DEPRESSÃO: Causas, conseqüências e tratamento
DEPRESSÃO: Causas, conseqüências e tratamento Izaias Claro
18ª edição 85.001 a 90.000 exemplares ABRIL 2008 Composto e Impresso: Gráfica da Casa Editora O Clarim (Propriedade do Centro Espírita O Clarim). Fone: (0XX16) 3382-1066 Fax: (0XX16) 3382-1647 C.G.C. 52313780/0001-23 - Inscr. Est. 441002767116 Rua Rui Barbosa, 1070 - Cx. Postal, 09 CEP 15990-903 - Matão - SP http://www.oclarim.com.br oclarim@oclarim.com.br
DEPRESSÃO: CAUSAS, CONSEQÜÊNCIAS E TRATAMENTO Dados para catalogação na editora Claro, Izaias Depressão: Causas, Conseqüências e Tratamento / Izaias Claro Matão/SP: Casa Editora O Clarim, agosto 1998 1ª edição - 6.000 exemplares Bibliografia ISBN 85-7357-042-3 1. Espiritismo 2. Filosofia CDD-133.9 Índices para catálogo sistemático: 1. Espiritismo - 133.9 2. Filosofia - atualidade - 869.9 Impresso no Brasil Presita en Brazilo
Agradecimentos: Do Autor: Profª. Maria Eduvirges Barboza Contieri e Profª. Irene Masue Ikeda Sekine - Projeto Capa. Cláudio Borro - tela especialmente criada para a confecção da capa. Angelo Luiz Belchior Antonini - digitação do texto. José Francisco Pardo de Freitas e Teresinha das Graças Rocha de Freitas (Teca) - conferência do texto. Da Editora: Dr. Alberto de Souza Rocha. Equipe de funcionários da Casa Editora O Clarim.
ÍNDICE Prefácio...12 Capítulo I: Primeiras anotações...15 Sumário...17 doença de todos os tempos...17 quantos são os depressivos?...19 quem poderá contrair depressão?...20 quanto tempo poderá durar uma depressão?...21 a mulher e a depressão...23 o que é depressão...25 graus da depressão...26 perfil comportamental do depressivo...28 contribuição do Espiritismo e dos Bons Espíritos...30 Capítulo II: Uma síntese da Doutrina Espírita. O homem, no conceito espírita...33 Sumário...35 uma sintese da Doutrina Espírita...35 o homem, no conceito espírita...41 Capítulo III: Na intimidade da casa mental...47 Sumário...49 subconsciente, consciente e superconsciente...49 subconsciente: um arquivo...51 fixação no passado...55 consciente: comando atual...56 fixação no presente...58 somos o que pensamos ser...59 Capítulo IV: Causas...61 Sumário...63 o próprio depressivo...63 imaturidade psicológica...66
comportamento materialista...68 sentimento de perda...71 ressentimento...77 sentimento de culpa...82 obsessão...87 outras causas: psico-sociais, psico-afetivas, socio-econômicas, enfermidades orgânicas, substâncias entorpecentes, alcoolismo e psicológicoespirituais...93 Capítulo V: Consequências...99 Sumário...100 comprometimento do sistema imunológico...100 enfermidades orgânicas...101 suicídio...103 fator destrutivo da mente e da personalidade...105 tragédias várias...107 Capítulo VI: Cura...111 Sumário...113 cure-se a si mesmo (o próprio depressivo)...113 torne-se maduro emocionalmente (imaturidade psicológica)...118 espiritualize-se (comportamento materialista)...121 desapegue-se dos bens transitórios (sentimento de perda)...124 perdoe sempre (ressentimento)...131 perdoe-se e recomece (sentimento de culpa)...139 liberte-se (obsessão)...148 cura para as causas diversas (outras causas)...153 recomendações outras para a cura...159 higienize-se mentalmente...160 polarize o pensamento...162 confie em Deus...165 confie em Jesus...169 ore fervorosamente...171 ame sempre...173 busque o Espiritismo...176 encontre um Centro Espírita...178 ampare-se na família...180
tenha bons e estruturados amigos...182 trabalhe e transpire também...184 vigie sempre...185 compreenda e trabalhe a dor...186 cultive alegria íntima...190 seja racional...192 breve página à mulher...194 vinte anos depois (duas orações)...197 Bibliografia...200
PREFÁCIO Cristo-Jesus, em Seu Indimensional Amor, veio ao encontro de todos nós, Seus irmãos menores, com o Divino propósito de auxiliar-nos na ascensão espiritual que devemos realizar. Afável, expressou-se assim: no mundo tereis aflições..., prevenindo-nos quanto às lutas que seriam travadas até que alcançássemos o ponto culminante de nossa evolução. Não há exceção para esta regra: todos os que nos encontramos vinculados ao Orbe terreno, padecemos aflições. Isto não significa, porém, como se verá oportunamente, que estejamos todos no estado de depressão propriamente dito. Considerando a complexidade da vida moderna, suas lutas e incertezas, muito natural não se conseguir manter um estado psíquico positivo inalterável; compreensível que vez ou outra apresentemos algumas tristezas, mágoas, aborrecimentos que, num certo grau e, desde que passageiro este estado, não pode ser qualificado de depressão clínica. E, em muitas situações, sobretudo nas especialmente traumáticas, chega a ser normal o cair em depressão, não se podendo esperar mesmo, em tal conjuntura, outra reação. Diz o Dr. John Bowlby: a tristeza é uma reação normal e saudável a qualquer infortúnio. (28)... Se chega a ser normal o cair em depressão, em algumas situações, isto, de modo algum, justifica que o ser permaneça indefinidamente nesse estado, devendo, com toda a diligência, esforçar-se por recuperar o quanto antes o anterior estado emocional de alegria, de segurança íntima, de entusiasmo... Há duas décadas tenho convivido intensamente com pessoas depressivas, sensibilizando-me profundamente com as situações por elas experimentadas. Favorecido pelo conhecimento da Doutrina Espírita, e percebendo o quanto esta Doutrina pode beneficiar efetivamente as criaturas em aflições, senti o desejo de elaborar este trabalho que, na sua singeleza, guarda o despretensioso objetivo de contribuir. 12
Induvidosamente, imensa é a cooperação da Doutrina Espírita também neste campo, o das enfermidades emocionais/espirituais. Restaurando o pensamento puro de Jesus, o Espiritismo, em linguagem atual, demonstra a origem, a natureza e a destinação dos Espíritos, demonstrando pela mediunidade bem orientada e conduzida, que a alma, que pré-existia em relação ao corpo em formação na cavidade uterina, sobreviverá à morte, retornando ao mundo espiritual, onde se encontrava antes deste último mergulho no corpo. Com esta certeza, a Vida assume sua real dimensão, enquanto a criatura adquire mais profunda e verdadeira compreensão das coisas. Comprovando a imortalidade da alma e apresentando-a não mais como uma esperança, mas como uma realidade, a Doutrina dos Espíritos muito contribui para a compreensão e aceitação dinâmica do sofrimento, bem estruturando a criatura para o enfrentamento de todas as situações afligentes. Com o Espiritismo, constatamos que os Espíritos, aqueles que verdadeira e sabiamente nos amam e se devotam em nosso favor (portanto, os Bons), acompanham-nos, assistem-nos e nos fortalecem para o êxito imprescindível. E eles, amorosos sempre, valem-se de muitas e variadas técnicas para prodigalizar-nos o bem de que necessitamos.... Apresento, a partir das linhas próximas, alguns estudos e reflexões a respeito deste tema, ainda atual: a depressão. Rogo, humildemente, a compreensão generosa dos doutos e acadêmicos. Não é intenção minha excluir ou desconsiderar a Ciência Psicológica, que vem contribuindo eficazmente no trato das aflições humanas. Somente desejo oferecer uma modesta contribuição à luz do Espiritismo-Cristão. Os lapsos, assim o espero, hão de ser relevados pelos nossos sábios e doutos irmãos, compreendendo que abordo o tema especialmente pela ótica do coração, tocado pelo sincero desejo de servir desinteressadamente... Ofereço o humilde esforço aos aflitos, destinatários deste investimento, que é resultado de vários anos de estudos e de pesquisas silenciosas, no recolhimento de muitas noites e dias, e no trato com as superlativas dores humanas. 13
Alma querida! Guardo a convicção da singeleza do trabalho. Tenha a certeza de que foi pensando em você e em suas aflições, que me animei a realizá-lo. Que ele ajude de algum modo! - é a sentida oração, recompensa máxima a que aspira O AUTOR 14
CAPÍTULO I PRIMEIRAS ANOTAÇÕES
Sumário: doença de todos os tempos; quantos são os depressivos? Quem poderá contrair depressão? Quanto tempo poderá durar uma depressão? A mulher e a depressão; o que é depressão? Graus da depressão; perfil comportamental do depressivo; contribuição do Espiritismo e dos Bons Espíritos. doença de todos os tempos A depressão é uma doença somente dos nossos tempos? Não. A depressão é uma doença tão antiga quanto o homem. Se percorrermos as páginas da história encontraremos, em todas as épocas, irmãos nossos apresentando um comportamento típico dos depressivos. À luz da reencarnação, nós poderemos ser os depressivos da história, ora mergulhados em um novo corpo, para uma nova experiência, em busca da libertação definitiva, como, aliás, consta expressamente da questão 132 de O Livro dos Espíritos. Jó, um dos tantos personagens bíblicos, é dos exemplos mais clássicos. Possuindo esposa, filhos e empregados, bem como amigos e respeitabilidade, e muitos bens materiais, como, bois, jumentos, ovelhas, camelos, numa certa quadra de sua existência, perdeu-os praticamente a todos. Além dessa perda (que pode ser uma das causas da depressão), Jó ainda enfrentou adversidades, enfermidades e incontáveis aflições. Conta a história deste personagem que ele, tendo resistido por um certo período, termina por abater-se, caindo em profunda depressão, amaldiçoando a vida e desejando a morte, conduta esta, como se verá, em capítulo próprio (V: conseqüências), muito comum entre os portadores de tal enfermidade. No capítulo três de seu livro, versículos 20 a 22, Jó chega a exclamar: porque se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e ela não vem: e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos; que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura? (1). Também no colégio apostólico de Jesus encontraremos dois personagens que apresentaram, em algumas circunstâncias, um 17
comportamento tipicamente depressivo. São eles: Pedro e Judas Iscariotes. Pedro, como narram as Escrituras, negou que conhecesse a pessoa do Mestre, quando este era julgado. Este apóstolo apresenta uma outra causa de depressão, qual seja, o sentimento de culpa em face do erro praticado, negando que conhecesse o Amigo. Mateus, narrando o episódio, comenta a atitude de Pedro: e, saindo dali, chorou amargamente. (1a) Isolar-se e chorar amargamente, comumente, é típico de depressivo. Judas, por sua vez, ainda segundo as narrativas evangélicas, teria vendido o Amigo. Em decorrência do erro (mesma causa de Pedro), que o levou ao remorso, Judas apresenta uma das mais graves conseqüências da depressão: o suicídio, como narrado por Mateus. (1b) Sendo uma doença de todos os tempos, a depressão está presente nos dias atuais, podendo-se afirmar que são muitos os depressivos célebres e somam-se, aos milhões, os doentes que jazem no anonimato. São tantos os depressivos nos tempos hodiernos, que chegam alguns a afirmar ser a depressão a doença do século. 18
quantos são os depressivos? Algumas estatísticas referem que algo em torno de 10% da população mundial seriam de depressivos. Outras estatísticas referem que pelo menos 15% da população mundial, em um momento qualquer de suas vidas, poderão contrair este mal. O Espírito Joanna de Ângelis, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, assevera que a Humanidade possui pelo menos 100 milhões padecendo da enfermidade de que estamos tratando. Se considerarmos as populações encarnada e desencarnada, chegaremos a um número ainda mais grandioso. A Espiritualidade Superior assevera que a Terra possui, ao todo (nos dois planos), uma população muito superior a vinte bilhões de espíritos. Fazendo-se uma projeção das estatísticas, que envolva os encarnados e os desencarnados, conclui-se que o número de depressivos alcança cifras alarmantes. Isto, porque a alma poderá prosseguir enferma após a desencarnação (ou morte). 19