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Transcrição:

Menção Honrosa Nova Friburgo Autor: Luis Eduardo Loiola de Menezes Aproximações O terreno destinado a implantação do Centro Cultural de Eventos e Exposições consiste em uma gleba, de posse do governo do estado, localizada ao longo da rodovia RJ-130, a 7 km de Nova Friburgo. O entorno se caracteriza por uma paisagem essencialmente rural na qual as áreas cultivadas se alternam com remanescentes de mata. Um riacho ocupa o fundo do vale e poucas construções esparsas pontuam o território. A presença constante do relevo acidentado da serra, desenhando a linha do horizonte, completa o cenário natural. O novo equipamento se insere em um conjunto de iniciativas que visam a melhoria da infraestrutura de um importante pólo econômico. Nesse sentido, o CCEE irá fomentar o potencial turístico consolidado no eixo que liga Nova Friburgo a Teresópolis. Projeto A necessidade de estabelecer uma arquitetura completamente integrada ao seu entorno definiu os principais condicionantes para a implantação do novo conjunto. Elegemos como premissa fundamental a proposta de um modelo de ocupação do solo ambientalmente correta, que respeite referencias e características da região. Esperamos dessa forma construir as relações simbólicas necessárias para transformar o que hoje é um espaço de passagem em um destino. Como gesto inicial, atribuímos dois eixos de intervenção: um perpendicular e o outro paralelo a rodovia. O eixo leste-oeste é antes de tudo um recorte no solo que organiza os principais acessos à edificação. Inicia-se com uma rampa e uma escadaria de acesso para em seguida configurar o átrio central e por fim acomodar o bloco do auditório, semienterrado. O eixo norte/sul se materializa em um prisma de madeira que faceia a rodovia. O posicionamento dessa lâmina, assim como sua materialidade, busca transferir para dentro do corpo construído as visuais para a paisagem, incorporando ao seu uso cotidiano a presença do entorno.

O conjunto proposto tem como fio condutor seus elementos de circulação e vazios. Os diversos setores foram dispostos linearmente pontuados por pátios cobertos e conectados por duas grandes varandas. Além de direcionar os fluxos, esses elementos foram concebidos como verdadeiros espaços de convívio diluindo as fronteiras entre o externo e o interno, estabelecendo assim uma linha de continuidade entre o edifício e a paisagem. Funcionam também como amplos beirais que sombreiam as áreas de permanência melhorando o desempenho térmico da edificação. A necessidade de coabitação harmônica com o entorno determinou a edificação em sua horizontalidade máxima, com controle das escalas de projeto. O declive natural do terreno determinou o desenvolvimento do conjunto em duas cotas de projeto. Na cota inferior, encaixados na topografia, encontramos estacionamentos e setores técnicos que se conectam diretamente com sala multiuso, salas de reunião/apoio, auditório e restaurante. É um espaço claramente de uso publico. Na cota superior, colocamos áreas administrativas, áreas de imprensa assim como parte das salas de reunião. Escadas e elevadores fazem a conexão vertical. É no átrio, elemento estruturador que concentra e distribui todos os fluxos, que percebemos a dimensão espacial da arquitetura proposta. O arranjo do programa permitiu reduzir ao máximo o impacto do sistema viário na paisagem. No lugar do tapete ininterrupto e árido de asfalto que caracteriza boa parte da implantação dos grandes equipamentos que beiram rodovias, temos uma sequencia de espaços urbanizados circundando nossa edificação. Pátios, calçadas, vegetação e paisagem tornam-se verdadeiras extensões de seus espaços internos ampliando assim seu uso. Todos os setores propostos são modulados e flexíveis permitindo uma infinidade de arranjos. A sala multiuso, com seu pé direito livre de 8 metros, pode ser dividida em três espaços menores ou integrar-se com o átrio. O auditório equipado para pequenas apresentações teatrais e projeções pode dividir-se em dois auditórios menores para palestras. Podemos inclusive imaginar uma configuração onde espaço multiuso, átrio e sala de apoio, completamente integrados tornam-se uma única plataforma equipada para um evento de maior porte. Um acesso de serviço atende a duas áreas de carga e descarga: uma para o auditório e outra para o setor técnico das áreas de exposição. Estrutura e infraestrutura Novas fronteiras O sistema construtivo adotado buscou conciliar economia de custos, redução de desperdícios, rapidez de execução, fácil manutenção e flexibilidade. Para tanto adotamos um sistema em Madeira Laminada e Colada. O MLC é um sistema estrutural totalmente pré-fabricado e

tecnicamente controlado permitindo a confecção de componentes construtivos resistentes sem os limitadores de medidas da madeira maciça. O uso inovador da madeira na construção do CCEE irá viabilizar uma produção e montagem rápida, baixos custos de manutenção, um elemento com alta resistência ao fogo mesmo sem tratamento especial além de proporcionar um ótimo desempenho térmico e acústico para a edificação. É também uma referencia ao modo de construir local. Citamos como exemplo o Park Hotel São Clemente, de Lucio Costa. A estrutura se desenvolve a partir de uma grelha de 2,40m com apoios a cada 16,8m. Forros e elementos de vedação foram rigorosamente modulados a partir de múltiplos de 1,20m. A criteriosa disposição dos pilares não interfere nos espaços internos permitindo futuras atualizações de layout e prolongando a vida da edificação. As redes de infraestrutura e lógica distribuem-se por uma plataforma técnica horizontal instalada na cobertura da edificação e que atende todos seus espaços internos evitando qualquer interferência na estrutura. Estratégias de gestão ambiental É importante que novas edificações estejam alinhadas aos esforços mundiais de desenvolvimento sustentável. As estratégias de gestão ambiental foram elencadas nos seguintes tópicos: - a escolha de um sistema construtivo que usa de madeira de reflorestamento. - ao contrário de outros componentes de construção de elevado consumo de energia para produção, o uso intensivo de madeira funcionará como um depósito de CO2 atendendo às mais rígidas normas de proteção aos efeitos de gazes nocivos para a atmosfera. - redução do ganho de calor através do uso de cobertura verde - uso de brises e varandas que filtram e protegem os planos de trabalho de luz direta; - águas pluviais captadas pela cobertura, direcionadas para cisternas de armazenamento e reutilizadas posteriormente na irrigação e em vasos sanitários; - amplo uso de luz natural indireta e filtrada; - ventilação cruzada permitindo a redução do uso de ar condicionado; - criação, na cobertura, de uma plataforma de suporte para painéis fotovoltaicos e solares capazes de suprir parcela expressiva do consumo de energia do edifício; - Área de reflorestamento aumentando a biodiversidade local. Em conclusão, a presente proposta pretende desenvolver um projeto arquitetônico privilegiando uma estrutura cujas fronteiras móveis de ocupação permitam um permanente diálogo entre o interno e o externo, respeitando as condições sociais e ambientais da região de atividade do CCEE.

Pranchas

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Ficha Técnica Autor: o Luis Eduardo Loiola de Menezes Coautores: o Maria Cristina Motta o João Rangel Crissiuma Colaboradores: o Luisa Leme Simoni Colaboradores: o Eduardo Duprat - Estrutura