DA REMUNERAÇÃO DO APRENDIZ

Documentos relacionados
JOVEM APRENDIZ. Resultado do Aprofundamento dos Estudos. Coordenação-Geral de Normas de Contabilidade Aplicadas à Federação

LEI DO APRENDIZ. Art. 1 - Nas relações jurídicas pertinentes à contratação de aprendizes, será observado o disposto neste Decreto.

CONVENÇÃO COLETIVA 2015/2016

CARTILHA - CONTRATAÇÃO APRENDIZES

E S T A D O D O M A T O G R O S S O

A quem se destina a aprendizagem industrial

LEI N o , DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000

Processo PGT/CCR/ICP/Nº 7698/2014

DIREITOS DO TRABALHADOR ADOLESCENTE

Como é calculado o salário do aprendiz?

Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio de Janeiro

MÓDULO II PISO SALARIAL PROFISSIONAL NACIONAL

Como realizar o cálculo da Cota-aprendizagem. Matheus Florencio Rodrigues Assessor Jurídico do INAMARE Fone: (44)

Contrato de Aprendizagem

LAY OFF LEGISLAÇÃO encontra-se transcrito todo o texto, posto que pertinente. Ao final de cada item,

PARECER SUCINTO SOBRE OBRIGATORIADADE DA APRENDIZAGEM. NÚMERO DE QUOTISTAS INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 429 DA CLT.

RESOLUÇÃO CEG nº 12/2008

SALÁRIOS, REAJUSTES E PAGAMENTO GRATIFICAÇÕES, ADICIONAIS, AUXÍLIOS E OUTROS

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. PARECER COREN-SP ASFOR e GEFIS Nº 059 / 2011

OBJETIVOS. Associar o início da vida no mercado de trabalho com a conclusão de um curso profissional;

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ACRE CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO

PROJETO DE LEI N. O CONGRESSO NACIONAL decreta:

APRENDIZAGEM REFERÊNCIAS NORMATIVAS e ORIENTAÇÕES

Dispõe sobre o contrato de prestação de serviços e as relações de trabalho dele decorrentes.

Está em vigor a Medida Provisória n. 680, de 6 de julho de 2015, que institui o Programa de Proteção ao Emprego.

CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E RELAÇÕES DE ESTÁGIO

REGULAMENTO DA COMISSÃO EXECUTIVA DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO REDITUS - SOCIEDADE GESTORA DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS, S.A.

Fundatec Estágios. Veículo: Site da Casa Civil Fonte:

Alternativas da legislação trabalhista para o enfrentamento da crise

AS MUDANÇAS NO ESTATUTO JURÍDICO DOS DOMÉSTICOS EC 72/13 Gáudio R. de Paula e José Gervásio Meireles

Férias Individuais e Coletivas; Período Aquisitivo e Concessivo; Remuneração; Abono; Efeitos na Rescisão Contratual

celebram a presente CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO, estipulando as condições de trabalho previstas nas cláusulas seguintes:

O Adicional de Periculosidade

celebram a presente CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO, estipulando as condições de trabalho previstas nas cláusulas seguintes:

Considerando que as Faculdades Integradas Sévigné estão em plena reforma acadêmica que será implementada a partir de 2009 e;

Menor Aprendiz Perguntas Frequentes

ACORDO COLETIVO DE TRABALHO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR / 2011

Contratação e Modelo de Contrato

CAPÍTULO I - VIGÊNCIA E ABRANGÊNCIA CAPÍTULO II - REMUNERAÇÃO E PAGAMENTO

ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2011/2012

Programa de Participação dos Empregados em Lucros ou Resultados

Assim, a validade de um contrato de trabalho está adstrita ao preenchimento de requisitos estabelecidos pelo art. 104 do CC.

PARECER Nº, DE RELATOR: Senador RANDOLFE RODRIGUES

PROGRAMA DE APREDIZAGEM NO IFRN

ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2011/2013. Confira a autenticidade no endereço

SEESS - SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE DE CONTAGEM, BETIM E REGIÃO. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2014/2015

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

DESCRIÇÃO DO CARGO EXIGÊNCIA VALOR

Ainda a mesma legislação prevê no artigo 34, as atribuições dos Conselhos Regionais de Engenharia, entre outras:

SALÁRIOS, REAJUSTES E PAGAMENTO PISO SALARIAL

Resumo Aula-tema 07: Negociação coletiva e greve. Dissídio individual e coletivo.

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2014/2015

Parágrafo Único -- Não serão compensados os aumentos decorrentes de promoção, transferência, equiparação salarial e término de aprendizagem.

URGENTE. Para: SINDICATO DOS FISCAIS E AGENTES FISCAIS DE TRIBUTOS DO ESTADO DE MINAS GERAIS- SINDIFISCO/MG PARECER

Constituição Federal

DECRETO Nº 524, DE 02 DE JULHO DE 2003.

CONTRATO DE TRABALHO. Empregado Preso

art. 5º - Para efeito desde Regulamento, considera-se: II - indenização: valor devido aos beneficiários, em caso de sinistro;

UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL UNISC REGULAMENTO DO ESTÁGIOS CURRICULARES OBRIGATÓRIOS E NÃO- OBRIGATÓRIOS DOS CURSOS DE GRADUAÇÃO DA UNISC

I CLÁUSULAS ECONÔMICAS

Contribuições sindicais

PARECER COREN-SP 028 /2013 CT. PRCI n e Ticket:

LEI Nº Capítulo I DAS RESPONSABILIDADES

Contratos de trabalho por tempo determinado, previstos na CLT

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

A APRENDIZAGEM PROFISSIONAL, A ADMINISTRAÇÃO DIRETA E O SINASE

PLANOS DE SAÚDE REGULAMENTADOS

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Remuneração in natura - Cesta Básica 25/08/15

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2014/2016

Lição 13. Direito Coletivo do Trabalho

Disciplina: Direito e Processo do Trabalho 3º Semestre Professor Donizete Aparecido Gaeta Resumo de Aula

RECURSOS HUMANOS MÓDULO PRÁTICA TRABALHISTA I

PARECER N.º 81/CITE/2012

O CONTRATO DE APRENDIZAGEM E AS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELA LEI /2000

Convenção nº 146. Convenção sobre Férias Anuais Pagas dos Marítimos

SALÁRIOS, REAJUSTES E PAGAMENTO

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2010/2012

COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 417, DE 2014

Férias Remuneradas na Agricultura

RESUMO DA CONVENÇÃO COLETIVA DO TRABALHO 2014/2015.

1- CONTRATO DE TRABALHO

Fórum Nacional de Diretores de Faculdades/Centros/Departamentos de Educação das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR)

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº, DE Art. 2.º Para os efeitos desta lei, considera-se:

ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR EXERCÍCIOS 2014 e 2015

CLÁUSULA PREIMEIRA - DATA-BASE E VIGÊNCIA

CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES

CONTRATO DE TRABALHO DE CURTA DURAÇÃO

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SANTA CATARINA

O home office, o teletrabalho e a lei nº de

ECA, 01/12/2005, - 21! , 5.598/05), , 1º,

APRENDIZAGEM aprendizagem

Legislação e tributação comercial

EXMO. SR. DR. JUIZ PRESIDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA SEGUNDA REGIÃO.

MUNICÍPIO DE MORRINHOS Estado de Goiás

Documento II da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 13 de junho de PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES

Transcrição:

DA REMUNERAÇÃO DO APRENDIZ Inteligência da expressão condição mais favorável, inscrita no 2º do artigo 428 da CLT, e reproduzida no artigo 17 do Decreto nº 5.598/2005. O Decreto nº 5.598/2005, que regulamenta a contratação de aprendizes, se propôs a definir o sentido jurídico da expressão condição mais favorável, contida no 2º do artigo 428 da CLT. Nessa perspectiva, assentou, no parágrafo único do artigo 17 do aludido decreto regulamentador que se deve entender por condição mais favorável aquela fixada (1) no contrato de aprendizagem; ou (2) prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho, em que se especifique o salário mais favorável ao aprendiz, ou, por fim, aquele que vier a ser fixado como (3) piso regional. De fato, a expressão condição mais favorável acha-se inserta no 2º do artigo 428, da CLT, que diz: Ao aprendiz, salvo condição mais favorável, será garantido o salário mínimo hora. O supradito decreto, após reproduzir, no caput do artigo 17, esse dispositivo legal, se propôs a esclarecer o significado prático dessa expressão, assentando, no parágrafo único do aludido artigo 17: Entende-se por condição mais favorável aquela fixada no contrato de aprendizagem ou prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho, onde se especifique o salário mais favorável ao aprendiz, bem como o piso regional de que trata a Lei Complementar no 103, de 14 de julho de 2000. Convém esclarecer que o contrato de aprendizagem, definido como contrato de trabalho especial, a prazo determinado, resulta de imposição legal, inscrita no artigo 429 da CLT e reproduzida no artigo 9º do presente decreto. A norma jurídica obriga os

estabelecimentos de qualquer natureza a empregar e matricular nos cursos dos Serviços Nacionais de Aprendizagem número de aprendizes equivalente a cinco por cento, no mínimo, e quinze por cento, no máximo, dos trabalhadores existentes em cada estabelecimento, cujas funções demandem formação profissional. Trata-se, portanto, de um programa de educação profissional, voltado para a aprendizagem, que assegure ao aprendiz formação técnico-profissional metódica, tendo como pressuposto a inscrição do aprendiz em programa de aprendizagem, desenvolvido e sob a orientação de entidade qualificada em formação técnicoprofissional metódica. Dentre os Serviços Nacionais de Aprendizagem encontra-se o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI. Embora se recorra ao CBO para a definição das funções que demandam formação profissional, cumpre esclarecer que a aprendizagem não constitui categoria profissional, na medida em que a formação técnico-profissional metódica se desdobra em atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva. Além do que, pelo que dispõe o 1º do artigo 22 do Decreto em exame, é vedada qualquer atividade laboral do aprendiz, ressalvado o manuseio de materiais, ferramentas, instrumentos e assemelhados. O artigo 429 da CLT, antes transcrito (ver o artigo 9º do Decreto nº 5.598/2005), nada dispõe sobre a categoria profissional do aprendiz, sendo que as funções que demandam formação profissional constituem base de cálculo para obtenção do número de cotistas que as empresas estão obrigadas a contratar. Com efeito, na dicção do parágrafo único do artigo 17 do Decreto em exame, a condição mais favorável, a que se refere o 2º do artigo 428 da CLT, não é buscada junto às condições genéricas, categoriais, dos instrumentos normativos. Como ressalta o aludido dispositivo legal, a condição mais favorável se refere àquela onde

se especifique salário mais favorável ao aprendiz, quer no contrato de aprendizagem, quer em convenção ou acordo coletivo, ou, por fim, no piso regional de que trata a Lei Complementar nº 103/2000. Corresponde a isso que o aprendiz poderá ser remunerado (1) pelo salário-mínimo hora (CLT, art. 428, 2º); (2) pelo valor fixado no contrato de aprendizagem ; (3) pelo valor que se especificar em convenção ou acordo coletivo, ou, afinal, (4) pelo que dispuser a respeito o piso regional. A especificidade da remuneração, em instrumento normativo, ou na lei do piso regional, constitui condição sine qua non para que o aprendiz receba um salário diferenciado, mais favorável. O raciocínio aqui destacado é compatível com o que disciplina o artigo 26 do decreto em exame, que, visando a afastar discussões sobre os efeitos dos instrumentos coletivos de trabalho nos contratos de aprendizagem, estabelece que a aplicabilidade das cláusulas sociais dos mesmos pressupõe expressa previsão a respeito. Diz o artigo 26: Art. 26. As convenções e acordos coletivos apenas estendem suas cláusulas sociais ao aprendiz quando expressamente previsto e desde que não excluam ou reduzam o alcance dos dispositivos tutelares que lhes são aplicáveis. Nesse aspecto, resulta a assertiva de que a remuneração oficial do aprendiz é o salário mínimo hora, salvo se o contrato de aprendizagem fixar remuneração maior, que terá, então, prevalência. Ainda assim, se a convenção ou o acordo coletivo especificar, para o aprendiz, de forma expressa, remuneração diversa, prevalecerá a maior, isto é, ou o salário mínimo hora ou aquela constante do contrato de aprendizagem, ou o que o instrumento normativo especificar.

Havendo estipulação específica, definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo, de salário ao aprendiz, esse prevalecerá em relação ao piso regional, ainda que este estipule salário mais favorável, por força do disposto no artigo 1º da Lei Complementar nº 103, de 14 de julho de 2000, que afastou a incidência do aludido piso em tal circunstância, in verbis: Art. 1º Os Estados e o Distrito Federal ficam autorizados a instituir, mediante lei de iniciativa do Poder Executivo, o piso salarial de que trata o inciso V do art. 7º da Constituição Federal para os empregados que não tenham piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho. De qualquer sorte, por simetria com o disposto no parágrafo único do artigo 17 do decreto em exame, essa condição mais favorável deverá vir especificada, expressamente, em favor do aprendiz, na lei estadual que instituir o piso regional. Portanto, quer se trate de convenção ou acordo coletivo, quer se trate de lei estadual que institua o piso regional, o salário mais favorável ao aprendiz deve ser expressamente especificado. Tranqüilo, pois, que a existência de salário normativo, fixado em convenção ou acordo coletivo de trabalho, afasta a incidência do piso regional, ainda que o valor neste fixado seja superior ao normativo. Em face do exposto, conclui-se: a) A remuneração oficial do aprendiz é o salário mínimo hora; b) Terá prevalência, se superior ao salário mínimo hora, a remuneração fixada no contrato de aprendizagem; c) Havendo convenção ou acordo coletivo, em que se especifique salário mais favorável ao aprendiz, terá

aplicação o instrumento normativo, não havendo que se cogitar do valor eventualmente fixado no piso regional; d) Inexistente cláusula normativa, em convenção ou acordo coletivo, que especifique a remuneração do aprendiz, o mesmo fará jus ao piso regional por hora, desde que expressamente previsto na lei estadual que o instituir. Por fim, faz-se oportuno e conveniente que as convenções e os acordos coletivos, a serem ulteriormente celebrados, especifiquem, de forma inequívoca, a remuneração dos aprendizes, neutralizando, assim, posteriores questionamentos a respeito do tema.