ESTABILIDADE PROVISÓRIA Prof. Me. Adeilson Freitas

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Transcrição:

ESTABILIDADE PROVISÓRIA Prof. Me. Adeilson Freitas www.adeilsonfreitas.adv.br contato@adeilsonfreitas.adv.br

INTRODUÇÃO CONCEITO: Estabilidade no emprego é garantia que o empregado tem de não ser despedido senão nas hipóteses previstas na lei ou no contrato. Esse direito atenua o poder potestativo do empregador na despedida (BOMFIM, 2017, p. 1112)

1. DIRIGENTE SINDICAL Art. 8º, VIII, CF c/c art. 543, 3º da CLT DIRIGENTE SINDICAL: é pessoa eleita por determinada categoria para representá-la, conquistando, em seu nome, vantagens econômicas e jurídicas. GARANTIA DE EMPREGO: vedada a dispensa do empregado à partir do registro de sua candidatura, e se eleito, até 01 ano após o término de seu mandato, inclusive como suplente, salvo se cometer falta grave. O empregador deve ser comunicado, pelo sindicato, dentro de 24 horas (forma e prazo flexibilizado pela S. 369, I, TST), sobre o dia e hora da candidatura de seu empregado, e o dia e hora da eleição ( 5º, art. 543, CLT).

1. DIRIGENTE SINDICAL Art. 8º, VIII, CF c/c art. 543, 3º da CLT EXTINÇÃO DA EMPRESA (na qual trabalha do dirigente sindical): há encerramento da atividade sindical e da garantia de emprego - Súm. 369, IV, do TST. DISPENSA POR JUSTA CAUSA: depende do ajuizamento de Inquérito para apurar a falta grave - Súm. 379, TST). O membro do Conselho Consultivo ou Fiscal e o delegado sindical também não gozam da garantia de emprego - OJ 365 e 369, SDI-1 do TST. A estabilidade fica limitada a no máximo 07 dirigente e 07 suplentes (S. 369, II, TST).

2. MEMBRO DA CIPA art. 10º, II, a do ADCT e art. 165 da CLT A CIPA é a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, destina, obrigatoriamente, às empresas que exploram atividades insalubres ou perigosas e para a maioria das empresas que tenham mais de 19 empregados (art. 163, CLT c/c NR 5). GARANTIA DE EMPREGO: veda a dispensa sem justa causa desde o registro da candidatura, e se eleito, até um ano após o final do mandato. E o suplente cipeiro?

2. MEMBRO DA CIPA art. 10º, II, a do ADCT e art. 165 da CLT O suplente cipeiro possui garantia de emprego, por força da Súmula 339, I, do TST e a Súmula 676 do STF. A estabilidade do cipeiro não é vantagem pessoal: com a extinção da empresa, não persiste dispensa arbitrária, nem há onde reintegrar o empregado, sendo indevida a indenização correspondente ao período estabilitário (S. 339,II, do TST). O mandato tem duração de 1 ano, e só permite uma reeleição (art. 164, 3º, CLT).

3. MEMBRO DA CCP Art. 625-A, CLT CCP é a Comissão de Conciliação Prévia, que podem ser instituídas por empresas ou sindicatos, com a finalidade de conciliar conflitos individuais [...] GARANTIA DE EMPREGO: é vedada a dispensa dos representantes dos empregados membros da CCP, titulares e suplentes, até um ano após o final do mandato, salvo se cometerem falta grave (art. 625-B, 1º da CLT). A lei é omissa sobre a data de início da estabilidade dos membros da CCP. MARTINS entende que a garantia de emprego só se inicia após eleitos os seus membros.

4. ACIDENTE DE TRABALHO Art. 118, Lei 8.213/91 Os primeiros 15 dias de afastamento médico são pagos pelo empregador (interrupção). A partir do 16º dia de afastamento (suspensão), o empregado ingressa no INSS, passando a receber da própria previdência social (art. 59, Lei 8213/91). São requisitos para a aquisição dessa estabilidade: 1) Afastamento superior a 15 dias e; 2) Percepção de auxilio doença acidentário.

4. ACIDENTE DE TRABALHO Art. 118, Lei 8.213/91 EXCEÇÃO: Súmula 378, TST: II - São pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego.

4. ACIDENTE DE TRABALHO Art. 118, Lei 8.213/91 GARANTIA DE EMPREGO: doze meses, contados a partir da CESSAÇÃO do auxilio doença acidentário (alta previdenciária). EXTINÇÃO DA EMPRESA: o encerramento das atividades do empregador não é óbice ao pagamento da indenização substitutiva, pois o risco do negócio pertence ao empregador (art. 2º, CLT).

4. ACIDENTE DE TRABALHO Art. 118, Lei 8.213/91 Durante o afastamento previdenciário do acidentado (mesmo se tratando de suspensão contratual) o empregador está obrigado aos depósitos do FGTS (art. 15, L. 8.036/90). O empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no n no art. 118 da Lei nº 8.213/91 (Súmula 378, III, do TST).

5. GESTANTE Art. 10, II, b do ADCT GARANTIA DE EMPREGO: é vedada a dispensa sem justa causa de empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até 05 meses após o parto. REINTEGRAÇÃO: a reintegração só pode ocorrer se estiver no período da estabilidade. Se já transcorreu este período, a garantia restringe-se ao pedido de indenização - Súm. 244, II, do TST. Confirmação da gravidez? Desconhecimento pelo empregador? Indenização?

5. GESTANTE Art. 10, II, b do ADCT O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (S. 244, I, TST). QUESTÕES: Há garantia de emprego da gestante durante o contrato de experiência? E durante o aviso prévio?

5. GESTANTE Art. 10, II, b do ADCT A empregada tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea b do ADCT, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado (S. 244, III, TST). A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do ADCT. Tal regra aplica-se ao empregado adotante ao qual tenha sido concedida guarda provisória para fins de adoção (art. 391-A, CLT).

6. OUTRAS HIPÓTESES DE GARANTIA DE EMPREGO MEMBRO DO CONSELHO CURADOR DO FGTS (Lei nº. 8.036/90, art. 3º, 9º): efetivos e suplentes, têm direito à garantia de emprego, desde a nomeação até um ano após o término do mandato de representação, podendo ser dispensado por motivo de falta grave, devidamente apurado por meio de processo sindical. MEMBRO DO CONSELHO NACIONAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (Lei 8.213/91, art. 3º, 7º): titulares suplentes, terão direito a garantia de emprego, desde a nomeação até um ano após o término do mandato de representação, podendo ser dispensado por motivo de falta grave, regularmente comprovada por intermédio de processo judicial.

Pedido de Demissão de Empregado Estável: só será valido quando for realizado com a assistência (homologação) do sindicato profissional e, se não houver perante o M.T.E (art. 500, CLT); Reintegração ou Indenização substitutiva: em certas situações é possível converter o pedido de reintegração ao emprego em indenização substitutiva - Súmula 28 do TST.

Saulo, empregado sindicalizado, foi dispensado, sem justa causa, da empresa onde trabalhava, nove meses após o término do exercício do mandato de cargo de direção no sindicato de sua categoria. Na mesma empresa trabalhou Jacira, também sindicalizada, que foi dispensada, sem justa causa, dois dias após o registro de sua candidatura a cargo de direção no sindicato da sua categoria. De acordo com a Constituição Federal, a dispensa de Saulo A) e a de Jacira teriam sido realizadas corretamente, desde que não se tratasse de sindicato rural, único caso em que não poderiam ser realizadas. B) foi incorretamente realizada, porque vedada, e a de Jacira teria sido realizada corretamente, desde que não se tratasse de sindicato rural. C) foi realizada corretamente, porque permitida, e a de Jacira incorretamente, porque vedada. D) e a de Jacira foram realizadas corretamente, porque permitidas. E) e a de Jacira foram incorretamente realizadas, porque vedadas

FCC TRT 6ª R. Para proteção ao trabalho da mulher, a lei prevê que a empregada grávida tem estabilidade no emprego a) da concepção até cento e vinte dias após o parto. b) da confirmação da gravidez até cento e oitenta dias após o parto. c) da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. d) da comunicação da gravidez ao empregador até sete meses após o parto. e) de treze meses, considerada a licença de cento e vinte dias somada com nove meses de gestação.

FGV-2018- Numa indústria farmacêutica, há a seguinte situação: Maria é empregada no setor de vendas e engravidou; Pedro, que atua no setor de faturamento, foi eleito suplente de dirigente sindical; Rosa, que atua no setor fabril, foi indicada como representante do empregador na CIPA. Considerando os ditames legais, é correto afirmar que: a) todos os empregados terão estabilidade, por motivos variados; b) somente Maria e Pedro terão garantia no emprego; c) Pedro não terá garantia no emprego por ser suplente, já que a Lei garante estabilidade somente ao titular; d) nenhum dos empregados citados terá garantia no emprego; e) todos os membros que integram a CIPA possuem estabilidade durante todo o mandato e até 1 ano após.