PRÊMIO ESCREVENDO O FUTURO RELATO DE EXPERIÊNCIA PROFESSORES SEMIFINALISTAS 2006
Prezado professor semifinalista Parabéns! Você chegou a um momento decisivo, a etapa semifinal da 3ª edição do Prêmio Escrevendo o Futuro. Em 2006 inscreveram-se 33.449 professores de 15.461 escolas públicas de todo o Brasil e seu (sua) aluno (a) está entre os 180 semifinalistas! Temos mais uma boa notícia: como semifinalista você terá a oportunidade de participar do concurso de relatos sobre o trabalho realizado ao longo das oficinas. Participar deste concurso será uma forma de exercitar o papel de autor, pois você que, até agora, se empenhou em ajudar seus alunos a aprimorarem as suas produções, poderá exercitar o papel de autor, escrevendo a respeito da sua experiência. Estamos sugerindo que você verifique no roteiro, anexo a esta carta, o que não pode faltar em seu relato. Seu texto deve ser levado para a oficina regional, onde será lido, inicialmente, pela comissão julgadora. Se for selecionado entre os melhores, será publicado e lido por muitas pessoas interessadas em saber sobre seu envolvimento com o Prêmio, suas expectativas iniciais, o modo como incentivou seus alunos a participarem, os desafios que você e sua turma enfrentaram e, é claro, os resultados obtidos pela classe na melhoria da escrita. Além disso, os professores cujos textos forem selecionados receberão como prêmio um DVD player e um DVD educativo. Bom trabalho! Coordenação do Prêmio Escrevendo o Futuro
ORIENTAÇÕES PARA A ESCRITA DO RELATO DE EXPERIÊNCIA Inicialmente, vamos propor alguns procedimentos gerais, comuns a todos que escrevem relatos de experiência. Com certeza você e seus alunos estão emocionados com a classificação para a etapa semifinal. Nada melhor do que levar essa emoção para a escrita dos relatos! Quando começar a escrever, recorde-se de todos os momentos significativos que você e seus alunos viveram, começando pelas razões que o (a) levou a aceitar o desafio de participar do concurso. Conte também como foi o processo de escolha do gênero com o qual trabalhou. O tema do relato são as experiências vividas por você e seus alunos nas oficinas. Não é necessário que façam um relato minucioso, porém é importante que escrevam sobre o que foi mais significativo em cada uma delas. Lembre que um relato de experiência tem como uma das características revelar o autor que o escreve. Isso acontece porque o autor, para aproximar-se do leitor, utiliza pronomes pessoais e de tratamento e adjetivos que expressam seus sentimentos. Sua voz transparece tanto no texto que se os leitores o conhecerem pessoalmente, poderão identificar seu jeito de dizer as coisas ao ler o texto. Outra particularidade desse gênero textual é que aqueles que escrevem relatos de experiência estabelecem um diálogo entre o passado vivido, o presente de quem recorda e escreve, e os leitores do texto. Para isso, vão fazendo um jogo do agora com o ontem, do aqui com o lá, aparecendo no texto marcas desse jogo por meio dos verbos ora no presente, ora no passado. Como você pode ver, o relato de experiência é muito diferente de um relatório técnico, que é usualmente escrito na terceira pessoa para demonstrar, entre outras coisas, a distância de quem escreve do fato que é relatado e, com isso, tornar o texto impessoal. Ao escrever, inclua falas de seus alunos no texto. Elas podem ser indicadoras dos diferentes climas que houve no decorrer das atividades. Além disso, não esqueça de contar como foi a participação de pessoas da escola e da comunidade local no trabalho desenvolvido por você e seus alunos. Muitas vezes, sem a colaboração dessas pessoas, fica impossível realizar as atividades propostas nos fascículos. Você pode tornar evidente a importância dessa colaboração, citando falas dessas pessoas no texto. Na conclusão do relato, faça uma breve avaliação sobre os resultados gerais do trabalho com toda a classe e sobre os progressos de sua turma. A seguir, você encontrará exemplos retirados de bons relatórios que recebemos em anos anteriores. Desejamos que sejam inspiradores. Vamos lá?
I INÍCIO DE RELATOS Vejam alguns exemplos de inícios de relato: Ao receber a informação sobre a inscrição para participação no concurso de produção de textos, fiquei muito surpresa! Até então, nunca tinha ouvido falar no Escrevendo o Futuro, nem tinha idéia do seu valor para as crianças das séries iniciais do ensino fundamental. Meu primeiro contato com o Prêmio Escrevendo o Futuro foi quando a Assistente Técnico-Pedagógica da Diretoria de Ensino convocou os professores de Língua Portuguesa das turmas de quinta série das escolas para conhecerem o programa. Confesso que fiquei em dúvida. Ao examinar o material, vi que o trabalho exigia muita dedicação do professor e total participação da classe. Era muita responsabilidade, mas acabei por aceitar o desafio. No momento em que recebi o Kit do Prêmio Escrevendo o Futuro, já estava realizando com meus alunos um estudo de meio. Achei que aquela era uma oportunidade para que eles aprofundassem o conhecimento do lugar onde vivem. Neste início, veja o uso do pronome pessoal meu e de verbos na primeira pessoa, como confesso, vi, e acabei. Agora, observe o uso dos verbos na primeira pessoa e o sentimento de criar uma oportunidade para o crescimento dos alunos declarado pela professora. Veja como a professora descreve sua emoção, usando expressões reveladoras como fiquei muito surpresa e nem tinha idéia de seu valor. Além disso, usa um ponto de exclamação para reforçar o tom emocionado. Observou como a autoria ficou marcada desde o início pelo uso de pronomes e verbos na primeira pessoa? Reparou como os autores expressaram seus sentimentos? Agora é sua vez, comece seu relato! Como você sabe, nem sempre a primeira escrita nos agrada. É assim mesmo, mas depois que você pegar o tom inicial, o desenvolvimento do texto flui mais facilmente. Para que você possa continuar um diálogo com os relatos escritos em anos anteriores e conferir seus próximos passos, veja a seguir exemplos de descrições de oficinas realizadas.
II - RELATANDO A ESCOLHA DO GÊNERO Veja exemplos de oficinas em que os gêneros foram escolhidos: A primeira coisa que fiz foi escolher, junto com meus alunos, o gênero textual que iríamos trabalhar. Pensei que eles fossem gostar do trabalho com memória, afinal já tínhamos feito um estudo do bairro. Mas, para minha surpresa, eles escolheram poesia. Ficaram entusiasmados com a possibilidade de falar do amor que têm pelo lugar onde vivem. Comecei explicando para os alunos que teríamos que escolher um dos gêneros: artigo de opinião, memórias ou poemas. Eles acharam que memórias seria interessante, porque as lembranças das pessoas mais velhas poderiam trazer informações interessantes sobre nossa cidade. Levei o kit para casa, estudei os três fascículos. Depois, conversei com a classe sobre os três gêneros de texto que poderíamos escolher para participar do concurso. O escolhido foi opinião, porque em nossa cidade estava ocorrendo uma grande polêmica.... Como você pode observar, na escolha do gênero está implícita a intenção dos autores ao escreverem para um público: desejo de emocionar seus leitores (poemas), de contar a história do lugar onde vivem (memórias), de debater uma questão polêmica que circula em sua comunidade (artigo de opinião). Você não pode deixar de mencionar esse momento da escolha do gênero em seu relato. Não se esqueça de ligar a intenção dos alunos ao escolher o gênero às oficinas que fizeram em seguida. III - RELATANDO OFICINAS Ao longo do trabalho com as oficinas, certamente você passou por momentos gratificantes e por outros onde nada parecia dar certo. Gostaríamos que você nos contasse como contornou os obstáculos que surgiram. Veja alguns exemplos: Em minha escola não há possibilidade de fazer xerox de textos. Num primeiro momento, pensei em passar os textos do kit na lousa para que eles copiassem para poder lê-los. Refleti melhor, achei que seria perda de tempo fazer cópias. Então, resolvi ler para os alunos dois dos artigos do kit e depois fazer a leitura de novo, em trechos, para marcar bem os momentos em que o autor colocava a questão, os que ele argumentava e o trecho em que ele fazia a conclusão. Os alunos já sabiam o que era rima, versos e estrofes por causa das oficinas anteriores. Nessa oficina, o que procurei fazer foi levá-los a interpretar mais profundamente os poemas que liam e a revelar as emoções e sentimentos que a leitura dos poemas despertava. A oficina da reescrita foi a mais difícil de realizar. Eu tentava atrair a atenção de todos, mas era impossível. Resolvi a questão dividindo o texto em parágrafos e trabalhando um por dia, criando um suspense no final de cada aula para criar uma expectativa favorável para a continuidade do trabalho. Deu certo! Chamamos vários moradores antigos para dar seus depoimentos sobre os antigos tempos. Alguns não aceitaram, outros não pareciam capazes de animar as crianças com suas histórias. Finalmente escolhemos o senhor Anastácio, antigo funcionário da estrada de ferro, que tinha casos maravilhosos para contar. As crianças amaram!
IV FINALIZANDO O RELATO Veja os exemplos abaixo. Observe que na finalização dos relatos, os professores estão no presente, vivendo a agitação da preparação para as oficinas dos semifinalistas. Esses trechos finais são marcados por palavras que revelam essa agitação e pelo uso de verbos ora no passado, ora no presente, fazendo o jogo da memória sempre presente nos relatos, como você pode ver a seguir. Estamos, agora, eu e Juliana, nos preparando para a viagem, para chegar a uma cidade distante que não conhecemos. Nem eu nem ela viajamos de avião. Eu conheço a capital do estado, mas Juliana nunca saiu da cidade. Os pais dela estão ansiosos, fazem mil recomendações. Eu também estou ansiosa, acho que vamos aprender muito e ficar mais emocionadas do que já estamos! Agradecemos a oportunidade de participar do concurso. Só a participação já é um prêmio, porque podemos constatar como muitos dos alunos melhoram sua escrita ao realizarem atividades com os gêneros textuais. Agora aguardamos o próximo passo, eu e o Junior, certos de que a oficina da qual participaremos também será muito importante, mesmo que não ganhemos o prêmio final. Para finalizar, gostaria de dizer que houve momentos difíceis no caminho, já que não tive com quem partilhar o que estava fazendo e alguns alunos não demonstraram interesse pelas atividades. Mas acho que por isso mesmo este momento é tão importante, porque chegamos à etapa final com nosso esforço. RESUMINDO... Reveja, no resumo abaixo, o que não pode faltar em seu relato. Um relato de experiência é um gênero onde os autores contam uma vivência que mobilizou seus sentimentos e, de certa forma, transformou suas próprias vidas. Quem relata qualquer fato, em qualquer situação, necessita recuperar lembranças. No caso desta proposta, os autores estão sendo convidados a recordar a experiência vivida no desenvolvimento do trabalho para o Prêmio Escrevendo o Futuro e a escrever sobre ela, realizando um diálogo entre o passado vivido, o presente de quem recorda e aqueles que lerão o texto. Os leitores dos relatos são pessoas interessadas em vivas experiências de professores dedicados em melhorar a qualidade do ensino de leitura e escrita de seus alunos. O relato deve seguir o percurso que os professores-autores fizeram, desde o contato inicial com o concurso, passando pelas oficinas realizadas e finalizando com conclusões a respeito do trabalho feito e das expectativas com a continuação da caminhada rumo aos prêmios. Verificou? Seu relato está completo? Ótimo! Então, não se esqueça de levá-lo para a Oficina Regional. Nós, seus primeiros leitores, aguardamos ansiosos. Heloisa Amaral e Equipe do Escrevendo o Futuro.