«ARTE CHINESA E A CULTURA DE MACAU»



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Transcrição:

«ARTE CHINESA E A CULTURA DE MACAU» No espólio museológico da CGD A partir do século XVI Macau tornou-se um ponto central na comunicação e divulgação entre a Civilização Europeia e Chinesa, uma fronteira económica e intercultural, de tecnologias, ideias e arte. A presença dos portugueses em Macau, a partir de 1553, manteve-se durante mais de 400 anos, permitindo uma simbiose entre a cultura portuguesa e chinesa, num visível intercâmbio intercultural. A diversidade artística da China relativamente às artes decorativas em associação a uma enorme capacidade de produção em massa, permitiu a Macau tornar-se um mercado artístico de exportação de porcelanas, sedas, marfins e mobiliário, ao gosto das encomendas dos soberanos da Ásia e da Europa. A Caixa Geral de Depósitos apresenta alguns objetos de origem chinesa pertencentes ao seu acervo museológico, por influência da presença do Banco Nacional Ultramarino em Macau, a partir de 1902. As peças de porcelana policromadas, esmaltadas e profusamente decoradas com motivos florais e figuras são de grande riqueza artística. A sua técnica foi desde sempre muito cobiçada. A sua origem remonta à dinastia Tang, entre os séculos VII a IX d.c. É um produto cerâmico que se caracteriza pela impermeabilidade, brancura, translucidez, dureza, vitrificação, vidragem e por um toque com som peculiar. O segredo da porcelana chinesa guardado durante séculos, baseia-se nas propriedades da argila (caulim), na submissão ao calor e na técnica de fabrico que a distinguem e a tornam única. São estas peculiaridades conjuntamente com o trabalho artístico e técnico que fazem destes artefactos, objetos tão apreciados ao longo dos tempos e motivo de encomendas ao gosto europeu e ao estilo Companhia das Índias. Outra vertente das artes decorativas, é a pintura que se tornou uma das formas de expressão artística com maior relevo e reconhecimento na China. A tradicional pintura chinesa revela-se com uma componente poética que exalta o estado de alma do artista em que o fascínio pela natureza fez desenvolver o estilo da pintura de paisagens. O biombo chinês aqui apresentado, é composto por 2 folhas articuladas, executado numa estrutura leve de madeira engradada, revestida por diversas folhas de papel de arroz e debruada com seda lavrada. O traço, os tons monocromáticos e a pintura da paisagem, reflecte a natureza representada com realismo e acrescida dos atributos ideais. Erguem-se as montanhas a pique, as cascatas, e as árvores sob um nevoeiro intenso, numa visão idealista e de simbiose entre a natureza e o universo. 1

Apresentamos também, um biombo japonês representativo da Arte Namban, réplica do original, efetuada pela Fundação Ricardo espirito Santo Silva, a partir do original que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga, atribuído ao japonês Kano Domi da escola de Kano, 1593-1600 do período Momoyama. Este biombo é composto por 6 folhas articuladas, executado em estrutura de madeira, coberta por sucessivas folhas de ouro, pequenas e quadradas, cuja sobreposição é imperceptível ao tato. A técnica, é a têmpera fraca com pincelada realista e colorido alegre, com pinceladas fortes e brilhantes. Esta pintura, representa de uma forma sequencial, a chegada dos portugueses a Nagasaki, no Japão, em 1543. Estabelecendo pela primeira vez um intercâmbio comercial e cultural, entre os dois países. O ambiente festivo e de curiosidade é representado pelas figuras que descarregam as diversas mercadorias oriundas do comércio com a China. São objetos de grande valor, cofres, caixas lacadas, porcelanas, rolos de seda e animais exóticos, que são descarregados do Navio Negro para o pequeno batel com a juda dos namban-jin ou seja, bárbaros do sul, como os portugueses eram apelidados, por sermos considerados pouco civilizados. O mobiliário lacado chinês foi desde sempre, muito apreciado no Ocidente. A laca foi uma invenção chinesa conhecida antes da era de Cristo. A laca pura é a seiva natural extraída de uma árvore que existia no sul e centro da China, que depois de submetida ao trabalho do artesão, servia para o revestimento de biombos e móveis. O armário apresentado é executado em madeira de essência folhosa, coberta com camada de revestimento de tonalidade preta, em laca. A decoração policromada em tons dourados e vermelhos representa elementos arquitetónicos e paisagísticos em fundo monocromático, tipicamente chinês. Célia Moutinho Gabinete de Património Histórico da Caixa Geral de Depósitos Novembro de 2012 2

Galeria de imagens 1. Pote chinês de porcelana 3

2. Reprodução de pote chinês da dinastia Qing 4

3. Poncheira em porcelana 4. Biombo Chinês de madeira, seda e papel 5

5. Biombo Namban (réplica) 6

6. Armário chinês em madeira lacada 7