INFECÇÃO MATERNA x INFECÇÃO PERINATAL Drª Glaucia Maria Ferreira Lima A Sepse neonatal está associada com alto índice de morbimortalidade nesse período. Diante dessa condição, cabe a nós que trabalhamos com neonatologia, nos anteciparmos em conhecer seus principais fatores de risco bem como monitorizar tais bebês da melhor maneira possível, instituindo o tratamento quando necessário e assim diminuindo essa incidência. Para o desenvolvimento da sepse neonatal precoce, de origem materna, ou aquela que surge nas primeiras 48h de vida estão envolvidos fatores de ordem materna e fetal. É descrito que a incidência de sepse em RN de mães com coroamnionite é de 10% sendo RNc PN 2500g = 4% e RN c/ PN < 2500g = 6%. Mais recentemente, Merrer e col. definem a corioamnionite clínica como a presença de pelo menos dois critérios: Temperatura materna superior a 38 c FC materna > 100 bpm FC fetal >160bpm Útero doloroso Líquido amniótico fétido Leucócitos sanguíneos superiores a 20.000 Em relação ao feto, alguns fatores também são implicados: Prematuridade Baixo peso nascimento(pn < 2500g) Asfixia perinatal Sexo masculino Para instituírmos o tratamento nos bebês de risco será feita uma avaliação conforme a idade gestacional e/ou escore infeccioso como se segue abaixo: A Idade Gestacional < 34 semanas : 2pts 34 37 semanas : 1pt 37 semanas: 0pt B Infecção Materna Corioamnionite e/ou fisometria : 2pts BR > 18h e/ou ITU materna atual com alterações clínicas e/ou laboratorial (febre/taquicardia materna e/ou fetal/ alt de hemograma + VHS ou PCR maternos)= 1pt Bacteriúria assitomática = 0pt C Asfixia Perinatal = 1pt ( Apgar < 6 no 5º min).
D Sexo: Masc: 1pt Fem: 0pt E Hemograma alterado de acordo com escore hematológico Score hematológico 3 = 2pts Score hematológico 2 = 1pt Score hematológico 0 ou 1 = 0pt Para avaliação do score hematológico utilizamos a tabela de MONROE e critérios de Rodwell. Critérios de Rodwell Leucometria alterada : 1pt Leucopenia 5000 Leucocitose : ao nascimento 25000 12-24 30000 48h 21.000 Neutropenia ou neutrofilia Aumento dos neutrófilos imaturos Aumento da relação NI/NT Aumento da relação NI/NM (>0,30) Granulações tóxicas ou vacuolização Plaquetopenia: < 10 dias de vida, se < 100.000 >10 dias de vida, se < 150.000 Tabela de MONROE Período Neutropenia Neutrofilia Aumento Imaturos NI/NT Nascimento < 1800 > 5400 >1100 >0,16
6h de vida < 5000 > 13000 12h de vida < 7800 > 14400 > 1440 >0,16 24h de vida < 7000 > 12000 > 1280 >0,16 36h de vida < 5000 > 10000 > 1100 > 0,15 48h de vida < 3600 > 8500 > 850 > 0,13 72h de vida < 1800 > 7000 > 600 > 0,12 4 a 28 dias < 1800 > 5400 >500 > 0,12 > 28 dias > 7000 Curva de MONROE Avaliação do Escore: 1 Grupo: 3 = observar RN no mínimo 24h e se necessário, repetir hemograma. 2 Grupo: 4 8 pts Colher hemocultura com antibiograma de veia periférica Colher líquor se plaquetas > 50.000 apenas se sintomatologia espcífica. Iniciar antibiótico de 1 linha que no nosso serviço é Pen Cristalina + Gentamicina, a não ser que a mãe esteja internada há mais de 48h onde o esquema a ser utilizado é o de 2ª linha(oxacilina+amicacina) com a possibilidade de se associar Penicilina quando se pensa em Estreptococo do grupo B(vide normatização de antimicrobianos em neonatologia). OBS: O quadro clínico bem avaliado, deverá auxiliar na: Entrada de ATB durante evolução dos RNs do 1 grupo. Retirada precoce de ATB, na evolução dos RNs do 2 grupo, após hemocultura negativa e líquor normal. A avaliação criteriosa desses dois escores muito nos auxiliará no uso da antibioticoterapia nos neonatos que pode levar ao tratamento de maior número de pré-termos, que apresentam elevado risco de infecção, e evitar o tratamento muitas vezes desnecessário de recém-nascido a termo. FLUXOGRAMA Gestante com AP > 18h ou ITU ou corioamnionite
Nascimento IG < 32 semanas 32 34 semanas >34 semanas Iniciar ATB de 1 linha RN deuti RN de MR ou de AC Colher + colher hemograma e hemocultura hemograma e se plaquetas > 50.000, colher c/ 6h líquor se sintomatologia específica checar escore infeccioso escore 4 escore 3 observar o RN e repetir o hemograma Bibliografia:
Avery,Gordon B - Neonatologia-fisiopatologia e tratamento do RN Editora Medsi, 1999 Rugolo,Ligia Manual de Neonatologia Sociedade de pediatria de São Paulo Editora Revinter, 2000. Kopelman, Benjamin Israel Rotinas Médicas Editora Atheneu Belady, P.H. ; Farkouh, L.J. Intramniotic Infection and Premature Rupture of Membranes Clinic Perinatology 24:43, 1997 Ray Duncan Neonatology on the Web Jonh Hopkins Children Center