CAPÍTULO 9 A INFINIDADE DE DEUS

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Transcrição:

CAPÍTULO 9 A INFINIDADE DE DEUS Todos os atributos incomunicáveis de Deus estão intimamente relacionados; eles não são estanques entre si. Deus é independente e, por isso, é imutável. É imutável porque não é alterado por nada que vem de fora, justamente porque é independente. Estas duas qualidades são possíveis em virtude de ele ser um Deus que possui infinidade. DEFINIÇÃO Quando falamos na infinidade de Deus, estamos nos referindo à impossibilidade de se medir ou quantificar as características do Ser divino. Há vários atributos que o homem possui e que são reflexos de alguns atributos que Deus tem. Esses atributos são chamados "comunicáveis". Eles são finitos e mensuráveis em todos os seres humanos. Todos nós podemos medir o conhecimento, a bondade e o poder de um ser humano, mas não podemos medir essas perfeições em Deus, porque Deus as tem de um modo infinito, impossível de ser averiguado em toda a sua profundeza. Contudo, a infinidade é um atributo incomunicável, que nenhuma criatura pode possuir. Há um certo sentido em que a infinidade de Deus diz respeito a tudo o que ele é. A sua infinidade é um atributo de todos os seus outros atributos. Nesse sentido, a infinidade qualifica todos os outros atributos. Por essa razão, podemos dizer que a sua misericórdia é infinita, que seu poder é infinito, etc. A Infinidade de Deus pode ser vista de duas maneiras: quando vista com relação ao tempo a chamamos de Eternidade, e quando a vemos com relação ao espaço a chamamos de Imensidão ou Onipresença. A. ETERNIDADE A eternidade de Deus já era crida desde o começo dos nossos pais na fé (Gn 21.33), em contraposição à transitoriedade dos deuses pagãos. Essa crença na eternidade atravessou a história através das Escrituras, tornando-se cada vez mais firme nos escritos apostólicos (Rm 16.26). Este é um dos atributos mais difíceis de serem entendidos porque os seres humanos estão presos a duas categorias das quais não podem jamais fugir: tempo e espaço. Em tudo o que fazemos, falamos ou imaginamos, estas duas categorias obrigatoriamente aparecem. Nunca podemos escapar da ideia de presente, passado e futuro. A vida sempre será medida por unidades sequenciais de tempo. Todavia, quando falamos de Deus, não podemos enquadrá-lo nas mesmas medidas que as nossas. Ele não está sujeito às categorias espaciais e temporais. 1

1. O CONCEITO POPULAR DE ETERNIDADE Esse conceito é aquele que está vinculado a um tempo sem fim. As Escrituras usam tal conceito para explicar esse atributo de Deus. Esta é a linguagem mais simples de ser compreendida. O escritor do Salmo 90 trata desse assunto de forma muito simples, que qualquer pessoa sem formação acadêmica pode entender. Salmos 90:1 Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Como o salmista pode afirmar com tanta certeza que o Senhor é o refúgio dos crentes por gerações sem conta? Por causa da sua relação com o tempo. Deus não é afetado pela noção temporal, como nós o somos. A expressão "de geração em geração" mostra o refúgio duradouro que Deus é para o seu povo, ao mesmo tempo que indica a transitoriedade dos seres humanos em contraposição à duração infinita de Deus descrita no verso seguinte. A razão dessa segurança perene do crente está baseada na eternidade de Deus: Salmos 90:2 Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. As gerações vêm e vão, mas Deus permanece o mesmo. Todavia, os seres humanos perecem a cada vez que Deus ordena: Salmos 90:3-4 Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens. Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite. Os seres humanos são profundamente afetados pelos anos, mas não é assim com Deus. Mil anos equivalem a muitas gerações de seres humanos, mas isso não tem importância alguma para a existência de Deus. O Deus eterno, para quem não existe passado, presente ou futuro, é o Deus que criou o tempo e que, portanto, existe antes da existência do tempo e existirá mesmo que a noção temporal venha a desaparecer. É por essa razão que para ele mil anos não representam nada de significativo! Jó 36:26 Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular. O curioso é que os deuses dos pagãos não possuem esta característica, porque foram criados pela imaginação humana. E eternidade é algo que não faz parte da mente humana, porque pertence somente ao Deus eterno. B. IMENSIDÃO Quando falamos nesse aspecto da infinidade de Deus, aparecem duas palavras: Imensidão e onipresença. Em certo sentido são termos sinônimos, porém cada um deles possui uma conotação diferente em relação às perfeições divinas. A Imensidão "assinala o fato de que Deus transcende a todo o espaço sem ficar sujeito às limitações do mesmo". A Onipresença "denota que Deus enche cada parte do espaço com seu Ser completo" 2

Enquanto a imensidão dá ênfase à transcendência de Deus, a onipresença dá ênfase à sua imanência. Deus está imanente em todas as suas criaturas, em sua criação total, mas de maneira alguma preso por ela. Quando dizemos que Deus é imenso com relação ao espaço, significa que ele transcende o espaço criado. Deus está além do espaço e não se confunde com ele. Ele enche o céu e a terra, mas estes não podem contê-lo, porque ele está além deles e acima deles. A essência de Deus não se confunde com a da sua criação. Está presente nela por inteiro, sem se misturar com ela. Como a luz do sol está presente no ar, mas não se mistura com ele, assim Deus está presente e enche todas as coisas, mas é totalmente independente delas. Deus está envolvido com suas obras feitas no tempo e no espaço, mas está acima de toda limitação espacial, embora a esfera espacial pareça infinita para nós. Assim como Ele existe antes e acima do tempo, ele também está acima e além de todo espaço. Se ele estivesse confinado somente ao espaço criado, ele não seria maior que a sua criação. O universo não pode contê-lo porque é feito por ele. A criatura é sempre inferior ao Criador. I Reis 8:27 Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei. Neste texto Salomão se admira de construir um templo para abrigar a Deus, quando esse Deus não pode ser contido pelo próprio universo espacial que ele criou. Esta é a imensidão de Deus! Ao mesmo tempo, Salomão pasma-se de que um Deus tão grande possa habitar num espaço tão pequeno de um universo feito com as suas próprias mãos, enchendo-o com toda a plenitude do seu ser. Ele pasma-se ainda mais de que esse Deus possa habitar num espaço menor ainda que é um templo de alguns poucos metros feito pelas mãos de homens, mas enchendo-o também com a plenitude do seu serl Esta é a onipresença de Deus! Este texto é a afirmação simultânea da transcendência e da imanência divinas! Um Deus tão grande, tão sublime, pede aos homens para fazerem uma casa onde possa habitar entre eles! No Novo Testamento, a mesma ideia se manifesta quando ele habita no santuário da nossa vida, e em cada um de nós individualmente, mas sem estar circunscrito ao espaço em que habita. Isaías 66:1-2 Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra. Neste texto o escritor mostra a imensidão de Deus. Deus é mostrado como alguém que possui formas humanas, para que fique acessível ao nosso entendimento. É dito que Ele 3

tem a sua cabeça nos céus e os pés na terra, para mostrar quão imenso ele é, e que o espaço físico do universo não o pode conter. É pequeno demais para Ele. Se o universo fosse milhões de vezes maior do que é, ainda assim seria pequeno para Deus, porque este está acima dos céus. Tudo veio das mãos dele, por isso Ele é maior do que a sua própria criação. Atos 7:48-50 Entretanto, não habita o Altíssimo em casas feitas por mãos humanas: como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Não foi, porventura, a minha mão que fez todas estas cousas? O Novo Testamento também tem o mesmo conceito da imensidão de Deus ao interpretar o texto do Antigo Testamento. Deus sempre está acima da sua criação e é independente da mesma. Os espaços do universo não podem conter a Deus, porque Deus já existia quando não havia espaço ainda. Uma essência infinita não pode estar circunscrita a um espaço finito. Este atributo divino é incomunicável à criatura. A noção de imensidão escapa ao entendimento dos homens. Estamos limitados ao fator espaço e é difícil pensarmos além dessa categoria. Não podemos ter uma real noção da imensidão divina, porque somos seres criados, limitados e Deus é infinito! C. ONIPRESENÇA O termo onipresença sempre será usado aqui para descrever a característica da infinidade de Deus que faz com que Ele tenha a sua presença plena em cada parte do espaço. SI 139.7-1 O - "Para onde me ausentarei do teu Espírito'? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão e a tua destra me susterá." O salmista está dizendo aqui que Deus pode ser encontrado em toda parte sem que esteja parcialmente em cada parte. Ao contrário, essa sua capacidade de onipresença significa que Deus enche cada parte do espaço com a plenitude da sua presença. Não há como fugir da sua presença total. Ele é encontrado em toda parte sem que haja qualquer fracionamento do seu ser. Em cada parte do seu inteiro universo Deus é encontrado em plenitude. É importante recordar que ele não é o universo, mas está totalmente em cada parte do mesmo. Também precisamos saber que ele não está espalhado pelo universo, como se cada parte dele estivesse num lugar. Ele pode ser encontrado tanto nas partes mais profundas como nas mais altas. Ninguém escapa da sua infinita presença. É esse o sentido que o salmista deu aos versos acima. Jr 23.23, 24 - "Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja') diz o Senhor; porventura não encho eu os céus e a terra? diz o Senhor." 4

Estes versos também mostram como o ser humano não pode escapar à presença de Deus. Ninguém pode ocultar-se dele devido à sua onipresença. Ele é o Deus sempre presente, um Deus que está perto, porque nunca ninguém pode ausentar-se dele. Nenhuma criatura pode fugir dos olhos daquele que vê todas JS coisas. Isso é impossível justamente porque ele "enche os céus e a terra" com sua presença. At 17.27, 28 - "... para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar. bem que não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos. e nos movemos, e existimos... " Deus não está longe de ninguém quando consideramos a sua natureza presencial. Deus está essencialmente presente em toda a parte, no céu e na terra. Não há lugar onde ele não esteja. Ele não está ausente de lugar algum. Ele penetra até mesmo os lugares mais ocultos. A criatura não pode fugir da sua presença "porque nele vivemos, nos movemos e existimos" (At 17.28). 212 O SER DE DEUS E os SEUS ATRIBCTC5 Deus está presente em cada parte do universo com o seu ser completo. Este é o sentido de onipresença. D. HÁ VÁRIOS MODOS DE SE ESTAR PRESENTE EM UM LUGAR Há algumas coisas que precisam ser ditas a respeito da presença das coisas num determinado lugar. Não existe apenas um único modo de se estar presente. A presença de um objeto ou de um ser num lugar depende da sua natureza: 1. Os Couros ESTÃO PRESENTES NO ESPAÇO CIRCUNSCRITNAMENTI Isto quer dizer que eles estão limitados pelo espaço. Esta maneira de estar presente é própria das coisas quantitativas, dotadas de extensão física. Um corpo enche um espaço particular onde ele está; o seu espaço é a medida do seu tamanho e outro corpo não pode ocupar esse mesmo espaço simultaneamente. 2. Os EsPíRITos FINITOS EsTÃO PRESENTES DEFINIDAMENTE Os anjos ou demônios estão operando em algum lugar definido, mas não estão em toda parte, somente em algum lugar. A sua maneira de estar é diferente da maneira como os corpos ocupam espaço. Muitos espíritos podem estar no mesmo espaço, mas eles não ocupam espaço do mesmo modo que os corpos. Não se pode negar, contudo, que eles estão presentes em algum lugar. 3. DEUS ESTÁ PRESENTE REPLETIVAMENTE Isto quer dizer que ele enche todo espaço. As limitações do espaço não são um referencial para ele. Ele não está mais presente em um lugar do que em outro. A extensão é propriedade da matéria, não de Deus. Quando dizemos que Deus está totus em todo lugar, 5

queremos dizer que ele não está em todo lugar por partes, como os corpos estão. Ele enche todo o espaço com a plenitude do seu ser. Sobre isto, diz A. A. Hodge: Este enchimento do espaço não se deve à multiplicação infinita do Seu Espírito, visto que Ele é eternamente um e individual; também não é resultado da difusão infinita de Sua essência através do espaço infinito, como o ar é difuso sobre a superfície da terra, visto que Deus, sendo um Espírito, não é composto de partes, nem é capaz de extensão. mas a Divindade inteira em urna indivisível essência está igualmente presente em cada momento de eterna duração à totalidade do espaço infinito, e cm cada parte dele.'!' 1.;i A. A. Hodge, Outlines oftheologv; 140-41. :\ l"lfinidade DE DEUS 213 E. HÁ DIFERENTES MODOS DE DEUS ESTAR PRESENTE Deus está presente em todas as coisas, mas em cada uma delas de maneira diferente, dependendo da capacidade do objeto em que ele está presente: a) Deus está presente na natureza de um modo diferente de sua presença nos homens. O cuidado que Deus tem com a natureza é diferente do cuidado que tem com os seres humanos, porque a natureza de ambos é diferente. b) Deus está presente no crente de um modo diferente do que está presente nos outros seres humanos. O modo da sua habitação é diferente. Ele está presente em todos os homens por causa de sua onipresença, mas está presente no coração dos crentes por causa do seu especial cuidado e proteção dos mesmos. Eles são o templo de Deus, onde Deus habita de maneira especial (Jo 14.23). Ele está presente em todos em virtude de sua essência divina, mas somente com o seu povo de maneira espiritualmente eficaz. c) Deus está presente no céu (Mt 6.9) de maneira diferente de sua presença no templo de Israel ou no tabernáculo (SI 76.2; Hc 2.20). O tabernáculo era apenas uma amostra muito pequena da sua gloriosa presença no céu. A diferença está na intensidade de influência e de impacto por causa da nossa própria natureza pecaminosa. Lá no céu perceberemos quão diferente é a sua glória comparada com a sua presença localizada no templo. F. A PRESENÇA DE DEUS PODE SER BENÉVOLA OU SEM BENEVOLÊNCIA 1. PRESENÇA SEM BENEVOLÊNCIA Na vida dos ímpios a sua presença é sem qualquer benevolência. De um lado, Deus está presente na vida dos ímpios refreando os seus pecados, enquanto eles vivem nesta presente condição. Deus está presente neles a fim de que eles não pequem em quantidade de que são potencialmente capazes. Deus refreia a sua pecaminosidade estando presente neles. 6

Por outro lado, a sua presença com eles nesta vida pode ser de julgamento parcial, quando mesmo estando com eles, ele os entrega às suas paixões, mostrando o seu descontentamento com eles. O fato de Deus entregá-los às suas paixões não significa que a sua presença tenha se retirado deles. A sua bondade refreadora é que é retirada, não a sua presença. Todavia, por sua onipresença, Deus está presente na vida deles. Estes são os modos diferentes de Deus estar presente na vida dos ímpios. Ainda na vida dos ímpios, a sua presença é também de juízo quando esta 214 O SER DE DEUS E os SEUS Arnrnuros vida termina. Essa presença acontece de modo negativo quando ele não manifesta nenhuma bondade para com os que estão no inferno. De modo positivo, a sua presença causa-lhes dor. Isto acontece quando da manifestação da sua justiça no inferno ou no lago de fogo. Deus estará presente no lugar de punição, sem qualquer manifestação de bondade em bênçãos confortadoras. Será uma presença que impinge terror, causando tormentos na existência dos condenados. É a sua presença de ira e de retribuição. 2. PRESENÇA COM BENEVOLÊNCIA Esta é a sua presença benévola que pode existir tanto na vida dos não-redimidos como na vida dos redimidos, no que diz respeito à sua providência. Providencialmente, Deus está presente com todas as suas criaturas porque ele as produziu e as preserva, 134 e elas não podem escapar desse cuidado.!" Deus pode ter uma presença providencial especial com algumas pessoas para que estas sejam instrumentos na execução do seu plano.':" Charnock diz que essa presença influente de Deus pode ser comparada à do sol, que, embora a tão grande distância da terra, está presente no ar e na terra por sua luz, e dentro da terra por sua influência em forjar aqueles metais gue estão nas suas profundezas, sem pertencer substancialmente a nenhum deles. 137 Todos estão expostos à luz do sol e são aquecidos por ela. Assim, Deus envolve todos os seres com a sua presença providencial e governadora. A diferença é que sentimos somente os efeitos do sol sobre nós, mas ele continua muito distante. Deus, contrariamente, está longe, mas ao mesmo tempo está junto de nós e em nós. 138 Não somente os seus efeitos são sentidos aqui, mas a sua presença está aqui. Como a fragrância de um perfume penetra os lugares mais escondidos da nossa vista. assim Deus penetra todos os lugares, porém com toda a plenitude do seu ser.!" Nada escapa da presença providencial de Deus. A grande diferença é que o perfume perde o seu cheiro de 7

acordo com o tamanho do ambiente onde está. mas a presença providencial de Deus abarca todo o universo e dura para sempre. 1.i. SI 36.6: Hb 1.3. "'At 17.28. 1." Is 45.1, 2 - o exemplo de Ciro: "Eu irei adiante de ti"; Jr 27.6- o exemplo de Nabucodonosor: "meu servo" rn Charnock, The Existence and the Attributes ofgod, vol.!, 369. 138 Is 55.6. 1.19 SI 139.7-9. _-\!'.':FINIDADE DE UEUS 215 A presença essencial de Deus com as suas criaturas é a base da subsistência das mesmas. Sem essa presença, tudo pereceria. Ele criou e dá subsistência a rudo.!" A sua providência atinge todas as criaturas, sejam elas remidas ou nãoremidas, racionais ou irracionais. Todavia, há alguns modos em que ele está presente unicamente com aqueles em quem colocou o seu coração, amando-os. Deus está presente neles: Salvadoramente: Deus está presente somente com os do seu povo e somente eles são objeto de sua presença especial. Todos os ímpios que estão para ser salvos o buscam porque ele está perto. Por sua graça especial, ele está presente.:::om os eleitos, regenerando-os - dando-lhes vida. Santificadoramente: quando ele exercita a sua tarefa de limpeza na vida do seu povo. Na verdade, a santificação é a salvação em processo. Deus está presente de modo maravilhoso, trazendo a restauração do seu povo até que tudo se complete e prepare para a entrada na glória. Gloriosamente: quando todo o seu povo estiver completamente redimido..-\í a sua presença será percebida de modo ímpar, como em nenhuma outra épo.:::a. pois agora o seu povo estará preparado para poder vê-lo como ele realmente é. O seu povo estará adaptado para uma comunhão absolutamente plena pela simples razão de que esse povo estará preparado para essa presença, coisa que não acontece no presente momento! Em todos os lugares, contudo, Deus está presente repletivamente. Ele está inteiramente presente com a infinidade do seu ser em toda a sua criação. G. RELAÇÃO DA INFINIDADE COM OS OUTROS ATRIBUTOS A infinidade de Deus manifestada na sua eternidade e na sua imensidão ou onipresença está relacionada intimamente com todas as outras perfeições divinas. porque todas elas são a essência de Deus: sua infinidade está relacionada com a sua sabedoria (Jó 11.7-9); com o seu poder (Jó 5.9; Sl 147.5); com a sua eternidade (Jó 36.26). 8

"Corno a eternidade é a perfeição por meio da qual Deus não tem começo nem fim, como a imutabilidade é a perfeição pela qual ele não tem aumento nem diminuição, assim a imensidão ou onipresença é a perfeição pela qual ele não tem fronteira nem limitação. Como ele está presente em todo tempo, tam- - Ler Is 40.12-31. 216 O SER DE DEUS E os SEUS ATRIBUTOS bém está acima e além do tempo; assim como ele está em todos os lugares. todavia, está acima e além da limitação espacial."141 Pode-se dizer que a eternidade "é um atributo negativo em Deus, porque é a negação de qualquer medida de tempo nele, assim como a imensidão é a negação de qualquer limite físico. Assim como a imensidão é a difusão da sua essência, a eternidade é a duração da essência".142 Assim como a eternidade é a perfeição divina que o relaciona com o tempo. a imensidão é a sua perfeição que o relaciona com o espaço, as duas categorias sem as quais não podemos ser, pensar, nem viver. Mesmo na outra vida, depois desta, ainda seremos seres com essas categorias, porque ainda seremos seres humanos. É por isso que a parte final da redenção humana será nos novos céus e na nova terra, onde as mesmas categorias estarão presentes, embora certamente num plano inteiramente superior. APLICAÇÃO a. PARA os INCRÉDULOS Quão terrível é para os ímpios saber que não podem ocultar nada de Deus. que tudo está patente aos seus olhos porque ele está presente em toda parte! Quão tolo é pensar que os homens podem fugir da presença de Deus! Quando os homens entram nos seus lugares mais secretos, Deus está ali no meio deles. Eles não podem nem mesmo pecar escondidos, pois tudo o que fazem está patente aos olhos do Deus onipresente (Hb 4. 13). Todos os ímpios vão prestar contas ao Onipresente dos seus atos ocultos. Ninguém foge da presença de Deus. Ele está presente até mesmo no mais secreto dos seus corações (P, 15.3). O Senhor observa tudo, porque está em toda parte! Os homens deveriam temer um Deus assim! b. PARA os CRENTES Enquanto a onipresença de Deus é terror para os ímpios, ela é matéria de conforto para os crentes. Charnock diz que "Ele enche o inferno com a Sua severidade, os céus com Sua glória, e o Seu povo com a Sua graça".':" 9