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Transcrição:

Fls. 2 1 Coordenação-Geral de Tributação Solução de Consulta nº 170 - Data 25 de junho de 2014 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL SERVIÇO DE INSPEÇÃO VEICULAR. IMPEDIMENTO. O serviço de inspeção veicular configura atividade profissional de cunho intelectual e de natureza técnica e, portanto, impede a opção pelo Simples Nacional, vez que não há na Lei Complementar nº 123, de 2006, exceção ao inciso XI do art. 17 que se aplique a essa atividade. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, XI. Relatório A empresa acima identificada dirige-se a este órgão para formular consulta sobre o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). 2. Informa que se dedica ao ramo de atividade de prestação de serviços de inspeção e homologação técnica veicular, de acordo com as normas estabelecidas pelo INMETRO. 3. Relata que pretende enquadrar a atividade desenvolvida pela empresa no Simples Nacional no CNAE 82.99-7-99. 4. Menciona que existe uma empresa que está enquadrada no CNAE 82.99-7-99 e no Simples Nacional, motivo pelo qual decidiu formular a presente consulta. 5. Cita que atualmente está enquadrada no CNAE 71.20-1-00, o que considera o correto, porém como outra empresa usa o CNAE 82.99-7-99, e está enquadrada no Simples Nacional, dificulta a concorrência pelo fato de não ter os mesmos benefícios. 1

Fls. 3 6. Indica como base da consulta o art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123, de 2006, e a Solução de Consulta nº 136, de 03 de setembro de 2008. 7. Em seguida, questiona se está correto o seu entendimento. Caso contrário, pergunta qual é o entendimento correto. Por fim, questiona se o procedimento adotado pela outra empresa está certo. Caso não esteja certo, solicita providências por questão de justiça tributária. Fundamentos 8. O objetivo da consulta é dar segurança jurídica ao sujeito passivo que apresenta à Administração Pública dúvida sobre dispositivo da legislação tributária aplicável a fato determinado de sua atividade, propiciando-lhe correto cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, de forma a evitar eventuais sanções. Constitui, assim, instrumento à disposição do sujeito passivo para lhe possibilitar acesso à interpretação dada pela Fazenda Pública a um fato determinado. 9. A consulta, corretamente formulada, configura orientação oficial e produz efeitos legais, como a proibição de se instaurar procedimentos fiscais contra o interessado e a não aplicação de multa ou juros de mora, relativamente à matéria consultada, desde a data de apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à ciência da solução da consulta. 10. Feitas essas considerações, passa-se, a seguir, a analisar a presente consulta, a qual preenche os requisitos para ser considerada eficaz. 11. Lê-se na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XI - que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos 5º-B a 5º-E do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. 2º Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. 2

Fls. 4 Art. 18 5º-B. Sem prejuízo do disposto no 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: I - creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do 5º-D deste artigo; II - agência terceirizada de correios; III - agência de viagem e turismo; IV - centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; V - agência lotérica; VI - (REVOGADO); VII - (REVOGADO); VIII - (REVOGADO); IX - serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; XI - (REVOGADO); XI - (REVOGADO); XII - (REVOGADO); XIII - transporte municipal de passageiros; e XIV - escritórios de serviços contábeis, observado o disposto nos 22-B e 22-C deste artigo. XV - produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais. (Incluído a partir de 1 de janeiro de 2010 pela Lei Complementar n 133, de 28 de dezembro de 2009 ) 5º-C. Sem prejuízo do disposto no 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: I - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; II - (REVOGADO); III - (REVOGADO); 3

Fls. 5 IV - (REVOGADO); V - (REVOGADO); VI - serviço de vigilância, limpeza ou conservação. 5º-D. Sem prejuízo do disposto no 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: I - cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; II - academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; III - academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; IV - elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; V - licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; VI - planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; VII - (REVOGADO); VIII - (REVOGADO); IX - empresas montadoras de estandes para feiras; X - produção cultural e artística; (Revogado a partir de 1 de janeiro de 2010 pela Lei Complementar n 133, de 28 de dezembro de 2009 ) XI - produção cinematográfica e de artes cênicas; (Revogado a partir de 1 de janeiro de 2010 pela Lei Complementar n 133, de 28 de dezembro de 2009 ) XII - laboratórios de análises clínicas ou de patologia clínica; XIII - serviços de tomografia, diagnósticos médicos por imagem, registros gráficos e métodos óticos, bem como ressonância magnética; XIV - serviços de prótese em geral. 5º-E. Sem prejuízo do disposto no 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços de comunicação e de transportes interestadual e intermunicipal de cargas serão tributadas na forma do Anexo III, deduzida a parcela correspondente ao ISS e acrescida a parcela correspondente ao ICMS prevista no Anexo I. (Sem destaque no original) 12. No caso, importa saber se a atividade de inspeção veicular se enquadra na vedação do art. 17, XI, e, em caso afirmativo, se é excepcionada pelo art. 17, 1º, que remete aos 5º-B a 5º-E do art. 18. 13. De acordo com o art. 17, XI, são vedados, entre outros, os serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica ou científica, que constitua profissão regulamentada ou não. 4

Fls. 6 14. O Confea Conselho Federal de Engenharia e Agronomia dispõe sobre a competência para a inspeção da segurança veicular através da Resolução nº 458, de 27 de abril de 2001. RESOLUÇÃO N 458, DE 27 DE ABRIL DE 2001 Dispõe sobre a fiscalização do exercício profissional referente à inspeção técnica de veículos, automotores e rebocados, e das condições de emissão de gases poluentes e de ruído por eles produzidos. O CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA CONFEA, no uso das atribuições que lhe confere a alínea f do art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, e Considerando que a inspeção da segurança veicular e das condições de emissão de gases poluentes e de ruído por eles produzidos constituem atividade típica da área da Engenharia Mecânica; Considerando que, de acordo com a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, aos usuários de veículos assiste o direito a um serviço de inspeção veicular de boa qualidade, que somente poderá ser garantido com a participação efetiva de profissionais para tanto legalmente habilitados; Considerando que o meio ambiente deve ser protegido, também, do ruído produzido pelos veículos automotores e da emissão de gases poluentes fora dos parâmetros aceitáveis pela legislação específica; Considerando o contido nos artigos 13 e 15 da Lei 5.194/66; Considerando o disposto na Lei n.º 6.496, de 7 de dezembro de 1977, que dispõe sobre a Anotação de Responsabilidade Técnica ART dos contratos de obras e serviços relacionados com a Engenharia, Arquitetura e Agronomia; Considerando a obrigatoriedade de registro junto aos CREAs, das pessoas físicas e jurídicas que realizam atividades de Engenharia, Arquitetura e Agronomia; Considerando que o Código de Trânsito Brasileiro, aprovado pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, prevê, em seus arts. 22, incisos III e XV, e 104, a necessidade de inspeção quanto às condições de segurança veicular, de emissão de gases poluentes e de ruído produzidos pelos veículos automotores, RESOLVE: Art. 1º Inserem-se no conjunto das atividades típicas da Engenharia Mecânica: I - a inspeção técnica de veículos, automotores e rebocados; e II - a inspeção das condições de emissão de gases poluentes e de ruído produzidos pelos veículos automotores. Art. 2º Detêm competência legal para realizar a inspeção técnica de veículos e das condições de emissão de gases poluentes e de ruído, os seguintes profissionais: I - engenheiro mecânico; II - engenheiro mecânico e de automóveis; III - engenheiro mecânico e de armamento; 5

Fls. 7 IV - engenheiro de automóveis; V - engenheiro industrial, modalidade mecânica; VI - engenheiro mecânico-eletricista; VII - engenheiro operacional, modalidade mecânica, máquinas e motores; VIII - tecnólogo em mecânica, máquinas e motores; IX - engenheiro agrícola; X - engenheiro agrônomo; e XI técnico industrial em mecânica. Parágrafo único. Os engenheiros agrícolas e engenheiros agrônomos poderão assumir a responsabilidade técnica pelas inspeções de que trata esta Resolução, inclusive por pessoa jurídica, pública ou privada, desde que restritas a máquinas agrícolas autopropelidas e reboques, em suas diversas classificações, de uso exclusivo nas atividades agropecuárias. 15. Pela leitura da descrição acima, pode-se concluir que o serviço de inspeção veicular configura atividade profissional de cunho intelectual e de natureza técnica e, portanto, impede a opção pelo Simples Nacional, vez que não há na Lei Complementar nº 123, de 2006, exceção ao inciso XI do art. 17 que se aplique a essa atividade. 16. Além disso, a atividade de inspeção de segurança veicular acha-se identificada no código 7120-1/00 da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, o qual foi expressamente relacionado no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, entre as atividades impeditivas ao Simples Nacional. 17. Quanto ao questionamento da consulente se o procedimento adotado por outra empresa está correto, cabe informar que é ineficaz o processo de consulta que não seja formulado pelo sujeito passivo de obrigação tributária principal ou acessória, conforme disposto nos arts. 2º e 18, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, transcritos a seguir: Art. 2º A consulta poderá ser formulada por: I - sujeito passivo de obrigação tributária principal ou acessória; Art. 18. Não produz efeitos a consulta formulada: I - com inobservância do disposto nos arts. 2º a 6º; 18. Por fim, cabe ressaltar que a Solução de Consulta não se presta a verificar a exatidão dos fatos apresentados pelo interessado, uma vez que se limita a apresentar a interpretação da legislação tributária conferida a tais fatos, partindo da premissa de que há conformidade entre os fatos narrados e a realidade factual. Nesse sentido, não convalida nem 6

Fls. 8 invalida quaisquer das afirmativas da Consulente, pois isso importaria em análise de matéria probatória, incompatível com o instituto da consulta. Conclusão 19. Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo a consulente que o serviço de inspeção veicular configura atividade profissional de cunho intelectual e de natureza técnica e, portanto, impede a opção pelo Simples Nacional, vez que não há na Lei Complementar nº 123, de 2006, exceção ao inciso XI do art. 17 que se aplique a essa atividade. À consideração superior. ÂNGELA MACHADO GÓES Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil De acordo. Encaminhe-se a Cotir. MILENA REBOUÇAS NERY MONTALVÃO Auditora-Fiscal da RFB - Chefe da Disit 05 De acordo. À consideração da Coordenadora-Geral da. Ordem de Intimação CLAÚDIA LUCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA Auditora-Fiscal da RFB Coordenadora da Cotir Aprovo a Solução de Consulta. Divulgue-se e publique-se nos termos do art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Dê-se ciência à consulente. FERNANDO MOMBELLI Auditor-Fiscal da RFB Coordenador-Geral da 7