2º SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SAÚDE E AMBIENTE



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Transcrição:

2º SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SAÚDE E AMBIENTE Desenvolvimento, conflitos territoriais e saúde: ciência e movimentos sociais para a justiça ambiental nas políticas públicas Belo Horizonte, MG, 19 a 22 de outubro de 2014. Eixo 2. A função social da ciência, ecologia de saberes e outras experiências de produção compartilhada de conhecimento ORGANIZAÇÃO E DISPONIBILIZAÇÃO DE DADOS SOBRE SAÚDE, CLIMA E AMBIENTE Autores: *WisleyDonizetti Velasco *Diego Ricardo Xavier Silva *Heglaucio da Silva Barros *Sandra de Souza Hacon *Christovam Barcellos * Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT)/FIOCRUZ wisley.info@gmail.com 1

RESUMO O presente relato de experiência tem por finalidade descrever a modelagem, concepção e desenvolvimento de um sistema de informação que tem por objetivo ser mediador de acesso às informações de saúde, clima e meio ambiente. São descritas as motivações que levaram à materialização desse sistema, os principais entraves encontrados para a coleta, transformação e processamento dos dados e a grande complexidade que é lidar com bases de dados das mais variadas fontes e origens. Tais fontes estão dispersas em várias bases de dados com diferentes formatos, tanto no que diz respeito à agregação geográfica, quanto na temporalidade da disponibilização dos dados para a produção dos indicadores. Por fim, são apresentadas soluções possíveis e viáveis para superação dos problemas encontrados, sempre com a visão pautada no auxílio dos usuários de dados e indicadores de saúde, como pesquisadores, alunos de pós-graduação, profissionais e gestores de saúde, bem como cidadãos, que precisam de um arcabouço informacional para melhor gerir e atuar sobre o sistema de saúde e se antever aos problemas de saúde relacionados ao clima e ao meio ambiente. Palavras chaves:meio ambiente, Indicadores, Saúde coletiva O presente trabalho é resultante do projeto de pesquisa Observatório de Clima e Saúde, apoiado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) e CNPq. 2

1. Introdução No intuito de estar sempre vigilante às variações climáticas, no Brasil, e no que isso pode impactar a saúde humana, várias instituições se reuniram para elaborar um sistema de informação que pudesse disponibilizar de forma gratuita e interativa, dados sobre saúde, clima e ambiente. Sem ter a pretensão de ser um grande banco de dados, tal sistema propôs ser uma fonte mediadora de acesso aos dados relativos às temáticas propostas por ele.como afirmado, várias instituições, como ICICT e ENSP, ambos da Fiocruz e INPE,somaram forças, cada qual com sua expertise, para que esse sistema de informação pudesse ser viabilizado e acessível por meio da web. Para tanto, após sua implementação, este foi hospedado no endereço <http://www.climasaude.icict.fiocruz.br/>. Desta forma, procurou-se definir problemas de saúde e quais estariam relacionados com as variações climáticas e do meio ambiente. As definições foram construídas a partir de oficinas temáticas, realizadas entre 2009 e 2013, que contaram com a participação de pesquisadores, gestores de saúde e representantes da sociedade civil. A partir do elenco desses problemas definiu-se temáticas, tais como 1) Água: que tem por finalidade aferir a qualidade da água, saneamento e doenças relacionadas a água e o problema da escassez e qualidade; 2) Ar: que visa propiciar dados que possam auxiliar nas análises das queimadas, poluição atmosférica e doenças respiratórias e cardiovasculares afetadas pelo clima; 3) Vetores: que traz consigo informações e indicadores que referem-se à doenças transmitidas por vetores e os efeitos do clima sobre sua distribuição; e,4) Eventos Extremos: que tem relação com mudanças ambientais e climáticas globais as quais impactam direta ou indiretamente a saúde da população. Para cada temática definiu-se problemas de saúde e para cada problema quais eram os indicadores relacionados com ele, sempre respeitando as dimensões propostas pelo sistema de informação, quais sejam, saúde, clima, ambiente e socioeconômicos (Quadro1). TEMÁTICA e.g. Água PROBLEMAS DE SAÚDE e.g. Leptospirose DIMENSÃO:Saúde DIMENSÃO: Ambiental Indicadores de saúde relacionados à Indicadores ambientais relacionados à DIMENSÃO: Clima DIMENSÃO: Socioeconômicos Indicadores de clima relacionados à Indicadores socioeconômicos relacionados à 3

Quadro 1 Estrutura dos temas com seus respectivos problemas de saúde e indicadores relacionados. Dispor os indicadores ofertados pelo Observatório dessa formapossibilitou ao usuário a possibilidade de vislumbrar um relacionamento prévio dos problemas de saúde com outras dimensões afins, considerando a temática proposta.congregar inúmeros indicadores, de diferentes dimensões, demandou a consulta de várias fontes de dados, dentre elas pode-se destacar o uso dos sistemas de informação em saúde do SUS como o Sistema de Informações Hospitalares (SIH), Sistema de Informação sobre Óbitos (SIM), Sistema de Notificação de Agravos (SINAN), Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA), Censo Demográfico, Agência Nacional de Águas, Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) e vários outros. 2. Análises possíveis e relacionamentos Os impactos do clima e do meio ambiente sobre a sociedade repercutem, dentre outros, nas condições de saúde e qualidade de vida da população. A interação entre o clima e a saúde humana é objeto de interesse de pesquisadores, gestores e profissionais de saúde.em virtude disso, o Observatório oferta uma grande variedade de análises e relacionamento de indicadores mediante a necessidade do usuário. A primeira aproximação de relacionamento, e possíveis análises,é fornecida pela estrutura adotada pelo sistema (Quadro 1). Contudo, a partir do que é referido pela literatura científica acerca do assunto, pode-se coletar, desde que disponível, dados e indicadores, uma vez que todo o arcabouço informacional do Observatório é de domínio público com acesso universal. 3. Problemas encontrados Um dos grandes entraves enfrentados por quem trabalha com informação em saúde e seus condicionantes, como é o caso do clima e meio ambiente, é a miríade de sistemas de informação, seus diversos formatos e a total falta de interoperabilidade. Nessas condições coletar e armazenar dados de saúde torna-se um trabalho extremamente laborioso pressupondo especialistas para tais atividades. Não obstante aos problemas dessa ordem, tem-se as questões de que essas diversas bases de dados, além daquelas que não são especificamente da área de saúde, como dados demográficos e de clima, possuem dimensões temporais e espaciais diferentes, o que, por vezes, dificulta a compatibilização dos dados fazendo com que vários indicadores 4

deixem de ser produzidos porquanto não dispõe de robustez metodológica e podem não reproduzir o aspecto da realidade que se propõe. 4. Possíveissoluções de TI Tem-se discutido muito a respeito das tecnologias de informação e comunicação que possam superar a barreiras e dificuldades de processar dados das mais diferentes fontes de dados, sejam elas estruturadas ou não. Dentre essas tecnologias destaca-se o Business intelligence(bi) que é o processo desenvolvido para coletar dados de diversas fontes, organizá-los, analisá-los e compartilhá-los com pesquisadores, gestores e profissionais de saúde. Transforma-seinformações relevantes em decisões importantes para o futuro do sistema de saúde e aspectos que possam impactam a saúde da população, podendo até, estabelecer relações de causa e efeito. Concomitante a este processo de coleta, transformação e processamento em banco de dados estruturado, pode-se lançar mão do uso de mapas georreferenciados para representar as informações que dispõem de dimensão geográfica, propiciando, inclusive, o cruzamento de vários indicadores das mais variadas dimensões propostas pelo observatório. Quando não for possível representar a informação por meio de mapas, pode-se fazer uso dos dashbords compostos de uma ou mais camadas, sob a forma de um painel, com instrumentos virtuais onde se associam variáveis a serem monitoradas, além de gráficos que mostram a evolução dasvariáveis, por exemplo, no tempo e no espaço. 5. Conclusão Por maiores que tenham sido os problemas encontrados no momento de se estruturar dados de saúde, clima e meio ambiente, iniciativas como esta que foi implementada precisam ser fomentadas, pois, a complexidade de produção desse tipo de informação, por vezes, limita a capacidade analítica dos profissionais que lidam com essas temáticas por não terem ao seu alcance o instrumental necessário para a realizaçãodas análises necessárias. Em certa medida, dispor de tempo e recursos para a coleta e cálculo desses indicadores pode impactar negativamente a gestão dos serviços de saúde por parte dos secretários de saúde, conselheiros e outros gestores. Assim sendo, o Observatório de Clima e Saúde mostra-se como uma ferramenta indispensável para aqueles que necessitam trabalhar e relacionar dados de clima e saúde com o intuito de propiciar melhores condições de vida para a população, auxiliando os 5

gestores em saúde no aprimoramento da gestão e planejamento dos serviços de saúde do SUS. A ferramenta disponibilizada pelo Observatório de clima e saúde permite ações próativas ao nível local e regional. 6