INFORMAÇÃO BÁSICA SOBRE SÍLICA CRISTALINA



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Transcrição:

Actualmente existe um alarme crescente em diferentes Comunidades Autónomas sobre os materiais que contêm sílica cristalina e a produção de poeiras inerentes à sua elaboração. O surgimento de casos de silicose acelerada em determinados estabelecimentos alertou a Administração que iniciou diversas campanhas de inspecção em oficinas com maquinagem cujos materiais contenham sílica cristalina. Com o objectivo de informar e esclarecer determinados conceitos junto dos nossos clientes, elaboramos este breve documento para sua consulta. Esta informação pode ser ampliada por um técnico do Serviço de Prevenção de Riscos Laborais de Levantina y Asociados de Minerales, S.A.U. conhecedor da presente normativa e técnica relacionada com a exposição à sílica cristalina. 1.- SÍLICA CRISTALINA A sílica é um componente básico da terra, areia, granito, mármore e muitos outros minerais. A sílica existe em diferentes formas, cristalina e amorfa. O quartzo é a forma mais comum da sílica cristalina e também podemos encontrá-la sob a forma de cristobalite e de tridimite, sendo estas duas últimas mais nocivas. Contrariamente, a sílica amorfa é considerada como sendo de baixa toxicidade. Quando se trabalham materiais cuja composição interna contém sílica cristalina gera-se pó no 1

ambiente de trabalho que pode ser respirado pelos trabalhadores. Esta fracção respirável pode penetrar profundamente nos pulmões e as exposições prolongadas a níveis elevados deste agente podem resultar em efeitos irreversíveis na saúde, incluindo pneumoconiose como a silicose, assim como a degradação de outras doenças pulmonares. 2.- MATERIAIS FREQUENTEMENTE ELABORADOS A seguir relacionamos diferentes materiais empregues nas oficinas de elaboração de pedra e as suas percentagens (aproximadas) de conteúdo em sílica cristalina: - Granito: 15-35% - Mármore: 0-5% - Quartzitos: superior a 95% - Xisto: até 40% - Compactos de quartzo: 85-100%; com presença de cristobalite em inúmeros casos - TECHLAM : 10-15% 3.- FICHA DE SEGURANÇA PARA PEDRA NATURAL O Real Decreto 255/2003 através do qual foi aprovado o Regulamento sobre classificação, acondicionamento e etiquetagem de preparados perigosos estabelece os requisitos e conteúdos de uma FICHA DE DADOS DE SEGURANÇA. A referida normativa através do seu art.º. 1. cita exclusivamente a aplicação a preparados, entendendo-se como tal as misturas ou soluções compostas por duas ou mais substâncias. 2

A Pedra Natural não é um preparado nem uma mistura, trata-se do único material de construção que se emprega tal como é encontrado na natureza, pelo não está sujeita à elaboração de uma ficha de dados de segurança. 4.- BOAS PRÁTICAS Aconselhamos os fornecedores que comercializam materiais que contenham sílica cristalina na sua composição a informar os seus clientes sobre os riscos dos trabalhadores que sejam expostos à sílica cristalina. Uma forma de advertir e informar acerca destes riscos e das medidas a adoptar consiste na entrega de um Manual ou Guia de Boas Práticas. Os fornecedores poderão optar por elaborar um guia próprio com o formato desejado ou proporcionar o guia europeu NEPSI disponível em www.nepsi.eu e recomendado pela INSPECÇÃO DO TRABALHO. 5.- AVALIAÇÃO E CONTROLO Os estabelecimentos nos quais através do seu processo produtivo e respectivas matérias-primas gerem pó de sílica deverão cumprir o estabelecido no RD 374/2001 de 6 de Abril sobre a protecção da segurança e saúde dos trabalhadores face aos riscos derivados da exposição a substâncias químicas. Em função dos valores obtidos, realizar-se-ão medições periódicas conforme a norma UNE EN 689 (Anexos D e F). As Sociedades de Prevenção darão apoio e coordenarão a realização das avaliações e medições 3

higiénicas de poeiras com os delegados de prevenção ou a pessoa que desempenhe as suas funções. 6.- VALORES LIMITES AMBIENTAIS Os valores limites ambientais de exposição diária (VLA-ED) que imperam actualmente e que se encontram publicados pelo INSHT são: - Fracção respirável: 3 mg/m3 - Quartzo - fracção respirável: 0,1 mg/m3 - Cristobalite - fracção respirável: 0,05 mg/m3 7.- TÉCNICAS DE MINIMIZAÇÃO DE PÓ Algumas técnicas de minimização de pó preventivas são: - Adaptação de ferramentas manuais a via húmida - Sistemas de nebulização - Sistemas de extracção localizada - Isolamento dos ambientes de trabalho 8.- EQUIPAMENTOS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL - Máscaras FPP3 - Equipamentos semi-autónomos de respiração 9.- FORMAÇÃO Os trabalhadores que ocupem postos de trabalho em cujo ambiente exista poeira de sílica suspensa devem receber formação específica sobre os riscos e procedimentos preventivos que devem adoptar nas suas tarefas. 4

10.- SINALÉTICA Os locais de trabalho onde existe um ambiente gerador de poeiras que contenham sílica cristalina deverão sinalizar os riscos e precauções por meio de cartazes informativos. A seguir apresentamos um modelo de cartaz que inclui os pictogramas que devem ser incluídos: PERIGO AVISO 2011 H372 Toxicidade específica em determinados órgãos (pulmões). Exposições repetidas, categoria 1. Provoca danos nos órgãos (pulmões) após exposições prolongadas ou repetidas. P260 Evitar respirar a poeira resultante do corte, polimento e entalhe do material. P284 Utilizar equipamento de protecção respiratório para para partículas (P3). RECOMENDAÇÕES P501 Eliminar os resíduos conforme a legislação vigente. P314 Consultar um médico em causa de mal-estar. P280 Utilizar luvas, roupa de trabalho adequada e óculos protectores. Mudar para roupa limpa no final do dia de trabalho. P270 Não comer, beber, nem fumar em áreas contaminadas com sílica cristalina. P264 Lavar bem as mãos depois da manipulação e tomar banho caso seja necessário. 5