AULA DIA 25/05/2015 Docente: TIAGO CLEMENTE SOUZA E-mail: tiago_csouza@hotmail.com DIREITO PROCESSUAL PENAL IV
Procedimento Sumaríssimo (Lei 9.099/95) - Estabelece a possibilidade de conciliação civil, transação penal e suspensão condicional do processo. Há lesão ao devido processo legal? - Art. 98, I, CF. - Âmbito Processual: Infrações de menor potencial ofensivo.
- Art. 61 Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para efeito desta lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. (redação dada pela Lei n. 11.313/06). Critérios para fixação do Procedimento do Juizado Especial Criminal: a) natureza da infração penal (IMPO); e b) inexistência de circunstância especial que desloque a causa para o juízo comum, como, por exemplo, o foro por prerrogativa de função, a impossibilidade de citação pessoal do autuado e a complexidade da causa.
- O critério informativo dos juizados especiais criminais reside na busca da reparação dos danos à vítima, da conciliação civil e penal, da não aplicação de pena privativa de liberdade e na observância dos seguintes princípios: a) Oralidade; b) Informalidade (Ex.: art. 81, 3, dispensa o relatório da sentença); c) Economia processual; d) Celeridade; e) Finalidade e prejuízo.
- Com a redação dada pela Lei n. 11.313, de 28 de junho de 2006, que unificou o entendimento da expressão Infração penal de menor potencial ofensivo também ampliou a possibilidade de fixação desse procedimento para todas essas infrações, ainda que exista procedimento especial previsto. Ex.: crimes de abuso de autoridade (crime funcional) não se aplica o procedimento especial, mas sim a Lei 9.099/95.
- Conexão e continência: - Caso, em virtude de aplicação das regras do art. 78 do CPP, venha a ser estabelecida a competência do juízo comum ou do Tribunal do Júri para julgar também infração de menor potencial ofensivo, afastando, portanto, o procedimento sumaríssimo, isso não impedirá a aplicação dos institutos da transação penal e da composição dos danos civis. - Audiência de conciliação: - O magistrado deve marcar uma audiência de conciliação, sem a qual não poderá o MP oferecer a denúncia quanto à infração.
- Impossibilidade de citação pessoal do autuado: - Não encontrado o acusado para ser citado, o juiz encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para a adoção do procedimento previsto em lei (não se admite citação por edital ou por hora certa no Juizado Especial). - Complexidade da causa: - Remessa dos autos ao juízo comum, em que se adotará o procedimento sumário. - Reincidente: - Pode ser processado perante os Juizados Especiais, embora não tenha direito à transação penal nem à suspensão condicional do processo.
- Crime praticado com violência doméstica ou familiar contra a mulher: - há expressão vedação legal à aplicação da Lei n. 9.099/95 para qualquer infração penal decorrente de violência doméstica e familiar contra a mulher (art. 41 da Lei n. 11.340/06).
Procedimento Sumaríssimo - Fase preliminar e transação penal: I) Discricionariedade regrada: no lugar dos tradicionais e inflexíveis princípios da legalidade e da obrigatoriedade, segundo o qual o representante do MP tem o dever de propor a ação penal pública, o procedimento sumaríssimo dos Juizados Especiais é informado pela discricionariedade acusatória do órgão ministerial. Logo poderá, diante dos princípios da conveniência e oportunidade, deixar de oferecer a denúncia e propor um acordo penal com o autor do fato.
- Termo Circunstanciado: - Art. 60, caput: A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando as requisições dos exames periciais necessários. - Prisão em flagrante: - Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança.
- Comparecimento à sede do Juizado: - lavrado o termo, vítima e autor do fato são informados da data em que deverão comparecer à sede do Juizado Especial. - Audiência preliminar composição civil dos danos e transação penal: - Na audiência preliminar, presente o representante do MP, o autor do fato e a vítima e, se possível, o responsável civil, acompanhados por seus advogados, o juiz esclarecerá sobre a possibilidade de composição dos danos e da aceitação imediata da pena não privativa de liberdade.
- Composição dos danos civis: - Obtida a conciliação, será homologada pelo juiz togado, em sentença irrecorrível, e terá eficácia de título executivo a ser executado no juízo cível competente (art. 74). - Sendo ação de iniciativa privada ou pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação (art. 74, único). - Transação Penal: - Havendo representação ou tratandose de crime de ação penal pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o MP poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa. Caso aceite a transação, dispensa-se a instauração do processo.
penal: Requisitos para a transação - Tratar-se de crime de ação penal pública incondicionada ou condicionada à representação do ofendido. Logo, não se admite em caso de ação penal de iniciativa privada. - Não ter sido o agente beneficiado anteriormente no prazo de cinco anos pela transação; - Não ter sido o autor da infração condenado por sentença definitiva a pena privativa de liberdade; do TC; - Não ser caso de arquivamento
- Não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida; - Aceitação da proposta por parte do autor da infração e de seu defensor (constituído, dativo e público). - A aceitação da proposta não implica reconhecimento da culpabilidade. - Cabe apelação da sentença homologatória. - Descumprimento da transação: abrese vista ao MP que poderá propor a ação penal.
- Efeitos da sentença homologatória da transação: - não gera reincidência; - não gera efeitos civis, não podendo, portanto, servir de título executivo no juízo cível; - não gera maus antecedentes, nem constará da certidão criminal;
- Fase Processual: Oferecimento da denúncia: - Não solicitando novas diligências, arquivando ou remetendo o processo para o juízo comum, o MP oferecerá a denúncia oral (ou queixa no caso de ação privada) rol de 5 testemunhas. Testemunhas: - A defesa deve apresentar o rol na secretaria dentro do prazo de cinco dias antes da realização da audiência de instrução e julgamento, sob pena de o Juizado ficar dispensado de intimá-las.
- Audiência: - Aberta a audiência de instrução e julgamento, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, devendo manifestar-se quanto ao seu recebimento ou rejeição, bem como em relação às questões preliminares, prejudiciais e ao mérito. - Recebida a denúncia ou queixa, passase, de imediato, ao início da instrução: Oitiva da vítima; Oitiva das testemunhas de acusação; Oitiva das testemunhas de defesa; Interrogatório do acusado; Debates orais por vinte minutos cada parte; Sentença;
- Suspensão Condicional do Processo: Art. 89: admite-se a possibilidade de o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, propor a suspensão condicional do processo, pelo prazo de dois anos a quatro anos, em crimes cuja pena mínima cominada seja igual ou inferior a um ano. Acusado: não estar sendo processo ou não ter sido condenado por outro crime + estarem presente os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77, CP).