RESULTADOS E DISCUSSÃO



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FATORES QUE INFLUENCIAM O IDEB DE DUAS ESCOLAS DE EDUCAÇÃO BÁSICA DO MUNICÍPIO DE ANANINDEUA PA Elane da Silva Almeida¹, Erian de Almeida Santos¹ ¹Universidade Federal do Pará Eixo IV Qualidade da Educação Básica e Superior: democratização do acesso, permanência, avaliação, condições de participação e gestão. E-mail: elanealmeida.ufpa@gmail.com INTRODUÇÃO Tendo em vista a análise dos avanços na melhoria da qualidade da educação, o governo federal criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) (Da Paz & Raphael, 2011). Sabe-se que existe certa desigualdade educacional até que se alcance um consenso no que diz respeito ao IDEB. Algumas escolas não conseguem aumentar significativamente seus valores no IDEB, enquanto outras possuem índices que relativamente correspondem ao que é esperado, alcançando resultados mais satisfatórios, porém, a grande questão é: O que será que está influenciando para este valor no IDEB (satisfatório ou não)? Será a metodologia abordada pelos professores? Será a falta ou não de recursos e infraestrutura? Com bases nestes questionamentos, surgiu o interesse em analisar quais fatores estão influenciando no resultado do IDEB em escolas de Educação Básica do município de Ananindeua-PA. OBJETIVO Analisar quais os possíveis fatores que estão influenciando o IDEB de duas escolas de Educação Básica do município de Ananindeua PA. METODOLOGIA Foram selecionadas aleatoriamente duas escolas de Educação Básica do município de Ananindeua PA, sendo uma escola apresentando IDEB dentro dos padrões esperados e outra com índice baixo. Por questões éticas não mencionaremos o nome das duas escolas, por isso, chamaremos a escola com IDEB satisfatório de A e a de IDEB baixo de B. A coleta de dados foi realizada tendo como base uma entrevista com três professores da Educação básica e o vice-diretor de ambas as escolas. As perguntas realizadas durante a entrevista foram: - O professor na sua escola é valorizado? - Os investimentos dados pelo governo, garantem uma educação de qualidade? - A escola é atendida por algum programa que visa melhoraria do ensino? Se sim, qual? - A escola tem aparato material para o desenvolvimento das aulas? - A escola possui condições para realização de atividades extraclasse? - O que você mais sente falta na escola, com relação a infraestrutura?

- Qual a metodologia adotada por vocês professores? - O que vocês acham que pode auxiliar para o aumento do IDEB de sua escola? Com base no que foi mencionado nas entrevistas, posteriormente foi realizado a análise dos dados. RESULTADOS E DISCUSSÃO Em ambas as escolas, tanto para os professores quanto para os vice-diretores, o professor é valorizado em sua escola, sendo suas opiniões e críticas respeitadas em todas as reuniões escolares, no entanto, houve unanimidade de opiniões acerca de o professor no Brasil possuir péssima valorização. Segundo Oliveira (2010), esta desvalorização ocorre devido à profissão docente no Brasil ser diferenciada e fragmentada, originando planos de carreira distintos, salários diferenciados entre os diferentes profissionais (professor de áreas rurais, urbanas, etc) e duplicação de jornada de trabalho em carreiras diferentes. Sobre os investimentos dados pelo governo, o aparato material para o desenvolvimento das aulas e a infraestrutura, houve consenso de que os recursos provenientes para reforma da escola e outros materiais não são suficientes para garantir uma educação de qualidade. Na escola A, segundo a vice-diretora, a falta de uma sala de vídeo e salas de aula adequadas influencia em uma educação de qualidade, além disso, segundo o professor desta escola: O empenho dos professores para dar uma aula bem feita é quase sobrehumana, já houve coleta para comprar gás e tempero para a merenda dos alunos, devido à falta de verba do governo. Na escola B, segundo a vicediretora, a escola tem o básico (pilotos, data-show), porém, não tem sala de informática, devido à falta de segurança todos os computadores foram roubados. Segundo a mesma, a infraestrutura da escola B é muito precária, teve poucos reparos, há cupim em todos os cantos, teto caindo aos pedaços, salas feias esteticamente e extremamente quentes e a escola tem espaço apropriado para ter uma boa estrutura, no entanto, o investimento que chega não supre suas necessidades. Segundo o professor da escola B : No bloco ali atrás, pego todo sol na minha cara e também atrapalha os alunos, já caiu ventilador, não tem verba especifica pra manutenção e o banheiro é precário. A precariedade das escolas públicas é uma das questões que preocupam a sociedade que quer vivenciar progressos na área da educação, além destes problemas, segundo Oliveira & Feldfeber (2006), existe mais uma série de desafios a serem superados como a elevação do status socioeconômico deste profissional, longas e exaustivas jornadas de trabalho, baixos salários, crescimento da indisciplina, violência nas escolas e salas superlotadas. Com relação aos programas que a escola possui, tanto os professores quanto os vice-diretores das duas escolas disseram que havia programas relacionados à educação (Mais Educação, etc.), no entanto, segundo a vice-diretora da escola B, o número de projetos referentes à programas de educação chegam aos montes e dificilmente a escola consegue aplicar todos eles, dificultando o cumprimento dos objetivos dos programas em sua totalidade. De fato, muitas vezes a escola não possui subsídios para cumprir todos os projetos que chegam à escola, uma solução seria focar em programas não tão amplos (com

poucos subprojetos) que objetivem total aplicação, sem sobrecarregar os gestores/professores da escola contemplada. Sobre as atividades extraclasse, ambas as escolas realizam passeios ou visitas em museus, feira do livro, entre outros. No entanto, segundo o professor da escola A, muitas vezes é necessário fazer coleta para pagar pelo menos o transporte em alguns eventos. O professor da escola B disse: Realizamos atividades extraclasse na medida do possível, mas não acontece com muita frequência. As atividades extraclasse são muito importantes como forma de complementar o que foi abordado em sala de aula, permitindo uma melhor compreensão do conteúdo e despertando a curiosidade dos alunos a aprender. De acordo com Da Silva (2009), os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN Ciências Naturais) indicam que este tipo de atividade proporciona uma das principais orientações didáticas, que juntamente com a coleta de dados em diferentes fontes, podem permitir um ensino contextualizado e mais esclarecedor para os alunos. A metodologia adotada pelos professores nas duas escolas inclui avaliação quantitativa e qualitativa, envolvendo a participação dos alunos, atividades em sala e frequência. Nota-se que, o processo de avaliação dos professores não inclui apenas a prova, e sim outras estratégias didáticas no processo de aprendizagem, os professores entrevistados em ambas as escolas demonstraram ter compromisso com a prática docente. Por fim, com relação ao IDEB de suas escolas, segundo a vice-diretora da escola A : Ainda temos que continuar melhorando e buscar incentivar nossos alunos a planejar o futuro, fazer com que eles não apareçam nas aulas por pura pressão dos pais. Aqui, os professores são muito competentes, talvez por isso que o nosso IDEB tenha atingido patamares significativos. Segundo a vice-diretora da escola B : O governo deve capacitar os professores para a melhoria de estratégias de ensino, motivando seus alunos e incentivando-os a leitura. Eu mesma tinha dificuldade em compreender o que o professor explicava, foi graças a uma professora que me norteou e me abriu caminhos que cheguei onde estou. Os professores das duas escolas mencionaram que a redução da evasão através de novas estratégias de ensino e valorização do professor no mercado os motivaria ainda mais a dar uma aula de qualidade juntamente com aparato material para que seu trabalho seja realizado de maneira eficaz. Fernandes (2007) relata que o indicador de desenvolvimento educacional (neste caso, o IDEB) deve combinar tanto informações de desempenho em exames padronizados como informações sobre fluxo escolar (evasão, repetência, etc.). Partindo desta perspectiva, o papel do professor na construção do conhecimento vem à tona, fazendo com que o aluno encontre o caminho para progredir por meio de uma educação bem sucedida, no entanto, para que isso ocorra, o professor deve ter competência em ensinar e também possuir recursos que subsidiem sua prática docente, a fim de contribuir para uma educação de qualidade. A partir da análise dos dados, pode-se perceber que apesar da escola A ter um índice do IDEB superior ao da escola B, ambas possuem dificuldades com relação à falta de recursos e a precária infraestrutura do local. Esperava-se que a escola A tivesse menos dificuldades com relação a estes fatores que a escola B, porém, isto não foi observado. A metodologia adotada pelos professores de ambas as escolas também não difere, ambas realizam atividades extraclasse (mesmo que na medida do possível), todavia, a possível

explicação para que a escola A tenha índice de IDEB dentro do que é esperado pode ser devido ao interesse dos alunos da escola A em querer aprender, se comparado aos alunos da escola B, a qualidade da prática docente em sala de aula ou mesmo outros fatores que possam estar influenciando no IDEB destas escolas. CONCLUSÕES - O IDEB das escolas A e B não sofre influência com os fatores mencionados na entrevista (valorização do professor, programas, infraestrutura, recursos, metodologia do professor e atividade extraclasse); - O possível fator que mantém o IDEB da escola A satisfatório e IDEB baixo na escola B pode ser: (des) interesse dos alunos em aprender, alunos com maior/menor facilidade em leitura ou qualidade na didática dos professores. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. SAEB: Metodologia Utilizada. Disponível em: <http:// www.inep.gov.br>. Acesso em 28 jun. 2014. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. IDEB: como melhorar os índices. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em 28 jun. 2014. DA PAZ, F. M., RAPHAEL, H. S. "O IDEB e a Qualidade da Educação no Ensino Fundamental: Fundamentos, Problemas e Primeiras Análises Comparativas". Revista OMNIA Humanas, v. 3, n. 1 (Sep.), p. 7 30, 2011. DA SILVA, L.A.G. Uma análise das atividades extraclasse como metodologia para o ensino de ciências e a educação ambiental. 2009. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Ciências Biológicas) - Fundação Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Unidade Universitária de Coxim MS. FERNANDES, R. Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB): metas intermediárias para a sua trajetória no Brasil, Estados, Municípios e escolas. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, Brasília, 26 p. 2007. OLIVEIRA, D.A.; FELDFEBER, M. Políticas educativas y trabajo docente. Buenos Aires: Centro de Publicaciones Educativas y Material Didático, 2006.

OLIVEIRA, J.F. A articulação entre universidade e educação básica na formação inicial e continuada de professores: demandas contemporâneas, situação-problema e desafios atuais. 2010, 17p.