Incontinência urinária: o estudo urodinâmicoé indispensável?



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Transcrição:

Mariana Olival da Cunha marianaolival@ig.com.br Incontinência urinária: o estudo urodinâmicoé indispensável? Mariana Olival da Cunha (R2) Orientadora: Dra. Rebecca Sotelo

Definições* IU: perda involuntária de urina, representando um problema social ou higiênico IUE: perda involuntária de urina sincrônica ao esforço, espirro ou tosse IUU: perda involuntária de urina associada ou imediatamente precedida por urgência miccional Int Urogynecol J (2010) 21:5 26 Valor da Queixa Clínica e Exame Físico no Diagnóstico da Incontinência Urinária -RBGO -v. 24, nº 2, 2002 Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62

Definições IUM: IUE + IUU Bexiga hiperativa: urgência, com ou sem urgeincontinência, acompanhada de aumento da freqüência miccional e noctúria Incontinência postural: perda involuntária de urina com a mudança de posição Perda insensível* Incontinência coital: penetração e orgasmo Int Urogynecol J (2010) 21:5 26 Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62

Epidemiologia 18% das mulheres com mais de 30 anos de idade* Alta prevalência (12,7-37%) 35% mulheres climatéricas 50% mulheres de casa de repouso 29 75% IUE 7 33% hiperatividade do detrusor Qualidade de vida em mulheres com incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(6): 352-7 Estudo urodinâmico da pressão de perda ao esforço, nas posições ortostática e sentada, em mulheres com incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2007; 29(2):91-5 ACOG Practice Bulletin No. 63 Urinary Incontinence in Women - VOL. 105, NO. 6, JUNE 2005

Anamnese Início dos sintomas Duração Gravidade (diário miccional*) Condições associadas* Impacto social e higiênico Medicações em uso Comorbidades Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62 ACOG Practice Bulletin No. 63 Urinary Incontinence in Women - VOL. 105, NO. 6, JUNE 2005

Questionário King s Health Questionnaire Rev Bras Ginecol Obstet. 2005; 27(5): 235-42

Exame Físico Reproduzir e caracterizar a incontinência Excluir distúrbios neurológicos Avaliar o suporte pélvico* Análise da mucosa vaginal* Sinais de dermatite amoniacal Distopias genitais Mobilidade uretral (Q-tip test) Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62 ACOG Practice Bulletin No. 63 Urinary Incontinence in Women - VOL. 105, NO. 6, JUNE 2005

Fatores de risco Etnia branca Alto IMC Parto vaginal Parto traumático (fórceps e episiotomia) Multiparidade Gestação em idade avançada Sintomas urinários e qualidade de vida em mulheres -FISIOTERAPIA E PESQUISA 2007; 1 4(3): 1 2-7

Fatores de risco Diabetes Menopausa Constipação Cirurgias pélvicas radicais Ocupações que exijam esforço físico (atletas) Sintomas urinários e qualidade de vida em mulheres -FISIOTERAPIA E PESQUISA 2007; 1 4(3): 1 2-7

Estudo urodinâmico Objetivo: identificar as causas específicas dos sintomas das pacientes (incontinência urinária, disfunçãomiccional, sintomas irritativos do trato urinário) e fornecer dados para orientar o correto tratamento. EAS e URC Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62

Estudo urodinâmico Fluxometria* + Resíduo pós-miccional Cistometria* Estudo miccional* Int Urogynecol J (2010) 21:5 26 ACOG Practice Bulletin No. 63 Urinary Incontinence in Women - VOL. 105, NO. 6, JUNE 2005

Estudo urodinâmico PPE < 60 cmh 2 o: Defeito esfincteriano intrínseco PPE > 90 cmh 2 o: IUE Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62 Urodynamic evaluation of women with incontinence- 2012 UpToDate

Estudo urodinâmico: Sim ou Não Queixa IUE isolada + exame físico 25% erro diagnóstico Defeito esfincteriano e hipermobilidadedo colo vesical Tratamento cirúrgico X conservador Defesa médica Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62

Estudo urodinâmico: Sim ou Não 27% de chance de modificar o tratamento Resultados não fisiológicos* Falta padronização Normalidade não exclui anormalidade clínica Sintomatologia não condizente com exame físico Falha do tratamento conservador Urodynamic evaluation of women with incontinence- 2012 UpToDate

USG Estimar o resíduo miccional Detectartumores vesicais e distorções na parede vesical Avaliação da vascularização dos tecidos periuretraispor meio do efeito dopplere da musculatura do assoalho pélvico Avaliar a hipermobilidadee a posição do colo vesical Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62

Tratamento IUE: cirúrgico, fisioterapia exercícios de Kegel IUU: anticolinérgicos ou anti-muscarínicos, reeducação vesical, exercícios de Kegel, toxina botulínica Incontinência Urinária Feminina - Acta Urológica 2007, 24; 1: 79-82

Bibliografia Urodynamic evaluation of women with incontinence- 2012 UpToDate Int Urogynecol J (2012) 23:813 822 DOI 10.1007/s00192-012- 1693-3 Int Urogynecol J (2010) 21:5 26 2009 Wiley-Liss, Inc. Impacto do estudo urodinâmicoem mulheres com incontinência urinária - Rev Assoc Med Bras 2007; 53(2): 1225

Bibliografia Incontinência Urinária Feminina -Acta Urológica 2007, 24; 1: 79-82 Diagnóstico clínico e subsidiário da incontinência urinária - Rev Bras Ginecol Obstet. 2006; 28(1): 54-62 ACOG Practice Bulletin No. 63 Urinary Incontinence in Women - VOL. 105, NO. 6, JUNE 2005 Rev Bras Ginecol Obstet. 2005; 27(5): 235-42 Valor da Queixa Clínica e Exame Físico no Diagnóstico da Incontinência Urinária -RBGO -v. 24, nº 2, 2002 Int Urogynecol J (2000) 11:188 195-2000 Springer-Verlag London Limited