Controlo de servomotores com o microcontrolador BX-24



Documentos relacionados
Servos - Analo gicos e Digitais - Funcionamento, uso e diferenças entre eles!

MANUAL DE INSTALAÇÃO TETROS MOTO V2. N de Homologação: Versão 1.00

Potenciometer [Potenciômetro] - Ligado ao eixo de saída do servo, monitora a posição do mesmo.

Instalação e uso da placa XYZ XYZ

Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade Avaliação Sumativa - Ciências Físico - Químicas 11.º Ano - Ano Lectivo 09/10

Automatismos Industriais

Bicicletas Elétricas MANUAL KIT ELÉTRICO

DICAS TÉCNICAS S100/105/120/125

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA COLÉGIO TÉCNICO INDUSTRIAL DE SANTA MARIA Curso de Eletrotécnica

LASERTECK LTA450 MANUAL DE USO

Actividade 2 Intensidade da luz

Capítulo 12. Projeto 5 Controle de Motores de Passo Circuito e Funcionamento

1. Transitórios Eléctricos na Máquina Assíncrona

Laboratório de robótica

PID control. (proportional, integral, derivative)

1) Entendendo a eletricidade

Sensores de detonação (KS ou Knock Sensor)

CVMDDC - CONTROLE DE VELOCIDADE DO MOTOR DC

MICROMASTER 4 Criando funções lógicas (Blocos Livres) no MM420

MOVIMENTADOR PARA PORTAS DE ENROLAR

Sistema de Detecção de Vazamento de Gás

Actividade Correspondência de gráficos

Válvulas controladoras de vazão

Painel de Mensagens TXT TXT TXT Manual do Usuário

Robô UNO 1.1 REVISÃO

Exemplo: Na figura 1, abaixo, temos: Clique aqui para continuar, que é a primeira atividade que você precisa realizar para iniciar seus estudos.

Calculando RPM. O s conjuntos formados por polias e correias

Controladores Lógicos Programáveis

Experimento 2 Gerador de funções e osciloscópio

MANUAL DE INSTALAÇÃO RADAR DUO N de Homologação:

Introdução ao Estudo da Corrente Eléctrica

Artigo Descrição Núm. do artigo Cabo de conexão universal Cabo de conexão, fêmea-fêmea, universal

Instruções de montagem

Os motores de CA podem ser monofásicos ou polifásicos. Nesta unidade, estudaremos os motores monofásicos alimentados por uma única fase de CA.

Tutorial de Eletrônica Aplicações com 555 v

Sensores e Atuadores (2)

PdP. Autor: Luís Fernando Patsko Nível: Intermediário Criação: 22/05/2006 Última versão: 18/12/2006

As questões apresentadas nesta prova referem-se à física do corpo humano. Sempre que necessário, utilize, em seus cálculos, os seguintes dados:

Controle II. Estudo e sintonia de controladores industriais

ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL DOM BOSCO CAPÍTULO 1 DIODOS RETIFICADORES

Fundamentos de Medidas Elétricas em Alta Freqüência

Adaptação de. PdP. Autor: Luís Fernando Patsko Nível: Intermediário Criação: 13/01/2006 Última versão: 18/12/2006

Interruptor KVM Cabo USB/HDMI 2-Portas

MINISTÉRIO DA INDÚSTRIA, DO COMÉRCIO E DO TURISMO

3 Metodologia de calibração proposta

Entradas/Saídas. Programação por espera activa Programação por interrupções

Conexão de medidores de peso no sistema de suspensão a ar

MANUAL DE OPERAÇÃO E CALIBRAÇÃO

Redes de Computadores II

Departamento de Matemática e Ciências Experimentais

2.1 Montando o cabo serial Conectando o receptor ao PC Instalando o programa (DRU)... 5

Servo Motores. Jener Toscano Lins e Silva

Menor diferença entre indicações de um dispositivo mostrador que pode ser significativamente percebida. RESOLUÇÃO (DE

PARLAMENTO EUROPEU. Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Política do Consumidor

MEC1100 Manual de Instruções v

Kit Laboratório de Robótica Escolar 411 PLUS

= F cp. mv 2. G M m G M. b) A velocidade escalar V também é dada por: V = = 4π 2 R 2 = R T 2 =. R 3. Sendo T 2 = K R 3, vem: K = G M V = R.

Memórias. O que são Memórias de Semicondutores? São componentes capazes de armazenar informações Binárias (0s e 1s)

S O IC N Â C E etro) M O TR C (taquím LE E S étrico TO N E M A o taquim C C V o Transdutores Transdutores de velocidade: dínam E E T D IP

KISSsoft 03/2014 Tutorial 6

INFORMATIVO DE PRODUTO

1 Esfera de aço 1 Transitor BC547

Objetivo Geral: - Conhecer as semelhanças e diferenças entre máquinas de corrente contínua e máquinas síncronas.

INSTITUTO DE FÍSICA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Grupo:... (nomes completos) Prof(a).:... Diurno ( ) Noturno ( ) Experiência 8 LINHA DE TRANSMISSÃO

R O B Ó T I C A. Sensor Smart. Ultrassom. Versão Hardware: 1.0 Versão Firmware: 1.0 REVISÃO

CENTRAL DE ALARME COM FIO AW-211 CONTROLE REMOTO

FAPERJ & PIUES/PUC-Rio FÍSICA E MATEMÁTICA DO ENSINO MÉDIO APLICADAS A SISTEMAS DE ENGENHARIA

XXIX Olimpíada Internacional de Física

C5. Formação e evolução estelar

EQUIPAMENTOS. Manual de Operação. FE35i. MAN 011 Versão 1.0. Teto. Piso EQUIPAMENTOS LTDA.

Controle de elevador

CONSERVAÇÃO DA ENERGIA MECÂNICA

Sistema de altifalantes Bluetooth 2.1 SP 120. Bedienungsanleitung Manual de instruções

Dimensões. Dados técnicos

Retificadores (ENG ) Tutorial do Proteus Parte A - Simulação 1

TS Display Gráfico Serial

Originalmente elaborado por Carlos Brancaglione Neto - 17/10/2003 Revisado por Igor Temmler e Diogo França (Kadett Clube PR) - 03/04/2010

INSTRUMENTAÇÃO E MEDIDAS

DK105 GROVE. Temperatura Termistor. Radiuino

Visão Artificial Para a Indústria. Manual do Utilizador

Controlador do Grupo do Motor QS QSE-CI-4M-D Controlador de Motor CA 4 Saídas. Unidade Energi Savr NodeTM. Painel de parede seetouch QSR.

B2S SISTEMAS DE INFORMAÇÃO, LDA. RUA ARTILHARIA UM, Nº 67 3º FRT LISBOA TEL: FAX: B2S@B2S.

Fontes de Alimentação

Sinais Elétricos Digital Analógico

Manual de Montagem REVISÃO

Funções de Posicionamento para Controle de Eixos

SOLID CERAMIC HAIR STYLER

PROCEDIMENTO PARA USAR O A700 EM MODO DE POSICIONAMENTO

A lei da indução electromagnética é o que fundamenta o funcionamento do microfone e do altifalante de indução.

Actividade 1 Uma direcção, dois sentidos...

Medida de Grandezas Eléctricas

PAINEL DIGITAL SUNDOW WEB - COMPLETO * SD40

Tensão à entrada do osciloscópio. nº divisões no ecrã 30 V... 3 V... 1,5 div 10 V... 1 V... 0,5 div 0 V... 0 V... 0 div 30 V... 1 V...

AUTOMAÇÃO DE CÚPULA DE OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO

Manual de Instruções. C o n t r o l a d o r D i f e r e n c i a l T e m p o r i z a d o. Rev. C

Efeito magnético da corrente elétrica

Instruções de montagem e operação EB 2430 PT. Termóstato Tipo 2430 K para Válvulas da Série 43

Transformador Trifásico [de isolamento]

Potência elétrica. 06/05/2011 profpeixinho.orgfree.com pag.1

OMNI-3MD. Placa Controladora de 3 Motores. Disponível Biblioteca para Arduino. Manual de Hardware. Outubro de 2013

Transcrição:

Controlo de servomotores com o microcontrolador BX-24 Introdução Este documento descreve como se podem controlar servomotores através do BX- 24. É exemplificado o controlo de servomotores normais, assim como o controlo de servomotores modificados para rotação continua. Principio de funcionamento dos servos Os servomotores (ou servos), são motores especiais que têm incorporado um sistema interno de feedback para o controle da posição. Tipicamente, o eixo de um servo roda entre 0º e 90º, ou 0º e 180º. Os servos necessitam de ser alimentados por uma tensão que varia tipicamente entre 4,5 e 6,5 Volts. A corrente necessária para o funcionamento do servo é algo que varia muito de servo para servo. A posição do servo é controlada por um trem de impulsos, com uma amplitude que varia tipicamente entre 1ms e 2ms (1 ms = 1/1000 segundos), e uma frequência de cerca de 50Hz. A figura 1 ilustra a influência que a duração do sinal tem no movimento do servo. Figura 1 Movimentos do servo em função do sinal recebido. Se o servo recebe impulsos de 1.5ms, a sua engrenagem de saída rodará até ficar estável no centro do intervalo de rotação nos 90º. Se receber impulsos de 1ms, rodará no sentido horário até atingir o limite do intervalo de rotação correspondente a 0º. Se receber impulsos de 2ms, rodará no sentido anti-horário até atingir o outro limite do intervalo de rotação correspondente a 180º. Impulsos ente 1ms e 1.5ms farão com que o servo rode no sentido horário para posições intermédias entre 0º e 90º, enquanto que impulsos entre 1.5ms e 2ms farão com que o servo rode no sentido anti-horário para posições intermédias entre 90º e 180º. 1

Um microcontrolador pode ser facilmente programado para gerar este trem de impulsos numa das suas portas de saída. O sistema interno de feedback, que faz com que o servo rode para uma determinada posição em resposta a um determinado trem de impulsos, é constituído por um potenciómetro conectado à engrenagem do servo, que funciona como sensor de posição, e por um circuito electrónico de controlo. O circuito electrónico compra o valor do potenciómetro com a amplitude dos impulsos que recebe pela linha de controlo, activando o motor para corrigir qualquer diferença que exista entre ambos. Ao se tentar rodar a engrenagem do servo, o circuito de controlo detectará uma diferença entre o valor do potenciómetro e a amplitude dos impulsos e activará o motor para a tentar corrigir. Este processo é tão rápido que apenas se sente o servo a resistir à tentativa de alterar a sua posição de rotação. A informação que o servo recebe do potenciómetro designa-se por feedback ou realimentação. A comparação entre o valor do potenciómetro e a amplitude dos impulsos, e as correcções que origina, são as componentes de um processo de controlo designado por controlo em malha fechada. Ligação de um servo ao BX-24 A figura 2 mostra o esquema típico da ligação de um servo ao BX-24. Notar que neste circuito o servo tem a sua própria fonte de energia, embora partilhe a massa com o BX-24. Figura 2 Esquema típico de ligação do servo ao BX-24 Ligação de servos à Board of Education Quando se usar o BX-24 com a Board of Education, deve-se ter em conta que não existe uma correspondência directa em termos de número identificativo, entre os pinos da placa e as portas do BX-24, como acontece com o microcontrolador Basic Stamp da Parallax. Assim, o pino P0 da placa corresponde à porta 5 do BX-24, o pino P1 à porta 6, e assim sucessivamente. Isto quer dizer que quando quisermos controlar um servo ligado, por exemplo, ao conector do pino P12, devemos programar a porta 17 do microcontrolador. Ver o exemplo a seguir. A figura 3 mostra os 4 conectores dedicados que a Board of Education tem para ligar servos. Estes 4 conectores usam os pinos 12, 13, 14 e 15 da placa (que correspondem às portas 17, 18, 19 e 20 do BX-24). 2

Figura 3 Os 4 conectores da Board of Education para ligação de servos Notar que no caso destes pinos não serem usados para ligar servos, podem ser usados como pinos de entrada/saída de uso genérico. Deve-se ter atenção às cores dos três cabos do servo de modo a orientar a ficha como indicado na figura anterior. Embora as cores dos cabos dos servos variem de fabricante para fabricante, normalmente o cabo de cor preta corresponde à massa, o cabo de cor vermelha corresponde à tensão positiva e a cor do cabo do sinal de controlo é normalmente branca, cor-de-laranja ou amarela. A figura 4 mostra o circuito que é criado quando se liga um servo à porta do pino P12. Figura 4 Circuito correspondente ao pino P12 A figura 5 mostra um servo Hitec HS-300, ligado a uma Board of Education da Parallax, equipada com um microcontrolador BX-24. O servo foi ligado ao pino 12 da placa (porta 17 do BX-24), através de um dos 4 conectores especiais para servos, existentes na Board of Education. O servo é alimentado directamente a partir da fonte de energia da placa, a qual também alimenta o microcontrolador através do regulador de tenção. 3

Figura 5 Ligação do servo à Board of Education Programa para controlo do servo O programa 1 assume as ligações descritas na secção anterior. Quando executado, o programa move o servo para a sua posição intermédia. Programa 1 Controlo de um servo Sub Main() Const Porta_Servo As Byte = 17 Do 'Gerar um impulso de 1.5ms Call PulseOut(Porta_Servo, 0.0015, 1) 'Esperar 20ms para conseguir uma frequencia de 50 Hz. Call Delay(0.02) Loop End Sub A função PulseOut é a responsável pela geração do impulso. O primeiro parâmetro indica a porta que será usada, o segundo parâmetro indica a duração do impulso em segundos e o terceiro parâmetro indica o nível lógico do impulso, 0 ou 1. Assim, no programa anterior está a ser enviado um trem de impulsos via porta 17 do BX-24, com uma amplitude de 1.5ms (segundo parâmetro igual a 0.0015), o que fará com que o servo rode para a sua posição intermédia correspondente a 90º. A alteração do valor 0.0015 dentro do intervalo 0.001 a 0.002, fará rodar o servo para outras posições. Controlo de servos modificados para rotação continua Os servomotores podem ser facilmente modificados para que rodem de forma contínua como motores normais. Basicamente o que se tem que fazer para modificar um servo é eliminar a realimentação. Isto é, deixar de ter um controlo em malha fechada e passar a ter um controlo em malha aberta. A maneira como se 4

elimina a realimentação depende da marca e modelo do servo. Ver os tutoriais sobre modificação de servos. No que diz respeito ao controlo dos servos modificados, este é feito de uma maneira muito semelhante à descrita para servos normais. Enquanto que num servo normal a amplitude dos impulsos correspondia à posição de rotação desejada, no caso de um servo modificado correspondem à sua velocidade e sentido de rotação. Assim, uma amplitude de 1ms fará o servo modificado rodar no sentido horário à velocidade máxima, enquanto que uma amplitude de 2ms fará o servo rodar no sentido anti-horário também à velocidade máxima. No caso de um servo modificado bem calibrado, uma amplitude de 1.5ms fará com que o servo se mantenha em repouso. A figura 6 mostra dois servos modificados ligados aos pinos P12 e P13 da Board of Education (portas 17 e 18 do BX-24). Figura 6 Ligação dos dois servos à Board of Education O programa 2 exemplifica o controlo dos 2 servos da figura. Programa 2 Controlo de 2 servos modificados Sub Main() Const Servo_Direita As Byte = 17 Const Servo_Esquerda As Byte = 18 Do 'O servo da direita roda no sentido anti-horario com 'velocidade maxima Call PulseOut(Servo_Direita, 0.001, 1) 'O servo da esquerda roda no sentido horario com 'velocidade maxima Call PulseOut(Servo_Esquerda, 0.002, 1) 'Esperar 20ms para conseguir uma frequencia de 50 Hz. Call Delay(0.02) Loop End Sub 5

Para que uma roda acoplada ao servo da esquerda rode para a frente, o servo tem que rodar no sentido anti-horário. Isto é, tem que receber um trem de impulsos com uma amplitude entre 1.5ms e 2ms. Para que uma roda acoplada ao servo da direita rode também para a frente, o servo tem que rodar no sentido horário. Isto é, tem que receber um trem de impulsos com uma amplitude entre 1.5ms e 1ms. O que foi dito no parágrafo anterior é válido para servos posicionados tal como mostrado na figura 6, para servos posicionados de outra maneira poderá ser necessário alterar o sentido de rotação dos mesmos. 6