Legislação e tributação comercial



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Transcrição:

7.3 IMPOSTOS MUNICIPAIS A teor do que dispõe o artigo 156 da Constituição Federal: Compete aos Municípios instituir impostos sobre: I - propriedade predial e territorial urbana; II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. Ressalvada a hipótese de emenda à Constituição, não há qualquer possibilidade de os Municípios instituírem quaisquer impostos além dos três que lhes foram deferidos pela Carta Magna. Assim, ao contrário da União, que possui competência residual e extraordinária, a lista de impostos municipais é exaustiva. 7.3.1 Imposto Sobre A Propriedade Predial E Territorial Urbana 7.3.1.1 Competência Dos Municípios (CF, 156, I e CTN, 32). O imposto é sobre a propriedade imóvel, que abrange o terreno e as edificações no mesmo existentes. 7.3.1.2 Função É tipicamente fiscal, sendo seu objetivo primordial a obtenção de recursos financeiros aos municípios. Revela-se como importante fonte de arrecadação municipal. Assume caráter extrafiscal, quando instituído de forma progressiva. 7.3.1.3 Fato gerador Segundo o artigo 32 do CTN, o IPTU tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município. Para compreensão do que vem a ser zona urbana deve-se considerar os critérios dispostos no 1º do artigo 32 do CTN, isto é: 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água; III - sistema de esgotos sanitários; IV - rede http://professorhoffmann.wordpress.com 83

de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo anterior. 3.3.1.4 Alíquotas No Município de Toledo, nos termos do artigo 17 da Lei Municipal n. 1.931, de 26.05.2006: O IPTU será calculado mediante a aplicação sobre o valor venal dos imóveis das seguintes alíquotas: I - imóveis edificados: cinco décimos por cento; II - imóveis não edificados: dois por cento; III - imóveis em construção: um por cento; IV - imóveis não parcelados, localizados no perímetro urbano, que sejam utilizados para exploração vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial, desde que a exploração atenda as exigências do Código de Posturas, da Vigilância Sanitária, da legislação ambiental e demais legislação vigente: cinco décimos por cento. 1º - A alíquota de que trata o inciso III do caput deste artigo terá validade pelo prazo de até dois anos, a contar da expedição do alvará de construção. 2º - Não concedido o "habite-se" até o prazo previsto no parágrafo anterior, aplicar-se-á a alíquota prevista no inciso II do caput deste artigo. 3.3.1.5 Base de cálculo É o valor venal do imóvel, este por sua vez é aquele que o bem alcançaria se fosse posto à venda, em condições normais. O preço, neste caso, deve ser o correspondente a uma venda à vista, vale dizer, sem incluir qualquer encargo relativo a financiamento. Há direito ao contraditório por parte do contribuinte quanto ao valor do imóvel. 3.3.1.6 Contribuinte Nos termos do artigo 34 do CTN, é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Proprietário é quem possui título de domínio devidamente registrado no Cartório de Registro de Imóveis, por sua vez, a titular do domínio útil, é a pessoa que recebeu do proprietário o direito de usar, gozar e dispor da propriedade, conservando o http://professorhoffmann.wordpress.com 84

domínio direto. É o caso do enfiteuta. Por fim, possuidor conforme disposição do artigo 1.196 do Código Civil é todo aquele que tem de fato o exercício pleno ou não, de alguns dos poderes inerentes à propriedade. 3.3.1.7 Lançamento É feito de ofício, pois que, as entidades da Administração tributária, dispõem do cadastro de imóveis e com base neste efetuam, anualmente, o lançamento do tributo, notificando os respectivos contribuintes para o seu pagamento. Direitos A Eles Relativos 7.3.2 Imposto Sobre A Transmissão Inter Vivos De Bens Imóveis E 7.3.2.1 Competência É de competência dos Municípios (CF, 156, II). Foi disposto ao Município pois que este possui o cadastro de imóveis, sendo muito mais conveniente e econômico a ele arrecadar. 7.3.2.2 Função É predominantemente fiscal, vale dizer, visa a obtenção de recursos financeiros para o município que o cobra. 7.3.2.3 Fato gerador A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, exceto os de garantia, bem como a cessão de direitos à sua aquisição. É o que consta do artigo 57 do Código Tributário Municipal de Toledo: I - a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou por acessão física, conforme definido no Código Civil; II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os direitos reais de garantia; III - a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos anteriores. 7.3.2.4 Alíquotas É fixada em percentual. Em Toledo, consta do artigo 60 do CTM: O imposto será calculado aplicando-se sobre o valor estabelecido como base de cálculo as seguintes http://professorhoffmann.wordpress.com 85

alíquotas: I - transmissões compreendidas no sistema financeiro da habitação, em relação à parcela financiada: cinco décimos por cento; II - demais transmissões: dois por cento. 7.3.2.5 Base de cálculo O artigo 38 do CTN dispõe que a base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos. Valor venal é o valor de mercado do bem imóvel por natureza ou acessão física, excluindo-se tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver intencionalmente empregado em sua exploração industrial, aformoseamento ou comodidade, que, por serem bens imóveis por acessão intelectual, estão constitucionalmente fora do campo de incidência do tributo. Aliás, consta do artigo 59 do CTM: A base de cálculo do ITBI é o valor pactuado no negócio jurídico ou o valor venal atribuído ao imóvel ou ao direito transmitido, atualizado pelo Município, se este for maior. 1º - Na arrematação ou leilão e na adjudicação de bens imóveis, a base de cálculo será o valor estabelecido pela avaliação judicial ou administrativa, ou o preço pago, se este for maior. 2º - Nas tornas ou reposições, a base de cálculo será o valor da fração ideal. 3º - Na instituição de fideicomisso, a base de cálculo será o valor do negócio jurídico ou setenta por cento do valor venal do imóvel ou do direito transmitido, se maior. 4º - Na concessão real de uso, a base de cálculo será o valor do negócio jurídico ou quarenta por cento do valor venal do bem imóvel, se maior. 5º - No caso de cessão de direitos de usufruto, a base de cálculo será o valor do negócio jurídico ou cinqüenta por cento do valor do bem imóvel, se maior. 6º - No caso de acessão física, a base de cálculo será o valor da indenização, ou o valor venal da fração ou acréscimo transferido, se maior. 7º - Quando a fixação do valor venal do bem imóvel ou direito transmitido tiver por base o valor da terra nua estabelecido pelo órgão federal competente, poderá o Município atualizá-lo monetariamente. 8º - A impugnação do valor fixado como base de cálculo do imposto será endereçada à repartição municipal que efetuar o cálculo, acompanhada de laudo técnico de avaliação do imóvel ou direito transmitido. 7.3.2.6 Contribuinte Nos termos do artigo 42 do CTN, contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei. Deve-se entender que o legislador municipal tem autonomia para a definição legal do contribuinte do ITBI, desde que a indicação recaia sobre uma das partes http://professorhoffmann.wordpress.com 86

da operação tributada, pois, nos termos do artigo 121, parágrafo único, I, do CTN, o contribuinte deve possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação. No Município de Toledo, por implicação do artigo 66 do CTM: O imposto é devido pelo adquirente ou cessionário do bem imóvel ou do direito a ele relativo. 1º - Nas transmissões que se efetuarem sem o pagamento do imposto devido, ficam solidariamente responsáveis por esse pagamento o transmitente e o cedente, conforme o caso. 2º - Os tabeliães, escrivães, notários, oficiais de registro de imóveis e demais serventuários de ofício são solidariamente responsáveis pelo cumprimento da obrigação tributária principal devida sobre os atos por eles praticados em razão de seu ofício, ficando solidariamente responsáveis por esse pagamento nas transmissões que se efetuarem sem o pagamento do imposto devido. 7.3.2.7. Lançamento Mediante declaração do contribuinte, pois que, a autoridade administrativa constitui o crédito tributário com base em informações prestadas pelo próprio sujeito passivo ou por terceiro. Pode ser lançado de ofício quando constatada a ocorrência de seu fato gerador sem que o respectivo pagamento tenha sido efetuado. 7.3.3 Imposto Sobre Serviços De Qualquer Natureza Ressalvados os serviços constitucionalmente colocados sobre o campo de incidência do ICMS (comunicação e transporte interestadual e intermunicipal), qualquer serviço pode ser tributado pelos Municípios, desde que definidos em lei complementar. 7.3.3.1 Competência Por disposição do artigo 156, inciso III da Constituição Federal, este imposto compete aos Municípios. 7.3.3.2 Função Possui nítida finalidade arrecadatória, constituindo-se em importante fonte de recursos para o desempenho da atividade financeira dos municípios, deste modo é predominantemente fiscal. http://professorhoffmann.wordpress.com 87

7.3.3.3 Fato gerador Compreende os serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária estadual, definidos em lei complementar da União. Este se encontra definido no artigo 1º da Lei Complementar nº 116/2003: O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. 1 o O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. 2 o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. 3 o O imposto de que trata esta Lei Complementar incide ainda sobre os serviços prestados mediante a utilização de bens e serviços públicos explorados economicamente mediante autorização, permissão ou concessão, com o pagamento de tarifa, preço ou pedágio pelo usuário final do serviço. 4 o A incidência do imposto não depende da denominação dada ao serviço prestado. 7.3.3.4 Alíquotas e Base de Cálculo Os municípios gozam de autonomia para fixar as alíquotas do ISS, contudo poderá a União limitar tais alíquotas por lei complementar. Quanto à base de cálculo, está é o preço do serviço, conforme definido pelo artigo 7º da Lei Complementar nº 116/2003. Em Toledo consta do CTM: A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, sendo que o imposto será calculado mediante a aplicação das seguintes alíquotas: I - serviços previstos nos itens 12, 15, 18, 19, 21, 22, 26 e 28, e seus respectivos subitens, do ANEXO I desta Lei: 5% (cinco por cento); II - serviços previstos nos subitens 6.01 e 6.02 e 14.04 do ANEXO I desta Lei: 2% (dois por cento); III - outros serviços: 3% (três por cento). 7.3.3.5 Contribuinte Nos termos do artigo 5º da Lei Complementar nº 116/2003, contribuinte é a empresa ou trabalhador autônomo que presta serviço tributável. http://professorhoffmann.wordpress.com 88

7.3.3.6 Lançamento O ISS é lançado por homologação, pois é o próprio sujeito passivo que, a cada fato gerador, calcula o montante do tributo devido e antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, cabendo a esta verificar a correção do procedimento e, se for o caso, homologá-lo, podendo, ainda, lançar de ofício as diferenças porventura devidas. http://professorhoffmann.wordpress.com 89