Unidade III. Unidade III



Documentos relacionados
Unidade III MOVIMENTAÇÃO E. Prof. Jean Cavaleiro

DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM EMBALAGENS E UNITIZAÇÃO

Verticalização dos Estoques

Gerenciamento de Depósitos

Sistemas de Armazenagem de Materiais

LOGÍSTICA EMPRESARIAL

Onde transportadoras e cargas se encontram TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA TRANSPORTAR SUA CARGA

DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM A GESTÃO DA ARMAZENAGEM

Prof. Jean Cavaleiro. Unidade II MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM

Aula 7 Sistemas de Armazenagem e Movimentação de Carga ARMAZENAGEM. Uma abordagem multidisciplinar. Prof. Fernando Dal Zot

AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES DIRETORIA RESOLUÇÃO Nº 3.632, DE 9 DE FEVEREIRO DE 2011

Armazenagem, Controle. Aula 2. Contextualização. Equipamentos de Armazenagem. Principais Atribuições. Embalagens. Instrumentalização

AUTOMAÇÃO LOGÍSTICA AULA 06 FILIPE S. MARTINS

REQUISITOS MÍNIMOS DE EMBALAGEM E PRESERVAÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MATERIAIS ADQUIRIDOS NO MERCADO NACIONAL OU INTERNACIONAL

NOÇÕES BÁSICAS DE ALMOXARIFADO Armazenagem

Orientações de manuseio e estocagem de revestimentos cerâmicos

Automatizando a armazenagem. Armazenagem automatizada

Armazenagem. Por que armazenar?

Movimentação de materiais O setor de movimentação de materiais

MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS

SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE

Acessórios para empilhadeiras

O SEBRAE E O QUE ELE PODE FAZER PELO SEU NEGÓCIO

SISTEMAS DE TRANSPORTADORES CONTINUOS

LUCIANO JOSÉ PELOGIA FREZATTI

Prof. Clesio Landini Jr. Unidade III PLANEJAMENTO E OPERAÇÃO POR CATEGORIA DE PRODUTO

Contextualização 01/03/2013. Movimentação de Materiais. Movimentação de Materiais. Movimentação de Materiais. Movimentação de Materiais

Unidade III GESTÃO DE RECURSOS PATRIMONIAIS E LOGÍSTICOS

Tem por objetivo garantir a existência contínua de um estoque organizado, de modo a não faltar nenhum dos itens necessários à produção.

DESIGN INTELIGENTE PARA ARMAZENAGEM

DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM ARMAZENAGEM

Recebimento, Manuseio e Armazenamento dos Centros de Controle de Motores CENTERLINE 2500

Aspectos de Segurança - Discos de Corte e Desbaste

Sistemas de esteiras transportadoras de paletes


FICHA TÉCNICA - MASSA LEVE -

SISTEMAS GLOBAIS DE ARMAZENAGEM Sistemas Globais de Armazenagem Paletização Convencional

Logística e Administração de Estoque. Definição - Logística. Definição. Profª. Patricia Brecht

Armazenagem e Movimentação de Materiais II

NR 11. E-Book. NR 11 Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais. E-Book

AVISO DE RESULTADO DO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 039/ SAÚDE MENOR PREÇO POR ITEM

Norma Regulamentadora NR 20 Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis. Portaria nº 308/12 DOU 06/03/12

AULA 20 TRANSPORTE DE PRODUTOS PERIGOSOS

DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM CONTEINERIZAÇÃO DE CARGAS

Projeto de Armazéns. Ricardo A. Cassel. Projeto de Armazéns

Disciplina: Suprimentos e Logística II Professor: Roberto Cézar Datrino Atividade 3: Transportes e Armazenagem

RollerForks. A nova revolução da logística: Movimentação sem paletes!

Manuseio de Compressor

MANUAL DO USO DE ELEVADORES ÍNDICE: I Procedimentos e Cuidados

PROTEÇÃO PARA CONTAMINAÇÃO DE LASTRO REGIÃO DE CARREGAMENTOS

GESTÃO DE OPERAÇÕES E LOGÍSTICA - ESTOQUES

Armazenamento e TI: sistema de controle e operação

Desafio Logístico 2013

E-BOOK 15 DICAS PARA ECONOMIZAR COMBUSTÍVEL

DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE O DIESEL S-50. Fonte: Metalsinter

GESTÃO DE ESTOQUES. Gestão Pública - 1º Ano Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais Aula 4 Prof. Rafael Roesler

Curso de Especialização Centro Universitário Franciscano - UNIFRA

NORMA TÉCNICA N o 16 SISTEMAS DE PROTEÇÃO POR EXTINTORES DE INCÊNDIO

E-BOOK GUIA PRÁTICO DE ARMAZENAMENTO E PRODUÇÃO SEM DESPERDÍCIOS

Sistemas de Armazenagem de

IT - 16 SISTEMA DE PROTEÇÃO POR EXTINTORES DE INCÊNDIO

FTAD Formação Técnica em Administração de Empresas. Módulo: Administração de Materiais. Profª Neuza

Armazém Planear a construção

Gestão da Qualidade Políticas. Elementos chaves da Qualidade 19/04/2009

DIRETRIZES P/ O PLANEJAMENTO OU EXPANSÃO DAS INSTALAÇÕES 1 - Planeje o futuro layout com todos os detalhes. 2 - Projete as expansões em pelo menos

4 ESCOLHA O BOTIJÃO CERTO 2

Operações Terminais Armazéns. PLT RODRIGUES, Paulo R.A. Gestão Estratégica da Armazenagem. 2ª ed. São Paulo: Aduaneiras, 2007.

DÚVIDAS FREQUENTES SOBRE O DIESEL S-50

Soluções criativas em pallets plásticos para transporte e armazenamento de mercadorias.

Sistemas de Armazenagem e Movimentação

Refrigerador Frost Free

Pontos consumo de vapor (economia linhas alta pressão) Almoxarifado Administração Unidade recreativa (gases de combustão) Caldeira

Empilhadoras Elétricas IXION SPE125/SPE160. Controle Sensi-lift

RESOLUÇÃO Nº 3.632/11, DE 9 DE FEVEREIRO DE 2011

Capítulo 4 - Gestão do Estoque Inventário Físico de Estoques

A importância da Manutenção de Máquina e Equipamentos

Curso superior de Tecnologia em Gastronomia

Focaliza o aspecto econômico e de formação de preços dos serviços de transporte.

Guarda Moveis e Armazenagem Self Storage em São Paulo Depósitos privativos de diversos tamanhos

Importância da normalização para as Micro e Pequenas Empresas 1. Normas só são importantes para as grandes empresas...

Controle de Estoques

Instrução Técnica nº 25/ Segurança contra incêndio para líquidos combustíveis e inflamáveis - Parte 3 Armazenamento

TANQUES DE ARMAZENAMENTO E AQUECIMENTO DE ASFALTO E COMBUSTÍVEL

CONCEITOS E PRINCÍPIOS DO SISTEMA DE MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS

A OPERAÇÃO DE CROSS-DOCKING

Unidade IV ADMINISTRAÇÃO DE. Profa. Lérida Malagueta

27 Sistemas de vedação II

Instalações Máquinas Equipamentos Pessoal de produção

2.2. Antes de iniciar uma perfuração examine se não há instalações elétricas e hidráulicas embutidas ou fontes inflamáveis.

MEMORIAL DESCRITIVO, ORÇAMENTO E PROJETO DO ACESSO PRINCIPAL E IDENTIFICAÇÃO DA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE FRONTEIRA

SÉRIE ISO SÉRIE ISO 14000

6As áreas de abastecimento representam uma possível fonte de poluição ao meio

PROJETO GESTÃO DE ESTOQUES. Frente Almoxarifado

FICHAS DE PROCEDIMENTO PREVENÇÃO DE RISCOS

Armazenagem temporária Investimento em eficiência

ORIENTAÇÕES PARA O USO DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO (GLP) EM EDIFICAÇÕES CLASSIFICADAS COMO PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO

WMS Warehouse Management System

O processo de destinação de embalagens vazias de defensivos agrícolas

AQUECEDOR SOLAR A VÁCUO

Transcrição:

5 10 15 20 25 30 35 5 TIPOS DE ARMAZENAGENS Unidade III O processo de armazenagem tem as mais variadas formas, e diferentes naturezas e finalidades. As instalações para armazenagem podem ser cobertas e descobertas, destinadas a receber, armazenar e proteger adequadamente mercadorias embaladas ou não, dos mais variados tipos, características e naturezas, proporcionando segurança no manuseio, tanto por pessoas quanto por equipamentos de movimentação. O mercado oferece estruturas de armazenagem para todas as necessidades, desde estocagem de minúsculos componentes a granel, passando pelos itens embalados, até itens unitizados das mais variadas formas. A necessidade de armazenar os mais variados tipos de mercadorias exigiu maior diversidade de tipos de estruturas de armazenagens, o que foi reforçado pela evolução da atividade comercial, muito mais competitiva; e, assim, impõem-se a busca incessante do conjunto custo e qualidade. Então, para atender a essas necessidades, os armazéns se sofisticaram tecnologicamente, aumentaram sua complexidade e assumiram novas funções, passando a integrar definitivamente a cadeia logística, quer na condição de terminal portuário, quer como centros de distribuição integrada. Como as opções de tipos de armazenagem são muitas, temos que considerar alguns pontos na escolha, como, por exemplo: fluxo dos materiais, movimentação, frequência de 90

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM movimentação, operacionalidade, flexibilidade, seletividade e principalmente utilização volumétrica, discutido em unidades anteriores. Saiba mais Ocupação e seletividade As empresas estão constantemente em busca de redução de custo, por isso tentam trabalhar com os mesmos espaços, e têm como regra aproveitar ao máximo os espaços existentes, buscando a maior ocupação volumétrica de seus armazéns. Isso significa colocar o máximo de mercadoria nos armazéns, só que sem se preocupar com a seletividade. Mas o que é mais importante: preocupar-se com a ocupação ou com a seletividade? Vejamos, seletividade é a capacidade de acessar determinados itens de uma área de estocagem sem ter a necessidade de remanejamento de cargas; em outras palavras, todos os itens ficam disponíveis para serem acessados no primeiro momento. Ocupação é o percentual de aproveitamento de um espaço de estocagem dos itens, considerando todo o espaço disponível. Há sistemas de armazenagem que privilegiam a seletividade e outros que privilegiam a ocupação; o ideal é buscar um equilíbrio entre os dois. Vamos conhecer a seguir os tipos de armazenagem e depois as características de seletividade e ocupação de cada um deles. 91

Para cada tipo de mercadoria a ser armazenada, há um tipo específico de armazenagem. Vejamos alguns: Almoxarifado: chamamos de almoxarifado os depósitos próprios, ligados à movimentação interna de uma empresa, destinados à guarda, à proteção e ao controle dos diferentes insumos consumidos durante o processo de transformação. Ele pode ser dividido em: Almoxarifado de matérias-primas: armazena os materiais básicos necessários ao processo de transformação adquiridos de terceiros, que, por questões estratégicas, devem estar localizados próximos ao local em que serão utilizados. Almoxarifado de componentes e sobressalentes: armazena os materiais prontos adquiridos de terceiros, também são usados no processo industrial ou como peças de reposição em manutenção. Esse almoxarifado é estratégico para garantir a manutenção preventiva e garantir que as operações continuem funcionando. Almoxarifado de produtos em processo: armazena produtos que não são mais matérias-primas e ainda não são produtos acabados. São itens processados parcialmente, que sofrerão mais algumas modificações antes de serem vendidos ou consumidos. Almoxarifado de produtos acabados: armazena produtos que estão acabados e prontos para as vendas; deve estar próximo à expedição. Deve-se ter toda a preocupação de gestão de estoque em relação à agilidade e aos custos. Almoxarifado de ferramentas: utilizado para armazenar ferramentas a serem utilizadas pelos 92

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM operários em cada turno, e eles mesmos são responsáveis pelas ferramentas. Depósito: área reservada à estocagem, guarda, proteção e controle de materiais acabados, destinados a consumo ou transformação futura ou ainda para possibilitar a consolidação de lotes a serem despachados. Centros de distribuição: áreas de armazenagem altamente sofisticadas, pois dispõem de muita tecnologia de informação. São utilizados em operações de alta rotatividade e destinados ao recebimento de grandes lotes variados, que passarão por alguma preparação e serão enviados para os clientes. Os principais clientes dos centros de distribuição são: fabricantes de bens de consumo que tenham mercado pulverizado; varejistas que necessitam suprir suas unidades com grande frequência, como Casas Bahia, Pão de Açúcar e outros do gênero; empresas que vendam por catálogos ou internet. Os CDs consolidam diversos produtos para fazer entregas sortidas nos pontos de consumo. A partir de pontos de estocagem regionais de grande porte, estrategicamente localizados, os CDs concentram a distribuição ao cliente de forma centralizada. Podemos apontar os seguintes pontos como vantagens de se ter CDs: como o comando é centralizado, e as operações também, há redução de pessoal em vários armazéns locais; 93

o controle centralizado elimina atrasos, pois há posição real de estoque em qualquer CD; há redução tanto de gastos com transportes quanto de tempo nas entregas. Armazém: pode ter várias estruturas: construção em madeiras, metal, alvenaria ou concreto armado, ser coberto com telhas francesas, de fibrocimento ou de zinco, fechado de todos os lados, com acessos laterais para entrada das pessoas e dos equipamentos de movimentação. As formas ou características de construção dependerão dos fins a que se destina, como veremos a seguir. Segundo Rodrigues (2008), pequenos volumes, com embalagens frágeis e baixo peso unitário, como são leves, podem ser estocados em níveis mais altos, por isso o pé direito deve ser elevado. Deve-se dispor de prateleiras (veja exemplo 1) com gavetas, em alguns casos, como, por exemplo, componentes eletrônicos e gaiolas (veja exemplo 2) para itens maiores. Sua movimentação pode ser por paleteira (veja exemplo 3), carrinhos (veja exemplo 4) ou contenedores (veja exemplo 5) para movimentação horizontal e empilhadeiras ou transelevador para movimentação vertical. Exemplo 1 Estantes leves com prateleiras inclinadas facilitam a visualização do interior e o acesso aos itens. Fonte: Banzato; Moura, 1998. 94

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Estantes metálicas com caixas plásticas com divisórias. Estante para pequenos volumes e alto giro. Fonte: ibidem. Exemplo 2 Gaiola tipo contêiner. Fonte: ibidem. Fonte: ibidem. 95

Exemplo 3 Paleteira com duas balanças acopladas, sendo uma para a carga paletizada e a outra específica para a contagem de peças. Fonte: ibidem. Paleteira de acionamento hidráulico, que propicia a movimentação e a pesagem de cargas. Fonte: ibidem. 96

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Exemplo 4 Carrinho para movimentação de caixas, o que minimiza os esforços. Fonte: ibidem. Carrinho em balanço utilizado para facilitar manobras na movimentação de materiais. Fonte: ibidem. 97

Carrinho com escada e prateleira para facilitar separação de pedidos. Fonte: ibidem. Carrinho especial, que permite separar vários itens ao mesmo tempo e mantê-los separados por caixas. Fonte: ibidem. 98

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Carrinho plataforma que auxilia a separação de pedidos. Exemplo 5 Contenedor de plástico com divisória. Fonte: ibidem. Fonte: ibidem. Para itens de grandes volumes, com elevado peso unitário, como máquinas e produtos siderúrgicos, o pé direito deve ser médio, as portas devem ser grandes e os vãos, livres. Para a movimentação, é importante ter a ponte rolante, guindastes elétricos sobre trilhos; é fundamental também que se proponham facilidades de locomoção de empilhadeiras e guindastes. 99

Esses tipos de equipamentos foram demonstrados nas unidades I e II. Mercadorias passíveis de condensação ou exsudação: referem-se a perdas de peso por redução do teor de umidade da mercadoria, decorrentes da secagem natural, como grãos verdes ensacados, madeira verde, ração animal etc., armazéns com essas características devem ter dispositivos para ventilação natural ou forçada. Mercadorias congeladas: armazém para acondicionar esse tipo de material deve ter paredes forradas por materiais isolantes, dispor de sistema de refrigeração, câmaras frigoríficas hermeticamente isoladas e túneis para congelamento rápido, com a possibilidade de se controlar as temperaturas. Mercadoria com baixo ponto de fulgor ou suscetíveis a deterioração por calor: o armazém deve ser climatizado, dispondo de ar-condicionado ao longo das áreas de armazenagem. Mercadorias suscetíveis a deterioração quando submetidas ao frio: o armazém deve dispor de sistemas de calefação (estufa). Voltando aos tipos de armazenagem, vamos citar mais alguns: Galpão: funciona como um suporte do armazém em período de congestionamento ou ainda para a guarda de estrados, implementos, ferramentas e materiais de separação etc., normalmente é uma construção rudimentar, coberta, localizada entre os armazéns. Pátio: tem função de auxílio operacional no armazém, normalmente é uma área pavimentada descoberta, com áreas de empilhamento demarcadas, com vias de acesso para equipamentos de movimentação, sua estrutura deve ser de acordo com os materiais movimentados. 100

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Materiais como contêineres ou produtos siderúrgicos ou qualquer produto com grande volume e elevado peso unitário devem ter pátios equipados com pontes rolantes ou equipamentos similares e ainda espaços suficientes para manobras de empilhadeiras. Para a circulação de veículos rodoviários, os pátios devem estar dispostos na forma de áreas de parqueamento devidamente demarcadas, dotadas de áreas para carga e descarga, vistoria, pista de rolamento, dispositivo para a lavagem de carroceria e bomba de ar comprimido para calibrar pneus. Para transação com minério, devemos ter pátios especiais, dotados de sistemas compostos por torres de transferência, esteiras transportadoras, balanças por fluxo de batelada, viradores de vagões ou tambores e balanças rodoferroviárias e dispor de vias de acesso para tratores, pás carregadoras ou similares. Silos: servem para armazenar cereais, fertilizantes ou rações animais; podem ser alimentados por sistemas transportadores contínuos, como esteiras. Além disso, eles podem conter moegas, balanças por fluxo de batelada, sistemas de peneiramento ou despoeiramento. Podem ser de metal, aço ou concreto armado. Exemplos de silos Armazena grãos e água, é resistente a umidade. Fonte: <http://www.moreli.com.br/produtos_silos.htm>. 101

Armazena cereais. Fonte: <http://br.ruadireita.com/silos-armazenadores-metalicos_11931>. Armazena grãos muito útil para produtores agrícolas. Fonte: <http://agrimanagers.wordpress.com/category/tecnologia-pos-colheita>. Tanque: pode ser de metal ou aço. Deve ter sistema de segurança máxima para aquecimento e resfriamento, bombeamento e sucção, dutos, laboratórios de análises, destinados a armazenar 102

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM granéis líquidos com diferentes características físico-químicas, como derivados de petróleo e produtos químicos. Exemplos de tanques Fonte: <http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web/cgi/cgilua.exe/sys/start. htm?infoid=1412&sid=5&tpl=printerview>. Fonte: <http://saobernardodocampo.olx.com.br/tanque-vertical-em-inox-tanquevertical-usado-tanque-aco-inox-misturador-usado-iid>. 103

Estantes Ideais para pequenos volumes, em torno de 0,5 m³, é o método de estocagem mais usual para produtos de pequeno peso e volume, ideal para atender ao FIFO (first in, first out) ou primeiro que entra primeiro, primeiro que sai (PEPS). Esse método tem como características: armazenagem manual; altura ideal: última prateleira ao alcance da mão; cargas até 300 kg por prateleira; prateleiras reguláveis verticalmente. Próprias para itens não unitizados, pois podem ocupar adequadamente o espaço vertical; possuem boa densidade de estocagem. Podem ser fixas ou deslizantes, com rodas que correm sobre trilhos, assim minimizam os corredores, aproveitando melhor os espaços. Além de prateleiras podem receber gavetas, classificadores e divisões internas, que evitam perdas de espaço. Esses modelos já foram mostrados anteriormente. Mezanino É um sistema de armazenagem por meio de plataformas livres montadas sobre suporte ou estantes elevadas o suficiente para permitir estocagem em cima e embaixo da plataforma, como na figura a seguir: 104

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Modelo de mezanino a ser abastecido com empilhadeira. Fonte: Banzato; Moura, 1998. Para implantar um modelo de mezanino, é necessário que se tenha pé direito que permita a implantação. Tem como características: dobra ou triplica a área de piso de armazenagem; facilmente desmontável, possibilita ser utilizado somente em períodos de grandes movimentos, como fim de ano por exemplo; armazena vários tipos de produtos; recomendável para itens de menor giro; não é preciso construir prédios. 105

Blocagem O conceito de blocagem é basicamente o empilhamento em blocos, empilha-se um palete sobre o outro com ou sem equipamentos de sustentação. Vejamos, exemplos: Estoque em sistema de blocagem. Observe a altura de empilhamento. Fonte: Moura, 2007. Suporte utilizado para dar sustentação às cargas no sistema de blocagem, pois assim o impacto de pesos não seria diretamente sobre as cargas. Fonte: ibidem. 106

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Esse sistema é mais indicado para materiais de baixa rotatividade e que se movimentem em grandes lotes, pois, para se ter acesso ao palete que está no chão, terá que se retirar todos os que estão sobre ele. O sistema oferece melhor utilização do espaço, o que reduz o custo total de armazenagem, pois há melhor aproveitamento do pé direito, desde que respeitado os limites de equipamentos. Oferece ainda alta densidade de armazenagem, armazena maior volume nos espaços disponíveis. O sistema pode ser usado em períodos de maior movimentação, como períodos festivos; quando não utilizado, pode ser desmontado, além disso, ocupa pouco espaço. Como já foi citado, o acesso aos itens é mais complicado, comprometendo, assim, a seletividade e aumentando o tempo de movimentação, e exige a utilização de empilhadeiras. Porta-paletes Pode ser configurado de algumas maneiras, oferecendo certa variedade de tipos de porta-paletes; vamos começar falando do convencional. O porta-palete convencional é o mais comum nas empresas para cargas unitizadas. Nesse modelo, cada palete é acessado individualmente com certa facilidade. São estruturas fáceis de se ajustar. Os espaços dos corredores dependem da escolha dos veículos e se o tráfego em ambas as direções são possíveis. Por exemplo, há empilhadeiras que exigem espaços de corredores de 2,4 a 3,0 metros, outras, a combustão, exigem espaços de até 4,0 metros; e há empilhadeiras selecionadoras de pedidos que trabalham com espaços a partir de 1,2 metro. 107

Exemplos Estrutura porta-palete convencional. Fonte: Banzato; Moura, 1998. Estrutura porta-palete convencional sendo utilizada em áreas externas. Fonte: ibidem. Estrutura porta-palete de dupla profundidade: os paletes podem ser estocados em dupla profundidade. O sistema minimiza a quantidade de estoques, pois possibilita que 108

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM quatro paletes sejam estocados entre cada par de corredores. Porém, exige veículos com garfos duplos para movimentar os paletes e um corredor de aproximadamente 2,6 metros. É um sistema de excelente utilização de espaço de estocagem, que possibilita uma economia de até 25% em relação ao convencional. Vejamos exemplo: 400º 350º 300º 250º 200º 150º 100º 50º corredor 400º 350º 300º 250º 200º 150º 100º 50º corredor 400º 350º 300º 250º 200º 150º 100º 50º corredor Fonte: adaptado do simulador Crow de empilhadeiras. Observe a economia de corredor, cada duas estruturas podem ser acessadas de cada lado, a única exigência é a necessidade de equipamentos adequados. Estocagem com corredor estreito: oferece estrutura similar de porta-palete, mas, para economizar espaço, os corredores são estreitos e, para garantir sua funcionalidade, há necessidade de equipamentos como empilhadeira elétrica trilateral. Nesse modelo, o acesso aos paletes é mais rápido que o convencional, é uma solução de custo eficaz, quando os custos por m² são elevados ou haja restrição de espaço. Exige largura de corredor entre 1,5 e 1,8 m de largura. 109

Empilhadeira elétrica trilateral Hyster. Capacidade de 1.500 kg, e até 13 m de altura, mas há outros modelos. Esse tipo de empilhadeira retira os paletes sem a necessidade de girar, então não necessita de ângulos de movimentação. Fonte: Disponível: <http://www.hyster.com.br/index.php?id=13,129,0,0,1,0>. Estrutura porta-paletes drive-in drive-through: é uma estocagem com boa economia de espaço, ideal para armazéns com pouca variedade de itens. A gestão drive-in significa que a empilhadeira entra para colocar material e o retira pelo mesmo lado; é um modelo em que a estocagem é feita de maneira contínua, sem corredores intermediários. Pode ser utilizado para estocagem com grandes volumes e pouca variedade. No sistema drive-through, a empilhadeira coloca o material por um lado e o retira pelo outro. 110

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Vejamos exemplos: Modelo drive-in sem corredores, a empilhadeira acessa o interior da estrutura. Empilhadeira acessando o interior da estrutura. Fonte: Banzato; Moura, 1998. Fonte: ibidem. 111

Com uma visão mais ampla e simplificada, podemos enxergar a estrutura da seguinte maneira: Entrada de material Saída de material A empilhadeira ou qualquer equipamento de movimentação entra até o final da pilha. Sistema drive-in adaptado. O sistema drive-through tem a seguinte estrutura simplificada: Entrada de material A empilhadeira ou qualquer equipamento de movimentação abastece por um lado e retira por outro lado. Saída de material Sistema drive-through adaptado. Nesse modelo é mais fácil garantir o FIFO, primeiro que entra, primeiro que sai. 112

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM No drive-in, para tal atividade, devem-se retirar os itens que estão na frente. Cada modelo tem suas vantagens e desvantagens: Drive-in vantagens: Ótimo aproveitamento da área, maximizando o volume armazenado pela ausência de corredores; a ocupação é excelente. É possível armazenar o mesmo número de paletes na metade da área de um porta-palete convencional. Como armazena maior quantidade, ao comparar com outro sistema, proporciona baixo custo por unidade de palete armazenada. Podem-se utilizar vários tipos de empilhadeiras, com mínimas alterações na proteção ao operador. Drive-in desvantagens: Há necessidade de movimentar os paletes que estão à frente para atingir os do meio ou do fim. A movimentação do estoque atende o UEPS último que entra, primeiro que sai; essa estrutura limita a variedade dos materiais a armazenar, e também não seria aplicável em produtos perecíveis, pois geraria vencimento e perda do produto. Drive-through vantagens: Melhor utilização do PEPS primeiro que entra, primeiro que sai. 113

Pode-se ter operação de entrada e saída ao mesmo tempo, desde que se tenham equipamentos para tal. Como o drive-in, podem-se utilizar vários modelos de empilhadeiras. Drive-through desvantagens: Perde-se um pouco do espaço que se teria no sistema drive-in, pois dois corredores terão que ser mantidos, o de entrada e o de saída. Porta-palete dinâmico É um modelo de estocagem indicado para itens de alto giro; é ideal para armazenagens com pouca variedade que devam atender o PEPS primeiro a entrar, primeiro a sair. Ele é adequado para produtos paletizados ou em caixa de papelão, são modelos em que os produtos deslizam sobre transportadores contínuos de roletes livres com rodas de freio ou sobre roletes acionados ou ainda com contentores com rodinhas. Veja exemplo: Este é o lado de abastecer O produto desliza até aqui Modelos de roletes Fonte: Rodrigues, 2008. 114

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM O modelo de estocagem é funcional, como no exemplo a seguir: Veja que o abastecimento é feito por um lado, o produto desliza até a base da estrutura. A retirada é feita pelo outro lado; ao se retirar uma caixa, as seguintes deslizam para ocupar o lugar. Esse sistema é acionado por gravidade; como é inclinado, o deslizamento é automático. Fonte: <http://www.metalsistem.com.br/dinamico_anim.htm>. 115

Porta-palete push-back Esse modelo é um sistema de estocagem em que os paletes são estocados em diversas linhas de profundidade e movimentados para dentro e para fora do armazém pelo mesmo lado. A estrutura tem a parte da frente com um nível de altura inferior em relação ao fundo. Assim, para estocar, o operador deve empurrar o palete para o fundo, movendo os já existentes na estrutura; para retirar, retira-se o último que foi colocado, e os demais descem para frente pela força da gravidade, pois é uma estrutura inclinada. Segue a filosofia FILO (first in, last in) primeiro a entrar, último a sair. Exemplo: Fonte: imagem captada de um vídeo disponível em <http://www. bertoliniarmazenagem.com.br/por/index.php?cat=produtos&sub=push_back>. A empilhadeira empurra os materiais que já estão na estrutura. Na hora da retirada, retiram-se os da ponta, e os demais ocupam seu lugar. Cantilever É um modelo de estocagem próprio para estocagem de produtos com grandes comprimentos ou comprimentos variáveis. O modelo facilita o acesso a materiais compridos e irregulares 116

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM e propicia bom aproveitamento vertical; é um sistema de alta densidade e alta seletividade. Exemplos de produtos a serem estocados: tubos, barra de ferro, móveis etc.; móveis estocados em sistema cantilever. Fonte: <http://www.bertoliniarmazenagem.com.br/por/index.php?cat=produto s&sub=cantilever>. Armazenagem de barras de ferro. Fonte: <http://www.bertolini.com.br/bertolini/site>. 117

Fazendo um comparativo entre alguns tipos de estrutura de armazenagem, Moura (2007) aponta o seguinte quadro: Blocagem Porta-paletes Porta-paletes dupla profundidade Drive-in / Drive-through Dinâmica Push-back Cantilever Transelevador Potencial de densidade de A D C B B B B B estocagem Acesso ao material E A C B B A A A Capacidade de rotas B B C C A C C A Controle de estoque e E A C D C C B A localização Atender ao FIFO E A C D A C A A Habilidade para variar o tamanho da A C C D D C B D carga Facilidade de instalação A C C C E C B E A = excelente B = bom C = regular D = fraco E = ruim É importante salientar que a blocagem tem ótimo potencial de densidade, mas tem acesso mais complicado aos itens, a localização e o atendimento ao FIFO são ruins, mas pode estocar cargas variadas, e é fácil instalar. O porta-paletes tem densidade fraca, pois, dependendo do tipo de material, podem-se ter espaços perdidos, e ainda devem-se respeitar os limites do porta-palete, mas o acesso aos itens é excelente, o controle de estoque também; entretanto, há a dificuldade de instalação, que já é um pouco mais complicada. Veja, então, que cada estrutura tem seus pontos fortes e fracos, a decisão dependerá dos objetivos da organização. Para cada uma das estruturas, é necessário escolher equipamentos adequados, vejamos a seguir alguns equipamentos: 118

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Equipamentos 1 Empilhadeira a gás. Empilhadeira elétrica. Paleteira elétrica. 1 Esses equipamentos foram extraídos de Banzato e Moura, 1998. 119

Carrinhos hidráulicos. Cada equipamento tem suas necessidades e características próprias: Características da empilhadeira Ambiente de trabalho Piso Características Preço Custo de manutenção (anual) Largura dos corredores Alturas de estocagem Velocidade de operação Combustão gasolina, diesel e GLP Locais abertos e fechados (exceto diesel). Trabalho pesado, qualquer tipo de piso, superfície irregular, pneumáticos. Aplicações em ambiente sujeito a longos períodos sem interrupção e altas temperaturas (diesel). Capacidade para subir rampas. Maior custo de manutenção (desgaste e combustível). Exigem corredores mais largos. Menores alturas de elevação. Maior velocidade de operação. Elétricas Ideais para ambientes fechados ausência de gases tóxicos. Exige piso plano, sem rugosidade e de alta resistência e trabalha com pneus maciços. Silenciosas e não poluentes. Operam em áreas de risco. Mais cara. Menor custo de manutenção. Corredores estreitos. Maiores alturas de estocagem. Fonte: Mauro, 2005. 120

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM EXERCÍCIOS 1. Um distribuidor de televisores de LCD, dos mais variados tamanhos, que recebe as mercadorias paletizadas e que tenham grande giro, deve escolher quais dos sistemas de armazenagem para garantir alta seletividade? Justifique. 2. A Gerdau SA trabalha com barras de ferro de grande comprimento, de grande peso e com alto giro. Qual sistema de estocagem seria indicado? Por quê? 3. Um distribuidor de produtos perecíveis, que atua com cinco tipos de produtos somente, precisa montar um sistema de armazenagem, após ver vários modelos, decidiu utilizar o drive-in. O que você, como consultor, diria para essa empresa? 121

Resolução dos exercícios 1. As estruturas porta-paletes seriam indicadas, a convencional, a dinâmica e a push-back, pois comprometem um pouco a densidade, mas ampliam a seletividade aos itens, visto que por causa do alto giro a localização imediata para separar os itens é importante. 2. O cantilever, pois é o sistema indicado para armazenar materiais compridos como os que foram citados no exemplo. 3. Não seria indicado, pois, nesse sistema, primeiro a entrar, último a sair, poderia haver problemas de produtos vencidos no estoque. Para atuar com produtos perecíveis, é necessário que se utilize qualquer sistema que garanta o PEPS plenamente. 6 RISCOS DE CARGAS E MERCADORIAS Vamos iniciar diferenciando mercadorias de cargas. Para Rodrigues (2008), mercadoria é qualquer produto que seja objeto do comércio, ou seja, define a ótica do proprietário. O autor aponta que a mercadoria está em posse do proprietário, aguardando para ser vendida ou, se for mercadoria por consignação, está somente aguardando a venda. Carga é qualquer mercadoria entregue a terceiros com a finalidade de ser transportada, pagando-se frete, ou armazenada, pagando-se tarifa. As cargas podem ser divididas em dois grupos: Carga geral: denomina-se carga geral os volumes diferenciados fracionados e acondicionados em sacos, fardos, caixas, cartões, engradados, amarrados, tambores etc. ou veículos unitários de grande porte e sem 122

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM embalagem, como veículos e máquinas industriais. Há ainda as cargas especiais, que são aquelas que exigem cuidados diferenciados e específicos, como mercadorias refrigeradas com temperaturas controladas, cargas vivas (animais ou plantas) e as mercadorias classificadas como perigosas. Granéis: carga homogênea, normalmente commodities, adquiridas em grandes lotes, sem acondicionamento ou embalagem, apresentados sob a forma de sólidos, líquidos ou gases. Os granéis sólidos podem ser: derivados de petróleo ou não. As cargas possuem características que devem ser conhecidas, eis algumas dessas características: Peso: para a armazenagem, é importante, pois determina o tipo e a capacidade individual dos equipamentos de elevação, são mais indicados para as operações com maior segurança; é a partir do peso dos itens a serem movimentados que se fazem as escolhas dos equipamentos. Volume: determinará o quanto pode ser estocado nos espaços disponíveis, pois determina a ocupação volumétrica nos armazéns. É ainda mais importante nos transportes, pois é possível planejar quantas viagens ou quantos veículos serão necessários. Dimensões: está associado às características dos tamanhos da embalagem em todos os ângulos, altura, largura e comprimento; proporciona a informação de metragem cúbica, o que é essencial para os cálculos de capacidade do armazém, pois mesmo os itens leves podem ter comprimento ou largura que exijam cuidados especiais para sua movimentação. 123

Valor: está relacionado aos cuidados específicos que teremos que ter com cada item, como referenciado na classificação ABC, em que os itens de classe A, por serem os mais caros, devem ter cuidados especiais; está relacionado também aos seguros dos itens. Fragilidade: é o grau de perecibilidade, possibilidade de avaria ou contaminação, exigindo cuidados especiais na movimentação, no transporte e na armazenagem para que sua integridade física seja preservada. Conhecendo agora os conceitos de carga e seus tipos, assim como suas características, podemos iniciar agora os estudos sobre os riscos sofridos pelas cargas. Para fins de seguro, os principais riscos são sofridos pelas cargas durante o procedimento de movimentação, transporte e armazenagem. Eles podem ser enquadrados nos seguintes tipos: Principais riscos: Mecânicos: são resultantes de vibração, trepidação, frenagens, compressão, oscilação, atrito e impactos. É muito comum no transporte em veículos com excesso de velocidade, estradas em mau estado, motoristas despreparados e/ou alocação nos veículos sem amarração. Riscos físicos: esses tipos de riscos estão associados à movimentação e ao manuseio, por casa do uso inadequado de equipamentos e de a prática de armazenagem e empilhamento ser feita de maneira inadequada. A qualificação dos envolvidos é essencial para se minimizar esse tipo de risco. Riscos químicos: causados por reações químicas que alterem as características da mercadoria, como combustão espontânea, oxidação etc. 124

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Riscos climáticos: são riscos associados à ação de agentes ambientais externos, tais como calor, frio, condensação, salinidade, umidade e mofo. Esses riscos estão ligados à armazenagem em locais inadequados ou transportes em veículos impróprios ou embalagens inadequadas. Riscos contaminantes: são riscos associados à deterioração dos produtos. Podem ocorrer por vários motivos, tais como: elevar a perecibilidade dos itens, diminuindo o tempo de vida útil. A putefração também pode contaminar, assim como as manchas e emissão de odores. Riscos humanos: causados por embalagens inadequadas, imperícia, imprudência ou negligência, dolo, roubo ou furto. Riscos imponderáveis: são riscos inesperados causados por atos da natureza, como raios, tempestades, furacões, enchentes etc. Vício próprio: são problemas que não são possíveis de detectar no ato da transferência de responsabilidade ou por ser impossível detectar por conta de informações inadequadas na embalagem ou qualquer outro problema oculto, inerente ao produto, que favoreça a incidência de avarias. Mas o que é avaria? Pode-se definir avaria como qualquer dano ou prejuízo, de caráter endógeno ou exógeno, total ou parcial, causado à mercadoria, instalações ou equipamentos de movimentação ou transporte. Especificamente para transporte marítimo, as avarias podem ser classificadas em: grossa ou comum. 125

Para Rodrigues (2008), avaria é qualquer dano material ou despesa extraordinária causada ao navio ou à carga, por ato deliberado, diante de perigo real e iminente, em benefício de vidas, da embarcação ou das cargas. Ficando caracterizado avaria grossa, as despesas serão rateadas proporcionalmente por todos os interessados envolvidos ou beneficiados com o fato, sendo as exigências as seguintes: ser ato deliberado; comunhão dos benefícios. Vejamos alguns exemplos: Quando há necessidade de se jogar no mar cargas explosivas ou combustíveis soltas no convés, colocando em risco a segurança do navio e das demais cargas a bordo. Cargas molhadas com água salgada por ter de se apagar incêndio no interior do navio. Despesas de remoção, transbordo e fretes das cargas quando o navio fica sem condições de navegabilidade para levá-las ao destino contratual. Avaria simples ou particular corresponde a todo dano material ou despesa extraordinária causados involuntariamente à carga ou ao navio, ações que fogem à ação humana. Para que se caracterize avaria simples, é necessário que exista perigo que comprometa a segurança do navio ou da própria carga e ainda que haja a ausência de vontade dos envolvidos. 126

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Vejamos alguns exemplos: Quando causas naturais, de caráter inevitável e sem a interferência humana, são responsáveis por jogar as cargas do convés no mar. Quando uma carga sofre incêndio sem afetar nenhuma outra carga ou estrutura do navio, e tem as chamas apagadas por água salgada. Quando, sem a intenção de causar dano, há danos causados por imperícia, negligência ou imprudência da tripulação. Danos causados com a intenção de causar dano, de natureza ilegal e fraudulenta da tripulação. Para lidar com cargas perigosas, há a exigência de identificação dos riscos corridos. Essa necessidade se aplica quando há características de fragilidade, perecibilidade, periculosidade e outras peculiaridades, e as indicações de riscos são feitas com adesivos padronizados na cor preta, conforme os símbolos pictóricos ISO-780, que apontam os cuidados a serem tomados no seu manuseio, transporte e armazenagem. Vejamos alguns símbolos internacionais 2 : Mostra o ponto em que a carga deve ser erguida. Lingar aqui 2 Essas imagens foram extraídas de Rodrigues, 2008. 127

Carga que pode facilmente quebrar, arranhar ou sofrer qualquer avaria nas movimentações ou empilhamento. Frágil Manuseie com cuidado Produto com restrição a içamento por guinchos. Não use ganchos Restrição quanto a girar o produto no chão, chances de causar avarias, deve ser movimentado na mesma posição até o destino. Não role 128

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Essa embalagem deve ser movimentada desde o estoque até seu destino final nessa posição, não colocar no veículo, por exemplo, de lado para que caiba mais caixas. Este lado para cima Produtos que são frágeis ao calor; devem ser protegidos do sol. Proteja do calor Produto que não deve ser molhado; deve ser protegido da chuva. Isso influencia até na escolha de transporte a ser utilizado. Mantenha seco 129

Comum a cargas pesadas, em que o uso de carrinhos de mão pode comprometer a saúde dos operadores. Não use carrinho de mão aqui Aponta o centro de peso para possíveis empilhamentos e/ou para quando forem colocados nos veículos para transporte. Centro de gravidade Informação que não deve ser ignorada. O empilhamento inadequado pode gerar avarias nos produtos, limita a capacidade de estocagem e transporte. Limitação de empilhamento 130

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM ºC ºC Aponta os limites de temperatura a que os itens devem estar submetidos; para produtos perecíveis, é um indicador importantíssimo. Limitação de temperatura Esses são apenas alguns símbolos. Para ampliar os estudos, seria importante pesquisar outros símbolos. Uma sugestão seria pesquisar em sua empresa, se houver possibilidade, ou em qualquer outra fonte: internet, revista, livros etc. Esses símbolos têm como objetivo identificar adequadamente os cuidados a serem tomados com mercadorias que serão transportadas e armazenadas por terceiros. De maneira geral, uma embalagem bem identificada deve conter: marcas e contramarcas do fabricante; destinatário (se necessário); logotipo do produtor; peso bruto; peso líquido; dimensões; origem e destino; número do volume; conteúdo; pontos de içamento em caso de itens pesados; identificação de posição; 131

identificação de fragilidade; adesivos relativos à sua classe de IMO em caso de cargas perigosas. Você deve estar se perguntando: O que é IMO ou classe de cargas perigosas? Então, vamos ampliar os estudos e entender o que é IMO. 6.1 Cargas perigosas Muitos produtos que são manuseados em transporte ou armazenagem diariamente são de natureza perigosa tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente e para a própria carga. Muitos desses produtos são químicos, assim, constatou-se a necessidade de se padronizar critérios de segurança; tomar precauções especiais na movimentação desses itens passou a ser uma necessidade e mais tarde uma obrigação. Então, normas de segurança foram criadas para reduzir riscos de acidentes ou prováveis danos decorrentes de seu extravasamento, de acordo com a quantidade e característica dos produtos. Cada carga classificada como perigosa tem um grau de periculosidade, e é importante salientar que é uma probabilidade de perigo às pessoas, ao meio ambiente, à própria carga e ao patrimônio ao seu redor; não necessariamente significa que vai acontecer, mas as identificações têm o papel de informar qual é o risco provável. Cargas perigosas devem cumprir rigorosamente todas as normas de segurança em todas as fases da movimentação, da armazenagem e dos transportes das mercadorias. Saiba mais Cuidados especiais em movimentação na armazenagem ou transporte não são exclusivos de cargas classificadas como perigosas. Para evitar que uma carga impregne outra, deve-se evitar a aproximação daquelas que possam exalar odores; deve-se também evitar a aproximação de cargas sujeitas a vazamento de outras sujeitas a avarias, inclusive por contaminação. Exemplos de produtos que podem contaminar por cheiro são: 132

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM bacalhau; café; fumo; algumas frutas; charque; peles; couros; madeiras; carvão; naftalina; borracha; fertilizantes; vegetais em que a fermentação exale fortes odores. IMO significa Organização Marítima Internacional, e tem como função fazer a classificação das cargas consideradas perigosas de acordo com os critérios padronizados internacionalmente, em que cada substância perigosa é enquadrada em uma das classes de 1 a 8, os não classificáveis em nenhum desses fica classificado na classe 9. Cada produto deve receber um número de identificação e um nome, que são atribuídos pela IMO, os quais devem constar em qualquer documento relativo à carga. Esse procedimento é regulado pela Portaria nº 204/97 do Ministério dos Transportes e NBR 7500 da ABNT, revisada em março de 2000. 133

Vejamos agora as classificações de cada uma das classes perigosas aceitas internacionalmente: Classe Subclasse Tipo Explosivos 1.1 Substâncias com risco de explosão de toda a massa (baixo ponto de fulgor). 1.2 Substância com risco de projeção, mas não de explosão de toda a massa (médio ponto de fulgor). 1 Substância com risco de ignição ou efeitos de onda de 1.3 choque ou projeção, ou de ambos, mas sem risco de explosão de toda a massa (alto ponto de fulgor). 1.4 Substância sem risco significativo de explosão; 1.5 Substância pouco sensível à explosão. 1.6 Substância extremamente insensível à explosão. Gases 2 2.1 Gases inflamáveis. 2.2 Gases não inflamáveis, não tóxicos. 2.3 Gases tóxicos. Líquidos inflamáveis 3 3.1 Baixo ponto de fulgor: <0 F (-18 C) 3.2 Médio ponto de fulgor: < 73 F (23 C) > 0 F (-18 C) 3.3 Alto ponto de fulgor: <141 F (61 C) > 73 F(23 C) Sólidos inflamáveis, sujeitos à combustão expontânea ou que emitem gases inflamáveis em contato com água 4 4.1 Rápida combustão espontânea, que pode causar ignição por fricção, autorreativos e explosivos neutralizados. 4.2 Sujeito à combustão expontânea. 4.3 Emitem gases inflamáveis em contato com água. Óxidos e peróxidos 5 5.1 Substâncias oxidantes. 5.2 Peróxidos orgânicos. Substâncias tóxicas e infectantes 6 6.1 Tóxicos ou venenosos. 6.2 Infectantes. 7 Materiais radioativos 8 Substâncias corrosivas 9 Substâncias perigosas não especificadas 134

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Como fator de segurança, é indicado colar as classes de riscos e seus significados em todos os equipamentos de movimentação; assim, eles ficam sempre em evidência para os operadores, isso de maneira simplificada: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 EX GA LI SOL OXI VE RA CO ES Quanto às formas de identificação nos produtos ou nos contêineres de cargas perigosas, há adesivos padronizados internacionalmente em modelo 0,33 m X 0,33 m, que devem obrigatoriamente ser colados. Vejamos a seguir os rótulos de identificação: Classe 1: explosivos * * * 1 Símbolo de uma bomba explodindo em preto, fundo laranja, local para indicar o grupo de compatibilidade, que vai de 1.1 a 1.3. 1.4 1 * Pertence ainda à classe de explosivos, mas sem grandes riscos, motivo esse de não ter o mesmo símbolo do anterior. 1.5 1 * Mesma estrutura do anterior, indicando o número de classificação. 135

1.6 1 * Igual ao anterior. Classe 2: gases 2 Gás inflamável símbolo de chama, subclasse 2.1, com fundo preto ou branco e com a indicação da classe. 2 Gás não inflamável, não tóxico, o símbolo é um cilindro de gás preto ou branco. 2 Gases tóxicos, subclasse 2.3, o símbolo é uma caveira preta com fundo branco. Classe 3: líquidos inflamáveis 3 O símbolo é uma chama, com fundo preto ou branco. 136

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Classe 4: sólidos inflamáveis Subclasse 4.1 4 O símbolo é uma chama, com fundo branco com sete listas verticais vermelhas. Subclasse 4.2 4 O símbolo com fundo metade branco, metade vermelho. Subclasse 4.3 4 Substância que em contato com a água solta gases inflamáveis. Classe 5: substâncias oxidantes e peróxidos Subclasse 5.1 Oxidante 5.1 São produtos oxidantes, o símbolo é uma chama sobre círculo em preto com fundo amarelo. 137

Subclasse 5.2 Peróxido Orgânico 5.2 São peróxidos orgânicos, o nome expresso abaixo e o número identificam a classe diferenciada. Classe 6: substâncias tóxicas e infectantes Subclasse 6.1 6 Substância tóxica venenosa grupos de embalagens I e II. Símbolo de caveira em preto, com fundo branco. Subclasse 6.1 NOCIVO 6 Substância tóxica venenosa grupo de embalagem III. Na parte inferior, há a inscrição nocivo. O símbolo é um X sobre uma espiga de trigo, com inscrição em preto com fundo branco. Subclasse 6.2 SUBSTÂNCIA INFECTANTE 6 Substância infectante. O símbolo são três meias-luas crescentes superpostas em um círculo, com a inscrição substância infectante em preto com fundo branco. 138

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM Classe 7: material radioativo A classe de material radioativo é dividida em três categorias: Categoria I RADIOATIVO CONTEÚDO ATIVIDADE 7 O símbolo é um trifólio em preto, com fundo branco; na parte inferior, há a inscrição radioativo, conteúdo, atividade, com uma barra em vermelho ao lado da palavra radioativo. Categoria II RADIOATIVO CONTEÚDO ATIVIDADE 7 O símbolo é um trifólio preto com fundo amarelo; na parte inferior, há a inscrição radioativo, conteúdo, atividade, com duas barras em vermelho ao lado da palavra radioativo. Categoria III RADIOATIVO CONTEÚDO ATIVIDADE 7 O símbolo é um trifólio preto com fundo amarelo; na parte inferior, há a inscrição radioativo, conteúdo, atividade, com três barras em vermelho ao lado da palavra radioativo. 139

Classe 8: corrosivos 8 O símbolo é um recipiente de vidro pingando líquido em uma mão e outro, em um metal; a parte superior tem fundo branco e a parte inferior tem fundo preto. Classe 9 substâncias perigosas diversas 9 Símbolo são sete listas pretas na parte superior e a parte inferior toda branca. Observação: pode ocorrer de um produto ter mais de uma classificação de risco. Em situações desse tipo, podem-se utilizar dois rótulos diferentes, um principal e outro secundário. EXERCÍCIOS 1. A seguir, temos um galpão que mede 30 x 50, que não tem prateleira, os itens estão estocados no chão, empilhados em dois níveis, como ilustrado ao lado do galpão: Área aberta 140

MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM A parte coberta está lotada. Apesar de a embalagem informar que se pode empilhar em três níveis, o empilhamento praticado aqui é de dois níveis, pois o responsável pela armazenagem argumentou que os itens são sensíveis a peso. Há mais uma centena de caixas estocadas na área aberta; a previsão é de que fiquem nessa área por 7 dias. Indagado sobre suas ações, o gestor da área, sem entender, perguntou: O que está errado?. O que você diria para o responsável? 2. Para ampliar os conceitos discutidos, pesquise um tipo de explosivo, um tipo de gás, de líquido inflamável, de um material radioativo. Resolução dos exercícios Exercício 1: Se há permissão para estocar em três níveis, não há motivo para estocar em dois níveis; se se seguisse as recomendações na embalagem, não seria necessário colocar 141

itens na área aberta, pois se aproveitaria melhor o espaço útil do estoque. Foi uma decisão entre algo que é permitido, empilhar em três níveis, e algo que não é permitido, a exposição do item ao sol. Como se percebe, a decisão foi equivocada, comprometerá a integridade dos itens. Exercício 2: Não há uma resposta específica será fruto de pesquisa dos alunos, que devem ficar livres para apontar os itens considerados perigosos. Resumindo Esta unidade conceituou os tipos de armazenagem, apontou os conceitos, mostrou quando utilizar cada um deles e quais os equipamentos utilizáveis em cada um. Apontou as técnicas de trabalho com cargas perigosas, indicando os principais riscos nos transportes dessas cargas e os símbolos utilizados no transporte a fim de minimizar os riscos com produtos perigosos. Relacionou ainda as classificações IMO de itens perigosos e as formas de identificação. 142