A NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA É SIMPLES?



Documentos relacionados
Introdução À Astronomia e Astrofísica 2010

COMBINAÇÃO DOS SISTEMAS DE COORDENADAS UTILIZADOS EM NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA. O TRIÂNGULO ASTRONÔMICO OU TRIÂNGULO DE POSIÇÃO

SISTEMAS DE 18 COORDENADAS UTILIZADOS EM ASTRONOMIA NÁUTICA E NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA

ÓRBITA ILUMINADA HU F 152/ NT4091

Encontrando o seu lugar na Terra

Sistemas de coordenadas e tempo. 1 Sistema de coordenadas horizontal local

Introdução À Astronomia e Astrofísica 2010

16 Comprimento e área do círculo

Coordenadas Geográficas

NASCER E PÔR-DO-SOL E DA LUA. CREPÚSCULOS

RESUMO O trabalho apresenta resultados de um estudo sobre o texto A Geometria do Globo Terrestre

muito como cartas náuticas faça para o watercraft, ou o a mapa rodoviário para excitadores. Usando estas cartas e outras ferramentas pilotos possa

A Escola e o Relógio de Sol Resumo

O que são satélites? Existem 2 tipos de satélite, são os satélites naturais e satélites artificiais.

IBM1018 Física Básica II FFCLRP USP Prof. Antônio Roque Aula 6. O trabalho feito pela força para deslocar o corpo de a para b é dado por: = =

PROVA COMENTADA GEOGRAFIA/ ÍRIS TIPO B

A HORA PELO MUNDO. Inicial

Geografia/15 6º ano Turma: 1º trimestre Nome: Data: / / RECUPERAÇÃO FINAL 2015 GEOGRAFIA 6º ano

Centro Educacional Juscelino Kubitschek

Coordenadas Geográficas e Projeções Cartográficas. Prof. Bruno

O céu. Aquela semana tinha sido uma trabalheira!

Palavras-Chave: Sistema de Posicionamento Global. Sistemas de Localização Espacial. Equação de Superfícies Esféricas.

1a) Resposta: O aluno deveria ter pintado a bola maior de amarelo e a média de azul ou indicado a cor.

A abordagem do assunto será feita inicialmente explorando uma curva bastante conhecida: a circunferência. Escolheremos como y

Grupo de trabalho: OBJECTIVOS. Realizar actividades em parceria com outras escolas.

CONSTRUIR E UTILIZAR UM ASTROLÁBIO SIMPLES

I Seminário SIGCidades: Cadastro Territorial Multifinalitário. Fundamentos de Cartografia aplicados aos SIGs

Movimento Anual do Sol, Fases da Lua e Eclipses

GPS GLOBAL POSITION SYSTEM

17º Congresso de Iniciação Científica O CONHECIMENTO GEOMÉTRICO EM PORTUGAL NO SÉCULO XVI E SUAS APLICAÇÕES NA CARTOGRAFIA MARÍTIMA

Astronomia/Kepler. As hipóteses de Kepler [editar] Colaborações com Tycho Brahe [editar]

LATITUDE, LONGITUDE E GPS

Capítulo IV TAQUEOMETRIA

RADIAÇÃO SOLAR E TERRESTRE. Capítulo 3 Meteorologia Básica e Aplicações (Vianello e Alves)

SOCIEDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA SAB VII Olimpíada Brasileira de Astronomia VII OBA Gabarito do nível 3 (para alunos da 5ª à 8ª série)

Plataforma Equatorial

Elementos de Astronomia

Vestibular1 A melhor ajuda ao vestibulando na Internet Acesse Agora! Cinemática escalar

AULA O4 COORDENADAS GEOGRÁFICAS E FUSOS HORÁRIOS

Objetivos. Apresentar as superfícies regradas e superfícies de revolução. Analisar as propriedades que caracterizam as superfícies regradas e

Planetário de pobre. Introdução. Materiais Necessários. Vamos simular e entender o movimento da abóbada celeste com uma montagem simples e barata.

Figura 1 - O movimento da Lua em torno da Terra e as diferentes fases da Lua

- Global Positioning System - - Sistema de Posicionamento Global -

Departamento de Matemática - UEL Ulysses Sodré. Arquivo: minimaxi.tex - Londrina-PR, 29 de Junho de 2010.

Questão 01) A linha imaginária que circula a Terra a de latitude norte denomina-se:

Movimento Annual do Sol, Fases da Lua e Eclipses

ESCALAS. Escala numérica objeto. é a razão entre a dimensão gráfica e a dimensão real de um determinado. d/d = 1/Q

Engenharia Civil Topografia e Geodésia. Curso Técnico em Edificações Topografia GEODÉSIA

IBM1018 Física Básica II FFCLRP USP Prof. Antônio Roque Aula 4

Tópico 02: Movimento Circular Uniforme; Aceleração Centrípeta

COLÉGIO JOÃO PAULO I GEOGRAFIA - EXERCÍCIOS 1ª PARCIAL V2 1ª SÉRIE

Abril Educação Astronomia Aluno(a): Número: Ano: Professor(a): Data: Nota:

Só Matemática O seu portal matemático FUNÇÕES

Simetria Externa. Universidade de São Paulo. Instituto de Química de São Carlos. Departamento de Química e Física Molecular. SQM Cristalografia

SOCIEDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA SAB VII Olimpíada Brasileira de Astronomia VII OBA Gabarito do nível 2 (para alunos da 3ª à 4ª série)

O mundo à nossa volta é povoado de formas as mais variadas tanto nos elementos da natureza como nos de objetos construídos pelo homem.

Exercícios de Cartografia II

C Curso destinado à preparação para Concursos Públicos e Aprimoramento Profissional via INTERNET RACIOCÍNIO LÓGICO AULA 9

APLICAÇÕES DA DERIVADA

Medida da velocidade de embarcações com o Google Earth

Jardim de Números. Série Matemática na Escola

QUE HORAS SÃO? Neuza Machado Vieira Professora Assistente Doutora (aposentada) em Geografia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais UNESP/Franca

Esfera e Sólidos Redondos Área da Esfera. Volume da Esfera

Lista de exercícios nº 2

Hoje estou elétrico!

Movimentos da Terra PPGCC FCT/UNESP. Aulas EGL 2016 João Francisco Galera Monico unesp

Ano: 6º Turma: 6.1 / 6.2

CAPÍTULO 1 Introduzindo SIG


Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe

Topografia. Conceitos Básicos. Prof.: Alexandre Villaça Diniz

Medindo a Terra com Sombras

Introdução à Astronomia Semestre:

Curso: Ensino Fundamental II Disciplina: MATEMÁTICA Professor: Álvaro / Leandro

Fundamentação Teórica

Conceitos e fórmulas

As aventuras do Geodetetive 4: As quatro estações. Série Matemática na Escola. Objetivos. As aventuras do Geodetetive 4 1/16

Aula 04 Medidas de tempo

Estações do Ano e Fases da Lua

Como surgiu o universo

Levantamento topográfico

SOCIEDADE ASTRONÔMICA BRASILEIRA SAB IV Olimpíada Brasileira de Astronomia IV OBA Gabarito da Prova de nível I (para alunos de 1ª à 4ª série)

Hoje adota novas tecnologias no posicionamento geodésico, como por exemplo o Sistema de Posicionamento Global (GPS)

Sistema GNSS. (Global Navigation Satellite System)

Projeção ortográfica da figura plana

Lista de Exercícios - Integrais

Movimentos da Terra e suas consequências

Nosso objetivo será mostrar como obter informações qualitativas sobre a refração da luz em um sistema óptico cilíndrico.

15 O sistema solar e seus planetas

Lista de Geografia I Data da entrega: 21/03/2016

As Fases da Lua iluminado pela luz do Sol A fase da lua representa o quanto dessa face iluminada pelo Sol está voltada também para a Terra

2. (UFRN) Analise a figura abaixo e assinale a opção que corresponde, respectivamente, às coordenadas geográficas dos pontos X e Z.

Prof. Franco Augusto

A Terra gira... Nesta aula vamos aprender um pouco mais. sobre o movimento que a Terra realiza em torno do seu eixo: o movimento de

A Geometria e as distâncias astronômicas na Grécia Antiga

Professores: Aliomar Santos, Alisson Coutinho, Clayton Staudinger, Diogo Lobo, Elma Mota, Fabiano Nader, Luiz Fernando Gomes e Walfrido Siqueira.

Leis de Newton e Forças Gravitacionais

1 a QUESTÃO: (2,0 pontos) Avaliador Revisor

REFLEXÃO DA LUZ: ESPELHOS 412EE TEORIA

Eclipse. ( Acesso em: )

Transcrição:

A NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA É SIMPLES? 2005

Curso de Capitão o Amador: PROGRAMA E INSTRUÇÕES GERAIS PARA O EXAME DE CAPITÃO O exame para a categoria de Capitão Amador constará de uma prova escrita, com duração máxima de quatro horas e trinta minutos. A prova escrita constará de quatro partes: ❶-NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA (Valendo 1,0 ponto, ) Problemas de Passagem Meridiana. ❷- NAVEGAÇÃO ELETRÔNICA (Valendo cinco pontos) Perguntas sobre: RADAR, RADIOGONIO, GPS e ECOBATÍMETRO ❸-ESTABILIDADE E FLUTUABILIDADE DE EMBARCAÇÕES (Valendo 1,0 pontos) ❹- METEOROLOGIA BÁSICA (Valendo 1,0 ponto) ❺- SOBREVIVÊNVIA NO MAR (Valendo 1,0 ponto) ❻- COMUNICAÇÕES ( Valendo 1,0 ponto) SERÁ APROVADO O ALUNO QUE OBTIVER O GRÁU 5 (CINCO) NO TOTAL DE 10, ISTO É DEVERÁ ACERTAR 50% DA PROVA. Obs: O acesso à categoria de Capitão Amador será concedido ao Mestre Amador maior de 21 anos de idade.atualmente não é mais obrigatório o intervalo de dois anos entre a habilitação de Mestre e de Capitão Amador, mas é obrigatório ter a habilitação de Mestre.

A NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA É SIMPLES? Sinopse: 1-PARTE: Mostramos a importância que foi a observação do céu para criar modelos conceituais que induziram a criação de formas práticas para determinar a posição no Globo Terrestre. Como construir o Sistema de Coordenadas Geográficas. 2-PARTE: Mostramos que para a determinação da posição quando temos costa a vista, nada melhor que um medidor de altura (sextante). 3-PARTE: Com a definição da esfera celeste e com a ajuda da 2-parte, criamos uma maneira simples e indispensável de determinar a posição usando a medida das alturas dos Astros em relação ao Horizonte.

Página-01 1-PARTE a)-a interação de conceitos e observações. A TERRA REDONDA. Voltemos aos tempos da Babilônia 2500 anos atrás. As observações mostravam a eles que a terra era plana, mas apesar deles nunca terem visto o fim da terra, era suposto que a terra era finita, isto é, se viajassem para bem longe poderiam chegar onde o céu e a Terra se encontravam. Mas o modelo da terra plana envolta pelo Universo possuía alguns problemas: Se tudo caia para baixo, porque não a TERRA? Será que a terra era de tamanho infinito? Naquela época não existia o conceito de infinito nem de gravidade, mas os gregos não ignoraram o problema e conceberam a Terra como cilíndrica estando situada exatamente no "Centro do Universo". Desde que ela no centro do uni verso não tendo nenhuma direção particular para ir, ficar permanentemente no mesmo lugar. Isto resolvia o problema da Terra não ser infinita, mas tinham ainda outros problemas com o modelo. Os Gregos eram marinheiros e sabiam de longas datas, que quando um navio se afastava muito da costa, não só diminuía de tamanho, mas parecia que entrava na água. Isto é facilmente explicado se a Terra é de fato curva.

Página-02 Observavam também, em viagens para o Sul ou para o Norte, que algumas estrelas desapareciam, enquanto outras se tornavam visíveis, que é mais uma evidencia de a Terra não ser plana. Outra forma de demonstrar foi pelos eclipses da Lua Os Gregos tinham consciência de que o eclipse da Lua era causado pela passagem da Terra entre o Sol e a Lua. A linha de sombra na face da lua durante o eclipse era observada ser curva e de mesma curvatura. Somente um objeto que sempre mostra uma sombra circular independente da orientação é a "ESFERA", e conseqüentemente a TERRA era uma esfera. Supondo que a terra era esférica, os Gregos também resolveram a questão da direção em que caiam os objetos, era em direção ao centro da Terra. Este modelo satisfez os Gregos perfeitamente, pois em suas mentes a esfera era considerada ser a forma geométrica mais perfeita. Os Gregos estavam aplicando basicamente A VERSÃO DOS MÉTODOS CIENTÍFICOS MODERNOS para seus estudos de Astronomia. Suas observações cuidadosas deram condições de formar uma hipótese razoável para explicar fatos observados.

Página-03 b)-o movimento do céu. Ainda no campo das observações, os antigos tinham a sensação de que a terra estava parada e o céu é que se movimentava. Como tudo isso começou no Hemisfério Norte, lá era observada uma estrela com uma característica fantástica: Ela estava parada no céu e as outras rodavam em torno dela, era a ESTRELA POLAR. Com esta observação, foi deduzido facilmente que o céu rodava em torno de um eixo o qual passava pela estrela polar, pois isto explicava porque ela estava parada. O CÉU SERIA ENTÃO UMA GRANDE ESFERA CONCENTRICA COM A TERRA, ONDE ESTAVAM LOCALIZADOS TODOS OS ASTROS DO FIRMAMENTO. Era criado o modelo do céu que até hoje é usado em navegação Astronômica: "A ESFERA CELESTE O eixo de rotação do céu cruzava a superfície da terra em dois pontos, que viriam a ser chamados de Pólos, Norte e Sul.

Página-04 c)-o problema da determinação da posição no globo terrestre Vamos imaginar a Terra plana, como vemos nos Atlas, o Mapa Mandi. Para criar uma maneira de obter uma posição num plano, necessito de duas operações: i)- Determinar uma "ORIGEM de referência. ii)- A partir da origem definir direções. Definimos uma origem de referência na Terra plana e a partir dela determino quatro direções com duas retas perpendiculares entre si. Poderíamos chama-las as de Norte, Sul, Leste e Oeste. Note que a cada ponto na superfície da Terra plana posso associar um único par de direções e de distâncias. Como exemplo, localizo um ponto genérico A se for dado o par: (100k m Sul, 300k m Oeste) Mas a terra não é plana, ela é uma esfera, então temos que criar um sistema adequado para determinar uma posição na sua superfície. Sigo o mesmo raciocínio anterior, crio uma origem e eixos de referências (direções)

Página-05 Para isto tenho que introduzir a seguinte definição: O CIRCULO MÁXIMO Se cortar uma esfera dividindo-a em duas partes iguais, estou criando dois hemisférios. O circulo criado na superfície da esfera devido a este corte é denominado de CÍRCULO MÁXIMO. Então o Equador e os Meridiano são Círculos Máximos. Foi criada a ORIGEM para o sistema terrestre utilizando-se da intersecção da linha do Equador com um Meridiano que passava em Greenwich (O Meridiano de Greenwich) e as DIREÇÕES a partir dessa origem são. Norte, Leste, Sul e Oeste. De novo posso associar a cada ponto da superfície da terra esférica com um par de distâncias e direções. Localizo um ponto genérico "B" se forem dados o par. (1.800 km Sul, 3 600 km Oeste) mas sabemos que a posição de um ponto é dada por um par de coordenadas. Latitude = 30 S (SuI) Longitude = 60 W (Oeste)

Página-06 Como são usados graus em vez de distâncias? A resposta é simples: Foi definida a MILHA NÁUTICA. Se do centro da terra abro um ângulo de um minuto num Meridiano qualquer, a distância do arco na superfície da Terra é definida de UMA MILHA NÁUTICA ou 1852 metros. Note que se cria uma relação entre a medida de distância na superfície da terra e o ângulo no centro da Terra. Formaliza-se o "SISTEMA DE COORDENADAS GEOGRÁFICAS. A qualquer ponto na superfície da Terra posso associar a dupla : Latitude = 0 90 Longitude = 0 l80 SUL NORTE OESTE LESTE

Página-07 2-PARTE A Navegação Costeira. Como medir distâncias no mar? Esta é uma pergunta que qualquer mestre deveria responder, mas na verdade esta prática não é muito utilizada, não pela dificuldade, mas pela falta de conhecimento. Encontramos nas cartas náuticas alturas de faróis e de picos de montanhas (que se sobressaem) em relação ao nível do mar. Com a altura de um ponto observado podemos fazer o seguinte desenho: Note que se medirmos o ângulo "q, podemos com uma relação trigonométrica obter a distância "d" que estamos do ponto notável.para se obter a cotg q uso uma calculadora ou as tábuas do ângulo vertical. Como medir o Angulo Vertical θ? Uso um instrumento de medir ângulos chamado SEXTANTE. Ele foi inventado para medir ângulos não só astronômicas como também geográficos. A invenção do Sextante substituiu o antigo Astrolábio e todos os outros instrumentos de medição antigos. Apesar do grande desenvolvimento da navegação oceânica a base de aparelhos eletrônicos, o Sextante representa um instrumento indispensável à navegação e é um elemento de segurança preventiva contra as falhas sempre possíveis da parafernália eletrônica.

Página-08 Voltando ao mar, com o sextante nas mãos, determino o Ângulo Vertical de dois pontos notáveis. Um pode ser um farol e o outro o pico mais alto de uma Ilha. Pela fórmula, determino as distâncias e com centro nos pontos notáveis, traço os círculos de posição. Ploto na carta os dois círculos de posição, e onde eles se cruzarem é a posição desejada. Note que tenho como apoio às coordenadas dos dois pontos notáveis, nos quais é centralizado o circulo de posição. Veremos a frente, que em alto mar não temos nenhuma referência visível para obtenção de um ponto como temos em navegação costeira. Vamos usar certamente recursos astronômicos.

Página-09 3-PARTE A Navegação Astronômica. Numa situação em alto mar, o que nos parece é estar no meio de um grande pires de onde só se avistam os astros e o horizonte, não tendo nenhum ponto notável para ser usado na determinação da posição. Numa noite limpa, observando o céu em alto mar, temos a impressão de que todas as estrelas estão encravadas numa grande cúpula, e que elas nascem e desaparecem no horizonte. Esta observação levou a criação do modelo do céu como sendo uma grande esfera de raio infinito, a ESFERA CELESTE. Observo ainda que Sol e a Lua também nascem raspando o horizonte, dando a impressão de que eles estão também na esfera celeste. Esta observação dos astros rasparem o horizonte, nos dá a impressão de que o horizonte chega até a Esfera Celeste, isto é, tem raio infinito. O modelo da esfera celeste considera que todos os astros estão em sua superfície. e que o centro da Terra é o centro do Universo.

Página-10 Usando este modelo, coloco uma estrela na esfera celeste. Se ligar a estrela com o centro da terra, num certo instante, observo que esta linha marca um ponto na superfície da terra, este ponto é chamado de PONTO GEOGRÁFICO ou o PG ". Como o "PG" é um ponto localizado na superfície da terra posso associar a ele uma Latitude e uma Longitude. Como obter a "PG"? Para se obter o "PG" num certo instante, temos o ALMANAQUE NAUTICO, que é uma publicação editada pela Marinha. O "PG" é o ponto notável que estávamos procurando na carta para ser usado como ponto de apoio. Exatamente como foi feito no 2-parte. Lembre que na navegação costeira, para determinar a distância que estávamos do farol, medimos com o sextante o ângulo vertical do farol e usamos a sua altura que foi tirada da carta. Numa situação de alto mar, temos no barco o sextante e lá fora só temos o horizonte e os astros. O que significará, se medirmos o ângulo que a estrela faz com o horizonte. Este ângulo é denominado de ALTURA da estrela.

Página-11 RESUMO: Com o almanaque Náutico obtenho o "PG" da estrela. Com o sextante obtenho a "ALTURA da estrela em relação ao horizonte. Com estes dois dados uso o seguinte raciocínio: Está-se sobre o"pg" implica que a estrela esta sobre minha cabeça,ou que a altura é de 90. Se me afasto do "PG" (supondo que a esfera celeste está parada) a altura da estrela vai diminuindo até que ela fique beirando o horizonte, isto é, sua altura será de 0. Conclusão: Quanto mais afastado estivermos do "PG" menor a ALTURA da ESTRELA. Se fizermos um desenho disto tudo, notamos que a distância que estamos do "PG" é exatamente o arco do ângulo formado no centro da Terra entre o observador e o "PG. Mas surpreendentemente verifico que esta distância está relacionada com a altura da estrela por um ângulo de 90.

Página-12 Isto significa que quando tiro a altura de um astro, estou medindo a um ângulo que convertido em distância pela definição da milha náutica, será a distância que estou do "PG". Com a distância e compasso no "PG", posso traçar um circulo de posição, exatamente da mesma forma como fizemos na obtenção do circulo de posição na navegação costeira. Em alto mar teremos que medir no mínimo três estrelas simultaneamente, para obter três círculos de posição, traçados dos respectivos "PG"'s. A interseção dos três círculos será a posição obtida. O PRINCÍPIO BÁSICO DA NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA SE RESUME NA OBTENÇÃO, NUM CERTO INSTANTE, DA ALTURA DE UM ASTRO E DO "PG", USANDO RESPECTIVAMENTE, O RELÓGIO, O SEXTANTE E O ALMANAQUE NÁUTICO. Fim da apresentação