RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL



Documentos relacionados
CURSO DE ATUALIZAÇÃO JURÍDICA Disciplina: Direito Comercial Tema: Recuperação Judicial Prof.: Alexandre Gialluca Data: 12/04/2007 RESUMO

Contatos RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS. Conectando Oportunidades em Fusões & Aquisições LEI DE RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS (LEI Nº , DE 09/02/2005).

Sumário. Proposta da Coleção Leis Especiais para Concursos Roteiro simplificado da Falência... 13

DIREITO EMPRESARIAL. Falência e Recuperação de Empresas

TRABALHOS TÉCNICOS Divisão Jurídica ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE RECUPERAÇÃO JUDICIAL DAS EMPRESAS. Francisco Guilherme Braga de Mesquita Advogado

Recuperação Extrajudicial, Judicial e Falência. Profª. MSc. Maria Bernadete Miranda

DE IMPORTANTES ASPECTOS SOBRE A RECUPERAÇÃO JUDICIAL

RETA FINAL - MG Disciplina: Direito Empresarial Aula nº 01 DIREITO EMPRESARIAL

A jurisprudência da Lei de Falências e Recuperação de Empresas e a

Direito Empresarial Dr. José Rodrigo

DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NA RECUPERAÇÃO E NA FALÊNCIA DE EMPRESÁRIO OU SOCIEDADE EMPRESÁRIA

RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL - XIV. I Introdução:

DIREITO FALIMENTAR. Conceito de falência. Direito Falimentar - Prof. Armindo AULA 1 1. Falência (do latim fallere e do grego sphallein ):

Esta proposta altera parcialmente o Plano original de recuperação judicial, apresentado em março de 2015, após negociações com credores.

A Nova Lei de Falências, Principais Alterações e Enquadramento Geral de Credores

PLANO DE ENSINO. Disciplina: DIREITO EMPRESARIAL B Código: DV 450

Questão 1. Sobre a ação de responsabilidade prevista no art. 159 da Lei das Sociedades Anônimas e sobre a Teoria da Aparência:

Nota do autor, xv. 6 Nome Empresarial, Conceito e função do nome empresarial, O nome do empresário individual, 49

ANOTAÇÃO DE AULA. E ainda, o administrador terá preferência nos honorários (crédito extraconcursal).

Efeitos da sucessão no Direito Tributário. Os efeitos da sucessão estão regulados no art. 133 do CTN nos seguintes termos:

Prof. Jorge Luiz de Oliveira da Silva

Profa. Joseane Cauduro. Unidade II DIREITO SOCIETÁRIO

EMENTÁRIO Curso: Direito Disciplina: DIREITO EMPRESARIAL IV Período: 6 Período. Carga Horária: 72H/a: EMENTA

EMENTÁRIO Curso: Direito Disciplina: DIREITO EMPRESARIAL IV EMENTA

PARCELAMENTO ORDINÁRIO PORTO ALEGRE

OAB XIV EXAME PROVA BRANCA. Comentário às questões de Direito Empresarial

Recuperação Judicial. Requisitos para solicitar a. Recuperação Judicial. (Art. 47º a 74º ) 5/7/2011. Recuperação Judicial. Recuperação Judicial

PROJETO DE LEI N.º, DE 2011

Nota do autor, xix. 5 Dissolução e liquidação, 77 1 Resolução da sociedade em relação a um sócio, 77

OAB EXTENSIVO FINAL DE SEMANA Disciplina: Direito Empresarial Prof.ª Elisabete Vido Data: Aula nº. 05

- RECUPERAÇÃO JUDICIAL - Preservação da atividade e função social da empresa. É um contrato judicial, sendo este apenas homologado pelo juiz.

Considerando que a Officer S.A. Distribuidora de Produtos de Tecnologia. ( Officer ) encontra-se em processo de recuperação judicial, conforme

Sumário APRESENTAÇÃO... 15

O sócio que ceder suas quotas continua responsável pelas obrigações sociais até dois anos depois de modificado o contrato social:

PODER JUDICIÁRIO COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA FORO CENTRAL 1 a VARA DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÕES JUDICIAIS

PEÇA PRÁTICO PROFISSIONAL

11/11/2010 (Direito Empresarial) Sociedades não-personificadas. Da sociedade em comum

Falência e Recuperação Judicial e Extrajudicial da Sociedade Empresária

Caderno Eletrônico de Exercícios Recuperação de Empresas

6.3 Competência específica à falência, 64 7 Remuneração, 74

São Paulo Rio de Janeiro Brasília Curitiba Porto Alegre Recife Belo Horizonte. Londres Lisboa Shanghai Miami Buenos Aires

Unidade I CONTABILIDADE EMPRESARIAL. Prof. Amaury Aranha

PARCELAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS REFIS DA COPA

I ENCONTRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E OS MEIOS PARA BUSCÁ-LA

Lei /08 A NOVA LEI DE CONSÓRCIOS. Juliana Pereira Soares

DECRETO Nº 2.525, DE 4 DE SETEMBRO DE Institui o Programa de Recuperação de Créditos da Fazenda Estadual REFAZ e dá outras providências.

Conceito de Empresário

- Crédito trabalhista: obrigação solidária do adquirente e alienante;

CURSO ON-LINE DIREITO COMERCIAL RECEITA FEDERAL PROFESSOR: YURI MACHADO

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS ESCOLA DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS CURSO DE DIREITO PLANO DE ENSINO

EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA

DIREITO EMPRESARIAL Módulo I Matutino Prof. ELISABETE VIDO Data: Aula: 6 e 7

PROTOCOLO E JUSTIFICAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DA MOENA PARTICIPAÇÕES S.A. PELA ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES S.A. Que entre si celebram

Lei nº , de (DOU )

Outros actos que têm de ser registados no Registo Comercial

MINISTÉRIO DA FAZENDA. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional PORTARIA PGFN Nº 79, DE 03 FEVEREIRO DE 2014

Recuperação Extrajudicial de Empresas em Crise Financeira. Profª. MSc. Maria Bernadete Miranda

SUGESTÃO PARA O DESENVOLVIMENTO PROGRAMA DE ENSINO DE DIREITO COMERCIAL. Da especificação dos temas do programa proposto para o Semestre (único)

INSTRUÇÕES NORMATIVAS - DNRC

A Nova Lei de Falências Esta lei prioriza a recuperação das empresas ao invés de decretar a sua falência.

RESUMO. A responsabilidade da sociedade é sempre ilimitada, mas a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas.

Questões Extras Direito Tributário Profº Ricardo Alexandre

DIREITO EMPRESARIAL PROFESSORA ELISABETE VIDO

PERDA INVOLUNTÁRIA DE EMPREGO

Programa Especial de Parcelamento - PEP

CIRCULAR Nº Documento normativo revogado pela Circular 3386, de 16/11/2008.

Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 96, de 2012

TEORIA GERAL DO DIREITO EMPRESARIAL

Projetos de Novo Código Comercial

NOTA PROMISSÓRIA NOTA PROMISSÓRIA NOTA PROMISSÓRIA NOTA PROMISSÓRIA NOTA PROMISSÓRIA NOTA PROMISSÓRIA CONCEITO

LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR

NOVA LEI DE FALÊNCIAS: RECUPERAÇÃO JUDICIAL

TEXTO INTEGRAL DA INSTRUÇÃO CVM Nº 168, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1991, COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELA INSTRUÇÃO CVM Nº 252/96.

RECUPERAÇÃO DE EMPRESA

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

DECISÃO INTERLOCUTÓRIA HOMOLOGAÇÃO DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL ANÁLISE APÓS ÚLTIMO DESPACHO NO MOV. 2304

INSTRUÇÃO CVM Nº 554, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2014, COM AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELA INSTRUÇÃO CVM Nº 564/15.

Extinção da empresa por vontade dos sócios

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA SUBSECRETARIA DA RECEITA MANUAL REFAZ II

DIREITO EMPRESARIAL - EXERCÍCIOS ICMS/DF AULA 3 ANTÔNIO NÓBREGA E RICARDO GOMES

REGULAMENTO DE EMPRÉSTIMO

ESTADO DE SERGIPE PREFEITURA MUNICIPAL DE ARACAJU Secretaria Municipal de Governo LEI COMPLEMENTAR N.º 64/2003 DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003

Recuperação de crédito de empresas sujeitas ao procedimento da recuperação judicial (Lei n.º /2005)

RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE

ROBERTO OZELAME OCHOA AMADEU DE ALMEIDA WEINMANN

Produto BNDES Exim Pós-embarque Normas Operacionais. Linha de Financiamento BNDES Exim Automático

a) Título (Alteração contratual), recomendando-se indicar o nº de seqüência da alteração;

Produto BNDES Exim Pós-embarque Normas Operacionais. Linha de Financiamento BNDES Exim Automático

Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital

II. Contrato Principal: o documento contratual, seus aditivos e anexos, que especificam as obrigações e direitos do segurado e do tomador.

PODER JUDICIÁRIO. PORTARIA Nº CF-POR-2012/00116 de 11 de maio de 2012

Novas regras para insolvência avançam em Maio, mas falta regular actividade dos gestores.

5º REVOGADO. 6º REVOGADO. 7º REVOGADO. 8º REVOGADO. 9º REVOGADO.

Transcrição:

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS MATERIAL DIDÁTICO RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL DIREITO COMERCIAL E LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA 3º SEMESTRE PROFESSORA PAOLA JULIEN OLIVEIRA DOS SANTOS ESPECIALISTA EM PROCESSO.. MACAPÁ 2011

RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL O NOVO DIPLOMA LEGAL Objeto: Recuperação judicial - Recuperação extrajudicial - Falência A quem se aplica: Empresário - Sociedade empresária A quem não se aplica: Empresa pública e sociedade de economia mista; instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. RECUPERAÇÃO JUDICIAL Devedor em dificuldades financeiras pode pedir recuperação judicial e ganha proteção contra execuções judiciais por 180 dias; Devedor permanece no controle da empresa enquanto negocia suas dívidas; devedor só perde o controle em casos excepcionais; Administrador judicial é nomeado pelo juiz apenas para fiscalizar as atividades do devedor; Apenas o devedor pode apresentar um plano de recuperação, que é submetido à aprovação pela maioria dos credores, que votam divididos em 3 classes; qualquer modificação do plano tem que ser aprovada pelo devedor, Plano aprovado é homologado pelo juiz e se torna obrigatório para todos os credores; Recuperação judicial não abrange créditos fiscais, adiantamentos sobre contratos de câmbio, credores titulares de propriedade fiduciária e créditos constituídos após o pedido; Possibilidade de venda de unidade produtiva isolada sem sucessão do adquirente nas obrigações do devedor. CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E DA FALÊNCIA - PRINCIPAIS AVANÇOS Prestigia o interesse geral e a satisfação dos credores; Possibilita o afastamento, eliminação e punição de dirigentes inaptos. Valoriza a participação dos credores nos procedimentos falimentares e de recuperação judicial; Altera a hierarquia de créditos na falência; Resgata a finalidade do procedimento falimentar, antes tratado como instrumento de cobrança; Viabiliza a rápida alienação de ativos evitando sua depreciação; Elimina a sucessão do arrematante nas obrigações do devedor (tributárias, trabalhistas e acidentes do trabalho). CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E DA FALÊNCIA O Administrador Judicial O administrador judicial será preferencialmente: Advogado, economista, administrador de empresas, contador, ou, pessoa jurídica especializada. O administrador judicial será fiscalizado pelo juiz e pelo Comitê de Credores. O Comitê de Credores 2

O Comitê de Credores será constituído por deliberação de qualquer das classes de credores na assembléia-geral e terá a seguinte composição: 1 (um) representante da classe de credores trabalhistas, com 2 (dois) suplentes; 1 (um) representante da classe de credores com direitos reais de garantia ou privilégios especiais, com 2 (dois) suplentes; 1 (um) representante da classe de credores quirografários e com privilégios gerais, com 2 (dois) suplentes. O Comitê de Credores - Principais atribuições Função Fiscalizatória: Fiscalizar as atividades do devedor e examinar as contas do administrador judicial; Comunicar ao juiz os casos de violação dos direitos ou prejuízo aos interesses dos credores; Requerer ao juiz a convocação da assembléia-geral de credores; Apresentar relatório da situação do devedor; Fiscalizar a execução do plano de recuperação judicial; Submeter à autorização do juiz, a alienação de bens do ativo permanente, a constituição de ônus reais e outras garantias, bem como os atos de endividamento. A Assembléia Geral de Credores Composta pelas seguintes classes: Titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho; Titulares de créditos com garantia real; Titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral ou subordinados. A Assembléia Geral de Credores - Principais atribuições Função Deliberativa Aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação judicial; Constituição do Comitê de Credores e escolha de seus membros; Aprovação do pedido de desistência do requerimento de recuperação judicial; Aprovação do nome do gestor judicial, quando do afastamento do devedor; Adoção de outras modalidades de realização do ativo; DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - OBJETIVOS Viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor; Permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores; Preservar a empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - CRÉDITOS SUJEITOS Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos. Não se sujeitará aos efeitos da recuperação judicial: Proprietário fiduciário Arrendador mercantil Adiantamento a contrato de câmbio para exportação. 3

DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - MEIOS DE RECUPERAÇÃO Constituem meios de recuperação judicial, dentre outros: Concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; Cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações; Alteração do controle societário; Substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; Aumento de capital social; Redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; Constituição de sociedade de credores; Venda parcial dos bens; Equalização de encargos financeiros; Usufruto da empresa. DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL - PROCEDIMENTO Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor não haverá sucessão do arrematante nas obrigações tributárias, trabalhistas e decorrentes de acidentes do trabalho. DA CONVOLAÇÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM FALÊNCIA O juiz decretará a falência durante o processo de recuperação judicial: Por deliberação da assembléia-geral de credores; Pela não apresentação, pelo devedor, do plano de recuperação no prazo de 60 (sessenta dias), contado da concessão do pedido da recuperação judicial; Quando houver sido rejeitado o plano de recuperação; Por descumprimento de qualquer obrigação assumida no plano de recuperação. A FALÊNCIA Pode ser requerida pelo devedor ou pelos credores, ou decretada no curso de um processo de recuperação judicial Não há nenhuma penalidade e nenhum incentivo para o devedor que não requer a sua auto-falência. Devedor pode se defender de um pedido de falência pedindo sua recuperação judicial Administrador judicial assume o controle da atividade e arrecada os bens para vendê-los e pagar os credores de acordo com a ordem de prioridade dos créditos. Venda da empresa toda ou de unidade produtiva pode ser feita sem que o adquirente seja responsável pelas dívidas do devedor. Credores podem deliberar sobre formas alternativas de realização do ativo. DA FALÊNCIA - DISPOSIÇÕES GERAIS A falência promove o afastamento do devedor de suas atividades. Visa a preservar e a aperfeiçoar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis. O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia processual. 4

Ocorre o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento proporcional dos juros. A decisão que decreta a falência da sociedade também acarreta a falência dos sócios ilimitadamente responsáveis. Firma individual Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Os efeitos acima indicados aplicam-se também ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da sociedade, há menos de 2 (dois) anos, quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. A responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada, dos controladores e dos administradores da sociedade falida será apurada no próprio juízo da falência. Sociedade limitada Sociedade anônima Sociedade em comandita por ações (acionista administrador) Prescreverá em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da sentença de encerramento da falência, a ação de responsabilização dos sócios de responsabilidade limitada. DA FALÊNCIA - CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: Os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; Créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado; Créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; Créditos com privilégio especial; Créditos com privilégio geral; Créditos quirografários; As multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; Créditos subordinados DA FALÊNCIA - PROCEDIMENTO A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras providências: Determinará, quando entender conveniente, a convocação da assembléia-geral de credores para a constituição de Comitê de Credores, podendo ainda autorizar a manutenção do Comitê eventualmente em funcionamento na recuperação judicial quando da decretação da falência; Ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal, Estaduais e Municipais das localidades em que o devedor tiver estabelecimento, para que tomem conhecimento da falência. O juiz ordenará a publicação de edital contendo a íntegra da decisão que decreta a falência e a relação de credores. DA FALÊNCIA - REALIZAÇÃO DO ATIVO 5

A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas e ordem de preferência: Alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco; Alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente; Alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor; Alienação dos bens individualmente considerados. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho; Os empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o arrematante não responde por obrigações decorrentes do contrato anterior. DA FALÊNCIA - REALIZAÇÃO DO ATIVO A alienação dos ativos observará uma das seguintes modalidades: Leilão, por lances orais; Propostas fechadas; Pregão. Publicação de editais: 15 (quinze) dias de antecedência, em se tratando de bens móveis; 30 (trinta) dias na alienação da empresa ou de bens imóveis. O juiz poderá autorizar modalidades diversas de alienação judicial; Em qualquer modalidade de realização do ativo adotada, fica a massa falida dispensada da apresentação de certidões negativas. DA FALÊNCIA - PAGAMENTO AOS CREDORES 1º - Realização das restituições. 2º - Pagamento dos créditos extra concursais. 3º - Pagamento dos credores, atendendo à classificação dos créditos segundo o quadro geral de credores. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa. Pagos todos os credores, o saldo, se houver, será entregue ao falido. DA FALÊNCIA - ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO FALIDO Extingue as obrigações do falido: 1. O pagamento de todos os créditos; 2. O pagamento, depois de realizado todo o ativo, de mais de 50% (cinqüenta por cento) dos créditos quirografários; 3. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento da falência, se o falido não tiver sido condenado por prática de crime falimentar; 4. O decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento da falência, se o falido tiver sido condenado por prática de crime falimentar. 5. Configurada a extinção das obrigações do falido ele poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. 6

A RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL Abrange somente créditos quirografários e com garantia real (trabalhistas estão excluídos). A negociação entre devedor e credores ocorre entre particulares, sem a participação do judiciário, de administrador judicial ou de qualquer órgão administrativo. Plano é vinculativo para todos os credores de uma mesma classe ou grupo de credores sujeitos às mesmas condições de pagamento caso seja aprovado por 60% dos créditos e levado à homologação judicial pelo devedor. Caso todos os credores concordem, o plano extrajudicial é um contrato e não precisa ser levado à homologação para ser obrigatório Não se sujeitam à recuperação extrajudicial os créditos: De natureza tributária; Derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho; Que tratem de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis; De arrendador mercantil; De proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade; De proprietário em contrato de venda e compra com reserva de domínio; Decorrentes de importâncias entregues ao devedor, em moeda nacional, de adiantamento de contrato de câmbio para exportação (ACC). O devedor poderá requerer a homologação em juízo do plano de recuperação extrajudicial, com as assinaturas dos credores que a ele aderiram. O plano poderá obrigar a todos os credores por ele abrangidos, desde que assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie. O plano poderá abranger a totalidade de uma ou mais espécies de créditos: Com garantia real até o limite do valor do bem gravado; Créditos com privilégio especial; Créditos com privilégio geral; Créditos quirografários; Créditos subordinados; Referências: COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. 21ª edição. Saraiva. São Paulo - 2009. 7

8 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ