A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO A busca por oportunidades iguais de trabalho e renda entre homens e mulheres é o foco de discussão entre grupos feministas em todos os países. A discriminação no campo de trabalho ainda é relevante, se considerarmos o processo de evolução e conquistas destas ao longo da história. Observa-se uma mudança no perfil da mulher brasileira no mercado de trabalho atualmente. No início da década de 1970, estas eram em sua maioria jovens, solteiras e sem filhos. Atualmente, constatase uma outra realidade, a faixa etária já não é mais só de jovens e mulheres casadas e com filhos dividem o mercado de trabalho com a responsabilidade de serem mãe e dona de casa com o do emprego formal. Outra característica é a queda nos níveis de fecundidade da população brasileira, que representa a mudança no papel social da mulher, fruto de lutas sociais pela igualdade de gênero. Dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) de 1992 a 2005 mostram uma drástica redução no tamanho da família brasileira nas duas últimas décadas. Em contrapartida, observou-se significativo aumento de famílias monoparenterais femininas, onde a mulher assume o papel de chefe de família, tornando-se responsável pelo seu sustento. Entretanto, com a abertura e a terceirização da economia que marcou a década de 1990, a tendência de crescimento e incorporação da participação da mulher no mercado de trabalho continua, mas não por todo período. Já no final da década incrementa-se o desemprego feminino o que mostra que os postos de trabalho criados não foram suficientes para absorver todo o contingente da população feminina trabalhadora.
O aumento da participação da mulher no mercado de trabalho brasileiro é acompanhado de mudanças no perfil do trabalho feminino, como, por exemplo, a escolaridade, a idade e o estado civil. Em resumo, nas últimas décadas, houve aumento generalizado da participação das mulheres adultas e essa expansão reflete nova e importante tendência de permanência da cônjuge com filhos no mercado de trabalho. EVOLUÇÃO NO BRASIL E NO PARANÁ No Brasil existem, em dezembro de 2008, 38,2 milhões de trabalhadores no mercado formal. Destes 59,4% são homens e 40,6% são mulheres. Este cenário é muito diferente do existente há 23 anos atrás. Em 1985 haviam 20,5 milhões de trabalhadores no mercado formal, sendo que 67,6% eram homens e 32,4% eram mulheres. A participação da mulher no mercado de trabalho formal brasileiro cresceu 115,5% no período, representando uma taxa de crescimento de 3,4% ao ano. Muito embora a mulher esteja aumentando, a cada ano, a sua participação no mercado de trabalho nacional, esse evento não vem acompanhado de melhorias na renda. Em 1985, somente 24,4% das mulheres com emprego formal recebiam mais de 3 salários mínimos mensais. Após 23 anos de inserção no mercado de este cenário melhorou muito pouco. Atualmente 27,0% das mulheres recebem mais de 3 salários mínimos. Isso resulta, também, em discriminação salarial. Atualmente, no Brasil, as mulheres ocupam 40,6% de todos os postos de trabalho
existentes no mercado formal, mas elas acabam recebendo salários 17,2% menores do que os homens, na média. Essas diferenças persistem em todo o território nacional. No Estado do Paraná as mulheres ocupam 41,9% de todos os postos de trabalho existentes no mercado formal e ganham 18,6% menos do que os homens. EVOLUÇÃO DO PERFIL DA MULHER TRABALHADORA APUCARANENSE No município de Apucarana existem, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), 31.092 empregos formais (com carteira assinada), em dezembro de 2008. Isso representa uma evolução de 132,7% em relação ao total do ano de 1985, quando existiam 13.358 trabalhadores empregados. Da mesma forma a evolução da quantidade de mulheres no mercado de trabalho nesse período é muito significativa. Em 1985 elas representavam 31,4% do total e, atualmente representam 44,6%. Um crescimento de 5,3% ao ano. Evolução da participação da mulher no mercado de trabalho de Apucarana - 1985/2008 - em % Masculino; 68,6% Fonte: RAIS/MTE Elaboração: Departamento de Economia da FECEA Masculino; 55,4% Feminino; 44,6% Feminino; 31,4% 1985 2008
A maior concentração de mulheres no mercado de trabalho formal está no setor da indústria de transformação onde estão 45,1% das mulheres empregadas. Em seguida vem os setores de serviços e de comércio com 19,8% cada, do total de mulheres empregadas na cidade. Distribuição da força de trabalho feminina em Apucarana - 2008 - por setor de atividade econômica Administração pública 14,8% Outros 0,5% Indústria de transformação 45,1% Comércio 19,8% Serviços 19,8% Fonte: RAIS/MTE Elaboração: Departamento de Economia da FECEA Com relação à renda, em 1985 somente 7% das mulheres recebiam mais que 3 salários mínimos. Atualmente essa relação aumentou para 9,6%. Esse perfil vai contra o nível de escolaridade onde temos que, em 1985, 15,7% dos homens possuíam pelo menos o ensino médio (segundo grau) completo contra 32,9% das mulheres com essa escolaridade. Em 2008 o percentual dos homens que possuem o ensino médio (segundo grau) completo subiu para 32,0% enquanto o percentual de mulheres passou para 48,0%. Já com relação ao ensino superior temos que 6% dos homens com emprego formal possuem esse nível de escolaridade, contra 11,0% de mulheres.
Salários: em Apucarana as mulheres recebem 14,5% a menos que os homens. Quando se fala em desigualdades as primeiras informações que pensamos são as relacionadas com a cor ou raça, idade ou qualquer assunto relacionado a pobres e ricos. Muitas pessoas podem pensar que, com a modernidade, as diferenças entre os sexos passaram a ser coisas do passado, mas isso não é verdade. Com o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho nos últimos anos têm-se a falsa impressão de que as diferenças existentes desde o início do século XX já não existem mais. Isso é um engano, pois elas ainda existem! A luta das mulheres por igualdade de direitos é muito anterior à nossa Constituição Federal de 1988, conhecida como constituição cidadã. Desde o século XVIII o movimento feminista começou a assumir características de ação política, época em que o advento da Revolução Industrial estava demandando a mão-de-obra de mulheres e crianças em jornadas de trabalho exaustivas e com remuneração muito inferior à recebida pelos homens. Durante as I e II Guerras Mundiais os homens estavam indo para a frente de batalha e as mulheres tiveram que assumir as responsabilidades que antes eram dos homens. Tiveram que buscar, além do sustento de suas respectivas famílias, produzirem alimentos e armamentos para os que estavam em combate. Nas últimas décadas a taxa de natalidade de pessoas do sexo feminino aumentou numa proporção bem superior à de pessoas do sexo masculino. Em 1973 as mulheres representavam 30,9% da População Economicamente Ativa (PEA), nos dias de hoje elas já representam 43%.
Com isso a participação das mulheres no mercado de trabalho também vem crescendo, mas tudo isso não foi suficiente para que as desigualdades fossem eliminadas ou mesmo reduzidas. Ainda persistem as diferenças salariais e de acessos aos melhores cargos nas empresas. No município a desigualdade salarial entre homens e mulheres atinge níveis inferiores ao nacional e estadual. Em Apucarana as mulheres chegam a receber, em média, 85,5% dos salários recebidos pelos homens, ou seja, 14,5% menores. É muito comum identificar que as mulheres acabam recebendo menos do que os homens para exercerem os mesmos cargos e as mesmas funções. No comércio de Apucarana a diferença é ainda maior, atingindo 18,5%. O setor que mais emprega em Apucarana é o da indústria de transformação sendo este setor é o que apresenta a maior diferença salarial entre homens e mulheres, onde elas recebem salários 24,1% menores do que os recebidos pelos homens. Em Arapongas a diferença é de 22,6%. No município de Arapongas existem, segundo a RAIS e o CAGED, 30.844 empregos formais (com carteira assinada) em dezembro de 2008, dos quais 41,2% são ocupados por mulheres. Na média, em Arapongas as mulheres recebem somente o equivalente a 77,4% dos salários recebidos pelos homens, ou seja, são 22,6% menores. Na indústria de transformação as mulheres recebem 30,7% menos que os homens, no comércio e no setor de serviços as diferenças são 23,4% e 24,1%, respectivamente.
Cenário se agrava de acordo com a raça e o nível escolar. Se não bastassem as diferenças salariais entre os sexos, no Brasil, negros e pessoas com níveis de escolaridade reduzidos também são alvos de diferenças salariais. Diversos estudos já apontaram que os negros possuem salários menores do que os brancos e a condição acaba se agravando ainda mais quando se trata da mulher negra. Nesse caso a diferença salarial tende a ser ainda maior. O mesmo acontece quando a mulher possui um nível de escolaridade inferior ao dos homens que, mesmo ocupando os mesmos cargos ou funções, também recebem menos do que os homens. Outro problema que acomete as mulheres, independente da cor, é o desemprego. O desemprego tem atingido com maior intensidade as mulheres do que os homens. Isso acaba levando a um aumento do trabalho precário e informal por parte das mulheres que perdem os seus postos de trabalho no mercado formal. Ainda há muito que avançar nesse assunto, mas o certo é que os movimentos sociais continuem discutindo esses temas e buscando, cada vez mais, eliminar tais diferenças, que não foram vencidas no século XX. Prof. Rogério Ribeiro Corecon-PR: 6.383-5 Profa. Tania Terezinha Rissa de Souza Corecon-PR: 6.420-3 Profa. Noelia Felipe Corecon-PR: 6.826