Prof. Pedro Brancalion

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NOVO CÓDIGO FLORESTAL E CADASTRO AMBIENTAL RURAL

Transcrição:

Prof. Pedro Brancalion

Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa

Percentual da área a ser ocupada pela RL 80% ou 35% Amazônia Legal: 80% em área de floresta e 35% em área de cerrado; demais regiões do país, incluindo campos gerais: 20%. 20% A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável;

Mudanças históricas da Reserva Legal Original: CF de 1965 Art. 15. Fica proibida a exploração sob forma empírica das florestas primitivas da bacia amazônica que só poderão ser utilizadas em observância a planos técnicos de condução e manejo a serem estabelecidos por ato do Poder Público Art. 16. São passíveis de exploração as florestas particulares que: regiões Leste Meridional, Sul e Centro-Oeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas só serão permitidas respeitado-se o mínimo de 20% da área; Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade.

A função da Reserva Legal NO PASSADO reserva de madeira para uso da propriedade, com liberdade irrestrita para sua exploração HOJE: AMAZÔNIA exploração de produtos florestais madeireiros e não madeireiros, condicionada à adoção do manejo sustentável, geração de serviços ambientais e conservação da biodiversidade HOJE: DEMAIS BIOMAS PFNM, geração de serviços ambientais e conservação da biodiversidade HOJE: MATA ATLANTICA geração de serviços ambientais e conservação da biodiversidade (eventualmente PFNM)

Mudanças históricas da Reserva Legal Lei nº 7.803 de 18.7.1989 Estabelece a Reserva Legal. Para a Amazônia, era de 50%. Impediu o parcelamento ad infinitum da reserva legal e obrigou sua averbação 100 20 4 0,8 Medida Provisória nº 2.166-66, de 2001 Reserva Legal na Amazônia: passou de 50% para 80% na floresta e de 20 para 35% no cerrado.

Cômputo da APP na RL: antes - Amazônia Legal: quando a soma da APP com a RL excedem 80% - Demais regiões do país: soma da APP com RL excedem 50% hoje - Permitido em todas as propriedades rurais.

Perdas potenciais de áreas de floresta pela inclusão da APP na RL 1.961 propriedades rurais de usinas sucroalcooleira do Estado de São Paulo, os quais totalizaram 533.097 ha (9,7% da área cultivada com cana-de-açúcar em SP); 10,4% da área total das propriedades rurais constituiriam APPs e que apenas 21,2% da área de APP (2,2% da área total) era utilizada por algum tipo de atividade agrícola, sendo que cana-de-açúcar ocupava apenas 12,1% da área enquadrada como APP pelo atual Código (1,2% da área total); 76,5% da área total dos projetos estavam ocupadas por cana-de-açúcar e a soma das áreas potencias para a averbação da Reserva Legal, resultaria em 13,6% da área total, gerando um déficit médio de 6,4% de áreas para o total cumprimento da Reserva Legal (20%).

A compensação vale desde que não haja conversão de novas áreas Compensação de Reserva Legal antes -a compensação das áreas de Reserva Legal será no mesmo ecossistema e mesma microbacia ou o mais perto possível de onde ocorreu o desmatamento. hoje 6º As áreas a serem utilizadas para compensação na forma do 5º deverão: I ser equivalentes em extensão à área da Reserva Legal a ser compensada; II estar localizadas no mesmo bioma da área de Reserva Legal a ser compensada; III se fora do Estado, estar localizadas em áreas identificadas como prioritárias pela União ou pelos Estados. 7º A definição de áreas prioritárias de que trata o 6º buscará favorecer, entre outros, a recuperação de bacias hidrográficas excessivamente desmatadas, a criação de corredores ecológicos, a conservação de grandes áreas protegidas e a conservação ou recuperação de ecossistemas ou espécies ameaçados.

antes - todas as propriedades devem restaurar ou compensar a RL caso haja déficit de vegetação nativa Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas; hoje - pequenas propriedades rurais definidas como as de até quatro módulos fiscais (de 20 a 440 hectares) ficam isentas de restaurar suas Reservas Legais (90% das propriedades rurais no Brasil) - para quem tiver menos que o previsto em lei, a RL será constituída com a área ocupada com a vegetação nativa existente em 22 de julho de 2008, vedadas novas conversões para uso alternativo do solo.

Uso de espécies exóticas na Reserva Legal antes -o plantio de espécies exóticas na Reserva Legal é permitido temporariamente. (mas nunca teve regulamentação). hoje - a lei proposta permite a restauração das áreas de Reservas Legais com uso de espécies exóticas em até 50% da sua área.

LEI DA MATA ATLÂNTICA LEI Nº 11.428, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2006. Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, e dá outras providências. Estabelece restrições adicionais às do Código Florestal para autorizar o desmatamento de áreas incluídas no bioma Mata Atlântica

Art. 1o A conservação, a proteção, a regeneração e a utilização do Bioma Mata Atlântica, patrimônio nacional, observarão o que estabelece esta Lei, bem como a legislação ambiental vigente, em especial a Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965. (é o Código Florestal, a Lei mudou agora!)

Imposição de restrições ao desmatamento em função do estágio de sucessão: Art. 8 o O corte, a supressão e a exploração da vegetação do Bioma Mata Atlântica far-se-ão de maneira diferenciada, conforme se trate de vegetação primária ou secundária, nesta última levando-se em conta o estágio de regeneração. Art. 11. O corte e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração do Bioma Mata Atlântica ficam vedados quando: I - a vegetação: a) abrigar espécies da flora e da fauna silvestres ameaçadas de extinção, em território nacional ou em âmbito estadual, assim declaradas pela União ou pelos Estados, e a intervenção ou o parcelamento puserem em risco a sobrevivência dessas espécies; b) exercer a função de proteção de mananciais ou de prevenção e controle de erosão; c) formar corredores entre remanescentes de vegetação primária ou secundária em estágio avançado de regeneração; d) proteger o entorno das unidades de conservação; ou e) possuir excepcional valor paisagístico, reconhecido pelos órgãos executivos competentes do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA;

Restrições ao corte da vegetação nativa no bioma, mesmo que pelo Código Florestal fosse possível: Art. 14. A supressão de vegetação primária e secundária no estágio avançado de regeneração somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública, sendo que a vegetação secundária em estágio médio de regeneração poderá ser suprimida nos casos de utilidade pública e interesse social, em todos os casos devidamente caracterizados e motivados em procedimento administrativo próprio, quando inexistir alternativa técnica e locacional ao empreendimento proposto Art. 17. O corte ou a supressão de vegetação primária ou secundária nos estágios médio ou avançado de regeneração do Bioma Mata Atlântica, autorizados por esta Lei, ficam condicionados à compensação ambiental, na forma da destinação de área equivalente à extensão da área desmatada, com as mesmas características ecológicas, na mesma bacia hidrográfica, sempre que possível na mesma microbacia hidrográfica, e, nos casos previstos nos arts. 30 e 31, ambos desta Lei, em áreas localizadas no mesmo Município ou região metropolitana.

Restrições ao corte da vegetação nativa no bioma, mesmo que pelo Código Florestal fosse possível: Art. 20. O corte e a supressão da vegetação primária do Bioma Mata Atlântica somente serão autorizados em caráter excepcional, quando necessários à realização de obras, projetos ou atividades de utilidade pública, pesquisas científicas e práticas preservacionistas Art. 21. O corte, a supressão e a exploração da vegetação secundária em estágio avançado e médio de regeneração do Bioma Mata Atlântica somente serão autorizados: I - em caráter excepcional, quando necessários à execução de obras, atividades ou projetos de utilidade pública, pesquisa científica e práticas preservacionistas; Art. 25. O corte, a supressão e a exploração da vegetação secundária em estágio inicial de regeneração do Bioma Mata Atlântica serão autorizados pelo órgão estadual competente.