Protocolo Clínico e de Regulação para Disfagia



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Transcrição:

Protocolo Clínico e de Regulação para Disfagia no Adulto e Idoso Gustavo de Assis Mota *, Ajith Kumar Sankarankutty **, Rafael Kemp ***, José Sebastião dos Santos **** INTRODUÇÃO A disfagia é um sintoma caracterizado pela dificuldade de transferência do alimento da boca para o estômago e pode ser alta (referida na base do pescoço), média (atrás do esterno) e baixa (na projeção do apêndice xifóide).o diagnóstico etiológico, com base apenas na história clínica pode ser feito em cerca de 80% dos casos e esse valor torna-se ainda maior com a realização do esofagograma (1). A diferenciação entre disfagia esofagiana e orofaríngea, obstrução mecânica e funcional com o auxílio do esofagograma, possibilita a formulação da hipótese diagnóstica mais provável, o inicio medidas clínicas para sanar as * Médico Assistente do Hospital das Clínicas junto à Divisão de Cirurgia Digestiva do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo (FMRP- USP). gustavomota@usp.br. Av. Bandeirantes, 3900 9º andar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto SP Brasil CEP: 14049-900 FONE: (16) 3602-2593/2508 FAX: (16) 3633-0836. ** Professor Doutor de Cirurgia da Divisão de Cirurgia Digestiva do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade São Paulo. ajith@fmrp.usp.br. Av Bandeirantes, 3900 9º andar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto SP Brasil CEP: 14049-900 FONE: (16) 3602-2593/2508 FAX: (16) 3633-0836. *** Professor Doutor de Cirurgia da Divisão de Cirurgia Digestiva do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade São Paulo. rafaelkemp@terra.com.br. Av. Bandeirantes, 3900 9º andar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto SP Brasil CEP: 14049-900 FONE: (16) 3602-2593/2508 FAX: (16) 3633-0836. **** Professor Associado de Cirurgia da Divisão de Cirurgia Digestiva do Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo. jsdsanto@fmrp.usp.br. Av. Bandeirantes, 3900 9º andar do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto SP Brasil CEP: 14049-900 FONE: (16) 3602-2593/2508 FAX: (16) 3633-0836. 1

necessidades imediatas do paciente e ainda encaminhamento correto para os diferentes níveis de atenção do sistema de saúde (1, 2). A caracterização clínica das condições gerais do paciente, a presença de comorbidades, as medidas clínicas para suprir a suas necessidades imediatas e a realização do exame contrastado do esôfago nos casos indicados, devem ser feitas no âmbito da atenção básica. As guias de referência contendo o resultado dessas avaliações são enviadas da atenção básica para o Complexo Regulador (CR) que faz o encaminhamento dos casos para serviços ambulatoriais especializados, hospitais de média complexidade ou hospitais de nível terciário (3,4,5). A adoção de protocolos clínicos e regulatórios (6) para disfagia a partir dos cenários de apresentação mais frequentes permite compatibilizar as necessidades do paciente com os diferentes perfis dos serviços do Sistema Único de Saúde, garantir a investigação e o tratamento nos tempos mais adequados e assim prevenir as complicações nutricionais e respiratórias da disfagia. CENÁRIOS CLÍNICOS CENÁRIO I: APRESENTAÇÃO CLÍNICA Dificuldade de iniciar deglutição; Tosse, engasgo e regurgitação nasal ao se alimentar; Necessidade de várias tentativas para conseguir deglutir o bolo alimentar. 2

DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO E ETIOLÓGICO Disfagia orofaríngea secundária a doenças do sistema nervoso central (acidente vascular cerebral, Doença de Parkinson, esclerose múltipla), neurônio motor (esclerose lateral amiotrófica, poliomielite), junção neuromuscular (miastenia gravis), musculatura estriada (poliomielite, distrofia muscular). MEDIDAS CLÍNICAS E REGULATÓRIAS No âmbito da atenção básica, suspender a ingestão via oral (prevenção da asfixia e pneumonias secundária à aspiração). Passar sonda nasogástrica (SNG),preferencialmente, de fino calibre em poliuretano e silicone, orientar a dieta e hidratação para manter o aporte calórico e líquido. O posicionamento da sonda deve ser conferido por meio de manobras clínicas e,excepcionalmente,em caso de dúvida o paciente pode ser encaminhado à unidade de pronto atendimento (UPA) para radiografia simples de tórax ou abdome. A orientação da dieta, cuidados, desobstrução ou troca da sonda de alimentação podem ser feitas no âmbito da atenção básica. O médico da atenção básica encaminha uma guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico ao CR para investigação eletiva do caso. O médico da atenção básica alerta o paciente em caso de dispnéia ou febre (pneumonia aspirativa). Nessa eventualidade, o paciente é orientado a procurar a unidade básica de saúde ou a UPA, ou ainda a 3

ligar para o serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU)/Regulação de Urgência no número 192. O médico regulador avalia a solicitação e agenda o atendimento em serviço de referência de média complexidade para avaliação gastroenterológica e fonoaudiológica no prazo de 15 dias (7). O paciente pode ser avisado acerca do dia, local e hora do atendimento da seguinte forma: - por telefone pelo CR; - por telefone pela atenção básica; - pelo agente comunitário de saúde. Os retornos ou os tratamentos complementares relacionados à doença são agendados pelo próprio serviço especializado. A equipe do serviço especializado deve redirecionar o paciente para a atenção básica por meio de contra-referência com a descrição do tratamento realizado e o complementar eventualmente proposto. A atenção básica continua a cuidar de outras comorbidades ou eventuais problemas advindos do tratamento passíveis de cuidado nesse nível. Os tratamentos complementares necessários fora do âmbito da atenção básica e do serviço especializado devem ser solicitados para o CR por meio de guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico. CENÁRIO II: APRESENTAÇÃO CLÍNICA Disfagia baixa ou inespecífica lentamente progressiva para sólidos e líquidos; 4

Emagrecimento compensado; Regurgitação de alimentos não digeridos. DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO E ETIOLÓGICO Obstrução esofagiana funcional secundária a mega esôfago (acalasia) ou a outro distúrbio de motilidade do esôfago. MEDIDAS CLÍNICAS E REGULATÓRIAS No âmbito da atenção básica, orientar a dieta via oral com líquidos mornos. Se houver incapacidade de manter o aporte líquido e calórico por via oral, passar SNG preferencialmente de fino calibre em poliuretano e silicone, orientar a dieta e a hidratação para manter o aporte. O posicionamento da sonda deve ser conferido por meio de manobras clínicas e,excepcionalmente, em caso de dúvida o paciente pode ser encaminhado à UPA para radiografia simples de tórax ou abdome.a orientação da dieta, cuidados, desobstrução ou troca da sonda de alimentarão podem ser feitas no âmbito da atenção básica. O médico da atenção básica solicita exame contratado de esôfago que deve ser realizado no período de até 15 dias (7). O médico da atenção básica alerta o paciente em caso de dispnéia ou febre (pneumonia aspirativa). Nessa eventualidade o paciente é orientado a procurar a unidade básica de saúde ou UPA, ou ainda a ligar para o SAMU/192. 5

O médico da atenção básica encaminha uma guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico com todas as informações clínicas e os resultados de exames laboratoriais e de imagem ao CR. O médico regulador de posse do conjunto de informações consegue discriminar o megaesôfago simples do megaesôfago avançado ou de outro distúrbio de motilidade do esôfago. O megaesôfago na fase inicial exibe dilatação esofágica com ondas terciárias e afilamento distal e, em fase mais avançada, grande dilatação com acúmulo de alimentos e tortuosidade (dólico) (Figura 1). Os outros distúrbios de motilidade apresentam um exame normal ou algumas imagens características. O médico regulador avalia a solicitação e agenda o atendimento em serviço de referência no prazo de 15 dias (7) O médico regulador deve agendar os casos com acalasia simples e classificação de risco anestésico cirúrgico baixo, segundo a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA I e II ) para serviço especializado de cirurgia digestiva de média complexidade. O pacientes com megaesôfago avançado ou de risco cirúrgico elevado (ASA III e IV) deverão ser encaminhados para avaliação em hospital terciário. Os pacientes com outros distúrbios de motilidade do esôfago deverão ser encaminhados a serviço de gastroentelogia clínica de média complexidade. O paciente pode ser avisado acerca do dia, local e hora do atendimento da seguinte forma: - por telefone pelo CR; 6

- por telefone pela atenção básica; - pelo agente comunitário de saúde. Os retornos ou os tratamentos complementares relacionados à doença são agendados pelo próprio serviço especializado. A equipe do serviço especializado deve redirecionar o paciente para a atenção básica por meio de contra-referência com a descrição do tratamento realizado e o complementar eventualmente proposto. A atenção básica continua a cuidar de outras comorbidades ou eventuais problemas advindos do tratamento passíveis de cuidado nesse nível. Os tratamentos complementares necessários fora do âmbito da atenção básica e do serviço especializado devem ser solicitados para o CR por meio de guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico CENÁRIO III: APRESENTAÇÃO CLÍNICA Disfagia alta, média ou baixa lentamente progressiva para sólidos. Emagrecimento compensado Regurgitação de alimentos não digeridos. Pirose e regurgitação crônicas DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO E ETIOLÓGICO Obstrução esofagiana mecânica secundária a estenose péptica, divertículo de Zenker, outros divertículos, anel Shatzki, teias ou membranas esofagianas. 7

MEDIDAS CLÍNICAS E REGULATÓRIAS No âmbito da atenção básica, orientar dieta via oral com líquidos e pastosos. Se houver incapacidade de manter aporte líquido e calórico via oral, passar SNG preferencialmente de fino calibre em poliuretano e silicone, orientar a dieta e a hidratação para manter o aporte. O posicionamento da sonda deve ser conferido por meio de manobras clínicas e em caso de dúvida o paciente pode ser encaminhado à UPA para radiografia simples de tórax ou abdome. A orientação da dieta, cuidados, desobstrução ou troca da sonda de alimentarão podem ser feitas no âmbito da atenção básica. O médico da atenção básica solicita a realização de exame contratado de esôfago que deve ser realizada no período de ate 15 dias (7).. O médico da atenção básica alerta o paciente em caso de dispnéia ou febre (pneumonia aspirativa). Nessa eventualidade o paciente é orientado a procurar a unidade básica de saúde ou PA, ou ainda a ligar para o SAMU/192. O médico da atenção básica encaminha uma guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico com todas as informações clínicas e os resultados de exames laboratoriais e de imagem ao CR. O médico regulador de posse do conjunto de informações consegue discriminar a causa da obstrução mecânica. A estenose péptica benigna se caracteriza por estreitamento simétrico, com afilamento proximal e distal com de contornos lisos (Figura 2A). As formações diverticulares 8

(Figura 2B) e estenose em anel ou membrana são bem evidentes ao exame contratado do esôfago. O médico regulador avalia a solicitação e agenda o atendimento em serviço de referência no prazo de 15 dias (7). O médico regulador deve agendar os casos com divertículos, anéis, teias ou membranas esofágicas e classificação de risco anestésico cirúrgico baixo (ASA I e II) para serviço especializado de cirurgia digestiva de média complexidade. Os pacientes com risco anestésico cirúrgico elevado (ASA III e IV) ou portadores de estenose péptica esofágica deverão ser encaminhados para avaliação em hospital terciário. O paciente pode ser avisado acerca do dia, local e hora do atendimento da seguinte forma: - por telefone pelo CR; - por telefone pela atenção básica; - pelo agente comunitário de saúde. Os retornos ou os tratamentos complementares relacionados à doença são agendados pelo próprio serviço especializado. A equipe do serviço especializado deve redirecionar o paciente para a atenção básica por meio de contra-referência com a descrição do tratamento realizado e o complementar eventualmente proposto. A atenção básica continua a cuidar de outras comorbidades ou eventuais problemas advindos do tratamento passíveis de cuidado nesse nível. Os tratamentos complementares necessários fora do âmbito da atenção básica e do serviço especializado devem ser solicitados para o CR por 9

meio de guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico CENÁRIO IV: APRESENTAÇÃO CLÍNICA Disfagia alta, média ou baixa rapidamente progressiva de sólidos a líquidos. Sinais de Alarme (perda de peso, anemia, sangramento, odinofagia, massas palpáveis). Fatores de risco (tabagismo, etilismo). DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO E ETIOLÓGICO Obstrução esofagiana mecânica secundária a neoplasia maligna. MEDIDAS CLÍNICAS E REGULATÓRIAS No âmbito da atenção básica, orientar dieta via oral com líquidos e pastosos. Se houver incapacidade de manter aporte líquido e calórico via oral, passar SNG preferencialmente de fino calibre em poliuretano e silicone, orientar a dieta e a hidratação para manter o aporte.o posicionamento da sonda deve ser conferido por meio de manobras clínicas e em caso de dúvida o paciente pode ser encaminhado à UPA para radiografia simples de tórax ou abdome.a orientação da dieta, cuidados, desobstrução ou troca da sonda de alimentação pode ser feita no âmbito da atenção básica. 10

O médico da atenção básica solicita a realização de exame contratado de esôfago que deve ser realizada no período de ate 15 dias (7). O médico da atenção básica alerta o paciente em caso de dispnéia ou febre (pneumonia aspirativa). Nessa eventualidade o paciente é orientado a procurar a unidade básica de saúde ou a UPA, ou ainda a ligar para o SAMU)/192. O médico da atenção básica encaminha uma guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico com todas as informações clínicas e os resultados de exames laboratoriais e de imagem ao CR. O médico regulador de posse do conjunto de informações consegue discriminar a neoplasia maligna do esôfago caracterizado por falha de enchimento no esôfago no exame contrastado (imagem de maçã mordida) (Figura 2 C). O médico regulador avalia a solicitação e agenda o atendimento em serviço de referência no prazo de 15 dias (7). O médico regulador deve agendar os casos de neoplasia maligna do esôfago para avaliação em hospital terciário. O paciente pode ser avisado acerca do dia, local e hora do atendimento da seguinte forma: - por telefone pelo CR; - por telefone pela atenção básica; - pelo agente comunitário de saúde. Os retornos ou os tratamentos complementares relacionados à doença são agendados pelo próprio serviço especializado. 11

A equipe do serviço especializado deve redirecionar o paciente para a atenção básica por meio de contra-referência com a descrição do tratamento realizado e o complementar eventualmente proposto. A atenção básica continua a cuidar de outras co-morbidades ou eventuais problemas advindos do tratamento passíveis de cuidado nesse nível. Os tratamentos complementares necessários fora do âmbito da atenção básica e do serviço especializado devem ser solicitados para o CR por meio de guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico CENÁRIO V: APRESENTAÇÃO CLÍNICA Incapacidade de ingerir líquidos ou sólidos. Incapacidade de posicionamento de sonda de alimentação em paciente com disfagia que não consegue manter o aporte calórico ou liquido via oral. DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO E ETIOLÓGICO Disfagia total secundária a ingestão de corpo estranho ou agravamento de doença obstrutiva prévia. MEDIDAS CLÍNICAS E REGULATÓRIAS Jejum e acesso venoso periférico para hidratação. Acionar o SAMU/192. Remoção por meio de uma unidade de suporte básico. Encaminhar o paciente para um hospital terciário 12

Após tratamento, a equipe do hospital terciário deve redirecionar o paciente para a atenção básica por meio de contra-referência com a descrição do tratamento realizado e o complementar, eventualmente, proposto. A atenção básica continua a cuidar de outras comorbidades ou eventuais problemas advindos do tratamento, passíveis de cuidado nesse nível. Os tratamentos complementares necessários fora do âmbito da atenção básica e do serviço especializado devem ser solicitados para o CR por meio de guia de referência preenchida manualmente ou por meio eletrônico. I II II I Figura 1- Megaesôfago: dilatação do órgão com afilamento distal tipo bico de pássaro ou rabo de rato. O tamanho da dilatação é variável de acordo com a evolução da doença e o órgão tende a dobrar sobre o diafragma direito nos estágios avançados (dólico). Pode ser classificado em graus segundo exame contratado padronizado (Esôfago Técnica Padrão) que evidencia retardo no esvaziamento e o tamanho do órgão semelhante ao encontrado in vivo.i- Megaesôfago Grau I até 4 cm; II-Megaesôfago Grau II de 4 a 7cm; III- Megaesôfago Grau III de 7 a 10cm e Megaesôfago Grau IV( com dólico) maior que 10cm. 13

Figura 2- As estenoses pépticas são estreitamentos mais suaves com bordas regulares mantendo também dilatação do órgão acima da estenose (A).Os divertículos são saculações bem visíveis ao exame de contrastado do esôfago. O divertículo de Zenker e visualizado como saculação na altura do pescoço, com nível hidroaéreo normalmente localizado a esquerda da linha média (B).A neoplasia maligna do esôfago (C) se apresenta como uma falha de enchimento grosseira tipo maçã mordida, com dilatação do órgão a montante e calibre e mucosa normais abaixo. 14

15

BIBLIOGRAFIA 1. Lind CD. Dysphagia: evaluation and treatment. GastroenterolClin North Am. 2003 Jun;32(2):553-75. 2. Saud BM, Szyjkowski RD. A diagnostic approach to dysphagia.clin Fam Pract 2004; 6: 525 46. 3. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção às Urgências Brasília /MS, 2004. 236p;il.-(série E. Legislação de Saúde) 4. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1559 de 1 de agosto de 2008. Institui a Política Nacional de Regulação. Diário Oficial da União, Brasília, DF, agosto de 2008. 5. Ferreira JBF, Mishima SM, Santos JS, Forster AC, Ferraz CA. The regulatory complex for healthcare from the perspective of its operational players. Interface (Botucatu. Impresso) 2010; 14: 345-358. 6. Santos JS et al. Clinical and regulatory protocol for the treatment of jaundice in adults and eldery subjects: A support for the health care regulatory system. ActaCirurgicaBrasileira 2008;23(1);133-142. 7. Paterson WG, Depew WT, Paré P, Petrunia D, Switzer C, Veldhuyzen van Zanten SJ, Daniels S; Canadian Association of Gastroenterology Wait Time Consensus Group. Canadian consensus on medically acceptable wait times for digestive health care. Can J Gastroenterol. 2006 Jun;20(6):411-23. 16