PARECER Nº. 11818 Passagens aéreas. Dispensa de licitação, art. 24, inc. VIII, da Lei nº 8.666/93. A SETUR está desobrigada de adquirir passagens aéreas através da agência de turismo credenciada pelo Estado, quando os deslocamentos relacionarem-se a eventos apoiados ou patrocinados pela EMBRATUR, em razão de convênio firmado pelas partes. O Sr. Secretário de Estado de Turismo encaminha a esta Procuradoria-Geral do Estado consulta referente a duas questões envolvendo a referida Secretaria e as Agências credenciadas no fornecimento de passagens aéreas. Relata que a SETUR celebrou Convênio com a EMBRATUR e mantém relação de trabalho com diversas entidades voltadas à implementação e o desenvolvimento de atividades turísticas no Estado. Em razão desse trato a Secretaria de Turismo pode auferir descontos em passagens aéreas, tanto internacionais, como nacionais, quando relacionadas a eventos apoiados ou patrocinados pela Empresa, em percentuais que alcançam de 50% a 75%. No entanto, a vigência de um Contrato de Fornecimento de passagens aéreas firmado pelo ESTADO, primeiramente com as empresas NEVES TURISMO LTDA. - NEVETUR e Agência de Viagens e Turismo Ltda. - PWA e, recentemente com a UNESUL TURISMO LTDA.,
decorrente da finalização de procedimento licitatório procedido pela Secretaria de Administração e Recursos Humanos, para toda a administração direta, vem impedindo a SETUR de auferir os descontos ofertados. O Ofício firmado pelo Secretário de Estado de Turismo denuncia, ainda, sobre a exigência imposta pela Agência de Viagens e Turismo Ltda. - PWA, de compromisso formal pessoal do ordenador de despesas da Secretaria, quando o deslocamento destina-se ao exterior, como garantia de pagamento do bilhete, caso o governo não autorize liberação da verba necessária. Visando receber o desconto nos bilhetes aéreos utilizados pelo pessoal da SETUR, em razão do Convênio celebrado com a EMBRATUR, encaminha sugestões, solicitando manifestação deste órgão, assim: Para a viabilização dos descontos referidos, sugerimos sejam tomadas as seguintes providências: a) Exclusão da SETUR do contrato de fornecimento de passagens aéreas, através das agências licitadas, nos moldes atualmente em vigor; b) Autorização para que a SETUR adquira passagens aéreas, tanto nacionais quanto internacionais, na modalidade a vista, necessitando-se para tal fim de adiantamento permanente com priorização de pagamento pela Secretaria da Fazenda. A análise detida dos Contratos de Fornecimento de Passagens Aéreas firmado pelo ESTADO com as Agências contratadas, constantes das fls. 35/39 e 63/69, com o objetivo de atender à situação excepcional posta no expediente, levou-nos a solicitar cópia do CONVÊNIO firmado com a EMBRATUR e que oportuniza os descontos significativos em passagens aéreas, tanto em nível nacional, como internacional à SETUR.
Assim, o órgão consulente encaminhou o CONVÊNIO Nº 042/96, de Cooperação Técnico-Financeira firmado com a EMBRATUR, visando a execução conjunta do Programa de Descentralização de Atribuições, devidamente publicado no DU, conforme informa o Ofício/DQPT/DIREF nº 42, de 26 de fevereiro de 1997. Comprova, também, sua afiliação junto a ABAV-RS (Associação Brasileira de Agências de Viagens do Rio Grande do Sul) que lhe garante o benefício de descontos em percentuais variáveis nas passagens aéreas dos eventos nacionais e internacionais, negociados junto às empresas aéreas concessionárias. Ainda, por iniciativa do Diretor Administrativo da SETUR, anexou-se cópia do novo contrato celebrado entre o ESTADO e a UNESUL TURISMO LTDA., com o objetivo de fornecimento de passagens aéreas aos órgãos da administração DIRETA, decorrente do procedimento licitatório noticiado às fls.76/90 do expediente. É o relatório. Embora os Contratos de Fornecimento de passagens aéreas firmados, a situação posta pelo Sr. Secretario de Estado de Turismo é diferenciada em relação as demais Secretarias e órgãos da administração direta. A SETUR, por força do Decreto nº 35.926, de 12 de abril de 1995, que dispôs sobre a estrutura básica da Secretaria, definiu suas atribuições no art. 1º, assim: I - elaboração da política de turismo, com vista ao seu desenvolvimento; II - promoção e divulgação das potencialidades turísticas do Estado, em cooperação com os municípios; III - estímulo às atividades turísticas, especialmente com os países signatários do Tratado de Assunção (MERCOSUL); IV - intercâmbio com entidades ligadas ao turismo, inclusive organismos internacionais.
Na busca desses objetivos, a SETUR firmou CONVÊNIO com a EMBRATUR, autarquia especial, de âmbito federal, a fim de incentivar e desenvolver o turismo local. Assim, todo o evento apoiado ou patrocinado pela EMBRATUR, seja nacional ou internacional, bem como com outras entidades com as quais mantém relações de trabalho, também voltadas para atividades turísticas, autoriza a Secretaria de Estado do Turismo gozar descontos promocionais nas passagens aéreas, que vão de 50% a 75%. Em geral são pacotes para determinados eventos promovidos por entidades voltadas ao turismo. As empresas credenciadas para o fornecimento das passagens aéreas à Administração Direta, nos termos do Contrato de Fornecimento anterior, firmado pelo ESTADO, bem como o atual, estão impossibilitadas de repassar tais descontos, eis que ofertados às entidades ligadas ao turismo diretamente pelas concessionárias do serviço aéreo. A Secretaria de Turismo, em decorrência desse fato, vem dispondo de valores significativos do seu orçamento com passagens aéreas, conforme demonstrado no Of.GAB.SETUR 193/97, por cumprir o contrato de fornecimento vigente. No entanto, o art. 24, inc.viii da Lei 8.666/93 contempla, como dispensável de licitação, à aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integra a Administração Pública e que tenha sido criada para esse fim específico em data anterior à vigência desta Lei, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado; Ora, o desconto ofertado pelas concessionárias no preço das passagens aéreas às "entidades voltadas à implementação e o desenvolvimento de atividades turísticas no Estado" decorre, efetivamente, do Convênio firmado com o Instituto Brasileiro de Turismo, criado para o fim específico de formular, coordenar, executar e fazer executar a Política Nacional de Turismo, em 18 de novembro de 1966, através do Decreto-lei nº 55, então como Empresa Brasileira de Turismo. De outro lado, forçoso situar que a compra pretendida pela Secretaria de Estado de Turismo difere daquela já licitada, cujo contrato de
fornecimento abrange toda aquisição de passagens aéreas da administração direta. Aqui, trata-se de produto ofertado para deslocamento de pessoal envolvido na atividade de implementação e desenvolvimento do turismo no Estado, lá trata-se de atender necessidade de aquisição de passagens aéreas para deslocamento dos agentes da Administração. Assim, concluo que a Secretaria de Turismo está excluída da abrangência do contrato de fornecimento firmado pelo ESTADO, pela excepcionalidade de suas atribuições, que visam a implementação e desenvolvimento do turismo no Estado, obrigando seus agentes a constantes deslocamentos aéreos. 2. Quanto à exigência de compromisso formal do Ordenador de Despesa da Secretaria de pagamento da passagem fornecida, conforme Of. DAD.SETUR Nº 042/97 (fl. 04), trata-se de irregularidade a ser sanada pelo próprio dirigente do órgão requisitante. Tanto o Edital, no Capítulo VI - Do Contrato e das Penalidades, item 9.5.1 c/c 9.7,como do Contrato, em sua CLÁUSULA PENAL, (IV), nº 1, observada a ressalva constante do parágrafo primeiro, referem ser do exclusivo critério do CONTRATANTE a definição do que sejam pequenas irregularidades, negligência, intensidade da falta cometida e falta grave. A situação relatada, parece ser de irregularidade, cabendo advertir, por escrito, a Agência infratora. No entanto, em razão de viger novo contrato, com outra empresa, conforme informado no expediente, eis que finalizado o procedimento licitatório que tratou o Edital nº 01/97, talvez o questionamento, posto na consulta, já esteja superado. 3. O adiantamento permanente de numerário, conforme pretendido, com priorização de pagamento pela Secretaria da Fazenda é questão que deve ser submetida a referida Secretaria, pois a previsão de
pronto pagamento, nos termos da orientação da CAGE destina-se, exclusivamente, as pequenas despesas, cujo limite é de R$ 93,00, conforme Resolução nº 01/97. Por certo que o não atendimento da pretensão de adiantamento do numerário frustará, sobremaneira, o atendimento ao princípio da economicidade pretendido pela administração, enfocado no Decreto nº 10.547, de 25 de setembro de 1995, que visa "a utilização razoável, adequada, eficiente e eficaz dos recursos públicos". Demonstrado está, pelo Of. GAB.SETUR 193/97, de 1º de abril deste ano, que a Secretaria de Estado de Turismo, no ano de 1996, deixou de economizar o valor de R$ 30. 782,39, tão somente considerando a não auferição do desconto de 50% em passagens aéreas para deslocamento em eventos turísticos. Em que pese a matéria dizer exclusivametne com as atribuições da Secretaria da Fazenda que administra o Tesouro Estadual, priorizando ou não pagamentos e adiantamentos, tenho que tal questão merecerá análise cuidadosa daquele órgão. Em síntese, concluo: 1) Considerando que o produto ofertado à Secretaria de Estado do Turismo, em razão de CONVÊNIO firmado com a EMBRATUR, difere daquele contratado pelo ESTADO para o fornecimento de passagens aéreas, tenho que os bilhetes ofertadas pelas concessionárias aos Agentes promotores do desenvolvimento do turismo no Estado podem ser usufruídas pela SETUR, por compra direta, dispensada a licitação, nos moldes do inc.viii, do art. 24 da Lei nº 8.666/93. 2) A exigência de compromisso formal do Ordenador de Despesa da Secretaria para o fornecimento de passagens internacionais constitui-se em irregularidade, a qual, nos termos do contrato anterior, objeto da consulta, poderia ser sanada pelo dirigente do órgão.
Sugiro: 1) Seja ouvida a Secretaria da Fazenda sobre o necessário adiantamento dos valores a SETUR para compra de passagens aéreas relacionadas a eventos patrocinados e/ou apoiados pela EMBRATUR, bem como com outras entidades voltadas a implementação e desenvolvimento das atividades turísticas, com as quais a referida Secretaria mantém relações de trabalho. É o Parecer. Porto Alegre, 12 de agosto de 1997. LEONORA JACOBY VIERO PROCURADORA DO ESTADO Exp. Admin. nº 0376-23.00 SETUR 97.8
Processo nº 00376-23.00/97.8 Acolho as conclusões do PARECER nº 11818, da Procuradoria do Domínio Público Estadual, de autoria da Procuradora do Estado Doutora LEONORA JACOBY VIERO. Restitua-se o expediente ao Excelentíssimo Senhor Secretário de Estado do Turismo. Em 26 de setembro de 1997. EUNICE NEQUETE MACHADO, PROCURADORA-GERAL DO ESTADO.