Deficiência Visual Formadora: Elisa de Castro Carvalho 1 A visão Quando o bebé nasce ele já possui algumas competências visuais apesar da imaturidade do aparelho visual. Nos primeiros meses de vida são particularmente estimulantes para os bebés os movimentos das caras humanas, sobretudo a uma distância de 20 a 25 cm. Esta é a distância que separa os olhos do bebé dos da mãe quando está a dar de mamar. Rapidamente o bebé começa a acompanhar o movimento de pessoas ou objectos que se movem. 2
A visão OLHO CÉREBRO Córnea: capa transparente que forra a Nervo óptico: conduz a informação parteanteriordoolhoequepermitea trazida pelas células nervosas da entrada de luz exterior no olho. retina até ao cérebro. Cristalino: lente transparente que Quiasma existe por detrás da pupila, foca a imagem que vemos e deixa passar a Tracto óptico luz que irá impressionar a retina. Fitas ópticas Retina: contém células nervosas responsáveis pela visão que captam a Córtex visual: área de luz vinda do exterior. descodificação da mensagem onde se interpreta o que foi visto. 3 A visão - funcionamento Nota: clicar na imagem para iniciar o vídeo (Vídeo da Porto Editora) 4
A cegueira - causas A luz não chega à retina; Os raios de luz não se concentram correctamente sobre a retina; A retina não pode percepcionar normalmente os raios de luz; Os impulsos nervosos da retina não são transmitidos ao cérebro normalmente; O cérebro não pode interpretar a informação enviada pelo olho; Doenças do sistema nervoso central e doenças genéticas da retina podem causar baixa visão/cegueira na criança e são irreversíveis. Pelo contrário, outras causas poderão ser tratáveis se forem precocemente detectadas e corrigidas. 5 De acordo com a OMS, a Deficiência Visual engloba: Deficiência Visual -a Cegueira; -a Ambliopia. Diferenciadas em função de: -"acuidade visual - medida com o uso de cartas estandardizadas que são utilizadas para a medição da visão de perto (distância de 30 cm) quer para a medição da visão de longe (distância de 6 m). -"campo visual o espaço que o olho humano é capaz de abranger. O campo visual normal é de cerca de 160º. 6
A cegueira definição / causas Existe em Portugal uma definição legal de cegueira que é a seguinte: Acuidade visual do olho com melhor visão, após correcção com lentes, de 1/10 ou inferior ou acuidade visual superior a 1/10 mas acompanhada de uma restrição do campo visual a menos de 20º. A cegueira traduz-se numa perda de capacidade para realizar tarefas visuais (ler, reconhecer rostos). As causas podem variar: -Traumatismo; -Doença; -Malformação; -Deficiente nutrição. 7 A cegueira definição / causas Podemos considerar uma pessoa cega como sendo aquela que não possui potencial visual mas que pode, por vezes, ter uma percepção da luminosidade. A Cegueira pode ser de três tipos: - congénita (se surge dos 0 ao 1 ano de idade); - precoce (se surge entre o 1º e o 3º ano de idade); - adquirida (se surge após os 3 anos de idade). 8
A ambliopia definição / causas A ambliopia, também conhecida por baixa-visão, significa uma reduzida capacidade visual - qualquer que seja a origem - e que não melhora através de correcção óptica. Existem dois tipos de ambliopia: -A ambliopia orgânica (com lesão do globo ocular ou das vias ópticas); -A ambliopia funcional (sem danos orgânicos). A criança com Baixa Visão mantém um resíduo visual que pode e deve utilizar para realizar algumas aprendizagens com o apoio de material específico. 9 Miopia Doenças de refracção (desvio) A criança míope sofre de má visão ao longe, obtendo imagens esbatidas e desfocadas, vendo com nitidez apenas objectos próximos. A miopia surge em resultado de um alongamento do globo ocular no sentido ântero-posterior, do que resulta que a imagem projectada pelo cristalino se forma à frente (antes) da retina. Esta anomalia pode ser corrigida através do uso de lentes divergentes, côncavas, cuja graduação é proporcional à deformação do globo ocular. 10
Hipermetropia Doenças de refracção A hipermetropia é um problema de visão, que surge em resultado da incapacidade da estrutura do olho conseguir focalizar as imagens sobre a retina. Esta deficiência é devida a uma alteração da forma do globo ocular, que se apresenta mais curto no sentido ântero-posterior do que o normal, originando que as imagens de objectos próximos se formem depois da retina, não existindo uma imagem nítida. A correcção da hipermetropia é realizada pela utilização de lentes convexas, as quais têm uma acção convergente sobre os raios luminosos incidentes no olho. 11 Astigmatismo Doenças de refracção O astigmatismo é um problema de visão que surge devido a irregularidades na curvatura da córnea ou a alterações da forma e posição do cristalino. Como consequência destas alterações, forma-se no olho uma imagem não-pontual, isto é, um mesmo objecto é focalizado como dois pontos separados, criando uma imagem distorcida e esborratada. Esta perturbação visual pode surgir associada a outras deficiências ópticas, como a miopia (imagem formada antes da retina) e a hipermetropia (imagem formada após a retina). O astigmatismo é frequentemente hereditário, sendo a sua correcção feita por meio de lentes cilíndricas. 12
Lentes 13 Doenças congénitas Cataratas A catarata é uma patologia ocular que afecta o cristalino, órgão que actua como uma lente natural, provocando alterações na sua estrutura que originam uma opacidade progressiva. As principais consequências do surgimento de uma catarata são a progressiva perda da acuidade visual, que se torna enevoada, até uma altura em que apenas se distinguem zonas claras e escuras. O único tratamento existente para a catarata, actualmente, é a remoção cirúrgica do cristalino e a sua substituição por uma lente artificial. As cataratas são uma patologia de ocorrência a nível mundial, sendo ainda uma das principais causas de cegueira tratável. 14
Glaucoma Doenças congénitas É uma doença dos olhos causada pelo aumento gradual da tensão ocular. Lesa a visão e pode mesmo causar cegueira. Se não detectado e tratado, o aumento da tensão ocular pode causar a destruição lenta e progressiva do nervo óptico. Pode levar à cegueira. O glaucoma causa perda de visão, estreitando, sobretudo, o campo de visão. No entanto, as alterações só são sentidas pelo doente quando a doença já está numa fase avançada. Nessa altura, as lesões no nervo óptico não são apenas graves, mas também irreversíveis. 15 Albinismo Doenças congénitas O albinismo traduz-se pela ausência hereditária de pigmentação, geralmente a melanina, num organismo. Os animais e seres humanos albinos não têm cor na pele e, nos olhos, a íris é rosa pela transparência dos vasos sanguíneos. 16
Daltonismo É uma deficiência na visão que dificulta a percepção de uma ou de todas as cores. 17 Daltonismo - testes 12-45 15-76 18
Daltonismo - testes 6-8 73-18 19 Percepção Visual A Percepção Visual refere-se à capacidade de compreender e interpretar significativamente toda a informação recebida através do sentido de visão. Por vezes, as imagens enganam o nosso cérebro e aquilo que parece nem sempre é Ilusão Óptica Ilusão Óptica Ilusão Óptica Ilusão Óptica Alguns exemplos 20
Detectar problemas de visão Nos primeiros dois meses de vida os pais deverão estar atentos. Se o bebé não segue com o olhar as pessoas ou objectos que se deslocam será um primeiro sinal de que algo não está bem. Normalmente a criança não se queixa de que vê mal. A maior parte das vezes são os pais ou os professores que levantam a suspeita, dependendo do comportamento da criança. Existem alguns sinais aos quais o professor pode estar atento, tais como: - Olhar fixamente para a luz; - Tremor das pálpebras; - Movimentos não coordenados dos olhos; - Desinteresse por aquilo que a rodeia; - Desinteresse pela TV ou movimentar a cabeça para acompanhar as imagens que vê; - Tendência a fechar um olho com a luz do sol; - Interesse apenas pelos objectos que estão perto de si; - Lacrimejar; - Dor de cabeça constante. 21 A criança cega na escola No ensino de alunos cegos não podemos descurar o facto de que estes têm os sentidos da audição e do tacto geralmente mais desenvolvidos. Para além destes, o sentido cinestésico (sensibilidade ao movimento) é também muito importante. Deverá existir pela parte do professor e dos intervenientes no processo educativo uma grande abertura e sensibilidade relativamente à questão da cegueira e das diferenças que ela acarreta para o aluno. Deverá haver a preocupação de antecipadamente se conhecerem os materiais e recursos adequados para utilizar no ensino. É importante delimitar as áreas de aprendizagem e seleccionar actividades e estratégias adequadas às capacidades do aluno. Essas actividades deverão ser realizadas com o recurso aos auxiliares educativos, já que estes possibilitam ao aluno o acesso à informação visual. É essencial encarar o aluno cego como uma pessoa normal. A nossa actuação deverá ser sempre no sentido de ajudar o aluno mas para que este consiga realizar as actividades o mais autonomamente possível. 22
A importância do tacto O tacto é um dos primeiros sentidos a desenvolver-se. Todas as crianças, tanto as cegas como aquelas que não o são, demonstram desde os primeiros anos de vida uma grande curiosidade em relação ao seu corpo e ao ambiente que as rodeia. As sensações tácteis, auditivas, olfactivas e gustativas passam a ocupar um lugar privilegiado na aprendizagem da criança cega. A sua experiência em relação àquilo que a rodeia será sobretudo a de um mundo de cheiros, sons e texturas. Assim, há que preparar as mãos e o tacto da criança cega para que esta possa recolher e seleccionar a informação que lhe permita uma melhor vivência social. Só sentindo os objectos e explorando-os com o tacto, a criança pode ter uma informação mais concreta acerca da sua forma, tamanho, peso, dureza, tipo de superfície e temperatura. 23 O sistema Braille Em 1825 Louis Braille inventa o sistema Braille. O alfabeto Braille é um sistema de escrita por pontos em relevo que permite a representação de letras, símbolos musicais, números e símbolos matemáticos. Os pontos em relevo podem ser marcados em papel ou outro material, e a sua leitura faz-se através do tacto. A base do sistema é uma célula que contém 6 posições numeradas: 1 n n 4 2 n n 5 3 n n 6 24
O alfabeto Braille 25 Conversor Braille 26
Ilusão Óptica alguns exemplos As duas linhas verticais têm o mesmo tamanho? Quantas patas tem o elefante? 27 Ilusão Óptica alguns exemplos Linhas rectas? 28
Ilusão Óptica alguns exemplos Dois rostos ou uma jarra? Quantas pernas? Voltar a Percepção Visual 29 Proposta de actividade Se eu ficasse cego(a) Imagine que um dia acordava, abria os olhos e não conseguia ver o mundo à sua volta. Diga o que sentiria 30
Proposta de actividade O que está escrito? 31