48 49 50 51 52 53 54 55 56 Quem é o destinatário da prova? Julgador ou Processo? A parte que produziu? O juiz do processo? Qualquer das partes? O processo? Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery (2006, p. 528/529), afirmam: Destinatário da prova: É o processo. O juiz deve julgar segundo o alegado no processo, vale dizer, o instrumento que reúne elementos objetivos para que o juiz possa julgar a causa. Portanto, a parte faz a prova para que seja adquirida pelo processo. Feita a prova, compete à parte convencer o juiz da existência do fato e do conteúdo da prova. Ainda que o magistrado esteja convencido da existência de um fato, não pode dispensar a prova se o fato for controvertido, não existir nos autos prova do referido fato e, ainda, a parte insistir na prova. Caso indefira a prova, nessas circunstâncias, haverá cerceamento de defesa. E o princípio da aquisição da prova, o que diz? APELAÇÃO CÍVEL - PRELIMINAR - APRECIAÇÃO DE ARGUMENTAÇÕES E PROVAS - PROCESSO - PRINCÍPIO DA AQUISIÇÃO DA PROVA E DO PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO - REVELIA - INOCORRÊNCIA - INDENIZAÇÃO - DANO MORAL - IMPROCEDÊNCIA. O magistrado, respaldado no princípio do livre convencimento motivado (artigo 131 do Código de Processo Civil), não fica adstrito a quaisquer das provas singularmente consideradas para elaborar o seu juízo de valor.a falta de instrumento de mandato constitui defeito sanável nas instâncias ordinárias, aplicando-se para o fim de regularização da representação postulatória, o disposto no art. 13 do CPC. De acordo com as regras do nosso ordenamento jurídico, o ônus da prova incumbe a quem alega, consoante art. 333, l, do Código de Processo Civil, não se podendo, de forma alguma, responsabilizar a apelada por dedução, ilação ou presunção. (TJMG. APC 1.0024.05.632886-7/001(1) - 16ª C.Cív. - Rel. Des. Otávio Portes_J._06.06.2007). Quantas são as fases do procedimento probatório? Proposição da prova Admissão da prova Produção da prova Valoração da prova Proposição da prova Ato de quem? Consequência do princípio dispositivo Provas constituídas Anexas à inicial e contestação CPC, 283 e 396 Provas constituendas Requerimento expresso na inicial e contestação CPC, 282, VI e 300 1
57 58 59 60 61 62 Admissão da prova Quem o faz? Para que serve? Avaliação preventiva da utilidade da prova Deve-se levar em consideração o procedimento Produção da prova A quem compete? Em regra, onde se produzem? CPC, 336 Pode o juiz indeferir a produção de uma prova? Qual o risco do indeferimento? É possível a produção de uma prova não requerida na inicial ou na defesa? Documentos em poder da repartição pública, como se faz? Documento com terceiro, o que deve ser feito? Juntada de novos documentos, é possível? Meio e fonte, são a mesma coisa? São as pessoas, coisas das quais se possam extrair informações capazes de comprovar a veracidade de uma alegação; Testemunha, perito e a parte que confessa São as técnicas destinadas à investigação de fatos relevantes para a causa; O testemunho, o laudo pericial e a confissão São admissíveis como fontes de prova todos os seres materiais ou imateriais capazes de gerar informações? Meios livres ou regulados Liberdade dos meios de prova Meios lícitos ou ilícitos Meio ilícito é permitido? Meios pessoais, documentais e materiais Testemunhas; escrituras públicas; coisas e rastros Meios históricos ou críticos Traduzem a imagem de uma fato narrado e, de outro lado, nada representam, fora de sua existência, mas que servem para deduzir ou induzir os fatos de cuja prova se persegue. 2
63 64 65 66 67 68 69 70 71 É possível a alteração do meio probatório em si, mediante convenção das partes? a) que tenham por objeto dar valor de prova a um meio não autorizado pela lei; b) os que buscam outorgar a um meio autorizado pela lei, um valor ou mérito de convicção superior ou diferente daquele que a lei o confere ou que o juiz possa reconhecer; c) os que tentam remover ou diminuir de um meio de prova o valor que a lei lhe assina ou que o juiz livremente possa lhe reconhecer. d) os pactos que pretendem dar eficácia executiva ou para um lançamento em outra ação processual especial, a um meio ao qual a lei não lhe outorga este valor. e) os pactos que procuram privar um meio de prova do mérito processual que a lei lhe assina. Buzaid, anotou na Exp. Mot. CPC : A aspiração de cada uma das partes é a de ter razão: a finalidade do processo é a de dar razão a quem efetivamente a tem. Ora, dar razão a quem a tem é, na realidade, não um interesse privado das partes, mas um interesse público de toda sociedade. O juiz deve buscar por fim à lide. E, uma vez que tenha sido produzida a prova necessária ao convencimento do magistrado há de se prolatar sentença, isto é, depois de sua produção, as provas, ou as manifestações das partes são o material, o barro, com que o juiz estabelece o monumento da prova, que é a sua convicção. (SANTOS, M., 1983, p. 390). Quais são os critérios/balizas que o juiz deve levar em consideração quando da apreciação das provas? Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento. Mas, quais são os sistemas de valoração/apreciação da prova de que o juiz pode-se valer? Sistema da prova legal São as regras estabelecidas pela lei em caráter geral e abstrato, e não pelo juiz, em cada caso que julga; estabelece juízos valorativos ao impor normas que graduam, exaltam, limitam ou excluem a eficácia das variadas fontes ou meios probatórios, criando verdadeiras tabelas de valores a serem observadas pelos juízes, podendo-se então, falar-se em provas tarifadas. (DINAMARCO, 2001b, p. 103) Assevera Santos (1983, p. 392) que a prova per pugnam, o duelo, era a mais generalizada, porque teve aplicação em quase todos os paises da Antiguidade e da Idade Média, não desaparecendo senão muito lentamente, e isso mesmo só a partir de 1270, quando a suprimiu a ordenação do Rei São Luiz. Tais combates, admitidos mesmo no velho direito lusitano, acreditava-se, tinham por fim, consoante acentuava GONDEBARDO, rei de Borgonha, impedir que indivíduos tivessem de jurar sobre fatos obscuros e perjurar sobre fatos incertos. E nesse andar da prova, ainda as testemunha de um e de outra parte combatiam entre si: combate judiciário. Então, a função do juiz consistia apenas em assistir ao experimento probatório, com ou sem ritual, declarando 3
72 73 74 75 76 77 78 79 somente o resultado da contenda. Aplica-se, atualmente citado sistema no Brasil? a) normas que estabelecem presunções relativas, tal como aquela inscrita no art. 1.253 do CC, ao pregar que toda construção ou plantação existente em um terreno presumese feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário ; b) nas que de algum modo afirmam ou disciplinam essa eficácia, tal como é o caso do documento público, na forma que dispõe o art. 364 e seguintes do CPC, indicando a eficácia probatória destes sob os documentos particulares. c) que limitam a admissibilidade ou a eficácia de algum meio de prova, da qual é exemplo o disposto no art. 145 do CPC, ao firmar que quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito ; art. 401 do CPC ao admitir que a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos contratos cujo valor não exceda o décuplo do maior salário mínimo vigente no país, ao tempo em que foram celebrados ; Sistema do convencimento moral ou íntimo Ampla liberdade no coligir e apreciar as provas Julgavam secudum conscientiam Fruto de extrema insegurança Inimigo do Estado de Direito Há resquício de tal sistema no Brasil? [...] 3. AUTONOMIA DOS JURADOS PARA JULGAR A CAUSA SEGUNDO SEU CONVENCIMENTO. - É de ser ressaltado, que caberá aos jurados, sem se deixarem influenciar, quer pela decisão de pronúncia, quer por esta decisão, julgar a causa segundo seu livre e soberano convencimento, que será formado pelo exame da causa após ampla exposição dos fatos, das provas e do direito que as partes farão perante o Tribunal do Júri na sessão de julgamento. (TJPR. - 1ª C.Criminal - RSE 0173291-6 - Cerro Azul - Rel.: Des. Jesus Sarrão - Unânime - J. 08.11.2007. Sistema da persuasão racional Neste sistema, o juiz, não obstante aprecie a prova livremente, não segue as suas impressões pessoais, mas tira a sua convicção das provas produzidas, ponderando sobre a qualidade e a vis probandi destas, mencionando na sentença os motivos que a formaram, isto quer dizer, que o juiz pode livremente apreciar as provas, mas nesta apreciação, que não se afaste dos fatos estabelecidos, das provas colhidas, das regras científicas regras jurídicas, regras da lógica e regras da experiência. PROVAS TÍPICAS CPC, arts. 332 a 443. Depoimento pessoal e confissão Documental Testemunhal Pericial Inspeção judicial PROVAS TÍPICAS Tratado no CC, nos arts. 212 a 232. 4
Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I - confissão; II - documento; III - testemunha; IV - presunção; V - perícia. 80 81 82 83 Tratado no JEC, nos arts. 32 a 37. Meios de prova Rol taxativo ou exemplificativo? No mundo, como está esta questão? No Brasil, como é? Diz o art. 332 do CPC: Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Diz o art. 32 da Lei 9.099/90: Todos os meios de prova moralmente legítimos, ainda que não especificados em lei, são hábeis para provar a veracidade dos fatos alegados pelas partes. CONCEITO José Carlos Barbosa Moreira: Por oposição à prova típica. Michele Taruffo: Úteis elementos de conhecimento dos fatos da causa, mas não regulados em lei. Cândido Rangel Dinamarco: Técnicas de captação de elementos de convicção não definidas em lei. Admissibilidade e limites Se condiciona a existência de previsão legal? Não se admite, no entanto, se a prova é: Ilegalidade, como a confissão por tortura Típica, obtida de forma diversa da legal, tal como a oitiva de testemunha sem respeito ao contraditório Ilícitas, como é a quebra do sigilo telefônico sem autorização judicial 5