INDICADORES DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS E ECONÔMICOS DO NORDESTE Verônica Maria Miranda Brasileiro Consultora Legislativa da Área XI Meio Ambiente e Direito Ambiental, Organização Territorial, Desenvolvimento Urbano e Regional ESTUDO JULHO/2003 Câmara dos Deputados Praça dos 3 Poderes Consultoria Legislativa Anexo III - Térreo Brasília - DF
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INDICADORES DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS E ECONÔMICOS DO NORDESTE Verônica Maria Miranda Brasileiro De acordo com o último censo realizado pelo IBGE, a população nordestina, em 2000, era de 47.819.334 habitantes, o que corresponde a, aproximadamente, 28% da população brasileira. A população nordestina está distribuída nos Estados da seguinte forma: População do Nordeste, por Unidade da Federação, em 2000 NORDESTE 47.819.334 Maranhão 5.660.255 Piauí 2.847.489 Ceará 7.444.000 Rio Grande do Norte 2.780.176 Paraíba 3.445.125 Pernambuco 7.930.964 Alagoas 2.826.575 Sergipe 1.788.747 Bahia 13.096.003 Fonte: IBGE A taxa média de crescimento anual da população nordestina é de 1,1. Isso significa que o incremento médio anual da população do Nordeste ocorre a uma taxa de 1,1%. Trata-se, no entanto, de dado de 1996. A taxa média de crescimento da população brasileira vem mostrando uma tendência regular ao declínio, desde a década de 60. Para o Brasil, a taxa média de crescimento anual foi, em 1960, de 2,89%, em 1970, foi de 2,48%, caindo para 1,93% em 1980. O último período censitário já calculado pelo IBGE foi de 1991 a 1996, quando a taxa brasileira chegou a 1,38%. A Região Norte apresentou a taxa mais elevada de 2,4%. A taxa nordestina foi a mais baixa. 3
A taxa de urbanização do Nordeste, que mede a percentagem da população que reside em área urbana em relação à população total da Região, é de 65,2%. É a segunda mais baixa do Brasil, sendo maior apenas que a da Região Norte, que é de 62,4%. A mais alta é a da Região Centro- Oeste, que possui 84,4% de sua população em áreas urbanas. A taxa de urbanização brasileira é de 78,4%. São, igualmente, dados de 1996. No Nordeste, a esperança de vida ao nascer é de 65,5 anos. Trata-se de uma taxa mais baixa que a brasileira, que é de 68,4 anos. Na verdade, o número de anos que o nordestino espera viver, ao nascer hoje, é o menor do Brasil. Outro indicador bastante importante para a aferição das condições de vida na Região Nordeste é a taxa de mortalidade infantil, que indica a freqüência com que ocorrem os óbitos em crianças menores de um ano, em relação ao número de nascidos vivos. Essa taxa, no Nordeste, é de 52,8 por mil nascidos vivos. Isto é, para cada mil crianças nascidas vivas, quase sessenta morrem antes de completar um ano de idade. É a maior taxa entre as regiões brasileiras. Para o Brasil, ela é de 34,8 por mil nascidos vivos. Da mesma forma, a taxa de mortalidade de menores de 5 anos no Nordeste é muito maior que a média brasileira. De cada mil crianças nordestinas nascidas vivas, 96,4 morrem antes de completar cinco anos. Na Região Sul, essa taxa é de 35,2 por mil. No Sudeste, 36,7 por mil. A taxa de mortalidade de menores de 5 anos do Brasil é de 60,7 por mil. Esses foram os aspectos demográficos gerais mais importantes para a Região. Em seguida, são apresentados alguns indicadores sobre o trabalho e o rendimento no Brasil, no Nordeste, por Estado, e nas demais regiões brasileiras: Unidades da Federação do Nordeste no PIB do Brasil, em 2000. Brasil, Região e Unidade da Federação PIB (R$ milhão) PIB per capita (R$) Participação no PIB BRASIL 1.101.255 6.473 100,00 Norte 50.650 3.907 4,60 Sudeste 636.394 8.774 57,79 Sul 193.534 7.692 17,57 Centro-Oeste 76.542 6.559 6,95 Nordeste 144.135 3.014 13,09 Maranhão 9.207 1.627 0,84 Piauí 5.330 1.872 0,48 Ceará 20.800 2.794 1,89 Rio Grande do Norte 9.293 3.343 0,84 Paraíba 9.238 2.681 0,84 Pernambuco 29.127 3.673 2,64 Alagoas 7.023 2.485 0,64 Sergipe 5.921 3.310 0,54 Bahia 48.197 3.680 4,38 Fonte: IBGE 4
O rendimento médio mensal da população do Nordeste é de R$ 144,90 (cento e quarenta e quatro reais e noventa centavos). Este é o valor nominal, em 1999, para a população com 10 anos ou mais de idade, com ou sem rendimento. O rendimento médio mensal do Brasil é de R$ 313,30 (trezentos e treze reais e trinta centavos). O rendimento da Região Nordeste é o mais baixo do País. O mais elevado é o da Região Sul que chega a R$ 334,40 (trezentos e trinta e quatro reais e quarenta centavos). Mais alarmante é o fato de que, além de possuir um rendimento médio muito baixo, o Nordeste possui a maior concentração de renda do País. O índice de Gini, que, neste caso, mede o grau de concentração do rendimento, é de 0,587 para os nordestinos. O índice de Gini varia de zero, que seria a perfeita igualdade, até um, a desigualdade máxima. Assim, quanto maior o índice, mais concentrada é a distribuição. O índice do Brasil é de 0,567. O da Região Centro-Oeste é de 0,573. O Sul e Sudeste apresentam, respectivamente, índices de 0,543 e 0,537. Já o da Região Norte é de 0,547. Outro indicador social importante, ligado ao trabalho e rendimento da população, tratase da taxa de atividade dessa população. Essa taxa indica a percentagem das pessoas economicamente ativas, em relação às pessoas de 10 anos ou mais de idade. A população economicamente ativa é composta pelas pessoas de 10 a 65 anos de idade que foram classificadas como ocupadas ou desocupadas na semana de referência da pesquisa. Assim, a taxa de atividade da população brasileira é de 61%, enquanto a da nordestina é de 61,1%. O maior percentual de pessoas ocupadas é o da Região Sul 66% - e o menor é o da Região Norte, com taxa de 58,6%. A taxa de desocupação, ou de desemprego aberto, que mede a percentagem das pessoas desocupadas, em relação à população economicamente ativa é de 9,6% para o Brasil e de 8% para o Nordeste. Novamente, o pior indicador, que, no caso, é a maior taxa, pertence ao Norte, com 11,4% das pessoas economicamente ativas desempregadas. Indicadores sobre a educação da população também são importantes para indicar o grau de desenvolvimento da sociedade. Dois deles são bastante ilustrativos: a taxa de anafalbetismo e a de escolarização. A primeira delas mede o percentual de pessoas analfabetas de um grupo etário, em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário. É considerada analfabeta a pessoa que não sabe ler e escrever um bilhete simples no idioma que conhece. Já a taxa de escolarização indica o percentual dos estudantes de um grupo etário em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário. Dessa forma, a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade, no Nordeste, é de 26,6%. No Brasil, a taxa é de 13,3. O percentual de analfabetos é menor no Sul e Sudeste, cuja taxa é de 7,8%. Na Região Norte, os analfabetos são 11,6% da população e, no Centro- Oeste, 10,8% da população. O analfabetismo no Nordeste é absurdamente maior que nas demais regiões brasileiras. Da mesma forma, a taxa de escolaridade da Região é a menor do País. No Nordeste, 94,1% das crianças entre 7 e 14 anos de idade estão na escola. A média brasileira é de 95,7%, no Sudeste, 96,7%, e no Sul, 96,5%. Todos esses dados sobre trabalho e rendimento e sobre educação são referentes ao ano de 1999. As condições de vida dos nordestinos também podem ser aferidas pelas condições de saneamento e luz elétrica. Dessa forma, o quadro abaixo é bastante ilustrativo da péssima situação da Região no cenário nacional: 5
Condições de saneamento e luz elétrica dos domicílios (%), em 1999 Brasil e Grandes Regioões Água canalizada e rede geral de distribuição Esgoto e Fossa Séptica Lixo Coletado Luz Elétrica Brasil 76,1 52,8 79,9 94,8 Norte 61,1 14,8 81,4 97,8 Nordeste 58,7 22,6 59,7 85,8 Sudeste 87,5 79,6 90,1 98,6 Sul 79,5 44,6 83,3 98,0 Centro-Oeste 70,4 34,7 82,1 95,0 Fonte: IBGE Para uma melhor compreensão do quadro acima, torna-se necessária a explicação dos conceitos utilizados. Domicílio com água tratada é aquele, particular, servido por água canalizada proveniente da rede geral de abastecimento, com distribuição interna para um ou mais cômodos. Domicílio com esgoto ligado a rede coletora ou fossa séptica é aquele domicílio particular, em que o escoadouro do banheiro ou sanitário de uso dos seus moradores é ligado à rede coletora ou à fossa séptica. A rede coletora é um sistema de coleta que conduz as águas servidas ou os dejetos para o desaguadouro geral da área, região ou município, mesmo que o sistema não tenha estação de tratamento da matéria esgotada. As informações sobre as demais Regiões do País foram citadas para uma melhor comparação entre elas e a situação da Região Nordeste, que apresenta as piores condições, quanto aos aspectos assinalados, exceto para o item Esgoto e Fossa Séptica, cujo percentual, embora muito baixo, ainda é melhor que o apresentado pela Região Norte. Os indicadores citados no presente trabalho são todos provenientes do IBGE e se constituem nos principais entre o conjunto de indicadores sociais adotados pela Comissão de Estatística das Nações Unidas para compor a base de dados nacionais. Tais dados permitem o acompanhamento estatístico dos programas nacionais de cunho social, recomendados pelas diversas conferências internacionais promovidas pelas Nações Unidas, como as conferências sobre população e desenvolvimento (Cairo, 1994), sobre desenvolvimento social (Copenhagen, 1995), sobre a mulher (Beijing, 1995) e sobre assentamentos humanos (Cairo, 1996). O conjunto de indicadores sociais compreende dados gerais sobre distribuição da população por sexo, idade, cor ou raça, sobre população e desenvolvimento, pobreza, emprego e desemprego, educação e condições de vida, temas identificados como prioritários na agenda das conferências internacionais. 300586 6