Classes Gramaticais: Conjunção e Coesão



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Transcrição:

Classes Gramaticais: Conjunção e Coesão Texto 1: Mulher Barriguda Mulher barriguda que vai ter menino, Qual o destino que ele vai ter? Que será ele quando crescer? Haverá guerra ainda? Tomara que não Mulher barriguda? Tomara que não Lista de Exercícios (João Ricardo e Solano Trindade. In: Ney Matogrosso vivo) 1. O advérbio utilizado no quarto verso demarca conteúdo implícito. O valor temporal por ele assumido expressa: a) continuação de guerra existente ou surgimento de outras b) manutenção de estado de uma guerra iniciada anteriormente c) surgimento de conflitos sob moldes de outros ocorridos no passado d) conservação de um estado bélico de início recente 2. O sujeito lírico deixa transparecer seus pareceres acerca de épocas distintas. Seus sentimentos sobre presente e futuro são, respectivamente: a) desilusão e ódio b) ódio e amor c) frustração e esperança d) ódio e transformação 3. O adjetivo empregado na caracterização da mulher explicita uma relação metonímica. Essa relação de contiguidade sustenta-se pelo emprego: a) da parte pelo todo b) da conseqüência pela causa c) de um termo abstrato pelo concreto d) de um conteúdo por seu continente Texto 2: Marabá Eu vivo sozinha; ninguém me procura! Acaso feitura Não sou de Tupá? Se algum dentre os homens de mim não se esconde Tu és, me responde,

Tu és Marabá! Meus olhos são garços, são cor das safiras, Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; Imitam as nuvens de um céu anilado, As cores imitam das vagas do mar! Se algum dos guerreiros não foge a meus passos: Teus olhos são garços, Responde anojado, mas és Marabá: Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, Uns olhos fulgentes, Bem pretos, retintos, não cor d anajá! É alvo meu rosto da alvura dos lírios, Da cor das areias batidas do mar; As aves mais brancas, as conchas mais puras Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. Se ainda me escuta meus agros delírios: És alva de lírios, Sorrindo responde, mas és Marabá: Quero antes um rosto de jambo corado, Um rosto crestado Do sol do deserto, não flor de cajá. Meu colo de leve se encurva engraçado, Como hástea pendente do cáctus em flor; Mimosa, indolente, resvalo no prado, Como um soluçado suspiro de amor! Eu amo a estatura flexível, ligeira, Qual duma palmeira, Então me respondem; tu és Marabá: Quero antes o colo da ema orgulhosa, Que pisa vaidosa, Que as flóreas campinas governa, onde está. Meus loiros cabelos em ondas se anelam, O oiro mais puro não tem seu fulgor; As brisas nos bosques de os ver se enamoram, De os ver tão formosos como um beija-flor! Mas eles respondem : Teus longos cabelos, São loiros, são belos, Mas são anelados; tu és Marabá; Quero antes cabelos bem lisos, corridos, Cabelos compridos,

Não cor d oiro fino, nem cor d anajá. E as doces palavras que eu tinha cá dentro A quem nas direi? O ramo d acácia na fronte de um homem Jamais cingirei: Jamais um guerreiro da minha arazóia Me desprenderá: Eu vivo sozinha, chorando mesquinha, Que sou Marabá! 1. marabá : mestiço de francês com índia. 2. Tupá ou Tupã ( v. 3 ) 3. engraçado : gracioso ( v. 27 ) 4. arazóia ou araçóia : saiote de penas usado pelas mulheres indígenas. Gonçalves Dias 4. Após leitura, análise e interpretação do poema Marabá, algumas afirmações como as seguintes podem ser feitas, com exceção de uma. Indique-a. a) O poema se inicia com uma pergunta de ordem religiosa e termina com uma consideração de aspecto sensual. Além disso, a ocorrência de figuras de linguagem e o emprego da primeira pessoa marcam com ênfase, respectivamente, as funções da linguagem poética e emotiva b) O poema é um profundo lamento construído com base na estrutura dialética, apresentando-se argumentação e contra-argumentação. c) Ocorre interlocução registrada em discurso direto, estrutura que enfatiza assim o desprezo preconceituoso dado à Marabá. d) Marabá é poema tecido com recurso a aspectos constitutivos da lírica clássica, como atesta o discurso lógico proferido pelo interlocutor do eu-poemático. 5. A unidade dramática vivenciada pelo eu-lírico no poema Marabá concentra-se em dois núcleos semânticos que podem ser expressos pelas seguintes idéias: a) tristeza e compreensão. b) aflição e frustração. c) beleza e feiura. d) indignação e passividade. 6. O poema tende ao uso de metáforas, o que denota um comportamento linguístico voltado para a imagística em geral, tanto nas descrições apresentadas, quanto nas alegorias. O fragmento de texto que exemplifica, total ou parcialmente, o uso predominante da metáfora é: a) Jamais um guerreiro da minha arazóia/ Me desprenderá... b) Meu colo de leve se encurva engraçado,/ Como hástea pendente do cáctus em flor; c) As brisas nos bosques de os ver se enamoram d) Meus olhos são garços, são cor das safiras, / têm luz das estrelas, têm meigo brilhar.

Texto 3: Autorretrato No retrato que me faço traço a traço às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore... às vezes me pinto coisas de que nem há mais lembrança... ou coisas que não existem mas que um dia existirão... e, desta lida, em que busco pouco a pouco minha eterna semelhança, no final, que restará? Um desenho de criança... Corrigido por um louco! Mário Quintana 7. Na segunda estrofe, a progressão textual indica ocorrência de: a) causa e consequência. b) ordenação espacial. c) sequência temporal. d) fato e hipótese. 8. No caderno Prosa e Verso do jornal O Globo, de 29 de julho de 2006, em reportagem comemorativa ao centenário de Mário Quintana, lê-se que o poeta Dizia que não tivera infância, mas o espírito de guri traquinas e silencioso perdurou ao longo dos seus 87 anos. No poema Autorretrato, essa temática ocorre, consolidada principalmente no verso Um desenho de criança (v. 13). O último verso do poema Corrigido por um louco! (v. 14) em relação a todo o poema indica: a) repressão. b) descuido. c) empenho. d) método. 9. A leitura de vários poemas de Mário Quintana permite observar um olhar lírico que aproxima elementos da natureza a etapas da vida, como ocorre na primeira estrofe do texto 3. O conjunto de versos que ratifica essa leitura é: a) Os arroios são rios guris... Vão pulando e cantando dentre as pedras... (os arroios)

b) Não sei que paisagem doidivanas Mistura os tons... aceita...desacerta... (A Rua dos Cataventos) c) Vou andando feliz pelas ruas sem nome... Que vento bom sopra do Mar Oceano! (Obsessão do Mar Oceano) d) O grilo procura No escuro O mais puro diamante pedido (Poema) Texto 4: Kosovo era uma província da Sérvia de maioria albanesa. Em nome dessa composição étnica lutou por sua independência e na semana passada a proclamou, com o apoio dos EUA, da Inglaterra e de outros países. No norte de Kosovo, concentra-se uma minoria sérvia. Eles perfazem 5% dos 2 milhões de habitantes do novo país, e não estão satisfeitos com a nova situação. Se o critério étnico de construção de estados soberanos é para valer, nada mais justo do que lhes conceder, a eles também, a independência. Sendo, no entanto, as fronteiras étnicas nem sempre tão bem traçadas, ainda mais num espaço apertado como o dos Bálcãs, é de supor que, nesse mesmo norte de Kosovo de maioria sérvia, haja uma aldeia onde a maioria seja, digamos, de croatas. Nada mais justo que, por sua vez, essa aldeia conquiste sua independência. Ocorre que, teimosamente imperfeitas como continuam sendo as fronteiras étnicas, se descobre que, dentro da aldeia de maioria croata, há um quarteirão em que a maioria é macedônia. Por que não? Independência para eles também. E também, na etapa seguinte, para a família que, embora habitando o quarteirão de maioria macedônia, é de etnia húngara. Sobra que, dentro dessa família, há um cunhado que é esloveno. Nenhuma família é perfeita, como se sabe. A lógica seguida até agora impõe que, claro, se dê soberania também ao cunhado. E assim chegamos à balcanização em sua mais pura e acabada forma: o estado de uma pessoa só. (Roberto Pompeu de Toledo. In Veja, 27/02/2008.) 10. Na fundamentação de sua tese, o autor se valeu de um fato a partir do qual ele criou suposições. Esse processo visa, principalmente, revelar que ele: a) ratifica a necessidade de critérios étnicos b) discorda totalmente da adoção de critérios étnicos c) desconstrói a tendência separatista por razões étnicas d) defende as razões étnicas com bom humor

Gabarito 1. A 2. C 3. B 4. D 5. B 6. D 7. C 8. A 9. A 10. C