DOS BENS BENS PÚBLICOS 1. Introdução... 1 2. Classificação dos Bens... 1 BENS CONIDERADOS EM SI MESMO... 1 2.1 Corpóreos ou Incorpóreos... 1 2.2 Bens móveis ou imóveis... 1 2.2.1 Imóveis... 2 2.2.2 Móveis... 2 2.3 Bens Fungíveis e Infungíveis... 3 2.4 Bens Consumíveis e Inconsumíveis... 3 2.5 Bens Divisíveis e Indivisíveis... 4 2.6 Bens Singulares e Coletivos... 4 2.7 Bens reciprocamente considerados... 4 2.8 Bens quanto ao titular do domínio... 5 2.8.1 Bens particulares... 5 2.8.2 Res Nullius... 5 2.8.3 Bens Públicos... 5 2.8.3.1 Características dos bens públicos... 6 2.9 Bens fora do Comércio... 7 3. Questão Comentada... 8 1. Introdução Alguns autores classificam os bens como espécie do gênero coisas, sendo esta tudo que existe na natureza e aqueles as coisas que são úteis ao homem, economicamente valorável e suscetível de apropriação. O Código Civil de 1916 fazia confusão entre bens e coisas; o atual utiliza apenas a expressão bens. Mesmo a Doutrina classifica de forma diversa bens e coisas, sendo que muitos utilizam ambas as expressões como sinônimo. Para o Professor Washington Monteiro de Barros os bens são valores materiais ou imateriais que podem ser objetos de uma relação de direito. 2. Classificação dos Bens BENS CONIDERADOS EM SI MESMO 2.1 Corpóreos ou Incorpóreos O nosso Código Civil não faz distinção entre bens corpóreos ou incorpóreos, como os Romanos faziam. Corpóreos (materiais ou tangíveis) são os bens que possuem existência física, tais como casas, animais, jóias. Incorpóreos (imateriais ou intangíveis) são os bens que possuem uma existência abstrata, porém possuem valor econômico, tais como marcas, patentes, direito autoral, fundo de comércio. 2.2 Bens móveis ou imóveis Sem sombra de dúvida esta é a classificação mais importante de bens, pois em se definindo qual espécie é o bem, se definirá qual é o direito que a ele é aplicável, bem como a relação jurídica cabível. O efeito direto dessa definição é que os bens móveis podem ser adquiridos por simples tradição, sendo que se forem considerados imóveis exigem escritura pública e registro no Cartório de Registros de Imóveis para que sejam adquiridos. Ainda, no caso de bens imóveis, caso seu titular seja casado em qualquer tipo de regime de bens, salvo por separação total de bens, necessita para que haja alienação ou hipoteca a outorga do outro cônjuge (marital ou uxória), mas caso o bem seja móvel, tal autorização não é exigida. Outro efeito prático recai sobre o prazo para usucapião, bem como para os direitos reais, sendo a hipoteca para bens imóveis e penhor para bens móveis. Atualizada AGO/2010 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 1
2.2.1 Imóveis Os bens imóveis são, em regra, os bens que não podem ser transportados ou removidos de um lugar para o outro sem perder a sua característica ou integridade. 2 Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; II - o direito à sucessão aberta. Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis: I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Dessa ordem, os bens imóveis são divididos: Por sua própria natureza compreendem o solo o subsolo e o espaço aéreo sobrejacente, sendo que o proprietário do solo é também o dono do subsolo para efeito de construção. ATENÇÃO: A Constituição limita a propriedade, determinando que os recursos minerais e hídricos constituem propriedade distinta do solo para efeito de exploração e aproveitamento, pertencendo ao domínio da União (art. 170 da CR/88). Por acessão natural os bens que pertencem ao solo em virtude de sua natureza, como as árvores e todos os seus frutos, ainda que plantadas pelo homem; porém se a árvore for destinada para corte, será classificada como bem móvel, assim como as plantadas em vasos. Por acessão artificial ou industrial qualquer coisa que o homem incorporar ao solo de forma permanentemente e que a sua remoção acarrete a destruição do bem, tais como edificações e plantas, não perdendo a característica de imóveis, por exemplo, as casas que forem removidas na sua integridade para outro local, nem mesmo os Atualizada AGO/2010 Oficial Escrevente do Tribunal de Justiça do Rio materiais que temporariamente forem desagregados da casa para logo serem recolocados, como telhado (art. 81). Por determinação legal alguns bens são considerados imóveis pela lei para que recebam uma maior proteção jurídica. São exemplos os direitos reais 1 sobre imóveis e as ações que os asseguram e o direito à sucessão aberta. Também são considerados pela legislação como bens imóveis os navios e aeronaves, dessa forma, sua transmissão se dá por escritura pública, devem sofrer registro especial e admitese hipoteca. Por acessão intelectual são os bens móveis que o proprietário imobiliza como ato de sua vontade, mantendo-os intencionalmente agregados aos bens imóveis para exploração industrial, aformoseamento ou comodidade, como equipamentos, maquinários, ferramentas e objetos de decoração (tratores, veículos, animais, ar-condicionados etc.). CUIDADO: O atual Código Civil não traz mais essa classificação, qualificando esses bens como pertenças 2. 2.2.2 Móveis O Código Civil de 2002 classifica os bens móveis como os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social (art. 82). Também são classificados os bens móveis em: Por sua natureza os bens que podem ser removidos ou transportados sem perderem a sua característica ou 1 Para o Professor Sílvio de Salvo Venosa os direitos reais traduzem relação jurídica entre uma coisa, ou conjunto de coisas, e um ou mais sujeitos, pessoas naturais ou jurídicas. 2 CC/2002 - Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores
sofrerem danos: sendo ainda classificados em móveis por força própria como os móveis semoventes (animais em geral) ou móveis por força alheia como os móveis propriamente ditos (carros, jóias, cadeiras etc.). ATENÇÃO: Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio (art. 84). Por antecipação são os bens que originariamente são imóveis, pois incorporados ao solo, como as árvores, mas que a vontade humana e por uma finalidade econômica tem intenção de converter em móvel, como as árvores de corte. Por determinação legal os bens que a legislação determina a sua característica de móvel. São exemplos: as energias que tenham valor econômico (elétrica, gás etc.); os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; e, os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações (direitos autorais, propriedade industrial, patentes, marcas, quotas e ações de sociedades). 2.3 Bens Fungíveis e Infungíveis O Código Civil apenas define os bens fungíveis, mas conseqüentemente se tem a definição dos infungíveis. Bens fungíveis São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade: dinheiro, saca de café etc. (art. 85). Bens Infungíveis São os bens que são únicos, não podendo ser substituído por outro de mesmo gênero, qualidade ou quantidade, mesmo que de maior valor (art. 313): imóveis, carros, selos ou livros raros etc. Todos os imóveis são infungíves e, em regra, a maioria dos bens móveis são fungíveis. Uma obrigação de fazer pode ser fungível ou infungível dependendo da atuação se for personalíssima ou não como pintar um quadro ou uma casa. A conseqüência direta do enquadramento dos bens em fungível ou infungível recai principalmente nas relações jurídicas com os bens: o Mútuo contrato de empréstimo de apenas de coisas fungíveis; o Comodato contrato gratuito de empréstimo apenas de coisas fungíveis; o Locação contrato oneroso de bens infungíveis. 2.4 Bens Consumíveis e Inconsumíveis Os bens consumíveis são aqueles em que o seu único uso acarreta a sua destruição, como gasolina, charutos, alimentos etc. Há também os bens que são consumíveis conforme a destinação, tais como objetos postos a venda em uma loja, quando adquiridos pelo cliente, em relação à loja são consumíveis, ainda que se destinem ao uso prolongado. Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação. Inconsumíveis são os bens que permitem reiterados usos sem serem destruídos casas, veículos, vestuário. Contudo se um alimento, que essencialmente é consumível, for emprestado para finalidade de exposição será considerado como bem inconsumível. A principal utilidade pratica da presente classificação é que alguns direitos, em regra, não podem recair sobre bens consumíveis, como o usufruto, existindo para os bens consumíveis o quase-usufruto ou usufruto impróprio. Atualizada AGO/2010 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 3
Art. 1.392. Salvo disposição em contrário, o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus acrescidos. 1o Se, entre os acessórios e os acrescidos, houver coisas consumíveis, terá o usufrutuário o dever de restituir, findo o usufruto, as que ainda houver e, das outras, o equivalente em gênero, qualidade e quantidade, ou, não sendo possível, o seu valor, estimado ao tempo da restituição. A principal utilidade da presente classificação é se o bem pode ser comercializado em partes ou somente no todo. Caso um condomínio, divisível por natureza, tenha clausula de indivisibilidade para terceiros, não pode o comunheiro vender a qualquer terceiro estranho ao condomínio sua cota, sem autorização dos demais. 2.5 Bens Divisíveis e Indivisíveis Os bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam (art. 87) são exemplos terrenos, alimentos etc. Os bens indivisíveis são os que não permitem divisão sem perderem a sua integridade ou diminuir-lhe efetivamente o valor, como os diamantes, jóias, relógio etc. A legislação anda permite que os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes (art. 88), como as servidões, as hipotecas ou o doador / testador que estabelece uma doação de um imóvel com a condição de que ele seja indivisível. Art. 1.320. A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa comum, respondendo o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas da divisão. 1o Podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa comum por prazo não maior de cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior. 2o Não poderá exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador ou pelo testador. Indivisibilidade legal: Os imóveis rurais não podem ser vendidos em lotes inferiores ao módulo rural; bem como, os imóveis urbanos não podem ser divididos em lotes menores que 125meros quadrados e frente mínima de 05 metros. 2.6 Bens Singulares e Coletivos Os bens singulares são os que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais (art. 89) como as casas, os carros, as jóias etc. Os bens coletivos, também chamados de universais ou bens de universalidades, constituem uma pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária (art. 90), dividindo-se em universalidades de fato ou de direito: Universalidades de fato: é o conjunto de bens singulares e homogêneos, pertencentes a mesma pessoa, ligados entre si pela vontade humana manada (bois), cardume (peixes), vara (porcos), biblioteca (livros); podendo sofrer relações jurídicas próprias. Universalidades de direito: conjunto de bens singulares e heterogêneo, pertencentes a mesma pessoa, ligados entre si para produzirem efeitos jurídicos patrimônio, espólio, massa falida, fundo de comércio etc. 2.7 Bens reciprocamente considerados Principal bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente (art. 92), independentemente de outro jóias, solo, crédito, contrato de locação. Acessório bem que depende do principal para a sua existência (art. 92) arvore (em relação ao solo), prédio (em relação ao solo), cláusula penal ou fiança 4 Atualizada AGO/2010 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores
(em relação ao contrato de locação). ATENÇÂO: em regra, o acessório integra o principal, sendo a existência do principal nula o acessório também o será. São bens acessórios: o Frutos utilidades que o bem produz periodicamente, mantendo intacta a substancia do bem que as geram, podendo ser: Naturais produzido naturalmente por força orgânica da coisa frutas das árvores, ovos dos animais, crias, lã; Industriais produzidos pelo engenho humano produção de uma fábrica; Civis são os rendimentos gerados pelo uso da coisa por outrem, que não o seu proprietário juros, aluguéis; Quanto ao estado os frutos podem ser: Pendentes quando unidos ainda à coisa que o produziu; Percebidos ou colhidos depois de separados da coisa que o produziu. Sendo estantes os armazenados ou acondicionados para a venda, percipiendos os que deveriam ter sido colhidos e não foram e consumidos os que não existem mais porque foram utilizados (art. 1.214 e ss. do CC/2002). o Produtos são as utilidades que se retiram da coisa, diminuindo-lhe a quantidade pedras de uma pedreira, metais das minas, água dos lençóis, petróleo dos poços. ATENÇÃO: Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico (art. 95). o Pertenças - São os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro (art. 93) tratores para uma produção, decoração de uma casa, rádio de um carro. CUIDADO: Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso (art. 94). o Acessões são aumentos de valor ou do volume da propriedade em razão de forças externas, fatos eventuais ou fortuitos aluvião, avulsão. Oficial Escrevente do Tribunal de Justiça do Rio o Benfeitorias obras que se fazem em um bem, dividindo-se em: Necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. Úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. Voluptuárias - as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. Não são bens acessórios, em privilégio ao trabalho, sendo enquadrados como principais: 1) a pintura em relação à tela; 2) a escultura em relação à matéria prima; e, 3) a escritura ou qualquer trabalho gráfico em relação à matéria prima. O CC/2002 não coloca explicitamente esta observação como fazia o CC/1916. 2.8 Bens quanto ao titular do domínio A presente classificação leva em consideração quem é o titular do bem: 2.8.1 Bens particulares São os bens que não pertencem às pessoas jurídicas de direito público interno, pertencendo, então, em regra, às pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 2.8.2 Res Nullius São as coisas que não pertencem a ninguém, coisas sem dono animais selvagens, peixes do mar etc. Os bens imóveis nunca serão res nullius. 2.8.3 Bens Públicos São os bens que pertencem a uma entidade de Direito Público Interno, sejam da União, Atualizada AGO/2010 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 5
Estados-membros, Distrito Federal, Municípios, Territórios, Autarquias etc. Alguns autores mencionam os bens difusos, como o meio ambiente: 6 Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendelo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Os bens públicos são classificados em: Art. 99. São bens públicos: I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. Bens de uso comum do povo são os bens que se destinam ao uso do publico em geral, podendo ser utilizados, em regra, sem restrições por todas as pessoas sem necessidade de permissão especial praças, parques, ruas, jardins etc. Não perdem a característica se eventualmente forem cobrados pelo uso, como pedágios, passes de entradas ou mesmo se for restringida a entrada por questões de segurança nacional. Bens de uso especial são os bens utilizados pelo próprio Poder Público para execução da função pública as repartições públicas, os prédios de escolas públicas, ministérios, da Justiça etc. Bens dominicais bens móveis ou imóveis que constituem o patrimônio disponível das Pessoas Jurídicas de Direito Público, abrangendo: o Terrenos de Marinha terrenos banhados por mar, lagoa e rios Atualizada AGO/2010 Oficial Escrevente do Tribunal de Justiça do Rio públicos onde se faça sentir a influencia das marés. Compreendem uma faixa de terra de 33 metros contados para dentro do território, medidos a partir da preamar média, pertencendo à União. o Mar Territorial faixa de 12 milhas marítimas a partir da preamar baixa de propriedade da União. Zona Econômica Exclusiva que é uma faixa, em regra, entre 12 e 200 milhas marítimas sobre o mar, na qual o Brasil goza de soberania para exploração econômica. Tratado de Montego Bay sobre Direito do Mar. o Terras devolutas terras que, embora não sejam destinadas ao uso público, encontram-se ainda sob o domínio do Poder Público, podem pertencer aos Estadosmembros ou ao Municípios, mas se indispensáveis à segurança nacional pertencerá à União. o Outros bens considerados dominicais estradas de ferro, títulos da divida pública, rios públicos navegáveis, jazidas de minérios, terras indígenas, sítios arqueológicos etc. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são bens do domínio público do Estado, já os dominicais são do domínio privado do Estado. Contudo os bens públicos dominicais podem, por determinação legal, ser convertidos em bens públicos de uso comum ou especial pelo ato de Afetação. 2.8.3.1 Características dos bens públicos Inalienabilidade é característica original do bem público que restringe de forma efetiva a possibilidade de sua alienação (venda, doação ou troca), desde que de uso comum do povo ou especial enquanto estiverem sob afetação pública. Esta característica não se apresenta de modo absoluto, ou seja, pode ser mudada mediante de lei. Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. Imprescritibilidade (usucapião) decorre como conseqüência lógica de sua inalienabilidade originária. E é fácil demonstrar a assertiva: se os bens públicos são originariamente inalienáveis, segue-se que ninguém os pode adquirir enquanto guardarem essa condição. Daí não ser possível a invocação de usucapião sobre eles. Proibição Constitucional e legal. CR/1988 Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (...) 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. Insuscetíveis de apropriação bens de uso inesgotável (inexaurível), também denominados de coisas comuns água do alto-mar, luz solar, ar etc. Personalíssimos vida, honra, liberdade, nome, o próprio corpo etc. Legalmente inalienáveis bens que apesar de essencialmente sujeitos a apropriação a legislação exclui a sua comercialização para atender interesses econômicos, sociais, proteção de pessoas 3 bens públicos (art. 100 do CC); bens das fundações (art. 62 a 69 do CC); terras ocupadas pelos índios (art. 231, 4º da CR/88); bens de menores (art. 1.691 do CC); terrenos de construção de condomínio edilício enquanto perdurar o condomínio (art. 1.331, 2º do CC); bens de família (art. 1.711 a 1.722 do CC e Lei 8.009/90); bens gravados com cláusula de inalienabilidade (art. 1.911 do CC). ANOTAÇÕES: CC/2002 Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. Impenhorabilidade os bens públicos não estão sujeitos a serem utilizados para satisfação do credor na hipótese de não-cumprimento da obrigação por parte do Poder Público. Decorre de preceito constitucional que dispõe sobre a forma pela qual serão executadas as sentenças judiciárias contra a Fazenda Pública, sem permitir a penhora de seus bens. Admite, entretanto, o seqüestro da quantia necessária à satisfação do débito, desde que ocorram certas condições processuais - através de precatório. Não-oneração É a impossibilidade dos bens públicos serem gravados com direito real de garantia em favor de terceiros. Os bens públicos não podem ser objeto de Hipoteca. 2.9 Bens fora do Comércio Existem bens cuja sua característica o torna fora do comércio, ou seja, bens que não podem ser transferidos, subdividindo-se em: 3 DINIZ, Maria Helena; Curso de Brasileiro: Teoria Geral do ; Saraiva; 2009. Atualizada AGO/2010 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores 7
3. Questão Comentada PRF/2009 FUNRIO Questão 76 Diante da classificação de bens jurídicos adotada pelo Código Civil Brasileiro de 2002, um automóvel é classificado como bem A) semovente, coletivo e indivisível. B) imóvel, singular e divisível. C) móvel, singular e divisível. D) semovente, singular e divisível. E) móvel, singular e indivisível. Comentários Lembrete: Móveis semoventes bens móveis que se movem por sua própria vontade (animais em geral). Móvel podem ser removidos sem causar a sua destruição. Imóvel não podem ser removidos sem causar sua destruição. Coletivo bens que se encerram agregadas em um todo (biblioteca, cardume, massa falida, fundo de comércio, espólio). Singular bens que embora reunidos se consideram de per si independentes dos demais (casas, os carros, as jóias). Divisível bens que podem ser partidos em proporção permanecendo a sua integridade fracionária (terreno). Indivisível bens que não permitem divisão sem perderem a sua integridade ou diminuir-lhe efetivamente o valor (diamantes, jóias, relógio). Resposta correta letra E o carro é um bem móvel, singular e indivisível. 8 Atualizada AGO/2010 Neste curso os melhores alunos estão sendo preparados pelos melhores Professores