I - RELATÓRIO DO PROCESSADOR *



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Transcrição:

PSICODRAMA DA ÉTICA Local no. 107 - Adm. Regional do Ipiranga Diretora: Débora Oliveira Diogo Público: Servidor Coordenadora: Marisa Greeb São Paulo 21/03/2001 I - RELATÓRIO DO PROCESSADOR * Local...: Adm. Regional do Ipiranga Coordenadora de Núcleo...: Marília J Marino Diretora...: Débora Oliveira Diogo Egos-auxiliares...: Simone Bidu e Sandra Processadora...: Maria Teonice Público...: Servidores Públicos Espaço físico...: auditório fechado, palco, cadeiras e uma lousa. Inscritos...: 35 pessoas Presentes...: 28 pessoas Apresentação: Diretora iniciou fazendo a sua apresentação e da equipe; objetivo do trabalho resgatar a cidadania, refletir sobre a ética, conjunto de valores, pensar na cidade de São Paulo; forma de trabalho Psicodrama, trabalho com palavra e ação; breve histórico do Psicodrama; diretora fez o contrato do início e término e colocou a questão da entrada e saída durante o trabalho, ressaltando a importância da participação; dúvidas do público: nenhuma. Aquecimento inespecífico: Todos se levantaram e formaram uma roda ; breve apresentação: nome, função e uma palavra sobre a expectativa para o trabalho. Palavras de expectativa: quero aprender; esperança; troca; preciso de segurança no meu parque; cidadania; expectativa; cidadania; construir; resultado; curiosidade; retorno; expectativa; curiosidade; sacudir; participação; novidade; estar junto; participação; sucesso. * fotos em anexo.

Diretora solicitou sentar confortavelmente, sem canetas, papéis, bolsas etc; fechar os olhos (quem assim preferisse); voltar à infância, pessoas queridas, situação de cuidado com si mesmo e com o outro; cuidados na escola, com material próprio, do colega, da escola; pessoa ou pessoas presentes numa situação marcante de cuidado na escola, em casa, na vida; na adolescência, os sonhos para a vida adulta, o que foi feito para a realização desses sonhos; que caminhos foram trilhados, que caminhos a vida ofereceu. Escolher uma cena que mais marcou na relação de cuidado consigo, com o outro e com o espaço onde vive. Aos poucos ir abrindo os olhos e se levantando. Caminhar lentamente, despertando e olhando nos olhos uns dos outros. As pessoas conversaram e a diretora pediu, então para se cumprimentarem e depois ir aos poucos, ficando em silêncio. Escolher, pelo olhar, alguém para contar a cena que escolheu. Tentar conquistar o outro, sem a palavra. Algumas pessoas ficaram em dupla, outras em trios. Diretora deu 15 minutos para a troca das histórias. Em seguida, identificar o tema mais presente na troca e apresentar para o grupo por meio de palavras ou gestos. Temas surgidos nos pequenos grupos: A importância do amor na família e na formação do indivíduo; Dentro do coletivo família algo criado para o coletivo maior; Infância e liberdade; Resgate dos valores, educação e segurança; Perda da qualidade de vida pela falta de segurança; Relação de dependências e assumindo responsabilidades; Preocupação com segurança, família e falta de cidadania; Gesto: dois dedos caminhando; A importância da educação na infância para a formação do indivíduo. Foi solicitado uma segunda formação para grupos maiores a partir de temas afins. Formaram-se 3 grupos, um grande, um médio e um pequeno. Aquecimento específico: A proposta seguinte foi de, por meio das histórias trocadas, desenvolver as questões abaixo para uma dramatização no palco. Tempo: 20 minutos. O que de fato é importante para eu viver melhor na cidade de São Paulo? O que eu posso fazer para que isto aconteça? Qual a melhor forma de se fazer isto com a comunidade?

Dramatizações 1 a. cena: Este grupo trouxe os temas segurança, ajuda, apoio. A cena tratava de um assalto na rua onde as pessoas chamavam pela polícia para socorrer a vítima. A polícia não apareceu; algumas pessoas decidiram ajudar e outras se omitiram. Finalizaram com um coro: segurança, educação e saúde. 2 a. cena: No segundo grupo, o maior, se reuniram as pessoas que levantaram os temas família e coletividade. O grupo levou à cena pessoas dentro de um ônibus. Faziam barulho e jogavam papéis no chão. A diretora congelou a cena e pediu um solilóquio de cada um; palavras como: que sujeira, povo porco, quero sentar, que calor. Uma pessoa da platéia disse: Ei, não jogue papel no chão. Neste momento a diretora congela, novamente, solicitando que a pessoa fique no lugar daquela que jogou o papel e fizesse aquilo que achasse melhor. A pessoa guardou o papel no bolso e retornou ou seu lugar. A cena terminou com uma passageira conversando com sua filha sobre não poluir a cidade, fazendo cada um a sua parte e pedindo para a filha não jogar mais papéis pela janela do ônibus. 3 a. cena: Este foi um pequeno grupo, formado por quatro mulheres. Uma pessoa, munícipe, numa repartição pública, reclamando de um buraco na sua rua. O diálogo se prolongou, a diretora congelou a cena e perguntou como o servidor estava se sentindo diante daquele cidadão: impotente. Então o ego-auxiliar entrou no papel do servidor e a diretora pediu para que demonstrasse como a impotência atuava no corpo dela. Ela no papel do servidor colocou as mãos sobre os ombros do egoauxiliar e pressionou para baixo. Houve a troca e o ego ficou no papel da impotência e a cena continuou. As pessoas começaram a participar da platéia, aparentemente angustiadas com a impotência, então a diretora fez algumas inversões aproveitando o aquecimento da platéia. Alguns nos papéis de servidores, outros nos papéis da população. Por vezes com a impotência, outras tentando se livrar dela. Todos caminhando para soluções que poderiam dar por si mesmos. A diretora agradeceu a participação e voltou para cena inicial, solicitando que finalizassem como preferissem. Terminam com uma fala sobre união e falta de recursos. Observações: Todos subiram ao palco. O grupo maior, sobre coletividade e família, montou a cena com maior rapidez. No pequeno grupo, as participantes tiveram

muitas dúvidas e levantaram que as questões a serem discutidas pouco tinham a ver com seus problemas como servidores públicos. Compartilhar Todos se sentaram em roda e a diretora pediu para que falassem sobre como foi participar e sobre os sentimentos que surgiram durante o percurso, a construção das cenas, nas dramatizações, etc. Algumas falas: Senti algo novo, uma exposição. Temos dificuldade em nos expor. Como munícipe se tem um comportamento. Deveríamos nos colocar no lugar do outro. Seria bom ter a compreensão do outro. É horrível a sensação de impotência. Interessante a experiência pois coloca em cheque o papel do funcionário público e faz com que se questione quanto ao ter feito melhor. Será que fazemos o melhor que se pode fazer? Os funcionários não foram estimulados, mas devemos sempre pensar no nosso papel. Sobre o trabalho de hoje: foi interessante para se envolver e trocar informações. As vezes queremos colaborar, mas dependemos de outras pessoas. Fazer o papel o melhor possível, de acordo com o possível. Me sinto cobrada pela população quando me identifico como funcionário público. Com o tempo para se esgotar, a diretora pediu uma palavra de cada um, referente a como estavam saindo do trabalho: Resultado; tranqüila; começo; bem; expectativa; sensação boa; mais informações/ mudar mentalidade; satisfação; começo; boa vontade; não promessas/ sim objetividade; integração é importantíssimo; resgate do servidor público; fome; conscientização; esperança, tranqüila/ pagando para ver; começo; educação continuada; caminho; mudança; início; resgate do funcionário público. II - RELATÓRIO DO DIRETOR No espaço para o trabalho encontramos uma sala grande com um palco. Fomos privilegiados. Foi acordado de início que as portas seriam fechadas. Houve apenas duas pessoas chegando um pouco depois, assistidas pelos egos-auxiliares. Desde o princípio o grupo pareceu receptivo e organizado. Fora o pessoal de Recursos Humanos da Regional, todas as outras pessoas compareceram

voluntariamente. Havia uma pessoa com o objetivo de conhecer o trabalho para poder levar o mesmo para uma prefeitura do interior de São Paulo. Para o meu aquecimento como diretora ficamos todos sentados em roda; fiz as apresentações necessárias da equipe, coloquei os objetivos do trabalho, uma breve apresentação do Psicodrama; sobre o tempo: o início e término do encontro e aquilo que estaríamos trabalhando naquele momento; abrindo, em seguida, para as dúvidas. Não houve dúvidas. Podia perceber concentração e curiosidade, além da vontade de participar. Em seguida, ficamos todos em pé. Solicitei, então que nos apresentássemos ao grupo, como nome, função e uma palavra de expectativa quanto ao Psicodrama da Ética. As palavras de expectativa * foram coerentes com aquilo que eu estava percebendo do grupo. A maioria estava ali para experimentar algo novo e diferente. Tínhamos programado um aquecimento inicial físico, mas havia uma senhora com aparelho nas pernas e decidi por um aquecimento interno, individual. O objetivo foi trazer imagens da própria vida sobre o cuidado consigo, com aquilo que lhe pertence, pertence ao outro e a todos. O que da educação na infância recordavam sobre estas questões. Simone, uma das egos-auxiliares, lembrou a importância de um breve aquecimento físico, então em seguida, num ritmo lento, caminharam, trocando cumprimentos e olhares. Optamos por um contato mais próximo e pessoal para facilitar a troca das histórias individuais. Para o aquecimento inespecífico dedicamos um tempo maior em função de criar condições facilitadoras para o envolvimento com o trabalho e do contato consigo e com o outro, seu colega de profissão. As escolhas sociométricas formaram duplas e trios que trocaram suas histórias e apresentaram para o grupo o tema norteador. Três grupos se formaram numa segunda escolha. Neste momento percebi estarem mais soltos e envolvidos uns com os outros, daí partimos para o aquecimento específico. A tarefa a seguir seria montar uma cena para ser levada ao palco. Colocamos três questões a serem discutidas ( 1- O que de fato é importante para eu viver melhor na cidade de São Paulo? 2 - O que eu posso fazer para que isto aconteça? 3 - Qual a melhor forma de se fazer isto com a comunidade?) em conjunto com as histórias de cada um. * ver Relatório do Processador

O grupo maior teve como tema da cena a coletividade. Trouxeram pessoas dentro de um ônibus, jogando papéis pela janela. O grupo mediano tratou da violência e da falta de segurança, trazendo também o compromisso com o outro, uma questão ética. As pessoas do terceiro grupo, o menor, levaram mais tempo para montar a cena. Compreendiam que as questões da lousa não eram pertinentes aos problemas enfrentados pelos servidores. Desejavam fazer algo relacionado ao papel do servidor. Indaguei se as questões estavam tão distantes assim do servidor público/cidadão e que poderiam montar a cena como desejassem. Todos subiram ao palco. Na equipe tínhamos a expectativa das iniciativas referentes ao papel profissional mas o objetivo foi levantar questões sobre ética e cidadania que poderiam permear inclusive este papel, não necessariamente. Estavam presentes em nós temores quanto a favorecer o muro da lamentações discutido nos encontros de aquecimento para o Psicodrama da Ética. Então decidimos que se este fosse o tema não fugiríamos dele. Porém as duas primeiras cenas não o trouxeram tão explicitamente quanto a última, esta vinda do pequeno grupo que mais tempo levou para decidir o que e como fazer. Foi a cena que mais teve participação da platéia, portanto o tema co-inconsciente apareceu. Surpreendeu pela forma como eles mesmos lidaram com a impotência surgida naquela que fazia o papel do funcionário público. Houve tempo para um breve compartilhar. Ao final relataram a necessidade da continuidade deste trabalho para serem ouvidos e poderem trocar entre si como lidar com o cotidiano do trabalho. Podemos conferir nas palavras finais : Resultado; tranqüila; começo; bem; expectativa; sensação boa; mais informações/ mudar mentalidade; satisfação; começo; boa vontade; não promessas/ sim objetividade; integração é importantíssimo; resgate do servidor público; fome; conscientização; esperança, tranqüila/ pagando para ver; começo; educação continuada; caminho; mudança; início; resgate do funcionário público. Apesar do desconforto da expectativa, como diretora pude relaxar e entrar em sintonia com o grupo com o passar do tempo, chegando ao final com tranqüilidade. Como equipe funcionamos em relativa harmonia mesmo sem nunca

trabalharmos juntas antes. Ao final expressamos para o grupo o nosso desejo de continuidade, assim como o deles. Débora Oliveira Diogo