1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 07, ANO III JULHO DE 2011 1 EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI Não há mais necessidade de 2 sócios para abrir empresa Limitada, porém lei prevê capital social mínimo. Confira mais detalhes na página 2. 2 3 MAIS BUROCRACIA - CRIADA CND TRABALHISTA INDÚSTRIAS MINEIRAS VÃO RECEBER CRÉDITO INTEGRAL DO ICMS Editada Lei que altera a CLT e a Lei de Licitações, exigindo comprovação de quitação de débitos trabalhistas. Leia mais na página 3. Aquisição de bem para ativo imobilizado dá direito a crédito integral do ICMS. O artigo completo segue na página 3. 4 RECEITA DECIDE QUE PARCELAMENTO DE DEBÍTOS NÃO AFASTA O ARROLAMENTO DE BENS Receita edita Instrução Normativa revogando a IN n. 10.088/10. Confira íntegra na página 4. 5 MUNICÍPIO DE SÃO PAULO EDITA LEI DA NOTA FISCAL PAULISTANA E PACOTE TRIBUTÁRIO Prefeito de São Paulo sanciona minirreforma tributária. Leia mais na página 5.
2 1 EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI No dia 12 de julho de 2011, foi publicada no Diário Oficial da União, a Lei nº 12.241, que criou a tão esperada figura da empresa individual de responsabilidade limitada, ou EIRELI. A Lei n. 12.241, que só entra em vigor em janeiro de 2012, alterou o Código Civil e acabou com a necessidade de 2 sócios para abertura de empresas de responsabilidade limitada, permitindo que apenas uma pessoa o faça. A nova figura societária tem por objetivo possibilitar ao empresário a redução dos riscos que a atividade econômica produz e que são, em muitos ramos de negócio, bastante elevados. Até então, o empresário que desejava abrir empresa sozinha tinha que se submeter ao regime do empresário individual, que não limita sua responsabilidade pessoal pelos negócios da empresa. Entretanto, a empresa individual de responsabilidade limitada, diferentemente da sociedade limitada, deve possuir um capital mínimo de valor igual ou equivalente ao de 100 (cem) vezes o maior salário mínimo vigente no Brasil, além da exigência de identificar-se com a sigla EIRELI ao fim da razão social. De resto, o titular da EIRELI deverá submeter-se ao regime jurídico das sociedades limitadas, no que este for com ela compatível, ficando vedado ao empresário ter mais de uma empresa individual.
3 2 MAIS BUROCRACIA GOVERNO CRIA CND TRABALHISTA Foi publicada no Diário Oficial da União a Lei n. 12.440/11, que alterou a Consolidação das Leis Trabalhistas CLT e criou a Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. A lei entra em vigor somente 180 dias após sua publicação no Diário Oficial da União, para que os empresários possam se adequar à nova exigência. Além de alterar a CLT, a Lei n. 12.440/11 alterou também a Lei de Licitações (8.666/93), que passou a exigir a apresentação da CND trabalhista na documentação relativa à regularidade fiscal e trabalhista. Vale lembrar que os débitos que impossibilitam a emissão da CND Trabalhista são aqueles confirmados por decisão judicial com trânsito em julgado e ainda não quitados ou sem acordo firmado. Outrossim, quem estiver negativado devido a processos e débitos trabalhistas também não conseguirá obter benefícios de incentivos fiscais e poderá ter dificuldade em obter crédito e financiamento de bancos públicos, como o BNDES. 3 INDÚSTRIAS MINEIRAS VÃO RECEBER CRÉDITO INTEGRAL DO ICMS Com o objetivo de incentivar as indústrias a comprarem dentro do Estado, o Fisco Mineiro editou no dia 7 de julho de 2011, o Decreto n. 45.630, que alterou o regulamento do ICMS, para prever a possibilidade do contribuinte se apropriar do crédito do imposto destacado no documento fiscal, integralmente e de uma só vez.
4 O benefício fiscal, que não teve a chancela do CONFAZ, se aplica na aquisição de bem produzido no Estado de Minas Gerais, destinado à integração ao ativo imobilizado do estabelecimento industrial mineiro adquirente. Nos termos do Decreto, o benefício se aplica somente às aquisições ocorridas no período de 1º de agosto de 2011 a 31 de dezembro de 2012. Outrossim, para usufruir do benefício previsto no Decreto em comento, o contribuinte, deverá estar em situação regular perante o fisco. 4 RECEITA DECIDE QUE PARCELAMENTO DE DEBÍTOS NÃO AFASTA O ARROLAMENTO DE BENS A Receita Federal editou a Instrução Normativa n. 1.171/11, que revogou a IN n. 1.088/10. Esta última havia estabelecido que débitos fiscais parcelados não entrariam no cálculo que permite ao Fisco arrolar bens de uma empresa. O arrolamento é a listagem de bens que terão acompanhamento especial pelo Fisco. Eles podem ser comercializados, entretanto, ficará gravada nos registros essa condição e tal cessão só é possível com substituição de bem, que é tido como garantia do fisco. Nos termos da Lei n. 9.532/97, a Receita só poderá fazer o arrolamento se o valor de débitos do contribuinte ultrapassar 30% do patrimônio líquido do contribuinte e alcançar pelo menos R$ 500.000,00. A instrução normativa que foi revogada dizia que débitos incluídos em parcelamentos não deveriam ser contabilizados nesses 30%. Com a publicação da IN n. 1.171/11, eles passaram a fazer parte do total.
5 Desta forma, os contribuintes que aderiram ao REFIS não mais poderão pedir a baixa do arrolamento com base na IN nº 1.088/10. 5 MUNICÍPIO DE SÃO PAULO EDITA LEI DA NOTA FISCAL PAULISTANA E PACOTE TRIBUTÁRIO Foi publicada no Diário Oficial do Município a Lei n. 15.406/11, que, dentre outros assuntos, trouxe alterações na nota fiscal paulistana. Em razão da diversidade dos assuntos abordados pela lei, iremos pontuar apenas os mais relevantes: 1. Nota Fiscal Paulistana - A Lei aumenta os incentivos previstos na lei 14.097/05, para que os clientes de empresas prestadoras de serviços exijam nota fiscal, obtendo de volta 30% do Imposto Sobre Serviço (ISS) pago. 2. Programa de Parcelamento Incentivado A Lei autoriza a Prefeitura de São Paulo a reabrir, ainda neste ano, o prazo para ingresso de contribuintes que tenham dívidas oriundas de fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2009. Esses contribuintes podem ter redução de 75% na multa tributária e de 100% dos juros de mora, no caso de pagamento em parcela única. Quem parcelar a dívida pode ter redução de 50% na multa tributária e de 100% nos juros de mora. 3. ISS pré-pago nos estacionamentos - A lei prevê a criação de um cupom de estacionamento semelhante ao Zona Azul para que serviços de estacionamento ou vallet paguem ISS antecipadamente, aposentando o sistema atual, em que os estacionamentos fazem apenas estimativa de faturamento.
6 4. Domicílio Eletrônico do Cidadão Paulistano - Os contribuintes da cidade de São Paulo terão acesso a um sistema de comunicação eletrônica com a Secretaria Municipal de Finanças por meio de certificação digital, emitido por autoridade certificadora. A comunicação eletrônica poderá ser utilizada para cientificar o contribuinte de atos administrativos, encaminhar intimações, notificações e avisos em geral. O contribuinte também poderá consultar pagamentos efetuados, situação cadastral, autos de infração, fazer remessa de declarações e documentos eletrônicos. 5. Alívio para parceiros de MEIs - A lei desobriga a retenção e o pagamento de ISS em relação ao serviços tomados ou intermediados quando envolver microempreendedores individuais (MEI). 6. ISS menor para operações na Bovespa - Redução do ISS de 5% para 2% sobre para atividades de custódia de títulos mobiliários, compensação de cheques, ordens e pagamento e crédito relacionados às atividades da Bolsa de Valores de São Paulo. Ressaltamos que a reabertura do Programa de Parcelamento Incentivado (PPI) depende de Decreto específico, ainda não editado.