AULA 11: CRISE HIPERTENSIVA 1- INTRODUÇÃO No Brasil a doença cardiovascular ocupa o primeiro lugar entre as causas de óbito, isto implica um enorme custo financeiro e social. Assim, a prevenção e o tratamento da HAS e das doenças em órgãosalvos devem ser prioridades. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um dos grandes problemas de saúde pública no Brasil e no mundo. Representa um dos mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por 25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com diabete, 50% dos casos de insuficiência renal terminal 2- CONCEITO Elevação rápida, severa, repentina, inapropriada e sintomática da PA, em pessoas normotensas ou hipertensas. É uma situação clínica na qual ocorre elevação brusca dos níveis tensionais, geralmente PAS superior a 200mmHg e/ou PAD maior do que 120 mmhg, acompanhada de cefaléia, alterações visuais recentes, vômitos, obnubilação e alterações do fundo de olho, ou deterioração de órgão-alvo
Emergência Hipertensiva Aumento da PA que requer imediata redução das cifras tensionais devido ao risco iminente de morte, lesão aguda ou progressão de lesão em algum órgão alvo: encefalopatia, IAM, EAP, AVE, eclampsia, dissecção de aorta. A emergência hipertensiva é uma situação que requer redução rápida da PA, no período máximo de uma hora. Representa risco imediato à vida devido a lesões de órgão alvo com complicações do tipo encefalopatia, infarto, angina instável, edema agudo de pulmão, acidente vascular encefálico isquêmico (Avei), acidente vascular encefálico hemorrágico (Aveh), dissecção de aorta e eclampsia. Geralmente, a PAD é maior que 130 mmhg e sintomas clínicos estão presentes. Faz-se necessário ressaltar que o nível absoluto da PA não deve ser o parâmetro mais importante de diagnóstico, mas sim a presença de lesões de órgão-alvo e as condições clínicas associadas. Nas emergências hipertensivas, ocorre injúria vascular em virtude da falha no sistema autorregulatório que, mediante níveis tensionais elevados, provoca a vasoconstrição. Essa falha propicia o aparecimento de lesões na parede vascular, iniciando-se pelo endotélio vascular, e permitindo que o material fibrinóide penetre na parede vascular levando ao estreitamento ou obliteração do lúmen vascular. Urgência Hipertensiva
Aumento da PA sem sinais de riscos iminentes de morte, lesão aguda ou de comprometimento de órgão alvo. Requer redução da PA de forma gradual em até 24hs. A urgência hipertensiva é uma situação em que ocorre aumento da pressão arterial, atingindo valores na pressão arterial diastólica (PAD) > 110 mmhg e sistólica (PAS) > 180 mmhg, sem lesão aguda a órgãos-alvo, que são olhos, coração, rim e cérebro. Os níveis pressóricos podem ser reduzidos em até 24 horas. 3- FISIOLOGIA A PA é igual ao VS (volume sistólico) vezes a Rp (resistência periférica) PA= VS x Rp ALTERAÇÕES EM QUALQUER FATOR ALTERA PA. 4- SINTOMATOLOGIA Sensação de mal-estar Ansiedade Agitação Cefaléia severa Tontura Visão turva Dor precordial Tosse Dispnéia Náuseas e vômitos SINAIS FOCAIS - RINS: hematúria, proteinúria e edema;
- SCV: dispnéia, precordialgia, angina IAM e EAP; - SNC: AVCI e AVCH - OLHOS: borramento, papiledema e hemorragias. 5- DIAGNÓSTICO Anamnese Exame físico SSVV Realização de eletrocardiograma; Radiografia de tórax Exames laboratoriais sódio, potássio, uréia, creatinina, enzimas cardíacas. 6- ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM - Monitorização cardíaca e respiratória; - Objetivo inicial é reduzir PAM em não mais do que 25% (de minutos a 2hs), depois até 160/100mmHg, dentro de 2 a 6hs, evitando quedas excessivas que possam precipitar isquemia renal, cerebral ou coronária. - Repouso no leito; - Punção venosa grosso calibre; - Orientação sobre procedimentos e terapêuticas; - Controle rigoroso de sinais vitais pressão arterial a cada 30 minutos ou intervalos menores; - Dor torácica freqüência cardíaca (síndrome coronariana); - Controle rigoroso de diurese; - Controle na infusão de vasodilatadores endovenosos; - Rigorosa observação de alterações do nível de consciência.
7- MEDICAÇÕES Nas urgências hipertensivas são utilizadas drogas por via oral, de ação moderada, com intuito de reduzir a pressão arterial de forma gradual. Como orientação na alta, é feito o ajuste de dose da medicação ou para pacientes que não utilizam medicações, iniciar esquema medicamentoso com drogas de ação curta administradas por via oral em horários ao longo do dia. O paciente deve ser orientado a aferir a pressão arterial uma vez ao dia até o ajuste da dose. A emergência hipertensiva é uma situação que requer redução rápida da PA, no período máximo de uma hora. Faz-se necessário o uso endovenoso. 7.1- Drogas das urgências DROGAS CLASSE DOSES AÇÃO EFEITOS ADVERSOS INÍCIO DURAÇÃO Nifedipina Antagonista de cálcio 10 a 20mg VO 5-15 minutos 3-5h Redução abrupta da pressão arterial, hipotensão. Captopril Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina - IECA 6,25 a 25mg VO (repetir em 1 hora se necessário). 15-30 minutos 6-8h Hiperpotassemia, hipotensão, insuficiência renal. Clonidina Simpaticolítico de ação central 0,2 até 0,8mg (dose máxima) VO 30-60 minutos 6-8h Hipotensão postural, boca seca, sonolência.
7.2- Drogas das emergências 7.3- Drogas preferenciais que são empregadas em situações específicas para o tratamento da crise hipertensiva. SITUAÇÃO PREFERÊNCIA RAZÃO (EVITAR) Encefalopatia Hipertensão maligna, acidente vascular encefálico Edema agudo de pulmão Nitroprussiato de sódio, trimetafan Nitroprussiato de sódio, trimetafan, enalapril Nitroglicerina, enalaprilato, nitroprussiato de sódio Alfametildopa (sedação), Diazóxido (diminui fluxo cerebral) Alfametildopa (sedação), Hidralazina (aumenta fluxo cerebral), Diazóxido (diminui fluxo cerebral) Beta bloqueadores (diminui débito cardíaco) Insuficiência coronariana Nitroprussiato de sódio Hidralazina (consumo de oxigênio) Dissecção de aorta Nitroprussiato de sódio, Trimetafan. Hidralazina (consumo de oxigênio, taquicardia).