Barbela, um trigo escravo

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Transcrição:

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Departamento de Economia e Sociologia Barbela, um trigo escravo A cultura tradicional de trigo na Terra-Fria Transmontana: que futuro? TESE DE MESTRADO EM EXTENSÃO E DESENVOLVIMENTO RURAL De: Ana Maria Pinto Carvalho Orientador: Professor Doutor José Francisco Gandra Portela VILA REAL Dezembro 1993

ÍNDICE RESUMO... SUMMARY... AGRADECIMENTOS... ÍNDICE DE FIGURAS... ÍNDICE DE QUADROS... ABREVIATURAS... iv vi viii x xii xiv INTRODUÇÃO... 1 CAPÍTULO I - OS CEREAIS NO MUNDO E NA COMUNIDADE EUROPEIA... 7 1. ESTABILIDADE E ESPECIALIZAÇÃO CULTURAL CARACTERIZAM A PRODUÇÃO MUNDIAL DE CEREAIS... 7 2. NA EUROPA COMUNITÁRIA A ACUMULAÇÃO DE EXCEDENTES CONDICIONA A PRODUÇÃO CEREALÍFERA... 13 2.1. O trigo é o cereal mais cultivado no Mundo... 14 2.2. Evolução da política cerealífera na CE: redução da área cultivada e quantidade máxima garantida... 19 CAPÍTULO II - OS CEREAIS EM PORTUGAL E EM TRÁS-OS-MONTES... 21 1. POLÍTICAS CEREALÍFERAS: DO INÍCIO DO SÉCULO AOS NOSSOS DIAS... 21 2. NA CEREALICULTURA NACIONAL A PRODUÇÃO NÃO SATISFAZ O CONSUMO E A SUPERFÍCIE CULTIVADA TEM VINDO A DIMINUIR... 26 3. TRIGO: OS BENEFÍCIOS DA PROTECÇÃO UNILATERAL... 28 4. ADESÃO À CE E CONSEQUÊNCIAS NA PRODUÇÃO E COMÉRCIO DE CEREAIS EM PORTUGAL: A LIBERALIZAÇÃO DO MERCADO... 32 5. OS CEREAIS EM TRÁS-OS-MONTES: DISTRIBUIÇÃO E PRODUÇÃO... 37 6. TRIGO E CENTEIO NO CONCELHO DE BRAGANÇA... 45 CAPÍTULO III - 0 TRIGO BARBELA, VARIEDADE TRADICIONAL EM TRÁS-OS-MONTES 51 1. AS CARACTERÍSTICAS DA VARIEDADE: RUSTICIDADE E DIVERSIDADE... 53 2. O BARBELA E AS CONDIÇÕES EDAFO-CLIMÁTICAS DE CULTIVO... 56 3. ESCOLHA DO TERRENO E ROTAÇÃO: TERRAS DE TRIGO E DE CENTEIO... 63 4. O BARBELA E AS OPERAÇÕES CULTURAIS: UM TRIGO ESCRAVO!... 65 ii

5. OBTENÇÃO DE SEMENTES DE BARBELA: UM BEM PRECIOSO... 68 6. GRÃO, PALHA E RESTOLHOS: AS VANTAGENS DO BARBELA... 69 7. O BARBELA, O MODERNO E O CENTEIO... 74 CAPÍTULO IV - A CULTURA DE CEREAIS EM BAÇAL, UMA ALDEIA DA TERRA FRIA TRANSMONTANA: O LUGAR DO BARBELA... 80 1. A ESCOLHA DA ALDEIA DE BAÇAL... 80 2. A CEREALICULTURA É A PRINCIPAL ACTIVIDADE AGRÍCOLA NA FREGUESIA DE BAÇAL... 84 3. PRODUTORES DE TRIGO NA ALDEIA DE BAÇAL... 88 3.1. O Produtor de trigo reformado: a satisfação do autoconsumo é o essencial... 89 3.2. O Produtor de trigo, criador de gado: a palha acima de tudo... 89 3.2.1. O Produtor de trigo, criador de ovinos... 94 3.2.2. O Produtor de trigo, criador de bovinos... 95 3.3. O Produtor de trigo que cultiva principalmente cereais... 96 3.3.1. O Produtor de trigo por excelência: a preocupação com o grão é notória... 96 3.3.2. O Produtor de trigo pluriactivo: manter as terras limpas é indispensável... 103 3.3.2.1. O Produtor pluriactivo que só cultiva trigo... 104 3.3.2.2. O Produtor pluriactivo, mas fundamentalmente o agricultor que cultiva trigo num sistema diversificado... 106 4. O VALOR DA PALHA E AS DESPESAS COM 0 CULTIVO DE CEREAIS... 108 5. OBJECTIVOS GERAIS E OPÇÕES DOS PRODUTORES DE TRIGO... 110 CONCLUSÃO... 117 BIBLIOGRAFIA... 124 ANEXOS... 132-189 iii

RESUMO Na principal zona produtora de trigo de Trás-os-Montes, o distrito de Bragança, a produção obtida manifestou relativa estabilidade, ao longo de um período de quinze anos. Admite-se a hipótese dessa regularidade produtiva estar directamente ligada à variedade de trigo Barbela, que é uma variedade de trigo mole cultivada desde há largo tempo em todo o distrito e em especial no concelho do mesmo nome. Com efeito, a variedade tradicional Barbela reúne um conjunto de características que lhe proporcionam grande rusticidade e capacidade de adaptação às difíceis condições edafo-climáticas desta zona. Por outro lado, a duração do seu ciclo vegetativo, bem como a particularidade de produzir palha em quantidade e qualidade (quando comparada com outras variedades comerciais de trigo) contribuiu para a preferência dos produtores da região pelo Barbela, apesar das entidades responsáveis pela cerealicultura nacional não lhe terem reconhecido ainda o devido valor agronómico e comercial. Com a finalidade de identificar as razões que permitiram a permanência do Barbela em cultura por tão largo tempo, e mais especificamente, apurar o papel desempenhado pelo trigo tradicional nos sistemas produtivos do concelho de Bragança, distribuímos o nosso estudo por quatro etapas diferentes: Levantamento da produção cerealífera a nível mundial e da CE, como quadro de referência para as possibilidades e limitações da cultura nacional; Caracterização e distribuição da produção de Trás-os-Montes, do distrito e do concelho de Bragança e zonagem de trigo e centeio no referido concelho; Identificação das características de adaptabilidade do Barbela, em comparação como centeio e com as variedades melhoradas de trigo; Análise, ao nível da aldeia de Baçal, do comportamento dos produtores de cereais, face à opção pelo trigo Barbela, tendo em conta os seus objectivos gerais e a satisfação das necessidades das suas explorações. Partindo da caracterização da cultura cerealífera nacional, identificámos a participação de Trásos-Montes em termos de superfície e de produção de cereais, concretamente de trigo. A análise de diferentes dados estatísticos do INE permitiu achar a importância e a distribuição de centeio e de trigo a nível de distrito e de concelho, na região transmontana. Desde logo, ficou claro que esses cereais estão presentes na maior parte dos sistemas produtivos dessa região, e que contribuem de modo relevante na economia das explorações agrícolas. Através da participação de cada aldeia do concelho de Bragança na produção total de trigo e centeio, entregue no posto de recepção de cereais da EPAC, durante as campanhas de produção de 1989 a 1991, procedemos a uma zonagem desses cereais no concelho. Para o iv

efeito, consultámos os serviços centrais da EPAC, os registos da delegação dessa empresa em Bragança, a DRATM e empresas de moagem e comercialização de cereais. A partir dos dados recolhidos identificámos as aldeias que mais produzem trigo e centeio e verificámos que a distribuição desses cereais no concelho de Bragança está relacionada com o relevo e a altitude e com, as condições edafo-climáticas de produção. Tendo como base uma revisão bibliográfica sobre o Barbela, o centeio e as novas variedades de trigo, designadas pelos agricultores de Moderno, concluímos que o trigo tradicional se adapta perfeitamente às condições climáticas da Terra Fria Transmontana e ao tipo de solos predominante nessa zona, caracterizados por terem, em geral, reacção ácida, que em certos casos provoca um aumento da fitotoxidade do alumínio. Nestas condições produtivas o Barbela consegue garantir satisfatória produção de grão e palha, enquanto que as variedades de Moderno recomendadas para a região revelam instabilidade produtiva e uma relação peso de palha/peso de grão desfavorável. Igualmente, na apurada percepção dos agricultores, a qualidade da palha é inferior à do Barbela. Recorrendo a inquirição, determinámos os objectivos gerais e as opções estratégicas dos produtores de trigo em Baçal. Verificámos que para além da rusticidade típica do Barbela se ajustar aos sistemas produtivos da aldeia, a qualidade e quantidade da palha que produz também é importante. É possível agrupar os produtores de acordo com o valor que atribuem à palha e ao grão. Os produtores criadores de gado preferem Barbela pelo aproveitamento da palha, dos restolhos e do pousio; os produtores de cereais valorizam bastante o grão e escolhem Barbela porque esta variedade permite um rendimento aceitável em grão e corresponde à redução do risco económico de produção; os pluriactivos cultivam Barbela pela satisfação de necessidades em palha ou pela possibilidade de manterem as terras ocupadas sem grandes encargos económicos e disponibilidade de trabalho. Dum modo geral, a produção de palha é importante para todos os tipos de agricultores definidos, porque, na maioria dos casos, as receitas monetárias obtidas com a sua venda pagam entre 80% a 100% dos custos de instalação da cultura. A conservação da variedade tradicional Barbela pressupõe, igualmente, a preservação de um conjunto de conhecimentos e práticas agrícolas transmitidas ao longo de gerações de agricultores, que face às novas orientações da Política Agrícola Comum, justificam (por si só) a tomada de medidas de protecção. Como se isso não bastasse, o crescente interesse manifestado pelos diferentes utilizadores (moagens e industriais de bolacha) pelas farinhas do Barbela, favorece a sua viabilização económica. O futuro do trigo Barbela, passa pela sua conservação e implica o desenvolvimento de acções conjuntas por várias entidades - agricultores, investigadores, técnicos, industriais e comerciantes, no sentido de permitir a produção, a valorização e o escoamento de produtos de qualidade. A produção e selecção de sementes, a valorização do grão e da palha do Barbela pela sua qualidade e diferença, e o armazenamento e escoamento escalonado da produção são algumas das medidas que permitiriam a curto prazo assegurar a conservação e, logo, o futuro da variedade tradicional de trigo Barbela. v