TESTES SOCIOMÉTRICOS Docente: Mestre Mª João Marques da Silva Picão Oliveira
TESTES SOCIOMÉTRICOS * O Teste Sociométrico ajuda-nos a avaliar o grau de integração duma criança/jovem no grupo; a descobrir a maneira como ela está a tentar integrar-se; a ver se a sua experiência social se está a realizar dum modo salutar ou não e, com base nestes dados, melhorar a nossa intervenção pedagógica. PORQUE PODEMOS USAR TESTES SOCIOMÉTRICOS? Um teste sociométrico consiste simplesmente em pedir a cada elemento de um grupo que indique as pessoas com quem gostaria de se associar em diversas situações. Depois de cada um responder às perguntas, são catalogadas as respostas numa folha matriz sociométrica através da qual podemos obter várias informações acerca das crianças/jovens: Contando o número de vezes que uma criança é escolhida, podemos ficar a saber em que grau é que ela é aceite pelos outros membros do grupo. A isto chama-se posição sociométrica. Algumas crianças serão escolhidas muitas vezes e outras menos. Os resultados permitir-nos-ão saber quais são os maiores amigos de cada criança. Podemos verificar se ela tem um grande número de amigos diferentes ou um pequeno número de amigos especiais e também se as crianças que ela considera os seus amigos são os que também gostam dela de um modo especial. O Teste Sociométrico revela a estrutura do grupo como um todo. Através dos resultados podemos ver se é constituído por pequenos grupos mais ou menos fechados ou se há uma integração perfeita. Pode mostrar-nos, também, se existe alguma barreira entre rapazes e raparigas. E quais são as crianças que fazem a sua escolha para além dessas barreiras e que são, portanto, os elementos integrantes do grupo como um todo. Podemos ainda descobrir quem são os líderes do grupo e os seus seguidores. Se aplicarmos o Teste Sociométrico em momentos diferentes, podemos verificar de que maneira a estrutura do grupo, a posição sociométrica e as relações pessoais evoluem. Podemos ainda utilizar os resultados sociométricos para obter outro tipo de informações. Podemos querer saber se os alunos que trabalham melhor na escola são ou não bem aceites pelos seus companheiros; ou podemos ver se os alunos que os professores consideram melhor 2
adaptados são aqueles de quem os colegas gostam de um modo especial; ou podemos verificar o efeito produzido pela entrada de novos alunos na turma, ou pela transferência de alguns dos que causavam dificuldades. Os Testes Sociométricos são da maior utilidade na organização de grupos escolares. O uso das escolhas sociométricas - preferências reais das crianças - na organização da vida da turma, ajudar-nos-á a criar um bom clima dentro da aula. Um Teste Sociométrico dá a todas e a cada uma das crianças/jovens de um grupo a oportunidade de nos dizer com quem gosta de brincar, trabalhar ou de estar em determinada situação. Um teste tipo pode ter várias formas. No entanto, todos os tipos de testes sociométricos têm uma coisa em comum: todos pedem a cada um dos indivíduos de um grupo que indique com qual (ou quais) dos outros é que ele prefere estar, numa ou várias situações da vida real (ver questionário). O tipo de teste mais utilizado é o teste sociométrico de «três critérios/três escolhas». Consideram-se três situações (critério) e pede-se a cada criança/jovem que indique (escolha) três amigos com quem prefira estar em cada uma das situações. Os três critérios mais utilizados são os seguintes: Brincadeira livre ao ar livre Actividade dentro de casa à volta da mesa (ou trabalho de carteira) Actividade de grupos organizada (jogos) Utilizam-se estas situações particulares por serem aquelas que as crianças/jovens conhecem realmente na sua vida escolar. A ORGANIZAÇÃO DOS RESULTADOS Depois de ter aplicado um teste sociométrico a cada um dos elementos do grupo/turma a tarefa seguinte é organizar os resultados. 3
Numa folha de papel quadriculado, ao cimo da página, em colunas, escrever os nomes de todos os rapazes (ou raparigas) do grupo por ordem alfabética. Deixar um espaço e escrever então os nomes das raparigas (ou dos rapazes), também por ordem alfabética (ver matriz sociométrica). Do lado esquerdo, escrever, outra vez, os nomes dos rapazes (ou das raparigas); deixar um espaço e escrever o nome das raparigas (ou dos rapazes), todos por ordem alfabética, como se fez no cimo da página (ver matriz sociométrica). Inicia-se o registo dos resultados partindo da lista lateral para a lista do cimo da página A lista lateral indica escolhas feitas; a lista do cimo da página indica escolhas recebidas Quando uma criança nunca indicou outra nenhuma vez, deixa-se o espaço em branco. No entanto, quando uma criança é escolhida apenas uma vez, é bom preencher os outros espaços com zero (0), porque facilita a leitura da tabela (ver matriz sociométrica). Depois de se terem anotado todos os resultados na matriz sociométrica são bem visíveis todas as escolhas que cada criança fez, assim como as que recebeu. A partir do registo dos resultados pode então fazer-se a análise sociométrica. A matriz sociométrica contém todas as informações que se obtiveram de uma forma ordenada. Através da sua análise pode-se apreciar toda a estrutura sociométrica da turma. O QUE NOS DIZ A MATRIZ SOCIOMÉTRICA? 1. Índices sociométricos atribuindo a cada entrada registada na coluna vertical de cada criança o valor 1 (sem ter em conta se a 4
entrada é dada como 1,2 ou 3), pode-se determinar o número de vezes que cada uma das crianças foi escolhida em cada um dos critérios (ver matriz sociométrica preenchida). Registam-se estas somas na linha que tem como título «Totais em cada critério», na parte inferior esquerda. Calculando o total das somas de cada coluna, determinam-se os índices sociométricos globais. Estes, por sua vez, são registados na linha intitulada «Totais combinados». Estes índices chamam-se índices de posição sociométrica. O seu valor pode oscilar entre 0 (zero) e 20 (vinte) ou mais e classificam-se do seguinte modo: 15 ou mais muito acima da média; 10 a 14 - acima da média; 9 média; 8 a 4 abaixo da média; 3 ou menos muito abaixo da média 2. Número de crianças que escolhem cada uma das crianças pode ser determinado contando o número de linhas que apresentam registos na coluna de cada criança. Registam-se estas somas na linha intitulada «Número dos que escolhem», na parte inferior da página (ver matriz sociométrica preenchida). 3. Número de escolhas feitas por cada criança olhando ao longo de cada linha, da esquerda para a direita, podem contar-se quantas escolhas fez cada uma das crianças. Cada uma tinha, neste caso, seis oportunidades de escolha, mas nem todas as aproveitaram. Registase o número de escolhas que cada uma fez na coluna intitulada «Número de escolhas feitas», à direita da folha. 4. Número de crianças diferentes que cada criança escolhe nesta forma de teste sociométrico uma criança pode escolher de três a seis crianças, ou seja, desde três crianças, duas vezes cada uma, até seis crianças uma vez cada uma. O número de crianças diferentes que ela escolhe determina-se contando o número de colunas que contêm registos na linha horizontal que lhe corresponde. Esta soma e as de todas as outras linhas registam-se na coluna intitulada «Número de escolhidos». 5. Escolhas recíprocas uma criança pode escolher outra que também a escolhe a ela. A isto chama-se escolha recíproca e pode-se determinar a incidência de escolhas recíprocas por meio da matriz sociométrica. Olha-se para os dois quadrados onde as colunas e as linhas das crianças se intersectam e, se houver registos em ambas, 5
isso significa que as escolhas foram recíprocas. Para tornar mais clara esta leitura é conveniente fazer um círculo à volta destes registos (ou sublinhar com cor idêntica). Assim, rapidamente se vê quais as crianças que têm escolhas recíprocas e quantas reciprocidades há na turma. Verificar-se-á que algumas destas escolhas recíprocas são aquilo a que se chama escolhas «totalmente recíprocas» - quando uma criança escolhe e é escolhida por outra em cada um dos critérios. Mas há situações em que as escolhas são apenas «parcialmente recíprocas». 6. Intensidade da escolha com a matriz sociométrica pode-se descobrir qual a criança que escolheu outra duas ou uma vez. E, assim, saber quem são as crianças de predilecções fortes. Quais são as crianças que gostam de outras crianças que lhes correspondem na sua predilecção e quais as que gostam de crianças para quem são indiferentes. 7. Subgrupos e grupinhos fechados a matriz sociométrica está organizada de tal modo que os rapazes e as raparigas estão em grupos separados. Assim, pode-se ver rapidamente quantas vezes os rapazes escolheram raparigas e vice-versa. A partir destes resultados pode-se medir as preferências sexuais dentro do grupo. 8. Indiferença sociométrica na matriz sociométrica há-de haver muitos quadrados sem nenhum registo. Estes espaços em branco indicam a «indiferença sociométrica»; consideram-se sociometricamente indiferentes umas às outras as crianças a quem eles correspondem. Isto não significa necessariamente que as crianças em questão sejam hostis umas par com as outras, nem implica que sejam completamente indiferentes do ponto de vista social. 6
O CONTRIBUTO DA SOCIOMETRIA NO TRABALHO COM CRIANÇAS/JOVENS Os testes sociométricos dão muitas indicações acerca da estrutura social dos grupos e das relações sociais que existem entre as crianças/jovens que a eles pertencem. Localizam as crianças/jovens isoladas e as que são mais populares. Revelam os grupos fechados. Mostram quem são os amigos e os que não são, e mostram também se esses factos sofreram alterações se forem repetidos passado algum tempo. Os testes sociométricos em si não nos dizem o que devemos fazer às crianças; dão-nos informações e não instruções. A maneira de utilizar essas informações depende de nós, da nossa filosofia acerca da vivência social e da importância que atribuímos às relações sociais da criança/jovem no desenvolvimento da sua personalidade. Na qualidade de adultos a trabalhar com crianças/jovens temos a consciência, quer usemos testes sociométricos ou não, de estarmos frequentemente a organizar grupos sociais e oportunidades de contacto social. Podemos organizar grupos de trabalho de projecto e dispor os lugares nas salas de aula ou escolher os elementos de um grupo que vá desenvolver determinado tipo da actividade. Todas as vezes que o fazemos estamos a influenciar as oportunidades de contacto e de interacção social que as crianças/jovens vão ter. Quanto mais oportunidades de interacção social livre a escola oferece maior número de preferências sociométricas se realizarão na vida. É importante reter um princípio geral: quanto menos segura uma criança/jovem se sente, sob o ponto de vista social, tanto mais necessita de oportunidades para estar com os pares junto dos quais se sente melhor. * Testes Sociométricos Autores: Mary Northway e Lindsay Weld Biblioteca do Educador Profissional Livros Horizonte 7