INFORME SETORIAL MINERAÇÃO E METALURGIA



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Transcrição:

INFORME SETORIAL MINERAÇÃO E METALURGIA Nº 26 - SETEMBRO/1999 ÁREA DE OPERAÇÕES INDUSTRIAIS 2 Gerência Setorial 3 Siderurgia: Mercado Brasileiro de produtos Longos 1 - Introdução A produção siderúrgica brasileira apresentou grande crescimento nas décadas de 70 e 80, estabilizando-se, desde 1994, na faixa de 25/26 milhões de t/ano. O Brasil, que já ocupou a décima oitava posição como produtor no ranking mundial em 1970, foi, em 1998, o oitavo maior produtor mundial, com sua produção representando 3,3% do total mundial e cerca de 50% da produção latino-americana. Milhões t Produção de Aço Bruto 1970 1980 1990 1996 1997 1998 1999* Mundo - a 595,4 715,6 770,5 750,1 799,0 776,4 755,0 A.Latina - b 13,2 28,9 38,2 50,0 52,4 51,5 49,0 Brasil - c 5,4 15,3 20,6 25,2 26,2 25,8 24,3 c/a% 0,9 2,1 2,7 3,4 3,3 3,3 3,2 c/b% Brasil-ranking 40,9 18º 52,9 10º 53,9 9º 50,4 7º 50,0 7º 50,1 8º 49,6 8º Fonte: IISI/Ilfa/IBS, * estimativa BNDES Em 1999, haverá queda na produção mundial de aço. América Latina e Brasil acompanharão esta tendência. Em 1998, a produção de laminados planos e longos no mundo atingiu cerca de 650 milhões de t, dos quais 285 milhões de t correspondentes a laminados longos, ou 43,8% do total. A produção de laminados longos no Brasil atingiu 6,1 milhões de t em 1998, representando 37,2% do total de laminados planos e longos, da ordem de 16,4 milhões de t. 2- Produtos Laminados Longos Os laminados longos resultam do processo de laminação dos tarugos, sendo ofertados em aços carbono com baixo teor de ligas e aços ligados/especiais, incluindo-se os de alto carbono. Em aço carbono tem-se os produtos: perfis leves, médios e pesados (eletrificação e torres de transmis-são); trilhos e acessórios ferroviários; vergalhões (construção civil) ; fio-máquina (arames, trefilados, etc) e barras (automobilística, forjados e extrudados). Em aços ligados, tem-se os produtos: fio-máquina (parafusos e outros); barras (aço para construção mecânica, ferramentas, inoxidáveis e para válvulas) e finalmente tubos sem costura ( petróleo e gás).o principal mercado local para aços longos especiais é a indústria automobilística. 3- Produtores Nacionais de Laminados Longos Em 1998, a produção de laminados longos no Brasil estava distribuída por algumas empresas, com grande concentração nos Grupos Gerdau (49,5%) e na Belgo-Mineira (40,9%), no caso dos laminados longos comuns. Nos laminados longos especiais, os Grupos Villares e Gerdau têm 66,7% e 27,7%, respectivamente. A produção do Grupo Gerdau é efetivada utilizando sucata, com redução em forno elétrico (no conceito de mini mills), enquanto a da Belgo-Mineira é obtida em sua principal unidade, através de alto forno, à base de carvão vegetal e minério de ferro, estando no momento em processo de substituição por alto forno a coque. O Grupo Belgo-Mineira controla ainda três unidades industriais (Piracicaba, Juiz de Fora e Cariacica) com processo tecnológico à base de forno elétrico e sucata, à semelhança do Grupo Gerdau. Gerdau e Belgo ganharam market share ao longo dos anos, por força

- 2 - da aquisição/incorporação de diversas empresas produtoras de laminados longos, razão pela qual apresentam crescimento nas produções ano a ano. Mil t Prod. Laminados 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999* Longos Comuns 5.280 4.951 4.612 4.834 5.369 5.467 4.389 4.749 5.074 5.133 5.525 Grupo Gerdau 1.805 1.635 1.845 1.940 2.126 2.563 2.305 2.373 2.568 2.536 2.824 Belgo Mineira 690 711 720 759 1.088 1.215 1.128 1.925 2.060 2.100 2.185 Mendes Junior 953 954 866 969 1.005 1.035 420 - - - - Outros 1.832 1.651 1.181 1.166 1.150 654 536 451 446 497 516 Longos Especiais 879 765 638 655 806 882 774 605 741 621 594 Villares/Metals 489 431 293 301 368 414 408 375 486 414 374 Grupo Gerdau ** 142 124 116 93 130 141 137 140 174 172 190 Acesita 112 118 121 107 132 122 102 27 8 2 - Mannesmann 136 92 108 154 176 205 127 63 73 33 30 Tubos s/costura 314 239 283 252 302 269 271 307 343 293 285 Mannesmann 300 228 270 237 284 257 262 297 335 281 273 Excell 14 11 13 15 18 12 9 10 8 12 12 Total Longos 6.473 5.955 5.531 5.741 6.477 6.618 5.434 5.661 6.158 6.047 6.404 Fonte: IBS/BNDES; A produção da Mendes Junior está incorporada à da Belgo a partir de 1996. *estimativa BNDES. ** O Grupo Gerdau só entrou em aços especiais longos com a aquisição da Piratini em 1992. Em 89, 90 e 91, a produção refere-se à Piratini. Em contrapartida, a produção das demais empresas do setor (Barra Mansa, CBAço, Itaunense e Aliperti), no geral, não vem apresentando crescimento relevante nos últimos anos. 4- Produção Nacional de Laminados Longos A produção brasileira de laminados longos no período jan/jun 99 atingiu 3,35 milhões de t, com crescimento de 9,7% sobre igual período em 1998. Os maiores incrementos foram em fio-máquina,19,2%, perfis,20,2%, barras ao carbono,11,7% e vergalhões,7,7%. A queda mais significativa ocorreu na produção de tubos sem costura, da ordem de 21,2%.

Neste mesmo período, a produção de laminados longos pelas empresas produtoras foi a seguinte: - 3 - Mil t Prod. Laminados jun 98 Jun 99 cresc.% jan/jun 98 jan/jun 99 cresc. % Laminados Longos 486,1 560,1 15,2 2.869 3.203,1 11,6 Grupo Gerdau 232,8 270,9 16,4 1.349,7 1.506,7 11,6 Belgo-Mineira 171,5 200,0 16,6 1.051,5 1.176,7 11,9 Acesita 0,2 0,3 50,0 1,2 1,0 (16,7) Açominas* - 19,7 - - 110,8 - Aços Villares 38,2 35,7 (6,5) 223,7 196,1 (12,3) Barra Mansa 30,6 29,6 (3,3) 168,7 165,3 (2,0) CBAço 3,5 3,2 (8,6) 19,1 18,3 (4,2) Itaunense 6,6 0,7 (89,4) 34,4 27,6 (19,8) Mannesmann 2,7 - (100,0) 20,7 0,6 (97,1) Tubos sem Costura 30,6 29,7 (2,9) 179,8 141,7 (21,2) Mannesmann 29,6 28,5 (3,7) 173,8 135,1 (22,3) Excell 1,0 1,2 20,0 6,0 6,6 10,0 Total 516,7 589,8 14,1 3.048 3.344 9,7 Fonte: IBS/BNDES; A produção da Mendes Junior está incorporada à da Belgo. * Em decorrência do arrendamento da J.L. Aliperti S/A. pela Aço Minas Gerais S/A.- AÇOMINAS, a partir de outubro/98 as estatísticas da AÇOMINAS incorporaram as de J.L.Aliperti S.A. Produtores de Laminados Longos - jan/jun99 Belgo-Mineira G rupo Gerdau 36,8% 47,1% Itaunense 0,9% CBAço 0,6% Barra Mansa 5,2% Aços Villares 6,1% Açom inas 3,5% Observa-se, no comportamento da produção de laminados no Brasil ao longo de uma série de 10 anos, uma grande regularidade, na faixa entre 16 e 17 milhões de t/ano. Para o total dos laminados longos, este patamar tem variado entre 5,5 e 6,5 milhões de t/ano. Os laminados longos, que em 1989 representavam 40% do total de laminados (planos e longos), atingiram, em 1998, conforme já referido, 37,2%, abaixo da média mundial de cerca de 44%. No Brasil, em 1999 o aumento da participação dos longos voltará ao nível de 40%, igualando-se ao verificado no início da década.

Milhões t Prod. Laminados 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99* Planos 9,8 8,8 9,4 10,1 10,0 10,7 10,6 11,0 11,3 10,4 9,6 Longos Comuns 5,3 5,0 4,6 4,9 5,4 5,4 4,3 4,8 5,2 5,2 5,5 Longos Especiais 0,9 0,8 0,6 0,7 0,8 0,9 0,8 0,6 0,7 0,6 0,6 Tubos s/costura 0,3 0,2 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 Total Longos 6,5 5,8 5,5 5,9 6,5 6,6 5,4 5,7 6,2 6,1 6,4 Total Laminados 16,3 14,6 14,9 16,0 16,5 17,3 16,0 16,7 17,5 16,5 16,0 Fonte: IBS; * estimativa BNDES. Em termos de laminados longos, a produção brasileira está concentrada em fio-máquina (40%) e vergalhões (45%), enquanto barras, perfis, trilhos/acessórios e tubos sem costura, no conjunto, ficam com os restantes 15%. Em relação ao segmento de longos comuns observa-se inconstância na produção, variando entre 5,1 e 5,4 milhões de t/ano, esta última ocorrida em 1994. De 1994 até 1998, quase todos os produtos apresentaram queda na produção ou, no máximo, pequeno aumento nos seus volumes, representando, no geral, decréscimo de 6,1% na produção de 1998 em relação à de 1994. Porém, ressalte-se que houve crescimento de 1,2% da produção de longos comuns em 1998, em relação à de 1997, com base no crescimento de perfis e barras, pois fio-máquina e vergalhões apresentaram pequenas reduções. Para 1999, as perspectivas são mais animadoras, estimando-se crescimento na produção de 7,5% em relação a 1998, com crescimento físico em todos os produtos. No segmento de longos especiais e tubos sem costura a situação não foi muito diferente. No geral observou-se uma queda na produção de 1998 em relação à de 1994, da ordem de 6,7%. Entre 1997 e 1998 houve continuidade de queda da ordem de 16,2%. Para 1999, esta tendência deverá se repetir, estimando-se queda de 3,7% em relação a 1998. Na projeção de laminados longos para 1999, utilizou-se os seguintes crescimentos por produto: perfis :19%; fio-máquina comum:10%; barras ao carbono:6%; vergalhões:5% e fio-máquina especial:3%. Apresentando quedas: barras de aço ligado (10%) e tubos sem costura (14%). Pode-se estimar que a produção total de longos atingirá 6,4 milhões de t em 1999, gerando um crescimento de 5,9% sobre a produção de 1998. Mil t Prod.Laminados 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999* Longos Comuns 5.280 4.951 4.612 4.834 5.369 5.467 4.389 4.749 5.074 5.133 5.525 Barras ao carbono 646 568 502 458 602 668 609 552 634 651 684 Fio Máquina 1.750 1.755 1.797 2.000 2.064 2.123 1.735 1.932 1.775 1.741 1.898 Vergalhões 2.421 2.343 1.986 2.076 2.311 2.240 1.697 1.976 2.317 2.284 2.399 Perfis 439 263 297 290 352 387 334 283 348 457 544 Trilhos/Acessórios 24 22 30 10 40 49 14 6 0 0 0 Longos Especiais 879 765 638 655 806 882 774 605 741 621 594 Fio Máquina 445 376 294 325 415 421 364 269 322 270 278 Barras Aço Ligado 434 389 344 330 391 461 410 336 419 351 316 Tubos s/costura 314 239 283 252 302 269 271 307 343 293 285 Aço Carbono 241 197 233 207 257 224 231 267 301 253 255 Aço Ligado 73 42 50 45 45 45 40 40 42 40 30 Total Longos 6.473 5.955 5.531 5.741 6.477 6.618 5.434 5.661 6.158 6.047 6.404 Fonte: IBS; BNDES. * estimativa BNDES. - 4 -

Evolução da Produção de Longos Comuns - 5 - mil t 2400 2200 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 Barras ao carbono V ergalhões Fio -M áquina Perfis Evolução da Produção de Longos Especia mil t 500 450 400 350 300 250 200 5-Consumo Aparente de Laminados Longos 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 Fio - Máquina Barras Aço Ligado Tubos s/costura O comportamento do consumo aparente destes produtos pode ser analisado considerando-se dois períodos distintos, quais sejam, de 1990/94 e de 1995/98. Desta forma, obtêm-se as taxas médias de 7,0% e 8,5% de crescimento do consumo dos produtos longos comuns. Ressalte-se a desaceleração do consumo entre 1997/98, com a taxa de crescimento atingindo apenas 1,7% no último ano. Para os produtos longos especiais a taxa média encontrada, entre 1990/94, foi de 12,6%. Entre 1995/96, o consumo manteve-se praticamente sem alteração, ficando ao redor de 1.000 mil t/ano. Em 1997, o consumo subiu para 1.200 mil t, mas reduziu-se em 1998 para 1.056 mil t, com queda da ordem de 12%. O consumo aparente total estimado entre jan/jun 99 atingiu cerca de 2,97 milhões de t, contra 2,94 milhões do mesmo período do ano passado, podendo-se estimar que atinja ao redor de 6,28 milhões de t em 1999, com crescimento de 1% sobre 1998. Para os longos comuns, o crescimento previsto atinge cerca de 2%, com volume de 5,26 milhões de t. O consumo dos longos especiais deverá continuar em queda, atingindo 745 mil t. O aumento previsto na produção de longos, em 1999, deverá ser direcionado mais ao atendimento de exportações e menos ao abastecimento do mercado interno. Pode-se ter uma visão do comportamento do consumo de produtos longos nos seus diversos segmentos. Mil t Consumo de Longos 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999* Longos Comuns 3.095 3.328 3.181 3.687 3.864 3.682 4.364 5.076 5.160 5.260 Vergalhões 1.325 1.357 1.291 1.410 1.478 1.469 1.901 2.176 2.202 2.254 Trefilados 863 1.021 881 1.006 1.085 1.052 1.188 955 910 890 Fio Máquina 246 263 298 309 306 298 335 690 807 900 Semi-Acabados 121 97 201 324 343 222 293 496 320 300

- 6 - Barras ao carbono 265 267 233 307 315 338 332 361 422 456 Perfis Leves 147 183 147 145 156 168 187 257 258 260 Perfis Médios/Pesados 84 80 86 135 116 98 91 88 123 150 Trilhos/Acessórios 44 60 44 51 65 37 37 53 118 50 Longos Especiais 627 534 566 678 867 800 778 965 799 745 Barras Constr.Mecânica 354 309 339 408 520 524 435 554 482 450 Barras Ferramentas 13 10 9 12 14 18 16 17 15 15 Barras Inóx./Válvulas 9 8 10 11 16 16 15 14 14 14 Fio Máquina 65 48 54 79 101 83 106 122 72 66 Tarugos Constr.Mecân. 179 151 148 162 206 139 186 215 193 180 Trefilados 7 8 6 6 10 20 20 43 23 20 Tubos s/costura 157 127 136 151 184 189 176 235 257 270 Total Longos 3.879 3.989 3.883 4.516 4.915 4.671 5.318 6.276 6.216 6.275 Fonte: IBS; BNDES. * estimativa BNDES. Consumo de Longos Comuns milt 2350 2150 1950 1750 1550 1350 1150 950 750 89 90 91 92 93 94 95 97 98 99 Vergalhões Trefilados 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 89 90 91 92 93 94 95 97 98 99 Fio Máquina Sem i-acabados Barras ao carbono Perfis Leves Perfis Médios/Pesados Trilhos/A cessórios Verifica-se que os vergalhões têm uma grande representatividade no consumo de longos comuns, variando entre 38 e 42% na série analisada, porém mantendo certa estabilidade no consumo ao redor de 2,1/2,2 milhões de t, nos últimos três anos. Fio-máquina vem aumentando consideravelmente a sua participação desde 1997, o mesmo ocorrendo com as barras. Os perfis médios e pesados iniciaram um movimento de maior demanda, face ao desenvolvimento da indústria de telecomunicações, especialmente na construção de torres de telefonia móvel. Nos longos especiais, mais direcionados para a indústria automobilística, observa-se desaceleração do consumo desde 1997. Tubos sem costura apresentam crescimento no consumo, pois atendem à expansão nos segmentos de petróleo e gás. Consumo de Longos Especiais 600 500 mil t 400 300 200

- 7-6- Tendências A indústria brasileira de laminados longos apresenta alto grau de concentração, com liderança do Grupo Gerdau e da Belgo Mineira nos longos comuns, com participações de 49,5% e 40,9%, respectivamente. Nos longos especiais, destacam-se os Grupos Villares e Gerdau com 66,7% e 27,7%, respectivamente. Esta concentração é resultado do processo de reestruturação que vem ocorrendo na indústria mundial de aço, desde o final da década de 80 e que também atinge o segmento de longos no Brasil. O Grupo Gerdau destaca-se por aquisições e participações em empresas no país, podendo-se ressaltar os movimentos envolvendo Usiba (1989), Piratini (1992) e Açominas (1997). O Grupo também vem aumentando a sua internacionalização com aquisição de unidades na América Latina (Chile, Argentina e Uruguai) e na América do Norte (Canadá e Estados Unidos). A última aquisição, em agosto passado, refere-se ao controle acionário da AmeriSteel, produtora de vergalhões com quatro unidades nos Estados Unidos. Com isso a capacidade do grupo ascende a 2,4 milhões de t de laminados no exterior e 3,4 milhões de t no país, sem considerar sua participação de 21,6% no capital da Açominas, a qual tem capacidade de 2,5 milhões de t. Esta estratégia de internacionalização justifica-se pois, no segmento de longos, a questão logística é de grande importância, considerando não só o abastecimeno da matéria prima sucata, como o atendimento de mercados locais. Do mesmo modo, ressalta-se no segmento de longos, a relevância da sinergia com o cliente visando o atendimento de suas especificidades. Este fato reforça a tendência do grupo de verticalização com atuação na distribuição dos produtos através de centros de serviço. A Belgo Mineira, controlada pela multinacional luxemburguesa Arbed, que também opera mineradoras de ferro no país, vem se reestruturando ao longo dos últimos anos, com a incorporação de unidades no Brasil, incluindo o processo de arrendamento da Mendes Júnior. A Belgo, tendo como foco o cliente, redistribuiu sua produção criando subsidiárias especializadas nos diversos sub-segmentos. Além disso, vem investindo na formação de distribuidoras para produtos direcionados à construção civil e agropecuária. O processo de reestruturação também atingiu o grupo Villares, que promoveu a sua racionalização, especialização e fechamento de plantas. O grupo francês Usinor, que assumiu em 1998 o controle de Acesita/CST/Villares, não vem demonstrando grande interesse na atuação no segmento de longos especiais no Brasil e no mundo. O processo de reestruturação no segmento de longos, assim como na siderurgia brasileira continua, sempre visando maior competitividade. Os produtos longos destinam-se principalmente ao setor de construção civil (60%), à indústria em geral, incluindo automobilística, telecomunicações, infraestrutura, dentre outros (37%) e à agroindústria (3%). Os produtos longos representaram cerca de 43,8% da produção de laminados planos e longos no mundo em 1998, enquanto no Brasil este índice atingiu 37,2%. Os laminados longos comuns representam 80% do segmento de longos. Fio-máquina e vergalhões são os produtos mais significativos, representando 85% da produção de longos. Após 1994, com a implantação do Plano Real, observa-se uma aceleração do consumo de longos comuns, ressaltando-se o crescimento do consumo de vergalhões, com taxa média de 15% no

- 8 - período 1994/97. A redução do ritmo de crescimento nos últimos 3 anos é função da desaceleração da economia brasileira. No cenário atual prevê-se crescimento do consumo de laminados longos comuns no país a uma taxa média anual de 2 a 3%. A produção deverá crescer nas mesmas proporções em atendimento ao acréscimo do consumo interno e também visando a ampliação do market share das exportações brasileiras (ver Informe Setorial nº 27). No caso dos laminados longos especiais, cujos produtos mais significativos são as barras de construção mecânica para indústria automobilística, também observa-se uma retração nos últimos três anos. Estima-se a manutenção deste nível de consumo nos próximos anos. Verifica-se que o comportamento previsto para o consumo do segmento de longos contrasta com as estimativas de queda da demanda siderúrgica brasileira, influenciada pela retração do consumo de produtos planos. Ficha Técnica: Maria Lúcia Amarante de Andrade Gerente Luiz Maurício da Silva Cunha Economista Guilherme Tavares Gandra Engenheiro Andres Cristian Machuca Westphal Estagiário Apoio Bibliográfico: Marlene C. Matta Editoração: AO2/GESIS Telefone: (021) 277-7184 / Fax:(021) 240-3504