INTRODUÇÃO A diversidade e a enorme diferença de comportamento apresentada pelos diferentes solos natural agrupamento em conjuntos distintos aos quais são atribuídos algumas propriedades classificação dos solos. Classificar um solo incluí-lo em um determinado grupo composto por solos de características e propriedades geotécnicas similares. Objetivo principal de se classificar um solo sob o ponto de vista de engenharia estimar seu provável comportamento ou ao menos orientar o programa de investigação necessário. Tendência racional de organização + experiência acumulada sistemas de classificação dos solos Validade dos sistemas de classificação?! A necessidade de se utilizar limites numéricos descontínuos para representar características progressivamente variáveis; A classificação baseada em parâmetros físico jamais traz uma informação mais completa que os próprios parâmetros obtidos; Representam a realidade dos solos onde foram desenvolvidos; Corre-se o risco da supervalorização da informação associada; São necessários pois possibilitam a transmissão do conhecimento. São fundamentais índices numéricos que universalizem os critérios adotados: areia, argila, mole, compacta, bem graduada, entre muitos outros. FORMAS DE CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS pela origem solos residuais e solos transportados (aluviais, coluviais...) pela sua evolução pedogenética classificação pedológica dos solos por características peculiares: presença de MO, estrutura,... pelo tipo e comportamento das partículas constituintes sistemas de classificação dos solos baseados em propriedades-índices mais empregados em engenharia propriedades índices granulometria e plasticidade
SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BASEADOS NAS PROPRIEDADES ÍNDICES Classificação granulométrica dos solos Baseada tão somente na distribuição granulométrica dos solos. Os solos são classificados pela fração granulométrica dominante e subdominante: argila arenosa, areia siltosa, silte argiloso,... Escalas granulométricas mais usadas
Sistema trilinear de classificação textural Um diagrama trilinear (ou triangular) permite a classificação textural dos solos considerando as porcentagens das frações areia, silte e argila obtidos dos ensaios granulométricos. Empregado na classificação de solos em engenharia rodoviária e em Pedologia. Exs: Diagrama trilinear textural do Bureau of Public Roads -EUA Diagrama textural empregado em levantamentos de solos no Brasil (Lemos e Santos, 1982)
Sistema de classificação da Highway Research Board (HRB) - sistema rodoviário de classificação Empregado na engenharia rodoviária em todo o mundo, proposto pelo Bureau of Public Roads e revisto pelo HRB(1945). Normatizado pela AASHTO M145 (1973). Classifica os solos em 8 grupos: solos granulares (% passante #200 < 35%) A-1, A-2 e A-3 solos finos (% passante #200 > 35%) A-4, A-5, A-6 e A-7 solos altamente orgânicos podem ser classificados como A-8 Descrição dos grupos e subgrupos SOLO A-1: mistura bem graduada de fragmentos de pedra e pedregulho, areia grossa, areia média, areia fina com ou sem material fino, não plástico ou fracamente plástico; SOLO A-1a: predomínio de fragmentos de pedra ou pedregulho com ou sem material fino bem graduado (menos de 50% passante #10, menos de 30% passante #40 e menos de 15% passante #200, Ip < 6); SOLO A-1b: predomínio de areia grossa a média, com ou sem material fino bem graduado (menos de 50% passante #40 e menos de 10% passante #200, Ip <6); SOLO A-3: areias finas de praia ou de deserto, sem material siltoso ou argiloso ou com muito pequena quantidade de silte não plástico, e areia fina fluvial mal graduada com pouca areia grossa e pedregulho (menos de 50% passante #40 e menos de 10% passante #200, NP); SOLO A-2: solos granulares variados, com graduação irregular e pouco material fino que não se enquadram nas classes A-1 e A-3 pela maior % passante #40 e/ou plasticidade; SOLO A-2-4 e A-2-5: materiais granulares cuja fração passante #40 apresenta características dos solos A-4 (A-2-4) e A-5 (A-2-5). Inclui também pedregulhos com % silte e Ip acima dos limites para solo A-1 e areia fina com % silte não-plástico acima dos limites para solo A-3; SOLO A-2-6 e A-2-7: semelhantes aos solos A-2-4 e A-2-5, exceto que a fração passante #40 apresenta argila plástica, tendo características dos solos A-6 (A-2-6) e A-7 (A-2-7); SOLO A-4: solos siltosos não plásticos ou moderadamente plásticos, com % passante #200 > 35%; SOLO A-5: solos semelhantes ao A-4, com material diatomáceo ou micáceo, podendo ser altamente elástico (alto valor de wl); SOLO A-6: solos argilosos com % passante #200 > 35%, podendo incluir misturas argilo-arenosas com até 64% de areia e pedregulho, sujeitos a grandes variações volumétricas; SOLO A-7: semelhantes aos solos A-6, porém mais elásticos, com alto wl e com grandes variações volumétricas; SOLO A-7-5: solos com moderado Ip em relação ao wl SOLO A-7-6: solos com alto Ip em relação ao wl
Índice de grupo (IG) Empregado no sistema da HRB, corresponde a um número inteiro que varia de 0 (solo ótimo quanto a capacidade de suporte) a 20 (solo péssimo quanto a capacidade de suporte). IG = 0,2 a + 0,005 a c + 0,01 b d a= (%passante #200) - 35% (0-40) b= (%passante #200) - 15% (0-40) c= wl - 40% (0-20) d= Ip - 10% (0-20) %passante #200 baseada no material passante na peneira 3 O IG é indicado entre parênteses completando a classificação HRB. +
Sistema de classificação HRB (AASHTO, 1973)
Sistema Unificado de Classificação de Solos (SUCS) - Unified Soil Classification System (USCS) ou Classificação Unificada de Casagrande Derivada do sistema de classificação elaborado por A. Casagrande (1948), inicialmente denominado Sistema de Classificação de Aeroportos adaptado pelo Bureau of Reclamation e U.S. Corps of Engineers (1953) emprego generalizado. Normatizado pela ASTM D2487 (1983). Os solos são classificados em 3 grupos e 15 classes. Grupos e classes de solos pelo SUCS SOLOS GROSSOS - mais de 50% retidos #200 SOLOS FINOS - menos de 50% retidos #200 TURFAS - solos altamente orgânicos, fibrosos, de baixa densidade e extremamente compressíveis PT ( peat ) Os solos grossos são divididos em: PEDREGULHOS -G( gravel ): + de 50% retidos #4 AREIAS -S( sand ): - de 50% retidos #4 com pouco ou sem finos (- de 5%) - coeficiente de curvatura bem graduados - W ( well graded ): GW, SW mal graduados - P ( poor graded ): GP, SP com finos (+ de 12%) - gráfico de plasticidade de Casagrande argiloso - C ( clay ): GC, SC siltoso - M (palavra sueca mo ): GM, SM entre 5 e 12% de finos - símbolo duplo. Ex: GW-GM Os solos finos são divididos em: ARGILAS - C: acima da linha A no gráfico de plasticidade SILTES - M: abaixo da linha A no gráfico de plasticidade SOLOS ORGÂNICOS -O( organic ): abaixo da linha A, cor e odor característicos e limites do solo seco em estufa baixa compressibilidade (wl < 50%) - L ( low ): CL, ML, OL alta compressibilidade (wl > 50%) - H ( high ): CH, MH, OH
Gráfico de Plasticidade de Casagrande Linha A (Ip= 0,73 (wl-20)) acima - solos argilosos abaixo - solos siltosos Linha B(wl= 50%) direita - solos compressíveis e muito plásticos esquerda - solos de baixa compressibilidade e de baixa a média plasticidade
Critérios para classificação no SUCS (ASTM, 1983)
Propriedades inferidas a partir da classificação SUCS Limitações dos sistemas de classificação convencionais Os sistemas de classificação tradicionais foram desenvolvidos com base na experiência acumulada com solos de clima temperado limitações e incompatibilidades quando aplicadas a solos tropicais e subtropicais: elevada dispersão de resultados de ensaios referentes às propriedades-índices (limites de consistência e granulometria); materiais finos com comportamento diferenciado, mesmo apresentando limites de consistência aproximados; ocorrência de solos argilosos tanto acima como abaixo da linha A do gráfico de plasticidade; diferenças quanto às propriedades inferidas e o comportamento geotécnico real (resistência, compressibilidade e propriedades hidráulicas).
Sistemas de classificação geotécnica não convencionais Baseados nas características físicas, estruturais e genéticas dos solos. Exs: argila porosa, solo laterítico, solo saprolítico, saibro,... Classificação MCT (M - miniautura, C - compactação, T - tropical) Sistema proposto por Nogami e Villibor (1981). Baseada em ensaios de compactação Mini-MCV e ensaios de perda por imersão com corpos de prova de 50 mm de diâmetro estimativa de propriedades mecânicas e hidráulicas de solos tropicais compactados. Agrupa os solos em duas classes de comportamento distintas: solos de comportamento laterítico (L) solos de comportamento não laterítico (N) Subdivididas em 7 grupos: LG - argilas lateríticas e argilas lateríticas arenosas LA - areias argilosas lateríticas LA - areias com pouca argila laterítica NG - argilas, argilas siltosas e argilas arenosas não lateríticas NS - siltes cauliníticos e micáceos, siltes arenosos e siltes argilosos não lateríticos NA - areias siltosas e areias argilosas não lateríticas NA - areias siltosas com siltes quartzosos e com siltes argilosos não lateríticas
IDENTIFICAÇÃO DOS SOLOS EM CAMPO Identificação expedita dos solos em campo métodos manuais para identificação das classes do SUCS (norma ASTM - D-2488-84) Solos grossos Exame da granulometria Inspeção visual do solo destorroado (auxílio de lupa). Descrições: angularidade, forma, condição de umidade, reação ao ácido clorídrico, consistência, cimentação, estrutura, intervalo de tamanho de partícula, tamanho máximo de partícula, tamanho da areia, tamanho e dureza do cascalho. Estima-se a % de pedregulhos e de matacões a para fração menor que 3 % cascalho, areia e finos + que 50% partículas visíveis a olho nu solo de granulação grossa - que 50% partículas visíveis a olho nu solo de granulação fina + que 50% partículas retidas #4 pedregulho + que 50% partículas passante #4 areia Solos finos Exame de resistência a seco Resistência oferecida pelo torrão seco ao ar ao ser quebrado entre os dedos indicação da natureza coloidal da fração fina. baixa resistência a seco solos siltosos (MH e ML) e orgânicos média resistência a seco argilas cauliníticas e orgânicas (abaixo da linha A) alta resistência a seco solos argilosos (acima da linha A) Exame de dilatância Uma porção de solo úmido é sacudida vigorosamente na palma da mão areias muito finas apresentam aspecto brilhante com exsudação de água, que desaparece com o reamassamento. Exame de rigidez Rola-se uma porção úmida de solo na palma da mão moldando pequenos cilindros de 3mm de diâmetro. cilindros frágeis solos abaixo da linha A cilindros resistentes posição mais alta em relação a linha A Cheiro Identificação de solos orgânicos pelo seu cheiro característico Cor Uso do Münsell Color Chart Cores escuras presença de matéria orgânica Cores cinzentas e manchadas má drenagem Cores amareladas e avermelhadas solos lateríticos