noite e dia marconne sousa
Mais uma noite na terra a terra é um lugar tão solitário cheio de pessoas, nada mais onde se esconderam os sentimentos? um dedo que aponta um dedo que desaponta um dedo que entra outro que sai onde se esconderam os sentimentos? sua face é um poema que se escreveu sozinho mas você consegue ler? um dedo que cala um dedo que fala um dedo que mede na beira da estrada um dedo que pede na calçada tão sozinhos, tão humanos compostos de nada (nada de importante, nada de interessante) onde foram parar os sentimentos? segurem se uns nos outros ou irão todos cair irão todos cair um dedo do meio um dedo indicador um dedo anular gestos e mais gestos não existem sentimentos
A queda se eu cair eu sei que não haverão braços pra me segurar e eu caí e não haviam braços pra me segurar pude então dizer eu sabia, eu sabia os prazeres do homem solitário não são muitos e ele sabe, ele sabe
A terra é o lugar onde todas as almas solitárias vão pra morrer a terra é o lugar onde todas as almas solitárias vão pra morrer eu estou no meio do caminho para o desespero eu não vejo mais ninguém por aqui eu tento pegar uma carona mas nenhum carro passa seriam todas as pessoas solitárias tão cegas quanto eu? eu sou um homem orgulhoso a terra é o lugar onde todas as almas solitárias vão pra morrer eu deixei minha mochila na sua porta eu estava machucado, eu estava preocupado eu estava morrendo, talvez você não se virou como eu poderia acreditar no bem se nada de bom parece acontecer comigo? a terra é o lugar onde todas as almas solitárias vão pra morrer eu menti, eu fingi, eu troquei de lugar eu não pude me conter a terra é o lugar onde os homens vem para sofrer e causar sofrimento e eu sou um homem eu chorei mas eu sou um homem orgulhoso, ainda assim Jesus teria chorado, porque não eu? a terra é o lugar onde todas as almas solitárias vão pra morrer onde foram parar os pensamentos ternos? você me seguiu só para saber o que eu fiz de errado mas eu não fiz nada de errado eu fiz tudo que podia para chegar mais perto mas agora eu me sinto mais sozinho do que nunca eu sou um garoto estúpido
O perigo das cinzas meus olhos encararam a salvação mas a luz era fraca, as chances eram poucas a noite se arrastava não quis me arriscar não quis interromper o curso natural de vida, morte e tudo que há no meio eu queimei um buraco em meu peito agora já não se vê mais a cicatriz mas ela estava aqui e eu sei
Porque me abandonaste? esse mundo é estranho, sabe? hospícios estão por todo lado eles os chamam de escolas, faculdades, bancos, trabalho Jesus, eu sei como você se sentiu eles me deixaram pendurado também meus olhos são comida de gaivotas eles me deixaram pendurado também eu estava bem ao seu lado você não me salvou não me salvou eu não valia a pena eu não merecia mergulhe em meu sangue o sangue de Cristo eu deixaria a ideia de molho no canto dos meus olhos mas eu não posso chorar então digo adeus
Não olhe pra trás há um assassino a solta entre gritos e sussurros ele corta mais uma garganta há um assassino a solta não olhe agora o ódio em seus olhos demoníacos pode te levar a loucura há um assassino a solta o desembaçar do espelho o revela entre gritos e sussurros ele corta a sua garganta em um piscar de olhos
Solidão o mundo é estranho o mundo é estranho o mundo é estranho todas as crianças morrem após a primeira aula de educação sexual o mundo é estranho e o cheiro dos esgotos é mais forte que o das flores todas as crianças morrem todos os adultos são mortos vivos todos os velhos são porta retratos decadentes o mundo é estranho as crianças não são o futuro não existe futuro pessoas honestas mentem e pessoas pacificas matam meus olhos contemplaram a ira divina lá vem mais um dos cavaleiros deixem essa ser nossa profecia nossa morte e pestilência deixem nos interligados pela teia de acontecimentos e deixem nos sozinhos
Eu e o universo meus dedos não funcionam mais, eu disse eles não servem mais pra nada, eu sei minha mente se perdeu, eu acho nada é como antes, eu sei o universo não é infinito o universo não é infinito estrelas mortas brilham no céu eu vejo seus fantasmas eu sei e minhas mãos tremem e meu estômago se revira dentro de mim a música termina a dança para as mãos inquietas agarram mais um cigarro o universo não é infinito
Um mundo em vão polêmicas diversas em calçadas e filas palavras controversas, mortes e vidas define se o certo, o errado, o aceitável define se o palpável e contra o muro, ninguém vê, mas um homem chora as suas ultimas palavras não irão para os livros de história e o velho e o novo se confundem nada realmente mudou até mesmo os mágicos se iludem mas o truque apenas se renovou morte e vida se confundem morte e vida se fundem e contra o muro, ninguém vê, mas poderia aquilo ser amor? não sei ao certo dizer mas amanhã ali desabrochará uma flor dia sim, dia não, outro dia não elas aparecem, se fecham é tudo em vão
Folhas de figueira nós somos os brinquedos danificados de um deus caprichoso eu e você ele não nos quer mais ele nos descarta eles nos descartam nós nos descartamos nós não nos despedimos nós só vamos embora vamos embora e nunca voltemos a esse lugar amaldiçoado descobriram água em marte eu levo a caixinha de chá vamos embora desse lugar amaldiçoado pelos deuses e deusas caprichosas e seus órgãos genitais cobertos por folhas de figueira me segure se conseguir eu estou em queda livre pegue meus braços e minhas pernas me empurre para onde quiser, me puxe pra onde quiser ( isto é uma vergonha, um desastre, uma ofensa para deus ) como você pode saber? me diga como você consegue destruir a mais linda arte sem pensar duas vezes? como você pode olhar para essa paisagem e achar defeitos em prazeres simples? o conquistador cobriu nossas vergonhas agora você pode olhar para nós sem querer vomitar você pode olhar para nós e nossos órgãos genitais cobertor por folhas de figueira
Bom dia De pé e tremendo lágrimas são vazamentos incontroláveis te afogam mais um dia não há mais nada a se fazer além de amarrar os cadarços e cegar se você acorda, come, isso é um sonho? essa é a vida que te venderam? você tem um plano um discurso raivoso sobre o dia o último cigarro, o acordar e o tremer vomitar no vaso, perder o fôlego, brincar de roleta russa você encontra e você perde carpe diem nós deixaremos um aquecimento global especialmente pros seus filhos o belo presente de uma espécie moribunda que parece não morrer nunca você fala, come, morre e caga você vomita pra dentro enquanto finge se divertir
Uma rápida, normalmente temporária irregularidade eu achei tal conforto no fato de que essas coisas podiam me matar fingir ser feliz é pior do que fingir ser livre? a realidade não pareceu real do chão do banheiro como posso diferenciar um defeito momentâneo de um comportamento constante? coisas estranhas acontecem quando os ventos da madrugada sopram e eles sopram e levam consigo os sonhos e os sonhadores as pinturas e as musas
Mais um dia na terra os anéis de compromisso com a insônia ao redor dos olhos cansados o sol entra pela janela como uma promessa a promessa não se concretiza e a procura pela cura dos males do mundo não foi a lugar nenhum o medo de pensar e o medo de agir e o medo de sentir nos trouxe aqui e aqui estamos, entorpecidos mortos vivos entorpecidos insensíveis entre o limiar e o parapeito da janela prontos pra pular sem forças para atravessar a sala entre a decadência e a existência doentes, descrentes, completamente fodidos por aquilo e por isso, por nada e por tudo levante se e ande diz o Messias mas não existem milagres por aqui