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Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Transcrição:

Acórdão: 20.514/14/2ª Rito: Sumário PTA/AI: 15.000017859-30 Impugnação: 40.010135173-41 Impugnante: Proc. S. Passivo: Origem: EMENTA Daniel dos Santos Lauro CPF: 084.807.156-50 Karol Araújo Durço DF/Juiz de Fora ITCD - CAUSA MORTIS - FALTA DE RECOLHIMENTO/RECOLHIMENTO A MENOR SUCESSÃO. Constatou-se a falta de recolhimento do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens e Direitos - ITCD, devido por herdeiro, nos termos do art. 1º, inciso I da Lei n.º 14.941/03, em decorrência da transmissão de bens e direitos em razão da abertura da sucessão. Corretas as exigências de ITCD e Multa de Revalidação capitulada no art. 22, inciso II da Lei nº 14.941/03. Razões de defesa insuficientes para alterar o lançamento. Lançamento procedente. Decisão unânime. RELATÓRIO Da Autuação Versa o presente lançamento acerca da imputação fiscal de falta de recolhimento do ITCD causa mortis devido pela transmissão dos bens em razão do falecimento de Thomaz Lauro, em 07 de novembro de 2007. Exigências de ITCD e da Multa de Revalidação prevista no art. 22, inciso II da Lei n.º 14.941/03. Da Impugnação Inconformado, o Autuado apresenta tempestivamente, às fls. 15/16, impugnação, em síntese, aos seguintes argumentos: - não há sequer que se falar em ITCD, uma vez que não possui a propriedade do imóvel, pois seu pai detinha apenas a posse do imóvel, e, conforme o princípio da disponibilidade, não se pode transferir mais direitos que se tem; - a regularização do imóvel está sendo discutida, paralelamente, em ação de usucapião, cujos autos tramitam na 9ª Vara Cível da Comarca de Juiz de Fora/Minas Gerais; - segundo doutrina e jurisprudência majoritárias, o usucapião é um modo de aquisição originário da propriedade e, desta forma, caso a propriedade venha a ser regularizada por meio desta ação, não deverá arcar com as despesas de ITCD; 20.514/14/2ª 1

- o processo de inventário que originou a declaração de ITCD foi inclusive extinto sem resolução do mérito; - se já não bastasse tudo isso, parte do imóvel ainda está sendo objeto de usucapião, autos nº 0820090-92.2012.8.13.0145, tendo como autor o Sr. Carlos Roberto de Paula que entende ser proprietário da referida parte. Ao final, requer o acolhimento de sua defesa, a fim de desconstituir o tributo apurado, frente a inexistência efetiva de transmissão de qualquer bem. Manifestação Fiscal O Fisco manifesta-se às fls. 61/64, contrariamente ao alegado na defesa, em síntese, aos argumentos seguintes: - com o advento da Constituição Federal do Brasil de 1988, o imposto ITCD, de competência dos Estados Federados e do Distrito Federal passou a incidir sobre bens (móveis e imóveis) ou direitos; - a Lei n.º 14.941/03 estabelece a base legal para a incidência do ITCD no caso dos autos; - o contribuinte tinha consciência de que o que lhe foi transmitido foi o direito sobre os bens situados em Juiz de Fora, pois entregou a declaração dela constando os direitos sobre estes bens; - na petição de inventário dirigido ao juiz cível da Comarca de Juiz de Fora o herdeiro descreve como bem transmitido as duas casas relacionadas na DBD; - o direito adquirido por causa mortis teve origem a justo título no Contrato de Compromisso de Compra e Venda e a transmissão para o autor da herança se deu também a justo título; - no lote foram construídas duas casas conforme relatado na DBD; - é correto o lançamento do ITCD; - a ação de usucapião para regularização da propriedade do imóvel, adquirido a justo título é um modo legal, mas, no caso, o método de aquisição foi original e está fundado no Contrato de Compromisso de Compra e Venda; - a extinção do processo de inventário é uma ação voluntária; - como o contribuinte não recolheu o ITCD a tempo e hora, foi lavrado o Auto de Infração para dele exigir o pagamento do ITCD devido; - não houve contestação quanto aos valores e cálculo o que dá por correto aqueles lançados, como de fato corretos estão. Ao final, pede seja julgado procedente o lançamento. Da Instrução Processual A 3ª Câmara do CC/MG, em sessão realizada em 16 de abril de 2014, por unanimidade, exarou despacho interlocutório para que o Impugnante apresentasse cópia dos autos do processo de usucapião e esclarecesse se a ação é de todo o imóvel 20.514/14/2ª 2

ou de parte dele. No caso de a ação se referir a parte do imóvel, apresentar comprovantes de pagamento do ITCD da parte lhe transmitida e que não está em discussão no processo judicial fls. 67. Em cumprimento ao despacho interlocutório do CC/MG, o Impugnante comparece aos autos, por procuradora regularmente constituída, à fl. 71, e esclarece que os autos da ação encontram-se conclusos para despacho tendo em vista que estão apensados nos autos n.º 0820090-92.2012.8.13.0145, motivo pelo qual inexiste a possibilidade de carga e, por consequência, a obtenção de cópia. Sendo assim, requer a prorrogação do prazo concedido por 30 (trinta) dias. O pedido do Impugnante de prorrogação de prazo é atendido, conforme despacho de fl. 76. 80/96. À fl. 79, o Impugnante retorna aos autos e junta os documentos de fls. O Fisco também retorna aos autos, às fls. 98/101, repetindo os argumentos articulados em sua manifestação anterior e, analisando os documentos da ação de usucapião, destaca que a aquisição do imóvel se deu realmente por celebração de contrato particular, em 03 de outubro de 1990 e o Impugnante é o único herdeiro. Ressalta, ainda, que se há uma transmissão de direito de posse, havida por justo título, há tributação pelo ITCD pela transmissão deste direito. Pede, ao final, a procedência do lançamento. DECISÃO Compete à Câmara a análise do presente lançamento o qual versa sobre a imputação fiscal de falta de recolhimento do ITCD causa mortis devido pela transmissão dos bens em razão do falecimento de Thomaz Lauro, em 07 de novembro de 2007. Pelo Protocolo n.º 2398/08, de 02 de dezembro de 2008, (fl. 07) deu-se entrada no procedimento administrativo para a apuração do ITCD, com a entrega da Declaração de Bens e Direitos - DBD. O responsável pela Declaração de Bens e Direitos - DBD do referido protocolo foi Daniel dos Santos Lauro, único herdeiro relacionado, ora Impugnante (fl. 08). Com o advento da Constituição Federal do Brasil de 1988, o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação - ITCD, de competência dos Estados Federados e do Distrito Federal passou a incidir sobre bens (móveis e imóveis) ou direitos. Veja-se o inteiro teor do art. 155, inciso I e 1º, in verbis: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 20.514/14/2ª 3

I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)... 1.º O imposto previsto no inciso I: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; III - terá competência para sua instituição regulada por lei complementar: a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior; b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior; IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal;... Analisando o ITCD à luz das disposições constitucionais a professora Regina Celi Pedrotti Vespero Fernandes, em seu livro Impostos sobre Transmissão Causa Mortis e Doação ITCMD, assim se manifesta: Da análise dos dispositivos constitucionais em vigência, podemos observar que houve uma redução da competência dos Estados-membros em razão da transferência da competência impositiva do imposto sobre transmissão de bens imóveis a título oneroso aos Municípios. Mas essa redução foi compensada pelo legislador constitucional ao ampliar a competência estadual e distrital para a tributação da transmissão de bens e direitos móveis a título gratuito causa mortis e intervivos (doação). Em Minas Gerais, a Lei n.º 14.941/03, citada no Auto de Infração, trata da questão do ITCD. Segundo o art. 1º da Lei n.º 14.941/03 o ITCD incide: Art. 1º - O Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos - ITCD - incide: I - na transmissão da propriedade de bem ou direito, por ocorrência do óbito; 20.514/14/2ª 4

Efeitos de 1º/01/2006 a 31/12/2013 - Redação dada pelo art. 1º e vigência estabelecida pelo art. 6º, ambos da Lei nº 15.958, de 29/12/2005: I - na transmissão da propriedade de bem ou direito, por sucessão legítima ou testamentária; (grifos não constam do original) Assim, claro está que o ITCD em Minas Gerais incide não só sobre bens, mas também sobre direitos. Importa ressaltar que o patrimônio de uma pessoa é composto pelo conjunto de suas relações jurídicas apreciáveis economicamente. Assim, o patrimônio não pode ser entendido apenas como os bens imóveis, mas os direitos também compõem o patrimônio. Pode-se concluir, portanto, a teor do texto constitucional e da legislação do Estado de Minas Gerais, que o aspecto material do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis, especificamente, é a transmissão de quaisquer bens ou direitos. No caso em exame, vê-se que o ora Impugnante tinha consciência de que o que lhe foi transmitido foi o direito sobre os bens (casa 01 e casa 02) situada em Juiz de Fora, na Rua Manoel Alves, n.º 87, pois na Declaração de Bens e Direitos por ele apresentada constavam tais direitos (fl. 10). Acrescente-se que, também na petição de inventário dirigido ao juiz cível da Comarca de Juiz de Fora o Impugnante descreve como bem transmitido as duas casas relacionadas na Declaração de Bens e Direitos - DBD (fls. 57/58). Vê-se ainda que o direito adquirido por causa mortis teve origem a justo título no Contrato de Compromisso de Compra e Venda acostado às fls. 52/53. Já a transmissão para o autor da herança se deu também a justo título em 25 de julho de 1875 (fl. 53). No referido lote foram construídas duas casas conforme relatado na Declaração de Bens e Direitos - DBD. A professora Regina Celi Pedrotti Vespero Fernandes, na obra já citada, assim se manifesta: Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto sobre transmissão causa mortis, importante é o estudo do momento da abertura da sucessão. A importância está diretamente relacionada ao fato morte, por ser ele o evento base de incidência da regra. Portanto, temos que a abertura da sucessão é o ponto de partida de todo o fenômeno hereditário. É começar o fato sucessório. O elemento essencial de toda a disciplina jurídica da transmissão por morte é o próprio fato da sucessão, como continuação nos sucessores das relações das relações jurídicas que compõem o patrimônio do falecido. 20.514/14/2ª 5

Pelo teor dos arts. 1.784 e 1.923 do CC/02, que estabelecem a imediata transmissão aos herdeiros e legatários da posse da herança e da coisa legada, respectivamente, coma abertura da sucessão, o que se pode afirmar é que o fato jurídico morte é o gerador da sucessão, ou seja, o patrimônio que se transmite opera de imediato com o fato jurídico morte. Nesse sentido está acorde a doutrina nacional. Portanto, não é pela ação de inventário que os bens e direitos são transmitidos. Assim, a extinção do processo de inventário, que é uma ação voluntária, não tem inferência no presente lançamento. No que tange à arguição de questionamento em relação a ação de usucapião para regularização da propriedade do imóvel, adquirido a justo título, está não interfere no momento de incidência e no pagamento do ITCD devido, pois, como visto a transferência do direito que está sendo pleiteado já ocorreu. No entanto, preocupada com a questão posta, a Câmara de Julgamento, deu nova oportunidade ao Impugnante para demonstrar seus argumentos em torno da ação de usucapião. Analisando os documentos da ação de usucapião percebe-se que está descrito na petição inicial que a aquisição do imóvel se deu, realmente, por celebração de contrato particular, em 03 de outubro de 1990 (fl. 80). Já à fl. 81 afirma o peticionário no referido processo que ele, Daniel dos Santos Lauro, ora Impugnante, é o único herdeiro. Quando demonstra o direito possessório, fl. 82, descreve o Impugnante: Os art. 1206 e 1207, CC/02 dispõem acerca da posse continuada que é transmitida aos herdeiros universais com os mesmos caracteres, continuando o sucessor de direito na posse de seu antecessor. Ora, se o próprio Impugnante na ação de usucapião reconhece haver uma transmissão de direito de posse, há a tributação pelo ITCD pela transmissão deste direito. Como o contribuinte não recolheu o ITCD, foi lavrado o Auto de Infração para dele exigir o pagamento do imposto devido nos termos da legislação aplicada. Não houve contestação quanto aos valores e cálculo. Diante do exposto, ACORDA a 2ª Câmara de Julgamento do CC/MG, à unanimidade, em julgar procedente o lançamento. Participaram do julgamento, além da signatária, os Conselheiros José Luiz Drumond (Revisor), Ivana Maria de Almeida e Luciana Goulart Ferreira. Sala das Sessões, 05 de agosto de 2014. Luciana Mundim de Mattos Paixão Presidente / Relatora 20.514/14/2ª 6