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Transcrição:

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE LITERATURA Professor(a) da Disciplina: Cássio Data: 2º TRIMESTRE Aluno (a): Nº Nota: 2º ano Ensino Médio Período: Matutino Valor da avaliação: Conteúdos: Fernando Pessoa, Modernismo em Portugal e os Heterônimos de Fernando Pessoa...] Maravilhosa vida marítima moderna, Toda limpeza, máquinas e saúde! Tudo tão bem arranjado, tão espontaneamente ajustado, Todas as peças das máquinas, todos os navios pelos mares, Todos os elementos da atividade comercial de exportação e importação Tão maravilhosamente combinando-se Que corre tudo como se fosse por leis naturais, Nenhuma coisa esbarrando com outra! Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas Com a sua poesia também, e todo o novo gênero de vida Comercial, mundana, intelectual, sentimental, [...] Os portos cheios de vapores de muitas espécies! Pequenos, grandes, de várias cores, com várias disposições de vigias, De tão deliciosamente tantas companhias de navegação! [...] A mistura de gente a bordo dos navios de passageiros Dá-me o orgulho moderno de viver numa época onde é tão fácil Misturarem-se as raças, transporem-se os espaços, ver com facilidade todas as coisas, E gozar a vida realizando um grande número de sonhos. [...] Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, pp. 332-33. 1. A que o eu lírico atribui a beleza extraordinária da vida marítima? 2. Pode-se afirmar que, de acordo com o eu lírico, os tempos modernos nada subtraíram da vida humana? Justifique sua resposta. 3. O eu lírico manifesta uma visão muito positiva em relação aos prazeres oferecidos pelos tempos modernos? Justifique sua resposta com uma passagem do texto. 4. De um lado, as opiniões do eu lírico são baseadas numa visão objetiva da realidade; de outro, algumas interpretações são produto de crenças divulgadas pelo Futurismo. a) Identifique uma percepção objetiva do eu lírico em relação à vida moderna. b) Identifique uma interpretação que pode ser considerada produto das ideias futuristas. [...] Estou só, só como ninguém ainda esteve, 1

Oco dentro de mim, sem depois nem antes. Parece que passam sem ver-me os instantes, Mas passam sem que o seu passo seja leve. Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li. Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir. O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi. Não ser nada, ser uma figura de romance, Sem vida, sem morte material, uma ideia, Qualquer coisa que nada tomasse útil ou feia, Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe. Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 356 5. Na segunda estrofe, o poeta declara a derrota de suas tentativas de aliviar a dor, antes mesmo de realizálas. Essa atitude revela a: a) profunda descrença em si mesmo. b) certeza de que não há consolo para sua dor. c) real intenção de entregar-se ao sofrimento. 6. A linguagem de Álvaro de Campos é marcada comumente por figuras de linguagem que traduzem intensamente os sentimentos do poeta. Identifique a figura de linguagem que caracteriza a construção dos seguintes versos: a) "Estou só, só como ninguém ainda esteve" b) "O sonho pesa-me antes de o ter." [...] Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. [...] Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira, Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. (Come chocolates, pequena: Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) [...] 2

Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, pp. 363-364. 7. O eu lírico acredita que suas reflexões são comuns a todos seres humanos. Que reflexões são essas, apresentadas nos sete primeiros versos transcritos? 8. O poema estabelece oposição entre "Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama" e "Mas acordamos e ele é opaco". Essa oposição pode ser entendida como contraste entre: a) o mundo plenamente compreensível e o mundo confuso dos sonhos. b) a pretensão humana de compreensão do mundo e a constatação de que esse desejo é mera ilusão. c) a capacidade de realizar sonhos e a constatação de que esses sonhos realizados não satisfazem. 9. Numa atmosfera de incertezas e frustrações, o eu lírico se depara com uma criança e dirige-se a ela de modo exclamativo; "(Come chocolates, pequena: / Come chocolates!". Com essas frases, o eu lírico incentiva a criança a: a) desfrutar prazeres de maneira espontânea. b) fugir dos problemas que ela já conhece. c) desprezar as pessoas que sofrem com desilusões da existência. d) encarar a vida de maneira irresponsável. 10. O eu lírico declara: "Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria" e "Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates". Nessas frases, o eu lírico refere-se a duas maneiras de explicar a realidade. a) Quais são elas? b) O eu lírico acredita na validade dessas explicações? 11. Ainda dirigindo-se à criança, o eu lírico lamenta-se: "Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!". Por que o eu lírico é incapaz de agir como a criança? O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 3

Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe por que ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência não pensar... Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, pp. 204-205. 12. O eu lírico afirma que anda pelas estradas sempre olhando atentamente em todas as direções. a) O que esse olhar cuidadoso oferece a ele? b) Transcreva dois versos consecutivos que justifiquem a resposta dada ao item anterior. 13. Para expressar as intensas sensações que experimenta com seu olhar rigorosamente concentrado no que vê, o eu lírico estabelece uma comparação. a) Que comparação é essa? b) A comparação presente no poema é surpreendente e sugere emoções em estado puro, que não são retidas pela memória. Dessa maneira, essa comparação reforça que ideia? Os sentidos decifram o mundo Com a afirmação "Pensar é estar doente dos olhos" Alberto Caeiro reafirma a tese de que as interpretações de todo o tipo, por criarem imagens, simulações da realidade, distanciam o homem da natureza e o tornam infeliz. O poeta aconselha que abandonemos a civilização e retornemos a uma espécie de "paraíso perdido", quando o homem estabelecia contato direto com a natureza, sem representar suas experiências por sons, desenhos, palavras ou pensamentos. Para conhecer melhor as teses de Alberto Caeiro, leia os versos a seguir. O que nós vemos das cousas são as cousas. Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra? Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos Se ver e ouvir são ver e ouvir? O essencial é saber ver, Saber ver sem estar a pensar, Saber ver quando se vê, E nem pensar quando se vê Nem ver quando se pensa. Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!), Isso exige um estudo profundo, Uma aprendizagem de desaprender [...] Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 217. 14. A segunda estrofe responde às perguntas que iniciam o poema. Que ideia essa resposta enfatiza? 15. Na terceira estrofe, o eu lírico utiliza uma metáfora para explicar por que é difícil que o ser humano consiga "ver sem estar a pensar". 4

a) Que metáfora é essa? b) Esclareça o sentido dessa metáfora. Para responder à questão 16, leia o poema a seguir. Olá, guardador de rebanhos, Aí à beira da estrada, Que te diz o vento que passa? Que é vento, e que passa, E que já passou antes, E que passará depois. E a ti o que te diz? Muita causa mais do que isso. Fala-me de muitas outras cousas. De memórias e de saudades E de causas que nunca foram. Nunca ouviste passar o vento. O vento só fala do vento. O que lhe ouviste foi mentira, E a mentira está em ti. Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 213. 16. Por meio de uma conversa, o eu lírico, na figura de "guardador de rebanhos", julga que a interpretação de seu interlocutor é equivocada. Explique em que consiste esse equívoco. Leia os versos transcritos a seguir para responder à questão 17. O luar através dos altos ramos, Dizem os poetas todos que ele é mais Que o luar através dos altos ramos. Mas para mim, que não sei o que penso, O que o luar através dos altos ramos E, além de ser O luar através dos altos ramos, É não ser mais Que o luar através dos altos ramos. Fernando Pessoa. In Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 222. 17. Explique qual a função da repetição insistente, presente nesses versos. 18. O eu lírico trata o tema da passagem do tempo de maneira: a) atormentada, pois sabe que nada resiste a sua ação. b) apreensiva, porque tem urgência de usufruir dos prazeres terrenos. c) resignada, já que aceita a impossibilidade humana de interferir no fluir do tempo. 5

19. Como quase tudo que escreveu Ricardo Reis, esses versos encerram um aconselhamento para melhor aproveitar a vida. a) O que o eu lírico aconselha? b) Justifique a resposta dada ao item anterior com uma passagem do texto.. 20. Estes versos de Ricardo Reis têm tom professoral, já que encerram aconselhamentos. Identifique ao menos dois conselhos presentes nestes trechos. Leia estes versos da segunda parte de Mensagem que fazem lembrar Os Lusíadas, de Camões. Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Fernando Pessoa. In Obra poética (com atualização ortográfica) Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p.82 21. Explique o que pretende representar a imagem hiperbólica presente nos versos Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal!? 22. Na avaliação que o poeta faz a respeito da conquista dos mares, o saldo é positivo, como se lê em Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena. De acordo com os versos da segunda estrofe, por eu se pode afirmar que os portugueses não têm alma? Para responder ás questões a seguir, leia os versos finais de Mensagem, em que Fernando Pessoa mais uma vez dialoga com Camões. Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, Define com perfil e ser Este fulgor baço de terra Que é Portugal a entristecer [...] Ninguém sabe que coisa quer. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é o mal nem o que é o bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro... É a Hora! [...] Fernando Pessoa. In Obra poética (com atualização ortográfica) Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p.89. 6

23. Como o poeta caracteriza Portugal nos versos finais de Mensagem? 24. Identifique no texto uma metáfora, referente ao Portugal, e explique seu sentido simbólico. 25. Compare o verso final de Mensagem É a Hora aos versos de O epílogo de Os Lusíadas, transcritos a seguir. [...] No mais, Musa, no mais, que a lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza De huã austera, apagada e vil tristeza. [...] Luís de Camões. Os Lusíadas. Porto: Porto Editora,p.335 7