formas e volúpias, conjuntam-se, compõem-se, fundem-se nos corpos alados, integram-se numa só onda de orquestrações e de cores, que vão assim tecendo as auréolas eternais das Esferas... I - A linguagem popular presente no fragmento revela que seu autor pertence ao início do século XX. II - Nota-se a valorização dos sentidos na obsessão pela cor azul e pela idéia de sonoridade. III - Trata-se de um texto em prosa próprio do Simbolismo, movimento ao qual se filiou o escritor Cruz e Souza.

É apenas de grau a diferença entre o parnasiano e o decadentista (simbolista) brasileiro: naquele, o culto da forma, neste, a religião do verbo. Em outros termos: alarga-se de um para outro o hiato entre a práxis e a atividade artística. O poeta, inserindo-se cada vez menos na tela da vida social, faz do exercício da arte a sua única missão e, no limite, um sacerdócio. Em relação ao texto acima, é correto afirmar que A. parnasianos e simbolistas concentraram-se na denúncia social, relegando a elaboração artística a um segundo plano. B. o gosto pelo trabalho artístico da linguagem e a aversão à prática político-social eram marcas exclusivas dos poetas parnasianos. C. tanto parnasianos como simbolistas conseguiram conciliar harmonicamente a preocupação com o trabalho artístico, levado a um exagerado quase místico, e a prática social centrada no engajamento político. D. a concentração na atividade artística e a separação entre esta e a prática social foram comuns a parnasianos e simbolistas, a única diferença é que os segundos ampliaram o grau da concentração e da separação citadas. E. na poesia simbolista, ao contrário do que ocorre na parnasiana, sobressaía o espírito religioso e a intenção catequética de reforçar a doutrina do Catolicismo.

Dos nomes e características abaixo relacionados, quais podem ser associados ao movimento simbolista? 1. Influência de Chateaubriand e de Byron. 2. Ritmo e musicalidade dos versos. 3. Sugestão e irracionalismo. 4. Influência de Rimbaud e de Mallarmé. 5. Machado de Assis e Alberto de Oliveira. 6. Imagens poéticas difusas. A. 2 3 4 6 B. 1 3 5 6 C. 2 3 4 5 D. 1 4 5 6 E. 1 2 5 6

Sobre o Simbolismo é correto afirmar que A. explora a linguagem coloquial e a sintaxe fragmentária em poemas bem-humorados. B. resgata a tradição greco-latina e a linearidade sintática própria de uma perspectiva classicizante. C. satiriza as pretensões românticas de fundar mitos nacionais na figura do índio forte e valoroso. D. explora a sonoridade dos vocábulos em poemas cujas metáforas freqüentemente remetem a um clima onírico. E. valoriza o dado local em oposição à excessiva influência européia sofrida pelo Parnasianismo.