AULA VII CIÊNCIAS CONTÁBEIS TEMA: DIREITO PÚBLICO: PENAL PROFª: PAOLA JULIEN O. SANTOS EMENTA: DIREITO PENAL: conceito, crime e contravenção. Crimes contra a fé pública e contra a administração pública. CONCEITO É o conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado, tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas aplicáveis a quem os pratica. É o direito penal que vai tipificar os crimes e estabelecer as penas pela transgressão da legislação. OBJETO Compete-lhe o estudo das infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de segurança aplicáveis aos infratores. RAMO DO DIREITO PÚBLICO O direito penal pertence ao ramo do direito público. Destinado a viger nos limites territoriais como direito positivo de determinado país é o direito penal ramo do direito público interno. RELAÇÕES COM OUTROS RAMOS DE CIÊNCIAS JURÍDICAS O direito penal relaciona-se com o Direito Constitucional, em que se define o Estado e seus fins, bem como os direitos individuais, políticos e sociais. É na carta magna que se estabelecem normas específicas para resolver um conflito entre os direitos dos indivíduos e a sociedade. Como é administrativa a função de punir, é evidente o relacionamento do Direito Penal com o Direito Administrativo. A lei penal é aplicada através dos agentes de administração (juiz, promotor de justiça, delegado de polícia, etc.). O Direito Processual Penal, já denominado de direito penal adjetivo, é um ramo jurídico autônomo, em que se prevê a forma de realização e aplicação da lei penal, tornando efetiva a sua função de prevenção e repressão dos crimes. É íntima a relação entre o Direito penal e o Direito processual penal, porque é através deste que se decide sobre a procedência de aplicação do jus puniendi (direito penal subjetivo) do Estado, em conflito com o jus libertatis do acusado. Como se acentua a cooperação internacional na repressão ao crime, fala-se em Direito penal Internacional como ramo do direito que tem por objetivo a luta contra a criminalidade universal. Deve-se fazer referência também ao Direito Internacional penal, ramo do direito internacional público que tem por objetivo a luta contra as infrações internacionais. 1
Quanto ao Direito Civil um mesmo fato pode caracterizar um ilícito penal e obrigar a uma reparação civil. Com relação ao Direito Comercial, tutela a lei penal institutos como o cheque, a duplicata, etc. CONTEÚDO DO DIREITO PENAL - INFRAÇÃO PENAL Em princípio o direito penal estuda o crime, o criminoso e a pena. Assim em vez de crime ou delito, devemos dizer Infração penal que é o desrespeito às normas penais. O Direito Penal estuda a infração penal, que se divide em: a) Crime ou delito e b) Contravenção. Crime ou delito é o fato típico e antijurídico. A contravenção penal corresponde ao ato ilícito menos grave que o crime, e que só acarreta a seu autor a pena de multa ou prisão simples. Ex. porte de arma sem autorização. Diferença entre crime e contravenção: a diferença mais importante está em relação a cominação da pena; crime ou delito a) reclusão; b) reclusão e multa; c) reclusão ou multa; Outras diferenças: d) detenção e) detenção e multa; f) detenção ou multa; contravenção a) prisão simples; b) prisão simples e multa; c) prisão simples ou multa d) multa a) os crimes podem ser de ação publica (condicionada ou incondicionada) ou privada. As contravenções sempre se apuram mediante ação pública incondicionada. b) A peça inicial do crime é a denúncia ou a queixa. As contravenções a peça inicial é sempre a denúncia. c) Nos crimes, a tentativa é punível. Nas contravenções, não. d) O elemento subjetivo do crime é o dolo ou a culpa. Nas contravenções, basta a voluntariedade. e) Nos crimes a duração máxima da pena é de 30 anos. Enquanto que nas contravenções, é 5 anos. - O SUJEITO ATIVO DA INFRAÇÃO PENAL O sujeito ativo é o criminoso, o delinqüente, o contraventor, o agente. - SANÇÃO PENAL 2
É a pena, que é o meio que o Estado adota em relação ao criminoso, ou seja, a retribuição do mal do crime por outro mal. - APLICAÇÃO DA LEI PENAL Princípio da Legalidade O princípio da legalidade (da reserva legal) está inscrito no artigo 1º do código penal: Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal. (art. 5º, XXXIX, CF) Pelo princípio da legalidade alguém só pode ser punido se, anteriormente ao fato por ele praticado, existir uma lei que o considere como crime. Ninguém será considerado culpado ate o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, garantindo-se sempre a ampla defesa e o contraditório. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA (art. 2): ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Na mesma linha, a CF estabelece que a lei penal é irretroativa, porém poderá retroagir para beneficiar o réu. (art. 5, XL, da Constituição). - AÇÃO PENAL Pode ser: Pública ou Privada A ação pública, nos termos do art. 129, I, da CF, é de iniciativa do Ministério público (órgão do Estado, composto por promotores e procuradores de Justiça no âmbito estadual e por procuradores da república no âmbito federal.) A peça processual que dá início à ação pública é a denúncia. A peça inicial da ação privada é a queixa-crime. A ação privada é de iniciativa do ofendido ou, quando menor ou incapaz, de seu representante legal. A ação penal somente tem início efetivo quando o juiz recebe a denúncia ou queixa, ou seja, quando o magistrado admite a existência de indícios de autoria e materialidade de uma infração penal e, assim, determina a citação do acusado para que seja interrogado e produza sua defesa. A ação Pública pode ser: a) Incondicionada: é a regra do direito penal. O oferecimento da denúncia independe de qualquer condição especifica. (art. 121/CP) b) Condicionada: quando o oferecimento da denúncia depende de prévia existência de alguma condição. É condicionada à representação da vítima ou de seu representante ou à requisição do Ministério da Justiça. Obs: a lei explicitamente menciona as expressões somente se procede mediante representação ou somente se procede mediante requisição do Ministro da Justiça. 3
A ação Privada pode ser: a) Exclusiva: a iniciativa incumbe à vítima ou a seu representante. (art. 147/CP) b) Personalíssima: a ação só pode ser intentada pela vítima e, em caso de falecimento antes ou depois do início da ação penal, não poderá haver substituição no pólo ativo. (ex. art. 236/CP) c) Subsidiaria da pública: o Ministério Público, ao receber o inquérito policial que apura crime de ação pública (condicionada ou incondicionada), possui prazo de 5 dias para oferecer a denúncia, se o indiciado está preso, e de 15 dias, se está solto. Findo esse prazo, sem que o MP tenha se manifestado, surge para o ofendido o direito de oferecer queixa subsidiária em substituição à denúncia não apresentada pelo titular da ação. O direito de apresentar queixa inicia-se com o término do prazo do MP e estende-se por mais 6 meses. E após este período caso não tenha ocorrido prescrição. - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE O art. 107 do Código Penal enumera algumas causas que extinguem a punibilidade, impossibilitando, pois, a imposição da pena. Existem também outras causas extintivas descritas na parte especial do código penal e outras leis: morte da vítima em crimes de ação privada personalíssima, ressarcimento do dano no crime de peculato culposo, etc. Punibilidade: com a prática do crime, o direito de punir do Estado, que era abstrato, torna-se concreto, surgindo a punibilidade, que é a possibilidade jurídica de o Estado impor a sanção; não é requisito do crime, mas sua conseqüência jurídica. Efeitos da extinção da punibilidade: em regra, as causas extintivas de punibilidade só alcançam o direito de punir do Estado, subsistindo o crime em todos os seus requisitos e a sentença condenatória irrecorrível; 1) Morte do agente: é a primeira causa extintiva da punibilidade (107, I); sendo personalíssima a responsabilidade penal, a morte do agente faz com que o Estado perca o jus puniendi, não se transmitindo a seus herdeiros qualquer obrigação de natureza penal; deve ser provada por meio de certidão de óbito (CPP, art. 62) não tendo validade a presunção legal do art. 10 do CC. 2) Anistia: é o esquecimento jurídico de uma ou mais infrações penais; deve ser concedida em casos excepcionais, para apaziguar os ânimos, etc.; aplica-se em regra, a crimes políticos, nasa obstando que incida sobre delitos comuns; é de atribuição do Congresso Nacional (CF, art. 48, VIII); opera efeitos ex tunc, para o passado, apagando o crime, extinguindo a punibilidade e demais conseqüências de natureza penal. 3) Graça e indulto: a graça se distingue do indulto, nos seguintes pontos: a graça é individual; o indulto, coletivo; a graça, em regra, deve ser solicitada; o indulto é espontâneo; o pedido de graça é submetido à apreciação do Conselho Penitenciário (art. 189 da 4
LEP); a competência para concedê-los é do Presidente da República (CF, art. 84, XII). 4) Prescrição penal: é a perda da pretensão punitiva ou executória do Estado pelo decurso do tempo sem o seu exercício; 5) Decadência do direito de queixa e de representação: decadência é a perda do direito de ação do ofendido em face do decurso do tempo. 6) Perempção da ação penal: é a perda do direito de demandar o querelado pelo mesmo crime em face da inércia do querelante, diante do que o Estado perde o jus puniendi; só é possível na ação penal exclusivamente privada; é o que se verifica do disposto do art. 60, caput, do CPP; cabe após o início da ação penal privada. 7) Renúncia do direito de queixa: é a abdicação do ofendido ou de seu representante legal do direito de promover a ação penal privada; só é possível antes do início da ação penal privada, antes do oferecimento da queixa; pode ser expressa ou tácita. 8) Perdão: é o ato pelo qual, iniciada a ação penal privada, o ofendido ou seu representante legal desiste de seu prosseguimento; só é possível depois de iniciada a ação penal privada mediante o oferecimento da queixa; não produz efeito quando recusado pelo querelado; quando há dois ou mais querelados (concurso de agentes), o perdão concedido a um deles se estende a todos, sem que produza, entretanto, efeito em relação ao que o recusa (CPP, art. 51; CP, art. 106, I e III). 9) Retratação do agente: retratar-se significa desdizer-se, retirar o que foi dito, confessar que errou; em regra, a retratação do agente não têm relevância jurídica, funcionando somente como circunstância judicial na aplicação da pena; excepcionalmente, o estatuto penal lhe empresta força extintiva de punibilidade (107, VI). 10) Perdão Judicial: é o instituto pelo qual o juiz, não obstante comprovada a prática da infração penal pelo sujeito culpado, deixa de aplicar a pena em face de justificadas circunstâncias; constitui causa extintiva da punibilidade de aplicação restrita (107, IX); significa que não é aplicável a todas as infrações penais, mas somente àquelas especialmente indicadas pelo legislador; o perdão judicial é de aplicação extensiva, não se restringindo ao delito de que se trata; ex: o sujeito pratica, em concurso formal, 2 crimes culposos no trânsito, dando causa, num choque de veículos, à morte do próprio filho e lesões corporais num estranho; o benefício concedido em face do homicídio culposo, estende-se a lesão corporal culposa. FONTES DO DIREITO PENAL As fontes do direito penal podem ser divididas em: Materiais ou de conhecimento é o Estado, já que compete a União legislar sobre direito penal. Formais (que por sua vez subdividem-se em) a) Formais Imediatas: são as leis penais. 5
b) Formais Mediatas: os costumes e os princípios gerais do direito. CONSTITUIÇÃO: a principal fonte do Direito penal é a Constituição, pois muitas regras estão nela inseridas. São exemplos alguns incisos do art. 5: XXXIX não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; XL a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; XLI a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; XLIII a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; XLIV constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; XLV nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; XLVI a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; c Arts. 55 a 57 do CPM. c Arts. 707 e 708 do CPPM. b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; L às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; LI nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; LII não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião; 6
O CÓDIGO PENAL é a segunda fonte que irá estabelecer as penas e os crimes. Existem ainda outras leis penais esparsas. CÓDIGO PENAL DE 07-12-1940 Vigora até hoje o Código penal de 1940. Algumas modificações foram feitas na parte geral e também na parte especial. Quanto a parte especial os crimes em espécie estão distribuídos nos seguintes títulos: I- Crimes contra a pessoa; II- Crimes contra o patrimônio; III- Crimes contra a propriedade imaterial; IV- Crimes contra a organização do trabalho; V- Crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos; VI- Crimes contra os costumes; VII- Crimes contra a família; VIII- Crimes contra a incolumidade pública; IX- Crimes contra a paz pública; X- Crimes contra a fé pública; XI- Crimes contra a administração pública; OUTRAS LEIS PENAIS Aos menores de 18 anos, por serem inimputáveis, são sujeitos ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Os militares têm código próprio que é o Código penal Militar. Há leis penais fora do código, sobre: a) Abuso de autoridade; b) Açúcar c) Caça; d) Provimento de cargos; e) Eleições; f) Comissões parlamentares de inquérito; g) Couro; h) Deserção e falências; i) Floretas; j) Genocídio; k) Greve; l) Imprensa; m) Símbolos nacionais; n) Preconceito de raça e de cor; o) Moeda p) Crimes hediondos; q) Etc. Existem outras leis penais, o direito penal econômico, refere-se, por exemplo, à economia popular e ao abuso do poder econômico. 7