Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento PNQS Inovação da Gestão em Saneamento IGS GESTÃO DE GASES DE EFEITO ESTUFA (GEE) Ciclo 2013
2 Organograma Simplificado Organograma simplificado da OC, com ênfase na área responsável pelo controle e aprendizado da prática, DMA Diretoria de Meio Ambiente e Desenvolvimento, APD Assessoria de Pesquisa e Desenvolvimento. Diretoria da Presidência Gabinete da Presidência U Serviço (3) Ouvidoria Assessoria (1) Diretoria de Operações Diretoria Comercial Diretoria de Meio Ambiente E Ação Social Diretoria de Relações com Investidores Diretoria Administrativa Diretoria de Investimento Diretoria Financeira Ger. Metropol. (2) U Regional (22) U Serviço (12) U Serviço (1) Assessorias (2) U Serviço (3) Assessoria de Pesquisa e Desenvolvimento Assessorias (2) U Serviço (5) Assessoria (1) U Serviço (8) Assessorias (2) U Serviço (2) Assessoria (1) Assessoria (1) Área responsável pela prática
3 A. A OPORTUNIDADE A.1 Qual foi a oportunidade de melhoria de gestão (problema, desafio, dificuldade) solucionada pela prática de gestão implementada? A política ambiental da OC, coordenada pela Diretoria de Meio Ambiente e Ação Social - DMA, afirma que a OC deve buscar a sustentabilidade ambiental, social e econômica de suas atividades, e tem como compromisso melhorar constantemente o desempenho ambiental dos processos; prevenir e reduzir os riscos e danos ambientais; atender à legislação ambiental aplicável; conservar os recursos hídricos; promover a gestão dos objetivos e metas ambientais; promover e consolidar as ações socioambientais internas e externas. Hoje um dos grandes problemas ambientais discutidos é o efeito estufa, que apesar de ser um processo natural da terra pode ser potencializado através das ações antrópicas. O principal gás de efeito estufa é o dióxido de carbono (CO 2 ), no entanto outros gases também são bastante relevantes neste processo, como é o caso do metano (CH 4 ). O mesmo apresenta uma contribuição significativa para as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, pode ter suas emissões reduzidas por meio de ações que minimizam suas emissões. Neste contexto foram verificados estudos que afirmam que o saneamento é um grande emissor de gases de efeito estufa, em especial o metano, gerado através dos processos de tratamentos anaeróbios de esgoto. Dados da USEPA (2008) apontam que o manejo de resíduos, aqui entendido como tratamento de efluentes e a disposição de resíduos sólidos em aterros sanitários estão entre os principais emissores de metano para a atmosfera. Alguns autores afirmam que as emissões de metano originadas do tratamento de esgotos domésticos são equivalentes a 5% das emissões globais deste gás. A figura 1 apresenta as emissões relativas de metano no Brasil para o ano de 2005. Figura 1: Contribuição relativa de diversas fontes de emissão de CH 4 Fonte: Adaptado de BRASIL (2010).
4 Dados do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil reafirmam a participação do setor de saneamento na matriz de emissões de metano no Brasil. As emissões do setor de tratamento de resíduos representaram 11% do total das emissões de CH 4 em 2005, sendo a disposição de resíduos sólidos e o tratamento de esgoto responsáveis por 70% e 30% desse valor, respectivamente. Ainda segundo estes dados, o setor apresentou aumento de 84% de emissões no período de 1990 a 2005 (BRASIL, 2010). Apesar de ainda não haver nenhum marco legal no contexto nacional com exigências para a redução, existe uma crescente pressão da sociedade por ações relacionadas à mitigação das mudanças climáticas, que ocasiona uma busca constante das empresas em reduzirem as emissões de seus processos ou serviços e de adotarem metas voluntárias de redução. Para se chegar a estes números, é necessária a elaboração de inventários, que permite conhecer o perfil e realizar um diagnóstico das emissões que possibilitará estabelecer estratégias, planos e metas para redução e gestão das emissões de gases de efeito estufa. Assim, a oportunidade analisada pela OC de realizar a gestão dos Gases de Efeito Estufa (GEE) da empresa de forma sistematizada e de acordo com metodologias reconhecidas, pode ser replicada para outras empresas prestadoras de serviços de saneamento que possuem uma visão de futuro focada em resultados orientados para sustentabilidade ambiental de suas atividades. A prática consiste em inventariar as atividades de toda empresa que possam gerar, direta ou indiretamente, gases de efeito estufa na atmosfera; posteriormente, converter estes gastos a uma base única dióxido de carbono equivalente - CO 2eq para a qual são estabelecidos fatores de emissão atmosférica correspondentes, onde o produto entre estes fatores e as quantificações energéticas resulta na emissão total calculada. A.2 De que maneira as causas do problema foram identificadas? Para realizar o inventário de GEE dos sistemas da OC, desde 2008, foram avaliadas várias metodologias dentre as quais foi selecionada a metodologia baseada na WRI - World Resources Institute, que consistia em inventariar os processos de toda empresa que possam gerar, direta ou indiretamente, gases de efeito estufa na atmosfera e posteriormente converter estes gastos a uma base única, o dióxido de carbono equivalente. Em seguida foram revistos os limites organizacionais e operacionais do inventário e definidos os processos nos quais ocorrem emissões diretas e indiretas. Após a primeira etapa de sistematização da gestão de gases de efeito estufa, ainda em 2008 foi elaborado o primeiro inventário corporativo da OC, que teve 2007 como ano base de cálculo e utilizando a metodologia do WRI. Contou com a participação de representantes de todas as diretorias da empresa. Para a realização deste inventário não foram consideradas as emissões advindas das represas, da disposição final do lodo na agricultura e do deslocamento dos funcionários para suas residências. Neste inventário foi possível identificar o total de CO 2 equivalente emitido naquele ano que foi de 475.476 ton de CO 2eq. Dentre essas, o metano correspondeu a 70%, combustíveis a 3,2%, energia a 8,7% e outros a 18,1%. Para reduzir as emissões da OC foi planejado um treinamento da comissão de GEE OC para definir e capacitar uma equipe de cálculo, estabelecer as unidades que fornecerão determinados dados, bem como o prazo para obtenção dos mesmos.
5 Após a identificação da oportunidade de melhoria, em 2009 buscou-se por novas metodologias, e foram identificadas que as Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol se adequavam melhor à realidade da empresa. Em 2010 foi firmada uma parceria com o EPC - Empresas pelo Clima, que tem como objetivo tratar os assuntos relacionados às mudanças climáticas, em especial, as emissões de gases de efeito estufa e também um convênio com o Programa Brasileiro - GHG Protocol, que estimula a cultura corporativa para a elaboração e publicação de inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE) por proporcionar aos participantes o acesso aos instrumentos e padrões de qualidade internacional. Através deste programa a OC tem a oportunidade de trocar informações e conhecimento de gestão de GEE entre as empresas membros sobre metodologias de cálculo, conhecimento a respeito dos processos de geração de GEE interno, transparência em relação aos processos ambientais junto à stakeholders e desenvolvimento de processos internos voltados a gestão com baixo carbono. As principais ferramentas utilizadas para a realização do inventário são as Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol - EPB, desenvolvidas pela Fundação Getúlio Vargas - FGV em parceria com World Resources Institute WRI. Enquanto os fatores de emissão utilizados foram obtidos pela metodologia do International Panel on Climate Change IPCC 2006, bem como fontes oficiais brasileiras e organizações nacionalmente reconhecidas, para dados brasileiros. B. A IDÉIA B.1 De que forma a solução foi planejada, concebida, desenvolvida e verificada? Ao apresentar o inventário em 2008, tinha-se como expectativa implantar e consolidar a metodologia na OC, integrar grupos técnicos para discussão dos fatores de conversão e acompanhamento das referências mundiais, incluir metas e resultados no planejamento estratégico e utilizar uma metodologia padrão para o setor de saneamento ambiental. Dessa forma, a Assessoria de Planejamento e Desenvolvimento Ambiental APDA, designou uma equipe para tratar dos assuntos relacionados à Gestão de Gases de Efeito Estufa. A função dessa equipe é receber e consolidar os dados encaminhados por todos os setores da OC, estes dados são analisados conforme os princípios metodológicos descritos nas bibliografias utilizadas e anualmente as emissões são contabilizadas e publicadas através de relatórios internos que são encaminhados para todos os setores e também através de relatório público. No inventário de 2009, referente ao ano de 2008, foi dada continuidade ao programa, utilizando as novas alterações nas metodologias disponíveis, como por exemplo, a inclusão do cálculo de óxido nitroso. Neste ano optou-se ainda por não calcular o escopo 3, pois trata das emissões de toda a cadeia de valor das organizações, o que seria equivalente a inventariar as emissões de outras empresas que fornecem produtos para a OC, o que dificulta a rastreabilidade e não são responsabilidade direta da OC, portanto não é obrigatório reportar no inventário. Os dados utilizados pelo cálculo foram obtidos junto aos sistemas de dados oficiais das unidades da OC. Alguns deles, por falta de informação oficial, tiveram que ser calculados. No entanto mesmo estes
6 foram baseados em dados operacionais e no histórico dos sistemas. Ainda através deste inventário percebeu-se a necessidade de calcular as incertezas referentes ao seu cálculo, para tanto foi sugerida a aquisição de equipamentos capazes de medir a quantidade de metano produzido nos reatores anaeróbios e medições da Demanda Bioquímica de Oxigênio - DBO no lodo encaminhando para agricultura, possibilitando assim medições mais exatas das emissões provenientes destes processos. Também foi sugerida a inclusão do gás liquefeito de petróleo e a incorporação do consumo de óleo lubrificante e óleo dois tempos no sistema de informações da OC, para a determinação exata do consumo destes combustíveis. No inventário de 2010, referente ao ano de 2009, foi dada continuidade ao programa com a particularidade de que neste ano o inventário foi publicado conforme os preceitos do Programa Brasileiro GHG Protocol, recebendo o selo Prata do Programa. Neste ano foi realizada a disposição dos dados de forma sistemática, com rastreabilidade, o que contribuiu para a precisão dos dados e também foi incorporada a metodologia IPCC 2006, volume 5, capítulo 6, a qual foi decisiva para podermos estabelecer a quantidade de metano e óxido nitroso gerados no processo de esgotamento sanitário. Outro fato importante ocorrido foi a inauguração de duas unidades para Destinação Final de Resíduos Sólidos. Já em 2011, ao realizar o inventário referente ao ano de 2010, foi feita uma análise comparativa em relação as emissões no período de 2009 e 2010 que indicaram que as emissões totais de gases de efeito estufa pela OC em 2010 foram superiores às emissões em 2009. Neste ano, além da publicação oficial a OC, optou-se ainda por realizar uma verificação independente do inventário através de uma auditoria externa, o que rendeu à OC o selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol. O inventário realizado em 2012, referente ao ano de 2011, destacou-se as ações realizadas para a queima controlada ou aproveitamento energético do biogás produzido nas estações de tratamento de esgoto. Dando continuidade às atividades, este inventário também foi publicado oficialmente através do Programa Brasileiro GHG Protocol, recebendo novamente o selo Prata. O inventário 2012 traz também importantes melhorias metodológicas refletindo diretamente na precisão dos resultados apresentados. Entre os novos critérios adotados destacam-se: (a) alinhamento dos parâmetros populacionais com os valores de economias com esgoto tratado utilizados como referência pela companhia e (b) cálculo descentralizado das emissões de GEE por unidade operacional. Mais uma vez o inventário foi publicado oficialmente e recebeu o selo Prata do Programa Brasileiro GHG Protocol. B.2 Como funciona a prática de gestão? O estabelecimento dos padrões de funcionamento para gestão dos gases de efeito estufa da da OC segue as orientações corporativas, descritos no sistema normativo. O inventário de gases de efeito estufa é uma quantificação das emissões destes gases por uma empresa no desenvolvimento de suas atividades. Os GEE considerados pela OC para a
7 realização dos inventários foram o gás carbônico (CO 2 ), o metano (CH 4 ), o óxido nitroso (N 2 O) e os hidrofluorcarbonos (HFCs). Conforme estabelece a metodologia, o primeiro passo é definir os limites organizacionais e operacionais do inventário, a fim de delimitar o seu alcance. A definição seguiu os critérios da metodologia GHG Protocol e a decisão estratégica da OC. Para a definição do limite organizacional foi adotada a abordagem de controle operacional, ou seja, é aquela em que a empresa responde por 100% das emissões de GEE das operações que controla. Desta forma, o limite organizacional deste inventário inclui todas as unidades da OC que executam serviços de saneamento básico (Abastecimento de Água, Esgotamento Sanitário e Coleta e Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos). A definição dos limites operacionais tem como objetivo identificar as emissões que estão associadas com as suas operações. No caso da OC, foram contemplados os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta e disposição final de resíduos sólidos urbanos, bem como as atividades administrativas e operacionais envolvidas na execução destes serviços. Conforme as EPB, as emissões podem ser classificadas como de natureza direta ou indireta. As emissões diretas são aquelas emitidas diretamente pela empresa no desenvolvimento de suas atividades, em sua área e/ou com equipamentos de sua propriedade, constituindo-se emissões do Escopo 1. As atividades desenvolvidas pela OC contempladas neste escopo são: esgotamento sanitário, abastecimento de água, coleta e disposição final de resíduos sólidos urbanos e consumo de combustível dos veículos e equipamentos da OC. As emissões indiretas são aquelas geradas em outro local, por outras empresas, porém as atividades da OC concorrem para sua emissão, sendo o caso de energia elétrica, consumo de combustíveis em veículos e equipamentos de terceiros, produção de materiais e produtos químicos utilizados ou tratamento de resíduos por terceiros. Em virtude da importância e do impacto ambiental, a energia é uma emissão indireta calculada em separada das demais e constitui o Escopo 2, as demais emissões indiretas, que não são de responsabilidade direta da empresa, são classificadas como Escopo 3. Para fins de inventário não foram contabilizadas as emissões do Escopo 3, sendo a inclusão desta categoria ainda de caráter opcional conforme as EPB. Os limites operacionais do Inventário de Gases de Efeito Estufa - IGEES são descritos no quadro a seguir: Tipo de Emissão Escopo Categoria Atividades/Fontes Direta 1 Esgotamento sanitário Tratamento de esgoto (CH 4 e N 2O) Direta 1 Disposição final de RSU Aterros sanitários: Cianorte e Apucarana (CH 4)
8 Direta 1 Combustão móvel e estacionária Veículos e equipamentos da OC, e operantes em aterros sanitários (CO 2, CH 4 e N 2O) Direta 1 Emissões Fugitivas Equipamentos de refrigeração e ar condicionado (RAC) (CO2) Indireta 2 Compra de eletricidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) Abastecimento de água Esgotamento sanitário Atividades administrativas Aterros sanitários: Cianorte e Apucarana (CO 2) Biomassa - Combustão móvel e estacionária Veículos e equipamentos da OC e operantes em aterros sanitários (CO 2, CH 4 e N 2O) Em 2012, a OC aplicou uma meta para o indicador de intensidade carbônica na Diretoria de Meio Ambiente e Ação Social - DMA. O indicador é a relação entre a quantidade de dióxido de carbono equivalente emitido em todas as atividades da DMA por ano. A meta foi inserida no Sistema de Informações da OC e é contabilizada anualmente, pois alguns fatores de emissão que são utilizados nos cálculos do inventário só são divulgados no fim do ciclo. Após o envio dos relatórios, os responsáveis pelo relatório apresentam os pontos fortes, as oportunidades de melhoria, o que deve ser mantido, o que deve ser excluído e o que deve ser incluído no próximo ciclo. Por meio de reunião de brainstorming, os participantes discutem os resultados da tabulação e elegem as ações de melhoria que devem ser realizadas para o próximo ciclo. Após esta seleção, as ações são priorizadas e são eleitos os responsáveis por cada uma, com prazo para conclusão. Toda discussão é registrada em ata. B.3 Como funciona a sistemática de avaliação e de melhoria da prática? A sistemática de avaliação e de melhoria da prática de Gestão de Gases de Efeito Estufa da OC segue a prática da melhoria contínua, que passa por um grade esforço de adaptação de metodologia, conforme é mostrado na figura 2. Após o encerramento de cada ciclo, que é anual, é elaborado um relatório com os resultados do inventário o qual é enviado para a equipe gestora do GHG para avaliação metodológica. Após avaliação do GHG o relatório é enviado aos gerentes dos setores para a realização de análise crítica. Em 2009 também foram introduzidos indicadores de desempenho nas avaliações, o primeiro indicador trata a relação entre a quantidade de dióxido de carbono equivalente emitido nas atividades da OC (com exceção das atividades envolvidas com a disposição final de resíduos sólidos) pela quantidade de água consumida em m 3. O segundo indicador trata da relação entre a quantidade de dióxido de carbono equivalente emitido nas atividades envolvidas pela quantidade de esgoto tratado em m 3. Em 2010, quando iniciou a operação dos aterros para destinação de resíduos sólidos urbanos, criou-se também um indicador que trata da relação entre a quantidade de dióxido de carbono equivalente emitido nas atividades envolvidas pela quantidade de resíduos sólidos dispostos em toneladas.
9 - Inventário Corporativo público - Inventários regionais - Indicadores Figura 2: Ciclo de implantação da metodologia. C. OS RESULTADOS O primeiro inventário da OC, realizado em 2008, tinha como expectativa implantar e consolidar a metodologia na OC, integrar grupos técnicos para discussão dos fatores de conversão e acompanhamento das referências mundiais, incluir metas e resultados no planejamento estratégico e utilizar uma metodologia padrão para o setor de saneamento ambiental. A partir deste trabalho deuse inicio a grupos de pesquisa dentro da OC, através da Assessoria de Pesquisa e Desenvolvimento, com o intuito de desenvolver projetos de mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Entre eles, o desenvolvimento de projeto de aproveitamento energético do biogás de esgoto principal emissor da OC. Com os resultados apresentados no inventário em 2009 novas ações foram propostas, como a introdução de queimadores de gás em todas ETE s, que no último inventário atingiu 44% das ETE s, além da continuidade dos programas de pesquisa. Além disso, destaca-se a mudança de metodologia que passou a utilizar dados IPCC 2006, volume 5, capítulo 6, a qual foi decisiva para o estabelecimento da quantidade de metano e óxido nitroso gerados no processo de esgotamento sanitário. Já o inventário divulgado em 2010, apresentou com maior precisão as emissões dos sistemas da OC em 2009, por considerar a representatividade e precisão dos dados obtidos, bem como as fontes seguras dos fatores de emissão e a utilização da metodologia GHG Protocol, utilizada para a elaboração do inventário que permite a replicabilidade no setor. Além disso, destaca-se o fato das informações passarem a ser organizadas sistematicamente permitindo a rastreabilidade. O inventário apresentado em 2011 por sua vez mostrou a necessidade de calcular as incertezas referentes ao calculo do inventário, em especial no que tange aos dados estimados devido
10 à impossibilidade de medição, o que levou a uma nova linha de pesquisa. Além disso este inventário foi alvo de uma auditoria que verificou a confiabilidade dos dados apresentados. Tudo isso foi corroborado através do inventário apresentado em 2012, que levou a OC a instituir a redução de emissões por parte da diretoria responsável, a DMA, através da redução do consumo de combustível fóssil, fazendo com que todos os setores da diretoria em questão se envolvessem com o assunto. Por fim, o último inventário realizado, em 2013, demonstrou o desafio imposto para a empresa e para o setor de saneamento, para a transição do cenário atual para uma economia de baixo carbono. Da mesma forma, ressalta a importância da implantação de projetos de mitigação de GEE seja através de sistemas mais eficientes de captura e combustão controlada do biogás ou aproveitamento energético deste subproduto. E por fim neste inventário optou-se ainda por desagregar os dados, gerando resultados de emissões de GEE por unidade operacional. Abaixo (Figura 3) temos a evolução das emissões de Gases de Efeito Estufa na OC calculados desde o primeiro inventário que, apesar de mostrar o constante aumento nas emissões, também demonstra que a mudança de metodologia foi essencial para calcular com maior exatidão estas emissões: Figura 3: Evolução das Emissões de Gases de Efeito na OC. Na Figura 4 apresentamos os indicadores conforme foram introduzidos na avaliação dos inventários. Esse indicador foi elaborado em 2009, em 2010 tem-se o início da operação dos aterros para destinação de resíduos sólidos urbanos.
11 Figura 4: Indicadores. Na Figura 5 temos a relação entre as emissões de Escopo 1, das quais mais de 90% são representadas pelos gases emitidos durante o tratamento de esgotos, e instalação de queimadores automáticos de gás nestas estações. Observa-se que houve um grande aumento no número de queimadores. Figura 5: Relação entre as emissões e a instalação de queimadores automáticos. C.2 Quais são outros benefícios intangíveis decorrentes da prática, baseados em fatos, depoimento ou reconhecimentos? A política ambiental da OC, coordenada pela Diretoria de Meio Ambiente e Ação Social, entende que as emissões de gases de efeito estufa - GEE provenientes das atividades diretas e indiretas da empresa devem ter suas emissões geridas, e a elaboração e publicação de inventários
12 de emissões de gases do efeito estufa (GEE) é uma ótima ferramenta para estimular a cultura corporativa para de gestão ambiental. A prática de gestão dos gases de efeito estufa tem trazido benefícios como a troca de informações e conhecimento sobre o assunto além do próprio conhecimento a respeito dos processos de geração de GEE interno, transparência em relação aos processos ambientais junto aos stakeholders e desenvolvimento de processos internos voltados à gestão com baixo carbono. Além dos benefícios como a contribuição ao desenvolvimento da cultura da sustentabilidade e a possibilidade de traçar metas para a diminuição das emissões e ações de Neutralização de Carbono para as emissões inventariadas no período. Glossário APDA Assessoria de Planejamento de Desenvolvimento Ambiental CH 4 - Metano CO 2 - Gás Carbônico CO 2eq gás carbônico equivalente DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio DMA Diretoria De Meio Ambiente e ação Social EPB Especificações do Programa Brasileiro FGV - Fundação Getúlio Vargas GEE Gás de Efeito Estufa GGEE Gestão de Gases de Efeito Estufa GHG Protocol - ferramenta utilizada para entender, quantificar e gerenciar emissões de GEE. HFC - Hidrofluorcarbonos IGEE Inventário de Gases de Efeito Estufa IPCC Intergovernmental Panel on Climate Change m 3 metro cúbico N 2 O - óxido nitroso OC Organização Candidata PNQS Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento RAC Refrigeradores e Ar Condicionado SIN Sistema Interligado Nacional Ton - Tonelada WRI World Recourses Institute Referências BRASIL. Inventário de emissões e remoções antrópicas de gases de efeito estufa não controlados pelo Protocolo de Montreal: Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança de Clima. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 518 p. 2010. PROGRAMA BRASILEIRO GHG PROTOCOL, Especificações do Programa Brasileiro GHG Protocol: Contabilização, Quantificação e Publicação de Inventários Corporativos de Emissões de Gases de Efeito Estufa, 2ª edição, 2010a. Disponível em: <http://www.ghgprotocolbrasil.com.br/index.php?page=conteudo&id=5>. Último acesso em 28 de setembro de 2013. IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) - IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories. Prepared by the National Greenhouse Gas Inventories Programme. EGGLESTON, H.S., BUENDIA, L., MIWA, K., NGARA, T., TANABE, K. (Eds.). Published: IGES, Japan. 2006. The Greenhouse Gases Protocol (WRI/WBCSD): A Corporate Accounting and Reporting Standard. USEPA. Adapting Boilers to Utilize Landfill Gas: An Environmentally and Economically Beneficial Opportunity. Washington, D.C.: U.S. Environmental Protection Agency. 2008. Disponível em: <http://www.epa.gov/landfill/res/pdf/boilers.pdf>. Acesso em 18/02/2013.