Xen Cloud Platform Xen descomplicado CAPA A Xen Cloud Platform facilita muito a criação e o gerenciamento de máquinas virtuais sobre o hypervisor Xen. por Boris Quiroz e Stephen Spector A revolução da cloud computing está aí. A indústria da computação está em polvorosa com esse novo paradigma; porém, quem participa desse mercado sabe que a computação em nuvem, na realidade, é apenas a última etapa no retorno da computação centralizada, que deixa de lado a revolução do PC e sua norma de descentralização. Claro que essa revolução agora está sendo liderada pela comunidade do Código Aberto e suas várias soluções, tais como o sistema operacional, plataforma de virtualização, armazenamento e ferramentas de gerenciamento. Este artigo tem como foco as contribuições do projeto de código aberto Xen.org à computação em nuvem por meio do hypervisor Xen. Estima-se que o hypervisor Xen possua 20% do mercado de virtualização de servidores, e próximo a 100% da infraestrutura atual de computação em nuvem, incluindo Amazon EC2, Rackspace Cloud Servers e GoGrid. Em agosto de 2009, a comunidade Xen. org anunciou uma nova iniciativa, a Xen Cloud Platform (XCP) [1], para estabelecer uma nova solução com- 34 http://www.linuxmagazine.com.br
XCP CAPA Figura 1 A XCP exibe informações detalhadas da máquina física. Figura 2 Autenticação no Open Xen Center. pleta de código aberto com uma API suportada pela indústria para provedores de nuvens computacionais. A infraestrutura XCP vai permitir que vários outros projetos abertos, como Eucalyptus [2], OpenNebula [3] e Nimbus [4], tirem melhor proveito do hypervisor Xen com uma nova API voltada exclusivamente à computação em nuvem. A XCP busca resolver as necessidades dos provedores de nuvens por meio da combinação do isolamento e da capacidade de manutenção de múltiplas instâncias que o hypervisor Xen oferece, juntamente com aprimoramentos em segurança, armazenamento e virtualização de rede. A plataforma também visa a atender as demandas dos usuários por segurança, disponibilidade, desempenho e isolamento em nuvens tanto públicas quanto privadas. O projeto não tentará desenvolver novas ofertas independentes de gerenciamento e orquestração, pois nessa área já existem várias ofertas muito boas e em pleno desenvolvimento. No início de novembro de 2009, a comunidade Xen.org anunciou a XCP 0.1, uma proposta de solução de virtualização para atuar como plataforma para a XCP 1.0. Com o lançamento da XCP 0.1, a comunidade Xen.org convidou todos os fornecedores proprietários e de código aberto para se unir na criação de uma solução padrão aberta para a indústria de provedores de nuvem. O que se segue é uma demonstração da XCP em seu estado atual, incluindo instalação e operação da nova plataforma. Passo 1: imagem ISO A primeira etapa da instalação é baixar a mídia de instalação. É possível baixar uma imagem ISO binária para gravar em um CD/DVD, ou então obter os fontes também empacotados em formato ISO. Este artigo aborda a instalação a partir da imagem ISO binária. A imagem está disponível em [5]. Não se esqueça de conferir a soma MD5 antes de gravá-la num CD. Figura 3 O OXC permite monitorar, editar e criar máquinas virtuais. Figura 4 Para criar uma nova máquina virtual, primeiro é preciso escolher o sistema que vai equipá-la. Linux Magazine #65 Abril de 2010 35
CAPA XCP Passo 2: Requisitos e virtualização A Xen Cloud Platform é uma distribuição Linux simplificada, capaz de usar até: 128 GB de memória RAM, seis placas de rede, 32 núcleos de CPU. Para isso, é necessário que a máquina física sob a XCP tenha CPU x86 de 64 bits com no mínimo: Figura 5 Há várias formas de instalação. No caso da instalação via rede, é preciso fornecer uma URL. Figura 6 O home server é a máquina física que servirá sempre de base para esta máquina virtual. Figura 7 Defina os recursos de CPU e memória para a máquina virtual, mas não se esqueça de respeitar os limites físicos do hardware. CPU de 1.5 GHz (recomendase 2 GHz ou mais) 1 GB de memória RAM (recomenda-se 2 GB) 16 GB de disco rígido (60 GB é o espaço recomendado) Rede de 100 Mbps ou mais rápida (Gigabit Ethernet é o recomendado para o recurso de live migration e importação/ exportação de dados). Para hospedar máquinas virtuais Windows, é necessário o suporte a virtualização por hardware (tecnologias Intel VT ou AMD-V). Já no caso de máquinas virtuais Linux com suporte a paravirtualização, não é necessária a presença dessas tecnologias. Passo 3: Instalação Neste ponto, a imagem ISO deve ter sido gravada e o servidor deve estar pronto. Certifique-se de que o CD esteja inserido na unidade e inicie o servidor a partir dele. O processo de instalação é semelhante ao de qualquer outra instalação baseada em menus ncurses. As opções e configurações apresentadas e pedidas não são complexas. Ao final do processo, o CD será ejetado e o servidor reiniciará. Após o reinício, ele exibirá uma tela semelhante à da figura 1. Nela, é possível ver uma curta descrição 36 http://www.linuxmagazine.com.br
XCP CAPA do servidor e usar essa informação para controlá-lo remotamente. Note o endereço IP do servidor, neste caso 192.168.1.200. Administração Um dos melhores aplicativos para administração da XCP é o Open Xen Center, escrito majoritariamente em Python. Ele oferece um console gráfico que permite centralizar a administração de todos os servidores de nuvem. Para baixá-lo, basta visitar [6] e obter a versão mais recente. Após chamar o Open Xen Center, clique em Add new server e digite o endereço IP do seu servidor (neste caso, 192.168.1.200) e a senha de root (figura 2). O OXC se conecta ao servidor e, após a autenticação, exibe algo como a figura 3, com informações sobre a máquina física. No console gráfico do OXC, é possível adicionar quantos servidores físicos forem necessários. Passo 4: criação da VM Um ponto interessante da XCP é a possibilidade de criar e gerenciar o sistema tanto a partir de uma interface gráfica quanto via linha de comando. Este artigo aborda a interface gráfica, mas no final há um apêndice com as instruções para criar máquinas virtuais a partir da linha de comando. Para criar sua primeira máquina virtual, clique no botão New VM localizado na barra de ferramentas, e uma janela de diálogo se abrirá para pedir a seleção de sistema operacional a ser instalado. Como exemplo, este artigo selecionou o Debian Lenny (figura 4), mas evidentemente é possível selecionar outro sistema operacional à sua escolha. Em seguida, clique em Next para continuar e informar alguns dados básicos sobre a máquina virtual a Figura 8 Sempre que possível, escolha algum tipo de armazenamento compartilhado para abrigar o disco rígido virtual da máquina. Figura 9 Criação das interfaces de rede virtuais e seus vínculos às interfaces reais. Figura 10 Início da instalação netinstall do Debian Lenny na máquina virtual. Linux Magazine #65 Abril de 2010 37
CAPA XCP ser instalada. O passo seguinte serve apenas como referência, pois requer a digitação de um nome para a máquina virtual, assim como uma curta descrição desta. Após essa etapa, o processo de instalação perguntará sobre a mídia de instalação. Selecione a opção mais adequada à sua necessidade, dentre: Install URL: instalação via rede, fornecendo uma URL; Physical DVD Drive: DVD físico local do servidor; ISO Image: imagem ISO. Como mostra a figura 5, selecionamos a primeira opção, então precisamos digitar uma URL. Em seguida, clique em Forward. Na etapa seguinte (figura 6), escolhe-se o home server, isto é, o servidor que a máquina virtual terá como base para ser iniciada. Além disso, a máquina virtual sempre tentará utilizar os recursos do home server antes de experimentar outros servidores físicos. Após selecionar o home server, defina o número de CPUs virtuais (vcpus) e a quantidade de memória disponíveis para essa máquina virtual (figura 7). Obviamente, esses números são sempre limitados pelos recursos físicos. Como este artigo utilizou como base um pequeno computador como servidor, os recursos das máquinas virtuais também precisam ser limitados. Porém, note que os valores selecionados nesta etapa serão usados pela máquina virtual para iniciar, mas podem ser aumentados conforme a necessidade. O passo seguinte (figura 8) consiste em selecionar o tamanho e a origem do disco rígido virtual usado pela máquina virtual. Neste exemplo, utilizamos o disco local, mas, se houver compartilhamento compartilhado disponível, ele é altamente recomendável, pois permite a migração da máquina virtual a quente (live migration). Figura 11 Sistema Debian instalado. Ao final da seleção do disco rígido, clique em Forward para proceder à seleção da rede (figura 9). Nesta etapa, selecione somente as interfaces de rede que serão necessárias, até o máximo de seis. A configuração da rede (endereço IP, máscara de rede etc.) precisará ser feita individualmente pelo sistema operacional instalado em cada máquina virtual. Mais informações Gostou do artigo? Queremos ouvir sua opinião. Fale conosco em cartas@linuxmagazine.com.br Este artigo no nosso site: http://lnm.com.br/article/3390 Após finalizar esse passo, clique em Forward para ver uma mensagem que informa que a configuração foi feita e que a máquina virtual será iniciada em seguida, dando início ao processo de instalação. Na última tela, clique em Apply para realizar a instalação (figura 10). Ao final do processo, você terá seu sistema Debian Lenny instalado na máquina virtual (figura 11). n [1] Xen Cloud Project: http://www.xen.org/products/cloudxen.html [2] Eucalyptus Project: http://open.eucalyptus.com/ [3] Open Nebula: http://www.opennebula.org/ [4] Nimbus: http://workspace.globus.org/ [5] Imagem ISO da XCP: http://www.xen.org/products/cloud_source.html [6] Open Xen Center: http://www.openxencenter.com 38 http://www.linuxmagazine.com.br