UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE



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Transcrição:

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE INCUBADORA DE EMPRESAS Por: FERNANDA BARROS DA SILVA Orientador Prof. Antonio Fernando Vieira Ney Rio de Janeiro 2009

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE INCUBADORA DE EMPRESAS Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Empresarial. Por: Fernanda Barros da Silva

3 AGRADECIMENTOS A Deus, que é o criador de todas as coisas. Aos meus pais, minha fonte de incentivo e coragem. Ao meu namorado Pedro Henrique, pelo amor e companheirismo durante todo o tempo. As amigas, Aparecida, Hericka, Giovanna e Glaucia, pela parceria, amizade e os momentos inesquecíveis de diversão que me proporcionaram. Ao Professor Antonio Ney, pela orientação ao meu Trabalho de Conclusão de Curso.

4 Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida Ernesto Che Guevara

5 DEDICATÓRIA Dedico aos meus pais que sempre foram meu alicerce nas horas difíceis. Aos que empreendem, arriscam, antecipam-se aos fatos, e constroem o futuro desta nação.

6 RESUMO Em um mundo globalizado, inovação tecnológica e competitividade passam a ser palavras-chaves para o desenvolvimento econômico de um país e para conquistar espaço junto à economia internacional. Neste cenário, as incubadoras de empresas surgem com um papel crucial na supressão de demandas do mercado. As incubadoras proporcionam condições favoráveis para que as micro e pequenas empresas desenvolvam serviços e produtos e conquistem uma posição no mercado. São elas que vão amparar o empreendedor fornecendo infra-estrutura, capacidade técnica, gerencial e administrativa para que as idéias transformadas em produtos ou processos. Depois de graduadas, a maior parte das empresas continua instalada na região de onde foi incubada ou passa a fazer parte de um Parque Tecnológico. Este ambiente é propício para um desenvolvimento mais intensivo de tecnologia e se assemelha às incubadoras por dispor de uma infra-estrutura compartilhada. Os empreendimentos, de uma forma geral, giram em torno das áreas de informática e software, telecomunicações e eletroeletrônica, agroindústria e biotecnologia. Além da sua importância para o empreendedorismo, às incubadoras são geradoras de oportunidades em vários ramos. Elas geram oportunidade de negócios, pois propiciam a abertura das empresas; oportunidade de trabalho onde pessoas são contratadas para desenvolverem atividades dentro dessas empresas; oportunidades econômicas, pois com o inicio das atividades a geração da economia aumenta e as oportunidades tecnológicas que são a grande maioria dentre elas. Palavras-chaves: incubadoras de empresas; empreendedorismo, inovação tecnológica, competitividade.

7 METODOLOGIA A metodologia utilizada foi o método dedutivo, utilizando a pesquisa bibliográfica, através da leitura de livros que expliquem o que é Incubadora de Empresas, consultas a sites afins do tema. Após o estudo dos temas mencionados, foi realizada uma reflexão referente o papel das Incubadoras dentro das organizações e principalmente sua aplicabilidade dentro do mercado de trabalho com a geração de novos empregos, novas tecnologias e conseqüentemente ao novo mundo que se abre aos jovens empreendedores.

8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...09 I- AS INCUBADORAS DE EMPRESAS...11 1.1 - O que é?...11 1.2 Como surgiram...15 1.3 Tipos de incubadoras...18 1.3.1 Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica...18 1.3.2 Incubadoras de Empresas dos Setores Tradicionais...18 1.3.3 Incubadoras de Empresas Mistas...19 1.4 Modalidades de incubadoras de Empresas...19 1.4.1 Empresa Pré-Incubada...19 1.4.2 Empresa Incubada...19 1.4.3 Empresa Graduada...19 1.4.4 Empresa Associada...19 1.5 Sua importância para a sociedade...20 2- INCUBADORAS AMPARO LEGAL...24 2.1 - Políticas Públicas sobre incubadoras...24 2.2 Incubadoras e a sociedade...26 3- AS INCUBADORAS E O MERCADO DE TRABALHO...27 3.1 - Oportunidade de negócios...27 3.2 Oportunidade de trabalho...31 CONCLUSÃO...39 BIBLIOGRAFIA...41

9 INTRODUÇÃO O termo incubadora nasceu inspirado no equipamento criado para proporcionar as funções vitais dos recém-nascidos, ou seja, pessoas físicas que necessitam de tratamentos especiais para sobreviver. Da mesma forma, o termo foi utilizado para promover a sobrevivência das pessoas jurídicas, uma vez que proporcionam as facilidades vitais para o surgimento, desenvolvimento e consolidação de novas empresas, assim como infra-estrutura física e gerencial, serviços básicos e qualificação. O modelo surgiu na década de 70 nos Estados Unidos e Europa em resposta ao crescente aumento de desemprego que se abatia em alguns setores industriais tradicionais. No Brasil teve início na década de 80 através de alguns empreendimentos pioneiros realizados nas cidades de Campina Grande/PB e São Carlos/SP através da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba e da Fundação de Alta Tecnologia de São Carlos. A partir de 1991 o SEBRAE passou a apoiar ações destinadas à implantação, desenvolvimento e fortalecimento das incubadoras, com o objetivo de ajudar na criação e desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Esse apoio começou através da viabilização dos produtos e serviços que o sistema dispõe através do repasse de recursos financeiros para a operação das incubadoras. Vários editais são lançados periodicamente através do SEBRAE e outros órgãos visando apoiar as atividades desenvolvidas por todas as centenas de incubadoras espalhadas no país. Estas publicações ajudam a divulgar, incentivar e levar conhecimento para as empresas emergentes e também a pessoas que desconhecem do assunto fazendo com que o interesse aumente e conseqüentemente haja um estimulo por parte da sociedade em criar e desenvolve idéias.

10 Hoje milhares de incubadoras estão espalhadas pelo Brasil e o mundo gerando novos empregos e inovando cada vez mais. Seu objetivo é reduzir a taxa de mortalidade das pequenas empresas. Além disso, seu processo de seleção procura captar os melhores projetos e seleciona os empreendedores mais aptos, o que amplia as possibilidades de sucesso dessas empresas.

11 CAPÍTULO I AS INCUBADORAS DE EMPRESAS 1.1 O que é? De acordo com o site da FIEB - Federação das Indústrias do Estado da Bahia, incubadora é um processo testado e consagrado há mais de trinta anos em todo o mundo que visa oferecer a empreendedores com grande potencial, apoio em infra-estrutura física e suporte empresarial (consultoria e apoio nas áreas de capacitação, estratégia, marketing, finanças, tecnologia, jurídica, contábil, RH, etc) para que novas idéias sejam desenvolvidas e colocadas no mercado com grande competitividade. (http://www.fieb.org.br/proinc/o-que-incubadora.htm/ acesso 10/06/2009). O site da Revista Eletrônica de Jornalismo Cientifico diz que: é um espaço físico destinado a atender, por tempo limitado, pessoas ou grupos que queiram criar micro ou pequenas empresas de base tecnológica e/ou tradicional, mas que não possuem capital para investir no projeto. Além do espaço físico, a incubadora fornece ainda suporte técnico, consultoria para o desenvolvimento da nova atividade e um serviço de marketing e divulgação. É um ambiente que favorece a criação e o desenvolvimento de empresas e produtos, em especial os inovadores e intensivos em conhecimento. Esse ambiente oferece às

12 empresas emergentes, por custos inferiores aos de mercado, elementos como área física e infraestrutura, vizinhos comprometidos com a inovação, serviços de apoio e serviços de promoção de sinergia intra-muros e extra-muros. (http://www.comciencia.br/ acesso 10/06/2009). Para SOARES (1992, p 5), são programas de assistência às micro e pequenas empresas em fase inicial. Sua finalidade é viabilizar projetos, criando novos produtos, processos ou serviços, gerando novas empresas que, após deixarem a incubadora, estejam aptas a se manter no mercado. Há experiências em várias áreas, sendo a maioria de base tecnológica, como no setor de telecomunicações, eletrônica, informática, mecânica de precisão, biotecnologia, químico, fabricação de produtos odontológicos, entre outros. A incubadora oferece infra-estrutura, apoio técnico, administrativo e de serviços. A estrutura e a assessoria oferecidas diminuem sensivelmente os riscos de fracasso. O ambiente encorajador, com custos e impostos minimizados, facilita o desenvolvimento inicial da empresa. Além disso, os parceiros envolvidos contribuem para firmar a credibilidade da instituição no mercado. O site da visão do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE diz que: é um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas (industriais, de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves), oferecendo suporte técnico, gerencial e formação complementar do empreendedor. A incubadora também facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas. Em geral, as incubadoras dispõem de um espaço físico especialmente construído ou adaptado para alojar

13 temporariamente micro e pequenas empresas e oferece uma série de serviços, tais como cursos de capacitação gerencial, assessorias, consultorias, orientação na elaboração de projetos a instituições de fomento, serviços administrativos, acesso a informações etc. SOARES, Ana Paula Macedo, disponível em: (http://federativo.bndes.gov.br/dicas/d101.htm acesso em 12/06/2009). Já site do e-commerce vê a incubadora como: uma forma interessante de se tentar diminuir o índice de mortalidade das MPE no Brasil que é altíssimo: mais da metade da micro, pequenas e médias empresas, (56%), fecha as portas até o terceiro ano de vida, segundo dados do Sebrae. Uma incubadora de empresas busca oferecer as pequenas empresas apoio estratégico durante os primeiros anos de existência". (http://www.e-commerce.org.br/incubadoras.htm/ 12/06/2009). Segundo Dolabela (1999, p 211), as incubadoras podem ser chamadas de fábrica de empresas. Tem sido o instrumento mais eficiente de suporte ás pessoas que querem transformar seus projetos em produtos e serviços e um grande estimulo á criação de novos negócios. Ela abriga empresas emergentes, em muitos ramos de negócio, nos seus dois primeiros anos de vida. Para Dornelas (2001, p 203) são entidades sem fins lucrativos destinados a amparar o estágio inicial de empresas nascentes que se enquadra em determinadas áreas de negócios. Ela pode ser definida como um ambiente flexível e encorajador no qual são oferecidas facilidades para o surgimento e o crescimento de novos empreendimentos.

14 Já o site da redeincubar descreve que: são ambientes dotados de capacidade técnica, gerencial, administrativa e infra-estrutura para amparar o pequeno empreendedor. Elas disponibilizam espaço apropriado e condições efetivas para abrigar idéias inovadoras e transformá-las em empreendimentos de sucesso. (www.redeincubar.org.br acesso em 21/06/2009). De acordo com o site da Incubadora de Empresas Inovadoras INOVE: é uma estrutura planejada, organizada para apoiar o desenvolvimento de micro e pequenas empresas, de pessoas ou grupos, que queiram criar empresas de base tecnológica ou tradicional, visando à transformação de idéias em produtos ou serviços inovadores. As incubadoras são instrumentos capazes de transformar idéias em negócios, sendo um espaço ideal para o desenvolvimento do empreendedorismo. O ambiente da incubadora estimula a criação e o desenvolvimento de novas empresas, abrigando-as por tempo determinado. (http://www.cefetgo.br/inove/inove.htm acesso em 21/06/2009). Segundo o site da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica ITEC: é um local especialmente criado para abrigar empresas oferecendo uma estrutura configurada para estimular, agilizar, ou favorecer a transferência de resultados de pesquisa para atividades produtivas. Para isso a Incubadora oferece apoio gerencial e técnico (serviços de

15 recepção e secretaria, salas de reunião, Internet, telefone, etc.) e uma gama de serviços que propiciam excelentes oportunidades de negócios e parcerias, para que você desenvolva seu projeto/ empresa. (http://www.itec.unit.br/perguntas.php acesso em 25/06/2009). 1.2 Como surgiram A idéia das incubadoras não é novidade. O precursor das incubadoras modernas surgiu em 1959 no estado de Nova Iorque (EUA), quando uma fábrica da Massey Ferguson fechou, deixando milhares de residentes desempregados. Joseph Mancuso, comprador da fábrica resolveu sub-alugar o espaço para pequenas empresas iniciantes, que compartilhavam equipamentos e serviços. (http://www.comciencia.br/reportagens/cientec/cientec08.htm acesso em 01/07/2009). A partir daí, nos anos 70 as primeiras incubadoras foram fundadas na Califórnia, e têm suas raízes na Universidade de Stanford. Desde cedo, a Universidade de Stanford incentivou seus graduados a iniciarem empreendimentos na região ao invés de migrarem para a costa leste dos Estados Unidos, o maior parque industrial americano. A experiência clássica aconteceu em 1937, quando o diretor do laboratório de Radiocomunicações estimulou dois jovens graduados a persistir no desenvolvimento do projeto de um equipamento eletrônico inovador. Com base numa bolsa de estudos e nos recursos do laboratório, os jovens iniciaram uma empresa para produzir o equipamento. A iniciativa prosperou e se transformou numa das maiores empresas do planeta: a Hewlet-Packard Company. (http://www.comciencia.br/reportagens/cientec/cientec08.htm acesso em 01/07/2009).

16 Desde então, apareceram centenas de incubadoras no mundo, a maioria delas ligada a universidades e centros de pesquisa. As cerca de 1.400 incubadoras existentes atualmente no mundo estão assim distribuídas: PAÍSES ESTADOS UNIDOS NÚMEROS 550 (30% são de base tecnológica) EUROPA 750 BRASIL 67 Tabela 1 Fonte: O segredo de Luísa. Dolabela (1999: 212) O número de incubadoras de empresas tem crescido rapidamente nos últimos anos, tanto no exterior, como no Brasil. Nos Estados Unidos, até o início da década de 1980, havia apenas cerca de dez incubadoras. Esse número cresceu rapidamente na década seguinte e, em 1997, já havia mais de quinhentas incubadoras naquele país. Em 1999, o número de incubadoras nos Estados Unidos era superior a oitocentos. No Brasil, mais recentemente, vem ocorrendo algo semelhante. A primeira incubadora de empresas do país foi criada em São Carlos SP, em 1984, e está vinculada á Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos, entidade mantenedora da incubadora. Desse período até os dias atuais, o número de incubadoras de empresas no país aumentou consideravelmente. Atualmente, principalmente no estado de São Paulo, cria-se, em média, uma incubadora de empresas por mês. O Brasil é o país que experimenta a maior taxa de crescimento em todo o mundo. No estado de são Paulo existem cerca de quarenta incubadoras de empresas, correspondendo a quase 30% do total de incubadoras do país. A principal justificativa para esse explosivo crescimento do número de incubadoras no país, deve-se ao fato de o Sebrae nacional e estadual terem financiado grande parcela dessas incubadoras nascentes, com renovação anual dos convênios firmados. Tais convênios foram firmados através do CNPq com instituições localizadas em São Carlos SP, Joinvile SC, Campina Grande PB, Manaus AM e Santa Maria RS, com o intuito de criar empresas de base tecnológica nessas regiões. Essas experiências

17 iniciais motivaram o surgimento de parques e pólos tecnológicos em outras regiões do Brasil, que atualmente possui dezenas dessas iniciativas. Com a criação dos pólos e parques tecnológicos, o surgimento do conceito de incubadoras de empresas de base tecnológica foi natural, já que, para abrigar as iniciativas empreendedoras, havia a necessidade de se construir espaços que proporcionassem um perfeito desenvolvimento desses negócios inovadores e acelerassem sua consolidação. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo Transformando Idéias em Negócios. 6 triagem. Rio de Janeiro: Campus, 2001. Segundo dados da ANPROTEC Associação Nacional de Entidades Promotoras de Tecnologias Avançadas há no Brasil, 614 empresas incubadas, assim distribuídas: REGIÃO EMPRESAS INCUBADAS SUDESTE 233 SUL 185 NORDESTE 74 CENTRO-OESTE 01 NORTE 03 Tabela 2 Fonte: O segredo de Luísa. Dolabela (1999: 212) Setores de atuação das incubadoras: SETORES DISTRIBUIÇÃO INFORMÁTICA 34% QUÍMICA 13% ELETRÔNICA 11% BIOTECNOLOGIA 7% MECÂNICA 4% NOVOS MATERIAIS 2%

18 OUTROS PRODUTOS 29% Tabela 3 Fonte: O segredo de Luísa. Dolabela (1999: 212) Evolução de incubadoras no Brasil: ANO NÚMEROS 1990 8 1994 20 1995 25 1996 30 1997 67 Tabela 4 Fonte: O segredo de Luísa. Dolabela (1999: 212) 1.3 Tipos de Incubadoras As incubadoras são classificadas em função da natureza dos empreendimentos que abrigam. Basicamente existem três tipos de incubadoras de empresas: as de base tecnológica, as de setores tradicionais e as mistas. 1.3.1 Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica São aquelas que abrigam empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas, que apóiam empreendimentos cujo principal insumo é a tecnologia que representa alto valor agregado. 1.3.2 Incubadoras de Empresas dos Setores Tradicionais São as que apóiam empreendimentos ligados aos setores tradicionais da economia, as quais detêm tecnologia largamente difundida e que queiram agregar valor aos seus produtos, processos ou serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico. Estes tipos de incubadoras devem estar comprometidas com a absorção ou o desenvolvimento de novas tecnologias.

19 1.3.3 Incubadoras de Empresas Mistas São aquelas que abrigam empresas dos dois tipos acima descritos. Porém, trata-se de um tipo especifico criada na Bahia que apóiam empresas dos setores culturais, cooperativas, artesanato e agronegócios. (http://www.sebrae.com.br/br/planejesuaempresa/incubadorasdeempresas.as p acesso em 05/07/2009). 1.4 Modalidades de Incubadoras de Empresas 1.4.1 Empresa Pré-Incubada É o período de tempo determinado, no qual o empreendedor poderá finalizar sua idéia, utilizando todos os serviços da incubadora/hotel de projetos, para definição do empreendimento, estudo da viabilidade técnica, econômica e financeira ou elaboração do protótipo/processo necessários para o efetivo início do negócio. 1.4.2 Empresa Incubada Empreendimento que está participando do processo de incubação (empresas residentes e associadas). 1.4.3 Empresa Graduada Empreendimento que alcançou desenvolvimento suficiente e habilitou-se na incubadora, entrando no mercado. 1.4.4 Empresa Associada Empreendimento incubado à distância. (http://www.sebrae.com.br/br/planejesuaempresa/incubadorasdeempresas.asp acesso em 05/07/2009).

20 1.5 Sua importância para a sociedade O caminho para um desenvolvimento sustentável e competitivo passa cada vez mais pelo estímulo ao desenvolvimento regional. O desenvolvimento de uma região pode ser alavancado quando as empresas nela localizadas estabelecem laços de cooperação, gerando sinergias positivas que estimulam a competitividade. Assim, o fomento a grupos de pequenas e médias empresas emergentes de uma região é fundamental para impulsionar a geração de emprego, renda e a melhoria de competitividade das empresas desta região. A criação e desenvolvimento de incubadoras de empresas é um instrumento que permite as instituições estimular negócios emergentes e assim contribuir para a geração de conhecimento. Inicialmente concebidas como mecanismos para estimular a criação de empresas individuais de alta tecnologia, cada vez mais as incubadoras vêm crescendo e ampliando seu foco no sentido de abrigar negócios onde ela atua. Outro passo importante no que se refere às incubadoras é a incorporação em vários países pelas instituições responsáveis o que tem levado ao estímulo a negócios que geram emprego e renda sem agredir o meio ambiente. As incubadoras são mecanismos utilizados para promover e estimular a criação de micro e pequenas empresas. Elas contribuem para o desenvolvimento socioeconômico, na medida em que são potencialmente capazes de induzir o surgimento de unidades produtivas que geram grande parte da população industrial e cria a maior parte dos postos de trabalho no país. No Brasil, as incubadoras vêm crescendo constantemente e são consideradas um importante instrumento de política de desenvolvimento e de inovação. A ANPROTEC realiza todo ano um panorama das incubadoras existentes no país. O panorama de 2002 confirma que o foco das incubadoras hoje é mais amplo do que simplesmente promover o desenvolvimento tecnológico; 92% das incubadoras apontaram como seu

21 principal objetivo o estímulo ao empreendedorismo, e os objetivos que aparecem em segundo lugar em ordem de importância destacam o desenvolvimento tecnológico e o desenvolvimento econômico regional (apontados por 81% das incubadoras). Estimativas já apontam que a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas que passam pelas incubadoras também fica reduzida a níveis comparáveis aos europeus e americanos. Para as nascidas fora do ambiente de incubadora, o SEBRAE aponta uma taxa de mortalidade de 80% antes de completarem o primeiro ano de funcionamento. As micro e pequenas empresas que surgem no mercado sem contar com o apoio das incubadoras tem menores chances de incorporar inovações em seus processos de produção ou de prestação de serviços. Os micro e pequenos empresários têm seu tempo consumido pelo trabalho cotidiano e rotineiro, enfrentam dificuldades financeiras e contam com um quadro de recursos humanos muitas vezes recrutado na própria família, quase sem especialização e capacitação para incorporar inovações à empresa. Comparando este fato, o ambiente de uma incubadora é um habitat mais que desejável para as empresas nascentes, considerando que, além do apoio técnico-econômico, há sinergia criada pela concentração de empreendedores que têm como meta o sucesso empresarial. Dados do SEBRAE mostram que as micro, pequenas e médias empresas constituem cerca de 98% das empresas existentes, empregam 60% da população economicamente ativa e geram 42% da renda produzida no setor industrial, contribuindo com 21% do Produto Interno Bruto PIB. Estatísticas de incubadoras americanas e européias indicam que a taxa de mortalidade entre empresas que passam pelo processo de incubação é reduzida a 20%, contra 70% detectada entre empresas nascidas fora do ambiente de incubadora.

22 Hoje existem 183 incubadoras no país, e as regiões onde há maior concentração de instituições de ensino e pesquisa são também as regiões onde a maior parte das incubadoras se localizam, que são as regiões sudeste, com 35,5%% de incubadoras e na região sul, com um índice de 45,9% delas. As incubadoras hoje geram 4.456 empregos, e as empresas ficam em média de 2 a 3 anos na incubadora, a maior parte que saem das incubadoras sobrevivem, e tem um faturamento estimado de até 180.000. Algumas empresas (3% do total) conseguem crescer rapidamente e tem faturamento superior a cinco milhões de reais. Os dados acima mostram que incubadoras de empresas representam um instrumento consolidado de políticas de desenvolvimento sustentável. No âmbito do governo federal, o Programa Nacional de Apoio as Incubadoras (PNI), sob responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecnologia, possui entre seus parceiros, o Ministério do desenvolvimento e instituições como Sebrae, Senai, banco do Nordeste a ANPROTEC. Fica evidente a necessidade e a importância das incubadoras em todo o mundo. Uma das contribuições que elas trazem são estabelecimentos de uma nova cultura empresarial que valoriza aspectos não observados pela maioria dos grandes grupos empresariais, dentre os quais se destacam: a realização sistêmica das atividades de inovação com investimentos em pesquisa e desenvolvimento; a busca permanente de informações e a projeção da tecnologia, dentre outras. (http://www.iets.org.br/article.php3?id_article=463 acesso em 10/07/2009). O objetivo de uma incubadora é reduzir a taxa de mortalidade das pequenas empresas. Para isso, as incubadoras oferecem um ambiente flexível e encorajador onde são oferecidas uma série de facilidades para o surgimento e crescimento de novos empreendimentos a um custo bem menor do que no mercado, na medida em que esses custos são rateados e as vezes subsidiados. Outra razão para a maior chance de sucesso de

23 empresas instaladas em uma incubadora, é que o processo de seleção capta os melhores projetos e seleciona os empreendedores mais aptos, o que naturalmente amplia as possibilidades de sucesso dessas empresas. A incubadora de empresas procura levar ao mercado micro e pequenas empresas viáveis e fortalecidas, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico regional e nacional. A importância das incubadoras na economia regional pode ser verificada através de números bastante significativos: as incubadoras brasileiras abrigam hoje 2.114 empresas incubadas. Entre as empresas graduadas, 93% permanecem no mercado. A importância deste processo de incubação é tão intenso, que dados fornecidos pela ONU mostram que a estimativa é de que o faturamento global das empresas que foram ou estão sendo incubadas pelos Estados Unidos deve atingir 24 bilhões de dólares e garantir cerca de 270.000 milhões de empregos altamente especializados. (http://www.incubem.ufma.br/incubem/artigo.htm acesso em 10/07/2009).

24 CAPÍTULO II INCUBADORAS AMPARO LEGAL 2.1 Políticas Públicas sobre as Incubadoras Esta área de conhecimento descreve o desenvolvimento econômico, políticas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e de recursos humanos que afetam o meio no qual a incubadora de empresas opera. Ela traz a importância de tais políticas e oferecem informações sobre regulamentos governamentais, linhas de crédito especiais, sistemas para políticas de desenvolvimento social, econômico, tecnológico e ambiental que vêm sendo implementadas em todo mundo. As incubadoras de empresas estão inseridas em diferentes aspectos socioeconômicos, políticos e institucionais muitas das vezes opostos, pois elas são mecanismos de promoção de cooperação entre universidades, empresas e governo. As incubadoras são mecanismos geradores de inovação nas micro e pequenas empresas, cuja pré-condição de sucesso é a existência de políticas públicas e privadas adequadas ao novo paradigma técnico-econômico, baseado no estimulo à exportação de bens e serviços inovadores que exigem fatores avançados da produção Isto é, a ciência e a tecnologia como principais insumos de produção, sucessivas inovações de produtos e processos, educação formal e continuada da força de trabalho, tanto no nível técnico (chão da fábrica) quanto no estratégico (políticas e diretrizes básicas para o desenvolvimento institucional); e a cooperação intrainstitucional e interinstitucional entre os agentes de desenvolvimento econômico e social, entre universidade, empresa e estado. O mercado consumidor que era pequeno e pouco exigente, hoje tomou proporções muito maiores e se mostra extremamente exigente, de forma que no âmbito das empresas, o processo produtivo em massa e a racionalidade técnica que estão diretamente ligados a área de produção define o rumo da empresa com produtos e serviços especializados, com valor tecnológico

25 agregado; e como estratégia de competitividade, verifica-se a integração entre as áreas de produção, marketing, vendas e finanças. Sendo assim, pode-se afirmar que o grande desafio para a incubadora é que ela própria seja, ao mesmo tempo, o grande gerador e promotor do processo de criação de políticas públicas voltadas para a inovação nas MPEs, tais como propriedade intelectual, crédito/fomento e financiamento da inovação e infra-estrutura de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). (http://www.anprotec.org.br/idisc/html/trabalhos/políticas.html acesso em 11/07/2009). A economia solidária, que é um modo de produção e distribuição alternativo ao capitalismo, criado pelos que se encontram marginalizados pelo mercado de trabalho. No Brasil, a partir da década de 80, a Economia Solidária ressurgiu com a reação de movimentos sociais frente à crise de desemprego em massa, intensificada nos anos 90, com a abertura do mercado às importações. Desde a década de 90, a Economia Solidária é tema de debates, pesquisas acadêmicas, políticas públicas e, principalmente, tem sido experimentada por um número cada vez maior de trabalhadores, desempregados e populações marginalizadas. Do movimento de Economia Solidária hoje no Brasil, atuam: - Cooperativas industriais; - Empreendimentos populares; - Movimentos sociais; - Sindicatos; - Fóruns Municipais, Estatuais e Fórum Brasileiro de Economia Solidária; - Políticas Públicas de fomento à Economia Solidária; - Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES).

26 Existem hoje centenas cooperativas industriais do setor metalúrgico, de mineração, de confecção, de produção de máquinas, de produção de artefatos de couro, agrícolas, entre outras. Essas cooperativas foram em geral formadas através de processo falimentar das empresas originais em que trabalhadores, com apoio de assessores sindicais conseguem se apossar da massa falida da empresas formando cooperativas, salvando postos de trabalho. (http://www.itcp.usp.br/?q=node/12 acesso em 11/07/2009). 2.2 Incubadoras e a Sociedade No Brasil, as incubadoras de empresas surgiram inicialmente ligadas a universidades e centros de pesquisa, mas atualmente são fomentadas por diversas instituições. Esses nascedouros de negócios podem ser divididos por tipos, de acordo com o foco, a tecnologia etc. A Extensão Universitária deve atuar como elo entre a Universidade e a sociedade, sobretudo com os segmentos menos favorecidos. Atualmente contempla um amplo conjunto de ações distribuídas nas seguintes áreas temáticas: Educação, Saúde, Comunicação, Cultura, Meio Ambiente, Direitos Humanos, Tecnologia e Trabalho. A adoção desta nova concepção proporciona impactos que vão além da reorganização das atividades de Extensão no âmbito de cada organização de ensino superior, passando a ser um poderoso instrumento a serviço da transformação das condições de vida da população brasileira. As incubadoras de base tecnológica se diferenciam das tradicionais porque abrigam, com freqüência, empreendimentos oriundos da pesquisa científica e cujo processo produtivo baseia-se em tecnologia avançada e inovadora, ainda não difundida no mercado. (http://www.inova.ufmg.br/portal/modules/wfchannel/index.php?pagenum=103 acesso em 15/07/2009).

27 CAPÍTULO III AS INCUDABORAS E O MERCADO DE TRABALHO 3.1 Oportunidade de Negócios A eficácia do sistema nacional de incubação de empresas no cenário atual da chamada nova economia é muito grande. Inclusive, na América Latina, o Brasil lidera o ranking de presença de incubadoras de micro e pequenos empreendimentos. E para ratificar esse sucesso nada melhor do que vislumbrar os resultados positivos das empresas que passaram pelo processo de incubação e, hoje estão no mercado colhendo os bons frutos dos investimentos em tempo e aprendizado dentro da incubadora. Atualmente, são cerca de 160 gestoras de negócios de pequeno porte espalhadas pelo país. São estruturas que garantem espaço físico e todo tipo de assessorias para empresas nascentes que, em geral, dão origem a importantes produtos e serviços baseados em sistemas de inovações, empreendedorismo e conhecimentos. As empresas residentes têm por finalidade principal, dentro de um prazo estabelecido pela incubadora, sair dessa estrutura e alcançar o mercado, como ao empreendimento residente considerado apto a enfrentar as intempéries do mercado. Essa certificação permite que o negócio atue mais seguro e com planejamento fora do ambiente de incubação. Atentos ao desafio de comprovar a eficiência do sistema de incubação de empresas no Brasil, o Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT e o Instituto Euvaldo Lodi IEL, lançaram em dezembro de 2001, uma publicação inédita que revela a quantidade e qualidade dos empreendimentos graduados atuantes no mercado brasileiro e, até internacional, que surgiram de projetos inovadores apoiados por incubadoras. Além disso, o texto apresenta o grande número de produtos inovadores lançados, a alta qualificação dos recursos

28 humanos, a preocupação com as marcas, o investimento em Pesquisa e desenvolvimento. Segundo dados do Panorama, o país apresentava até o final de 2001, 150 incubadoras, com cerca de 1000 empreendimentos atuando nas mais diversas áreas, as quais chegaram a gerar naquele ano mais de 7000 novos postos de trabalho. A pesquisa realizada pelo IEL Nacional e o MCT se baseou em dados sistemáticos de 103 empreendimentos que saíram de incubadoras, dos quais 53 são industriais, 21 de serviços e 29 de informática. O empreendimento graduado passa para um estágio maior de atividades de produção e enfrenta uma grande complexidade na condução dos negócios e na retomada de decisões estratégicas. Ao saírem da incubadora muitos negócios não se instalam em outra estrutura coletiva, como parques, condomínios ou pólo industrial. Em geral, as empresas se dedicam a um conjunto maior de atividades fabricando produtos (em média, cada empreendimento oferece um mínimo de cinco produtos), além de prestarem serviços variados. A clientela dessas empresas é formada, normalmente, por órgãos do governo, empresas privadas de pequenos e médios portes e por pessoas físicas. Geralmente, as empresas graduadas iniciam suas atividades com capital intelectual e posteriormente se beneficiam de financiamentos sem retorno na forma de bolsas, sendo 88% dos empreendimentos Ltda, 5% S.A, 6% firmas individuais e 1% em outras categorias. As empresas recorrem a serviços de apoio oferecidos por instituições como Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE e IEL, em forma de editais, cursos e assessoramentos. Cada empresa emprega, em média, 15 pessoas que têm alta qualificação profissional. Esse dado ratifica o fato de que essas empresas valorizam e difundem conhecimentos gerados a partir das universidades. É importante enfatizar que os empreendimentos que passam pela incubadora adquirem experiência gerencial, ao contrário, das pequenas empresas que partem para o mercado sem ter passado por uma estrutura de incubação. As áreas mais estruturadas das empresas graduadas brasileiras são as de produção e

29 finanças. O setor de vendas é mais organizado nas empresas industriais, mas, segundo considerações que constam na própria pesquisa, falta às empresas de informática, industriais e de serviços áreas mais formalmente estruturadas. Quanto à modernização das empresas, pode-se dizer que elas estão plugadas no universo sofisticado das novas tecnologias. As empresas fazem significativo uso de recursos de informática, sendo usuários e difusores de produtos informáticos. O perfil dos empreendedores revela que cerca de 88% dos sócios das empresas têm curso superior completo ou em andamento e 34% têm pósgraduação, mestrado ou doutorado. Esses dados comprovam o nível de especialização da formação dos empresários que instalam seus negócios nas incubadoras. Faz parte do perfil dos empresários a inter-relação entre os sócios integrantes das empresas que começa já na faculdade, onde eles percebem uma oportunidade de negócio a partir dos conhecimentos obtidos na academia, de pesquisas científicas. Há também, graus de parentescos em 31% dos empreendimentos, o que pode caracterizar empresas do tipo familiar e 33% dos relacionamentos existentes entre os sócios na oportunidade da fundação da empresa remetem a ambientes externos das instituições de ensino. Cerca de 50% dos sócios fundadores mantinham algum tipo de relacionamento com instituições de ensino e pesquisa. Dessas relações, 40% eram de caráter profissional, ou seja, os sócios trabalhavam como pesquisadores ou docentes nas instituições. Aproximadamente, 54% dos empresários atuantes nas empresas eram jovens de até 30 anos no momento de sua fundação e hoje parte desse empresariado já está na faixa dos 40 anos. O quadro de funcionários das empresas revela um alto grau de formação de seus integrantes, cerca de 40% do total têm ou estão concluindo o 3 grau e, além disso, as empresas de informática apresentam 71% de empregados com nível superior. São, em média, 17 postos de trabalhos existentes nas empresas graduadas. O setor manufatureiro chega a empregar 20 pessoas por

30 empresa e devido aos custos trabalhistas, a pesquisa revela que há informalidade e terceirização por parte do empresariado. (http://www.anprotec.org.br/locus32/especial.htm acesso em 17/07/2009). Veja abaixo um exemplo de uma empresa que através da incubação, hoje tem possibilidade de gerir seu negócio, proporcionando a seus clientes satisfação através de seus produtos: Simulação de corrida e desenho animado está entre os produtos desenvolvidos pela Mobilit: Com uma boa idéia e sem querer arriscar a poupança que tinham em caixa, a Mobilit procurou o apoio da Coordenação dos Programas de Pósgraduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). "A incubadora oferece uma estrutura importante em áreas como marketing, administração e financeira-contábil e não tínhamos formação específica para isso. Não dava para aplicar nosso dinheiro sem saber direito como o negócio funcionava. Não tínhamos espaço para erro", conta Cléber Pereira de Oliveira. A partir dessa estrutura, eles puderam aprimorar o projeto e fecharam um contrato com a maior operadora chilena, que tem cinco milhões de usuários. O mesmo jogo está em fase final de negociação com o Uruguai. A Mobiliti também se prepara para entrar nos mercados americano e europeu. A operação com o Chile deu à empresa fôlego suficiente para sair da incubadora e enfrentar o mercado com as próprias pernas, mas o empresário está sempre alerta para enfrentar as dificuldades de gerir uma pequena empresa. Para se preparar melhor, o engenheiro chama atenção para a importância do papel do Sebrae. "Fiz todos os cursos on line, como fluxo financeiro, e também aprendi o passo-a-passo das exigências legais. Graças a essas informações do Sebrae, não perdi tempo para abrir minha empresa. Quando

31 falei com o contador já tinha uma idéia bem clara do que queria". Ele também ressalta que, com o Sebrae, pôde aprender a formatar projetos para se candidatar a linhas de financiamento. Apesar das dificuldades, os dois sócios da empresa estão confiantes no trabalho que desenvolvem. Agora, eles comemoram mais um desfecho favorável com dois jogos baseados no filme 'Os Sem-Floresta'. O resultado foi tão favorável que eles receberam pronta autorização para utilizar a marca da Dreamworks, uma das maiores produtoras de filmes e animações de Hollywood. Este trabalho foi realizado em parceria com a Cine Móbile, que detém no Brasil os direitos do filme em relação à produção de jogos. "A Dreamworks é uma das maiores produtoras de animação do mundo e confiou no nosso trabalho a ponto de colocar o nome dela. Isso, sem dúvida, representa um motivo de orgulho muito grande para a Mobiliti", comemora Cléber Oliveira. Ele também ressalta que um dos diferenciais da empresa é desenvolver jogos para mais de trinta modelos de aparelhos e vários já foram disponibilizados por operadoras brasileiras. (http://www.sebraesc.com.br/novos_destaques/oportunidade/default.asp?materia=12393 acesso em 17/07/2009). 3.2 Oportunidade de Trabalho Com o fim do ciclo da Revolução Industrial, o mundo do trabalho vem passando por transformações que configuram o ingresso em uma nova etapa do processo de produção de bens e serviços e das relações de trabalho. Na economia, a globalização trouxe consigo a batalha pela conquista dos mercados. Conseguem vencer esta batalha os países que oferecem produtos de melhor qualidade a preços mais competitivos. Por isso, as organizações vêm passando por processos de ajustes estruturais e fusões, permanecendo nos empregos, em geral, os mais qualificados.

32 Na tecnologia, os avanços das últimas décadas vêm substituindo não só o esforço físico como também boa parte da atividade intelectual, possibilitando às organizações aumentar a produtividade sem que isso se traduza em maior número de postos de trabalho, desvinculando assim a produção do emprego. Porém, uma pergunta ficar no ar. E o que acontece com os empregos? Uma das conseqüências da "era do conhecimento" no Brasil é o crescimento exponencial da informalidade no mundo do trabalho. A pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), que mede a taxa de empreendedorismo em vários países, e realizada anualmente sob coordenação de universidades dos Estados Unidos e da Inglaterra, mostra que o Brasil, hoje, é o sexto país mais empreendedor do mundo. A GEM monitora, ao todo, 31 países do mundo, que, juntos, respondem por mais de 90% do PIB mundial. (http://www.gemconsortium.org/categorylist.asp?cid=123 acesso em 20/07/2009). (http://www.ibqppr.org/index.php?menu=prodempreende acesso em 20/07/2009). Quando se fala em empreendedorismo por oportunidade, o Brasil cai para a décima posição. Quando se trata de empreendedorismo por necessidade, no entanto, ocupamos a quinta posição. A título de comparação, a França é o primeiro país do mundo em empreendedorismo por oportunidade e praticamente não possui empreendedores por necessidade. Isso significa que grande parte do empreendedorismo desenvolvido no Brasil resulta de uma questão de sobrevivência, uma vez que não há trabalho para todos e há necessidade de geração de renda. Isso reflete uma outra questão muito complicada. No Estado de São Paulo, 99% das empresas instaladas são classificadas como micro e pequenas. Nesta última categoria, contam-se 1,3 milhões de empresas, as quais respondem por mais de 60% dos postos de trabalho da iniciativa privada no Estado. O aspecto perverso destes dados é que apenas 40% das MPE recém-abertas permanecem no mercado após cinco anos de vida.

33 Trata-se de uma situação extremamente grave e com conseqüências desastrosas, não só em termos de perspectiva de vida como no de autoestima. Não encontrando trabalho e incapaz de gerar renda, esta população permanece em total desalento e sem motivação para novas iniciativas. Em vista disso, transformar o empreendedorismo por necessidade de sobrevivência em oportunidades de negócios é o grande desafio que se coloca para os governos e as instituições como o Sebrae, cuja missão é promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das micro e pequenas empresas. (http://www.sebraesp.com.br acesso em 27/07/2009). Sendo responsáveis por mais de 60% das pessoas ocupadas nas atividades privadas, as MPEs se constituem num celeiro de empregos. Pesquisas de Conjuntura realizadas pelo Sebrae-SP sobre as MPEs mostram que, nos primeiros cinco meses de 2004, enquanto seu faturamento médio caiu em até 11%, quando comparado ao mesmo período do ano passado, o nível de pessoal ocupado sofreu queda de apenas 0,4%. Isso reforça a idéia de que as pequenas empresas constituem um segmento da economia que atua como um "colchão" contra o desemprego porque, como são pequenas e empregam pouca gente, não fazem ajustes no pessoal em momentos de crise, como acontece na grande empresa. Além de empregadoras, elas asseguram maior estabilidade quando comparadas às grandes empresas. No Brasil, hoje, mais de 50% da População Economicamente Ativa (PEA) está trabalhando sem carteira assinada. No entanto, isso não significa dizer, que a oferta de empregos tenha chegado ao fim. Apenas houve uma mudança em termos de estilo e de oferta engendrada não só pela própria dinâmica das novas tecnologias, mas também pelo seu impacto na sociedade e na própria natureza do trabalho. Hoje não é preciso mais se trabalhar dentro de uma indústria ou em um ambiente físico limitado. Com a tecnologia disponível é possível desempenhar alguma atividade em qualquer lugar que esteja ligado a um sistema de rede, com acesso a toda informação necessária.

34 O Sebrae atua nesse quadro com o objetivo de transformar as MPEs e o empreendedorismo numa oportunidade digna de trabalho. Precisamos encarar esse turbilhão que estamos vivendo como traumas da mudança. O que se deve fazer, na realidade, é voltar à atenção para o futuro. O modelo do desenvolvimento industrial não vai se repetir e o "novo trabalho" será diferente daquele vivenciado na era industrial, com novos conceitos e melhor perspectiva de qualidade de vida. Ele cria um novo modelo, assim como o que foi criado no século XIX. E uma de suas bases é justamente o empreendedorismo, o trabalho por conta própria, a capacidade de gerar o próprio negócio, os próprios recursos e contribuir para a sociedade de forma mais pessoal. O desenvolvimento do comportamento empreendedor passa pela valorização e pela capacitação para o associativismo. A associação, a rede social, o terceiro setor, a vida da forma como se vê hoje e tendo como perspectiva a preocupação com a sobrevivência no planeta, com a ecologia, a indignação com a miséria; toda essa dinâmica está gerando novas oportunidades de trabalho e de renda que serão vetores de oportunidades para o trabalho no futuro. Acoplando toda essa questão a uma visão de longo prazo e iniciando a construção do futuro a partir de agora, considerando o empreendedorismo como uma oportunidade a mais. Outro ponto importante que o SEBRAE também se preocupa é com o jovem. Hoje ela se torna o segmento mais displicentemente olhado pela sociedade, uma vez que não existe política pública efetiva capaz de engajá-lo na mesma. Precisamos formar nossos jovens para o empreendedorismo. Para o trabalho autônomo, para o associativismo, para o cooperativismo, que surgem como novas possibilidades de geração de trabalho e renda. Essas palavras apavoram a maioria das pessoas com mais de quarenta anos, mas o novo mundo se constrói olhando para frente e não lutando para tentar segurar um passado que definha.

35 É preciso que a idéia das novas formas de trabalho, e não exclusivamente de emprego, seja levada para o jovem desde o ciclo básico até a Universidade, de modo que ele seja educado para a mudança e não para estabilidade. Ele deve ser ensinado a conviver com o risco e aprender com ele, a pensar grande, a ter auto-estima, coragem, confiança e capacidade para gerir sua própria vida, vendo na mudança a oportunidade e não a ameaça. Abrir um pequeno negócio deveria ser objeto de realização pessoal de não de falta de opção. Com base nisso tudo, o SEBRAE se engaja em alguns projetos fundamentais para o jovem. Um deles é o programa Universitário Cidadão, que capacita jovens para que desenvolvam projetos sociais. Os universitários são formados numa série de programas voltados para o terceiro setor, para que eles não só prestem serviços como estagiários, mas para que também possam verificar outras possibilidades de ocupação nem sempre visíveis nesse mercado que tem a empresa como única e exclusiva fonte de trabalho. Um outro projeto tem como foco a formação do jovem do nível médio, para que ele desenvolva conceitos de empreendedorismo e tenha a oportunidade de vir a tornar um empreendedor. A ação inclui um programa suplementar de treinamento para que o jovem se associe e, por meio da associação, possa desenvolver o seu próprio negócio. Um terceiro projeto pretende levar o empreendedorismo para crianças do nível fundamental de ensino. Para este segmento, o SEBRAE desenvolveu um curso chamado Jovens Empreendedores - Primeiros Passos. Os professores são capacitados por facilitadores do SEBRAE e o curso pode ser incluído no currículo regular das próprias escolas onde esses professores trabalham. São José dos Campos foi o município escolhido para fazer um programa-piloto, onde foram treinadas treze turmas de professores e trinta mil alunos passaram pelo processo. Ao término de cada ciclo de aprendizagem, o município faz uma feira de empreendedorismo para que o jovem possa mostrar o que aprendeu e os projetos que desenvolveu. Esse programa é

36 disponibilizado aos municípios do Estado de São Paulo, caso se interessarem em implementá-lo. (http://www.sebraesp.com.br acesso em 27/07/2009). A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da Universidade de São Paulo (USP) iniciou sua atividade em 1998 com moradores da região do Rio Pequeno, nas proximidades da USP, a qual resultou na formação da Cooperbrilha. Desta experiência, foram criados os princípios metodológicos que orientam o trabalho da ITCP-USP, e baseandose neles foram acompanhados 17 grupos de diversos setores nos dois anos seguintes, com financiamento da FINEP, dentro do Programa Nacional de Incubadoras - PRONINC. Em 1999, a ITCP-USP estabeleceu uma parceria com a CNM/CUT (Confederação Nacional de Metalúrgicos), na qual foram dados cursos de formadores aos sindicalistas e de formação cooperativa aos grupos do projeto Integrar, no Estado de São Paulo. Em seguida, em parceria com a SERT (Secretaria do Emprego e Relações de Trabalho do Estado) a ITCP- USP desenvolveu 20 cursos de introdução ao cooperativismo e, posteriormente, acompanhou os grupos formados. Nestas parcerias, foram envolvidos mais de 600 trabalhadores e as atividades expandiram-se para o Vale do Paraíba, o Vale do Ribeira e a Praia Grande, onde catadores com o apoio da ITCP-USP em parceria com o poder público municipal criam uma cooperativa de reciclagem. Em 2001, a ITCP-USP ampliou suas parcerias com executivos municipais, seguindo a estratégia de construção e desenvolvimento de trabalhos no âmbito de políticas públicas de Economia Solidária. Com a Secretaria de Relações de Trabalho da Prefeitura do Município de Guarulhos, articulou-se a implementação do Programa Bolsa Auxílio ao Desempregado (BAD), que resultou na sensibilização de mais de 700 pessoas, o acompanhamento de grupos de costura, artesanato e de catadores de materiais recicláveis e na legalização de uma cooperativa de jardinagem. A ITCP-USP também realizou dois cursos de multiplicadores, para a comunidade, equipe e capacitadores

37 técnicos do Programa. Outra ação, o Projeto Escola-Itinerante teve como objetivo a formação integrada em construção civil, autogestão e cooperativismo e a ampliação de escolaridade, baseada na educação popular, por meio da construção de um equipamento público, escolhido em pela própria população, configurando-se uma política pública diferenciada relativa à qualificação. Outra parceria importante foi estabelecida com a Prefeitura do Município de São Paulo, através da Secretaria de Desenvolvimento Trabalho e Solidariedade (SDTS-PMSP), no Programa Oportunidade Solidária. Neste trabalho, foram desenvolvidas atividades com beneficiários dos programas de redistribuição de renda: Começar de Novo e Bolsa Trabalho, nos distritos de Capão Redondo, Jardim Ângela e Campo Limpo, periferia da Zona Sul de São Paulo, registrando um total de 1500 pessoas atingidas e mais de 50 grupos acompanhados. A partir dessa experiência, propôs-se uma nova estratégia de atuação baseada na criação e consolidação de uma Rede Solidária local. Esta nova estratégia em desenvolvimento complementa a principal atividade realizada pela ITCP-USP, a incubação de empreendimentos de Economia Solidária. A formação da Rede local e de seis empreendimentos da Zona Sul, e quatro empreendimentos do entorno da USP são atualmente projetos desenvolvidos através do financiamento do Programa Nacional de Incubadoras do governo federal (PRONINC). A rede envolve hoje parceiros do poder público local, empreendimentos de economia solidária e entidades da sociedade civil. Após vários encontros de formação em Economia Solidária, coordenados pela ITCP, os participantes da rede elaboraram um plano de ação, que envolve ações de apoio a empreendimentos na região, atividades de formação e divulgação da Economia Solidária e novos projetos: núcleos de compras coletivas, projeto de apoio para os grupos de agricultura urbana e o projeto Mercado Escola. Para estes novos projetos, foram estabelecidas novas parcerias e financiamentos: com a Rede de Tecnologia Social (RTS), a FINEP - MCT e o CNPq.